FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

UMA SÍNDROME XXI PERVERSA

A Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional crônico, reconhecido pela OMS, causado por estresse no trabalho desgastante e prolongado. Caracteriza-se por gigantesca exaustão físico-mental, despersonalização (distanciamento e cinismo) e baixa eficácia profissional, sendo crucial buscar ajuda psicológica e médica ao notar os primeiros sintomas.

Os principais sintomas e sinais da Síndrome de Burnout:

Exaustão Extrema: Sensação constante de esgotamento físico e mental.

Despersonalização: Distanciamento do trabalho, negativismo, cinismo e perda de sentido nas tarefas cotidianas.

Redução da Eficácia: Sentimento de ineficácia, incompetência e baixa realização profissional.

Sintomas Físicos: Dores de cabeça, distúrbios do sono, problemas gastrointestinais, alteração de apetite, fadiga crônica.

Isolamento Social: Afastamento de amigos e familiares, distanciamento das urnas de votação em anos eleitorais, permanente rancor contra tudo e ausência de manifestações amorosas para com os derredores familiares.

Causas e Fatores de Risco:

Carga de trabalho excessiva e prazos impossíveis de cumprimento.

Altos níveis de responsabilidade e competitividade, sem dimensão cognitiva.

Ambiente de trabalho tóxico ou sem suporte (bullying, falta de reconhecimento).

Perfeccionismo e cobrança pessoal elevada.

Falta de equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

Tratamento e Recuperação:

Apoio Profissional: Psicoterapia (psicólogo/psiquiatra) é fundamental para tratar o esgotamento.

Mudança no Trabalho: Afastamento temporário, readequação de funções ou mudança de área.

Estilo de Vida: Exercícios físicos regulares, boa alimentação e melhoria na qualidade do sono.

Rede de Apoio: Retomar hobbies, nova vida social e atividades de lazer, individuais e coletivas.

Medicação: Uso de antidepressivos ou ansiolíticos, sempre receitados por um médico.

Direitos do Trabalhador:

A Síndrome de Burnout é considerada uma doença ocupacional. O trabalhador tem direito a afastamento com atestado médico. Se o afastamento for superior a 15 dias é possível receber auxílio-doença pelo INSS. E estabilidade no emprego por até 12 meses após o retorno.

Ao notar os primeiros sinais em pessoas dos seus derredores profissionais, comunitários e familiares, deve-se acionar um médico ou psicólogo. A prevenção estabelece limites no trabalho e valorização do descanso.

Este texto está sendo explicitado neste Jornal, do notável Luiz Berto, um site sempre arretado de muito ótimo, por ser um ambiente muito visitado por gente inteligente, de mentes capazes de entender e socorrer os vitimados pela Síndrome de Burnout, uma síndrome perversa, talvez a mais perigosa da era contemporânea.

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SICÁRIO: A PALAVRA MAIS VERDADEIRA DA SEMANA

Francisco Escorsim

Sica era uma faca curta e curva, de lâmina discreta, usada no Império Romano em emboscadas. O homem que a carregava era o sicarius, ou seja, aquele que esconde a sica sob sua roupa, seu manto, mata de perto, na confusão, e some.

No século 1.º depois de Cristo, uma facção radical judaica adotou o nome e a técnica: os Sicarii se misturavam às multidões das festas religiosas em Jerusalém, golpeavam colaboradores do poder imperial e se dissolviam na massa como se nunca tivessem existido.

Em 2015, Denis Villeneuve estreou seu filme Sicario. Na primeira cena, uma cartela traduz a palavra e a filia à história dos zelotes judeus. A obra inteira é sobre como os instrumentos da subversão foram, com o tempo, absorvidos pelos poderes que pretendiam combater. O Estado americano usa métodos de cartel. O agente encoberto não sabe mais de que lado trabalha. A lei se aplica apenas onde e quando for conveniente.

A agente do FBI, vivida por Emily Blunt, passa o filme inteiro se perguntando: “isso é legal?” A resposta que recebe é sempre uma variação da mesma frase: estamos num tempo e lugar onde a lei não se aplica. Parece que a frase ainda está em cartaz.

Em setembro de 2018, em Juiz de Fora, um homem se misturou à multidão de um comício, ocultou uma faca sob a roupa, se aproximou do candidato à Presidência e golpeou. A técnica foi idêntica à dos Sicarii do Templo de Jerusalém: uso de faca curta, massa humana como disfarce e proximidade física como arma. Adélio foi, no sentido mais literal da palavra, um sicário. A mando de mais alguém? Não sabemos. O mandante, se havia um, sumiu na multidão.

Fui lembrando de tudo isso ao ler as notícias da semana. As mensagens citadas pelo ministro André Mendonça ao ordenar a prisão de Daniel Vorcaro e parte de sua turma. Um banqueiro, seus operadores, e um homem apelidado de Sicário.

Num país onde pelo menos R$ 40 bilhões somem com tanta facilidade, em que R$ 2,2 bilhões dormem confortavelmente na conta do pai de Vorcaro, onde seu helicóptero levou líderes partidários para assistir a corrida de Fórmula 1 e seu jatinho particular levou ministro do STF para assistir à final da Libertadores, um homem armado a soldo é quase o detalhe mais banal da história.

Mas o que me espanta não é que Daniel Vorcaro tivesse um sicário. É a honestidade de assumi-lo como tal. Não chamou de “Segurança”. Não se protegeu em um anglicismo qualquer, como “Close Protection Officer”. Tampouco mascarou a função como se fosse um “Assessor de Risco”. Não, chamou de Sicário mesmo. Talvez seja essa a única coisa honesta em tudo isso.

Não sei que armas o sicário de Vorcaro usava. A sica talvez continue curta. O que sabemos é que o manto que a protege, hoje, parece ser uma toga de juiz. Resta saber se os guardiões do manto vão conseguir o que os Sicarii sempre souberam fazer melhor: sumir na multidão, misturando-se entre as vítimas ou parecendo ser daqueles que deveriam desmascará-los.

Já vimos esse filme antes, várias vezes. Sabemos como costuma terminar. O homem apelidado de Sicário morreu na prisão, teria se matado. Os Sicarii, quando capturados pelos romanos, também não tinham saída. A diferença é que os do século 1.º morreram acreditando em algo. O da Faria Lima recebia por Pix.

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