VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

LADRÃO HOJE, LADRÃO SEMPRE

Ladrão é o indivíduo que rouba, realiza furtos, pega para si o que não lhe pertence. É aquele que faz negócios na esperteza e na malandragem. É pessoa sem caráter nem escrúpulos.

Deixando de lado os principais crimes praticados por funcionários públicos contra a Administração Pública (corrupção, peculato, concussão e prevaricação), focalizamos aqui, apenas os ladrões de segunda classe, os desvalidos, que às vezes, apodrecem na cadeia, por furtarem uma galinha ou uma lata de leite em pó para alimentar um filho. Esses ladrões não podem pagar advogado e por isso ficam à mercê do órgão de defesa pública (Defensoria), que vive superlotada de processos, sendo impossível atender, em tempo hábil, à alta demanda.

Uns furtam por necessidade, outros por tara ou degeneração.

Furto – Art. 155 do Código Penal – Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa. § 1º – A pena aumentará……………………….- 

Roubo – Art. 157 do Código Penal Brasileiro – Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:

Pena – reclusão, de quatro a dez anos, e multa.

No Brasil, a modalidade de roubo mais atual é o assalto, principalmente a bancos, feito por associação criminosa ou quadrilha, com no mínimo, três componentes, que se juntam para a prática de crimes contra a paz pública.

Em São Paulo (SP), no ano de 2015, duas agências bancárias ou caixas eletrônicos foram roubados na cidade, por semana.

Atualmente, essa modalidade de crime se alastrou, atingindo o Nordeste, onde, quase diariamente, há assaltos a agências bancárias do interior. Quadrilhas explodem caixas eletrônicos para roubar e aterrorizam as cidades, quase semanalmente.

Ladrão hoje, ladrão sempre. Bandido hoje, bandido sempre.

Não acredito na recuperação de bandidos.

A gravidade da situação econômica ou financeira de um país pode ser aferida pela paralisação das suas indústrias e consequente número de desempregados. E ainda, pela miséria daqueles que trabalham, sem nunca terem cruzado os braços e, nunca terem conseguido sair da pobreza.

Que os desocupados e vagabundos sadios sofram a fome, é explicável. Mas o que está fora de toda justiça humana e divina é que amanheça sem pão, um desventurado chefe de família, que passou a noite inteira a esbaforir-se no exercício de um ofício penoso, sem ter a quem reclamar.

É essa condição que não queremos para o Brasil. É impossível, um homem cumpridor dos seus deveres de cidadão, não sentir um arrepio de horror, ao saber que os ladrões de “primeira classe” estão soltos, e ávidos pela volta ao poder.

Certa noite, conforme noticiaram os jornais no dia seguinte, uma quadrilha assaltou uma agência bancária numa cidade do interior nordestino, levando para isso, toda a ferramenta para um trabalho perfeito e completo. Facilmente, o cofre foi aberto. A decepção foi grande. O cofre estava vazio. Nenhuma cédula. Nenhum níquel.

Queimando as mãos no “maçarico” e esforçando-se para não interromper o sono da vizinhança ou incomodar os vigilantes que cochilavam segurando a arma, esses “abnegados operários anônimos”, sofreram uma grande decepção. Trabalharam à noite, porque não é exigido cartão do banco e é mais difícil serem vistos.

No dia seguinte, repetiram a tentativa de assalto em outra agência bancária, e foi outra decepção. Nada de dinheiro nos caixas, nem nos cofres do banco.

Por toda parte, cofres vazios. Em todos os cofres, o vácuo, o deserto, a solidão. Nem os ladrões de “segunda classe”, indo diretamente aos cofres que supõem repletos de dinheiro, conseguem, com o seu pé-de-cabra e as gazuas complementares, arranjar um pouco, para as suas mais cruciais necessidades.

Alguém talvez diga que os ladrões não retiraram dinheiro das agências bancárias, porque foram lá á noite. E que, certamente, de dia não falta dinheiro nas agências. Os ladrões não ignoram isso. Entretanto, durante o dia, para se conseguir dinheiro, exige-se conta bancária, coisa que eles não tem. Não querem passar vergonha.

À humilhação de uma recusa de um saque bancário durante o dia, por falta de cartão bancário ou de dinheiro, os ladrões preferem o assalto, durante a noite. Mas, a desolação é a mesma, quando encontram os caixas e cofres vazios.

O que deixa o ladrão diminuído na sua dignidade é a presença de testemunhas.

Entre os espartanos, havia campeonatos de furto. Jesus Cristo levou Dimas, “o bom ladrão” de Jerusalém, que tinha levado uma vida de pecados, para o reino dos Céus. Nunca se soube se lá no Céu, Dimas tenha furtado a auréola de algum santo ou tentado matar para comer, o carneiro de São João Batista. O fato é que Dimas só se regenerou na hora da morte.

Conta-se que, certa noite, um homem pobre e resignado com sua pobreza, ao ver que um ladrão estava escalando a janela da sua casa, deixou-o chegar em cima, e disse-lhe calmamente:

– O senhor entrou aqui por engano, com certeza…Eu sou um homem pobre e não tenho nada aqui que o senhor possa levar, muito menos dinheiro. Mas, naquele casarão bonito e pomposo, que daqui se vê, mora um homem riquíssimo, capitalista. Não perca o seu tempo comigo. O senhor não encontrará nada aqui, hora nenhuma, pois eu sou um desvalido! Vá lá e encontre o que aqui você jamais encontrara!

Compadecido do homem pobre, o ladrão de “segunda classe” o deixou em paz e foi assaltar a casa do capitalista por ele indicado.

Um belo exemplo deixou São Francisco de Assis, o símbolo da pobreza:

– Ao ser informado de que os frades do seu Mosteiro haviam se recusado a dar agasalhos a uns ladrões que tremiam de frio, São Francisco correu a procurá-los pela estrada por onde haviam seguido, e fez de cada um deles um soldado da sua Fé, para o santo serviço de Deus. E eles nunca mais roubaram.

Piedade, pois, para os “ladrões de segunda classe”, desprotegidos, entre eles os ladrões de galinhas, que não ocupam birôs, não escondem malas de dinheiro, nem dinheiro na cueca, e não usam colarinhos brancos. Eles diferem de outras categorias de ladrões. Por precaução, só operam nas caladas da noite. Permanecem fora da sociedade e da lei. Muitas vezes, apodrecem nas prisões, por falta de quem os defenda, e por injustiça da própria lei.

Afinal, como dizia Lachaud, célebre criminalista francês (1818 – 1882):

“A LEI É CALMA E NÃO TEM SEQUER OS ARREBATAMENTOS DA GENEROSIDADE”.

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

FRASES ALHEIAS – NAPOLEÃO BONAPARTE

Transcrevo algumas interessantes citações de Napoleão Bonaparte (livro “Como fazer a guerra — máximas e pensamentos“, da editora L&PM Pocket)

“Com o tempo, poder em excesso acaba por depravar o homem mais honesto.”

“A política, que não pode ser moral, deve fazer triunfar a moral.”

“Há somente duas classes na Europa: a que quer privilégios e a que os execra.”

“As leis da maioria dos países são feitas para oprimir o infortunado e para proteger o homem poderoso.”

“Bem analisada, a liberdade política é uma convenção fingida, imaginada pelos governantes para adormecer os governados.”

“A ambição de dominar os outros é a mais forte de todas as paixões.”

“A maior parte dos que não querem ser oprimidos quer oprimir.”

“A neutralidade consiste em considerar cada um com o mesmo peso e com a mesma medida. Na política, ela é um contrassenso, pois sempre há interesse no triunfo de alguém.”

“É muito difícil saber onde termina a polidez e onde começa a adulação.”

“O melhor meio de manter a palavra é nunca dá-la.”

“Um soberano só deve prometer aquilo que quer cumprir.”

“Um soberano deve sempre confiscar a publicidade para o seu proveito.”

“Os jovens cumprem as revoluções que os velhos prepararam.”

“Uma revolução é um círculo vicioso: parte do excesso e acaba por voltar a ele.”

“As multidões precisam de festas estrepitosas; os tolos gostam do barulho – e os tolos são a multidão.”

“As pessoas só acreditam no que é agradável acreditar.”

“O meio de ser acreditado é tornar a verdade inacreditável.”

“É bem mais seguro ocupar os homens por coisas absurdas do que por ideias justas.”

“As leis, claras em teoria, são um caos na aplicação.”

“Interpretar uma lei é corrompê-la; os advogados matam as leis.”

“A lei social pode dar aos homens os mesmos direitos, mas a natureza jamais lhes dará faculdades iguais.”

“A monarquia está fundada sobre a desigualdade das condições que existe na natureza, e a república, sobre a igualdade que é impossível de existir.”

“A igualdade existe apenas em teoria.”

“Nada funciona em um sistema político em que as palavras não combinam com as coisas.”

“O nome e a forma de governo nada significam, contanto que os cidadãos sejam iguais em direitos e que a justiça seja bem praticada.”

“O que chamam de lei natural não é senão a do interesse e da razão.”

“Uma nação em que todos querem cargos importantes está vendida de antemão.”

“Nas questões do mundo, não é a fé que salva, é a desconfiança.”

DEU NO X

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

AS MACAQUICES DE PODER NO REINO DA BAZÓFIA

Escrevi pela primeira vez sobre o Reino da Bazófia em 2020, estimulado por uma crônica de José Paulo Cavalcanti, titular da cadeira de número 39 na Academia Brasileira de Letras, a quem tenho a honra de chamar de amigo.

Então, se antes de prosseguir nesta leitura, o leitor quiser obter algumas informações preliminares sobre o Reino da Bazófia, deve clicar AQUI.

Caso resolva prosseguir sem visitar aquele texto, deve apenas ter em mente que o Reino da Bazófia existiu na Europa, entre meados da Idade Média e a época em que se formaram as primeiras monarquias. Depois desapareceu do mapa, deixando quase nenhum vestígio.

Mesmo assim, fragmentos de documentos encontrados em velhos mosteiros permitem resgatar fatos ocorridos no Reino da Bazófia, os quais revelam curiosos traços da organização política daquele reino.

Feitos esses esclarecimentos, vamos aos fatos.

Conta-se que, certa vez, apareceu no Palácio Real do Reino da Bazófia um pequeno macaco. Servidores do palácio tentaram pegar o bichinho, mas ninguém conseguiu fazer a captura. Bem se sabe que os macacos são animais ágeis, mas aquele parecia mesmo acima da média dos de sua espécie. Comparado com os gordos assessores do rei, a diferença era absurdamente desproporcional.

Para surpresa de todos, depois de deixar os funcionários reais exaustos o bichinho foi-se acomodar espontaneamente sobre os ombros do rei.

O monarca ficou muito feliz com aquela inesperada atitude do macaquinho, e o adotou como bicho de estimação. Deu ao animalzinho o nome de Poder:

– Porque muitos queriam alcançá-lo, mas ele veio para quem o merece – explicou o rei aos assessores, o que fez por pura zombaria, já que não devia explicações a ninguém ali.

Passavam-se os dias e, para gáudio do rei bazófio, Poder continuava a transitar pelo palácio real, como se aquele lugar fosse mesmo o seu lar, desde o início dos tempos. Tornou-se comum nobres, servidores e outros súditos menos importantes verem o macaco Poder junto ao rei.

Apesar da aparente docilidade do símio, ninguém conseguia tocar nele, tal qual ocorrera na primeira vez que fora visto no palácio. Mesmo quando brincava no salão real, com algum dos seus vários brinquedos – sim, o macaquinho Poder frequentemente ganhava brinquedos do próprio rei ou de membros da nobreza que visitavam o palácio – mesmo nesses momentos, se alguém se aproximava, Poder saltava rapidamente para o lustre, o alto de um armário ou outra posição onde se mantivesse a salvo de mãos humanas.

O próprio rei, único que eventualmente podia sentir Poder sobre seus ombros, precisava esperar que o macaco viesse até ele, pois, toda vez que tentava segurar o animalzinho em suas mãos, Poder saltava para longe dele.

O rei não se incomodava com aquele comportamento de Poder. Ao contrário, ria daquilo. Com o tempo, afeiçoou-se tanto ao bichinho, que volta e meia saía em passeios pelas ruas de Bazófia para que o povo visse Poder em seus ombros.

Nessas ocasiões, a população se aglomerava nas calçadas e nas margens das estradas para aplaudir a comitiva. Já não se sabia se os aplausos eram para o rei ou para o macaco, mas o fato é que, com Poder junto de si, o rei havia aumentado muita sua popularidade.

Como era de se esperar, toda aquela popularidade passou a gerar insatisfação entre os nobres, especialmente aqueles que compunham o Conselho Real, uma espécie de parlamento de Bazófia.

Sentindo que estavam perdendo importância junto ao povo, os conselheiros reais tramaram um plano para tirar Poder do rei: em um dos passeios reais, o presidente do Conselho de Nobres, que tinha lugar na carruagem real, tentaria tirar Poder dos ombros do rei; como o bichinho era muito arisco, certamente se assustaria, saltando da carruagem, o que causaria tumulto, deixando o rei desmoralizado, em uma situação até mesmo ridícula; com o rei ridicularizado, a nobreza, insuflada pelo conselheiros, passaria a boicotar o rei em todos os seus atos de governo, até enfraquecê-lo e derrubá-lo.

E assim foi feito. Quando a carruagem real, com a capota aberta, atravessava a praça principal da capital do Reino da Bazófia, o Presidente do Conselho Real tentou repentinamente agarrar Poder, que estava acomodado em um dos ombros do rei. O bichinho assustou-se, como previsto, mas, ao invés de fugir, saltou para a cabeça do conselheiro.

Surpreso com a reação do macaquinho, o conselheiro real continuou tentando pegar Poder, que, sobre sua cabeça, puxava-lhe as orelhas e enfiava-lhe os dedos nos olhos. Ao tentar se segurar nos cabelos do conselheiro, acabou arrancando-lhe peruca, deixando à mostra a avançada calvície do membro da nobreza de Bazófia.

A essa altura, o próprio rei tentava tirar Poder da cabeça do conselheiro, também sem sucesso. Enquanto isso, as pessoas aglomeradas na praça invadiam a rua, misturando gargalhadas a impropérios e gritos de protesto. Em instantes, a carruagem real estava cercada pela multidão, com alguns jovens mais afoitos tentando subir no veículo, mas sendo repelidos pela guarda real.

Não se tem certeza sobre o que houve depois disso. A versão mais aceita é que, em sua luta por Poder, o rei e o presidente do Conselho Real caíram da carruagem e foram pisoteados pela multidão que os cercava. O povo, que no início aplaudia a comitiva, passou a atacar a guarda real, com paus e pedras. Formaram-se inúmeros grupos, que brigavam entre si, sem saber exatamente por qual motivo estavam brigando. Instalado o caos, não se sabe com quem ficou Poder.

Os fragmentos de jornais rudimentares que circulavam à época são estudados até hoje. Há certo consenso entre estudiosos do assunto no sentido de que, a partir daquele dia, o Reino da Bazófia entrou em um longo período de anarquia e decadência econômica.

Mas historiadores continuam a debater sobre o tema. Uns dizem que as coisas começaram a dar errado no Reino da Bazófia quando o rei passou a se exibir com o Poder, sem ter controle sobre ele. Outros sustentam que o plano do conselheiro não deu certo porque o Poder lhe subiu à cabeça. Outros ainda acreditam que a revolta em Bazófia teria sido evitada se o Poder tivesse sido mantido longe do povo.

Aparentemente, as teses aqui referidas não são excludentes umas das outras.

DEU NO JORNAL

UM LADRÃO NA CARREATA DO OUTRO

O esquema de corrupção que resultou no afastamento do governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), classificado pela ministra relatora Laurita Vaz de “organização criminosa”, lembrou os métodos da máfia.

A atividade criminosa, segundo ela, era mantida mediante intimidação e ameaças a testemunhas.

Tudo foi descrito nos detalhes pela ministra Laurita Vaz perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Contados os votos, a Justiça aplicou uma goleada em Dantas e sua turma: 10×2.

O desfecho no STJ também fez lembrar o drama do ex-deputado Luiz Dantas, que se sentiu obrigado a denunciar o próprio filho em vídeo.

O esquema nomeou 93 pessoas pobres, cujos salários de R$ 15 mil eram sacados pela organização criminosa utilizando cartões de débito.

* * *

Enquanto o STJ decidia sobre seu afastamento, o ladrão Paulo Dantas se juntava aos ladrões Calheiros para saudar outro aliado, o ladrão Lula, em carreata em Maceió.

Foi ontem, quinta-feira.

Um ladrão federal desfilando em trio elétrico ao lado de um ladrão estadual.

Um ladrão estadual tão desqualificado que levou cacetada pública até do próprio pai.

Em Maceió, a quadrilha subiu num trio elétrico e desfilou de cara lisa: Lula, Paulo Dantas, Renan Filho e Renan Calheiros

DEU NO X

DEU NO X

PENINHA - DICA MUSICAL