
Arte do amigo e conterrâneo Luiz Rabelo
Usando um aplicativo
Envelheci trinta anos
E vi os terríveis danos
Em meu rosto, outrora altivo.
Fiquei muito pensativo
Com minha senilidade,
Percebi a vaidade
Ao lado me consolando:
– Meu senhor, tá acabando
Seu tempo de validade!
O tempo me projetou
Na rapidez de um passe
E fez com que eu passasse
Por onde ninguém passou.
Perguntei: – Onde é que estou?
Na terra dos marcianos?
E uns seres soberanos
Tentavam me explicar:
– Vais chegar neste lugar
Só daqui a trinta anos!
Quase sonhando acordado
Com meu retrato na tela,
Vendo a tristonha aquarela
Fiquei impressionado.
Quis voltar ao meu passado
Para me sentir seguro,
Entre a dúvida e o apuro
Comecei a me benzer
Para nunca mais querer
Passear pelo futuro.