RODRIGO CONSTANTINO

O CONGRESSO

A decisão de Alexandre de Moraes, que decidiu cassar o mandato de Carla Zambelli (PL-SP) mesmo após decisão da Câmara de mantê-lo repercutiu imediatamente nas redes sociais. Políticos de esquerda e de direita correram para comentar a atitude.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) chamou o ato de “usurpação”. “Quando um ministro anula a decisão soberana da Câmara e derruba o voto popular, isso deixa de ser Justiça e vira abuso absoluto de poder. O Brasil viu um ato de usurpação institucional: um homem passando por cima do Parlamento e da vontade do povo”, disse em sua conta no X.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) também deu destaque à interferência do judiciário no legislativo. “O art. 55, §2º da Constituição, é claro: em caso de condenação criminal, a perda de mandato depende de decisão do Parlamento, por maioria absoluta. Ao cassar o mandato por ato individual, o Judiciário usurpa competência exclusiva do Legislativo”, disse.

Alguns alegam que há uma jurisprudência do STF de 12 anos sobre o tema, mas se o Supremo está ignorando a própria Constituição há 12 anos, a coisa fica ainda pior! Afinal, o texto é claro. Cabe à Câmara decidir. Moraes, uma vez mais, atropela outro poder. E o presidente Hugo Motta não se mostra à altura do cargo.

A falta de reação do Parlamento tem sido um convite a novos abusos. Decisão ilegal de sancionado por abuso de direitos humanos não se cumpre. Em algum momento, o Congresso terá de peitar para valer o STF. Talvez esse momento já tenha passado e seja tarde demais.

A triste verdade é que a população percebe uma inutilidade crescente do Congresso, se todo poder emana de poucos ministros supremos. Enquanto isso, a esquerda petista quer retomar as ruas para fazer campanha contra… Hugo Motta e Alcolumbre, os dois presidentes que têm protegido o consórcio PT-STF! E ainda chamam o Congresso de “inimigo do povo”. Não é golpismo?

O Poder Legislativo é o que efetivamente representa a população, com milhões de votos espalhados pelo país todo. Mas ele vem se tornando irrelevante perante os abusos supremos em conluio com o Poder Executivo. Quando o Parlamento “morre” desse jeito, a democracia foi para o saco. São tempos sombrios que o Brasil vive…

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

DEU NO JORNAL

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

DIFERENÇA

Impressiona a expressão de ódio que Lula fez ao afirmar que Bolsonaro “tem que pagar”.

Aliados dizem que a prisão do ex-presidente que tanto o amedronta é a vingança pelos seus 500 dias de xilindró por corrupção.

* * *

Interessante…

Os motivos das prisões de cada um deles são diferentes.

Bem diferentes mesmo.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

CORNO VÉIO

Inocêncio Ferreira, assíduo funcionário do Correios, trabalhando, sentado, conferindo carimbos e certidões, sentiu-se mal, suando frio, gritou para seus colegas:

– Socorro! Estou com dor no peito. Estou com…

Não terminou a frase, sua cabeça pendeu, caiu de bruços em cima do birô. Deitaram Inocêncio no chão, afrouxaram a roupa, uma jovem fez respiração boca-a-boca. Quando a ambulância chegou, estava morto.

Inocêncio era homem sério, austero, funcionário exemplar. Tinha 52 anos, 29 dedicados ao serviço público, nunca faltou um dia à repartição. Homem formal, não bebia, nunca fumou. Tinha um físico magro de dar inveja aos amantes da malhação. Não sabia que seu coração era fraco. Todos esses predicados enchiam de orgulho à esposa. Maria Augusta afirmava convicta.

– Homem sério e decente é Inocêncio, por ele ponho a mão no fogo. Os amigos concordavam. Apenas algumas amigas mais íntimas, diziam para si mesma que Augusta poderia queimar as mãos. Inocêncio tinha um divertimento, gostava de pescaria. Em fim de semana, muitas vezes, viajava com amigos para pescar no litoral Sul de Alagoas.

O campo santo Parque das Flores estava cheio de amigos e curiosos. Maria Augusta arrasada, muita comoção no cemitério. Os amigos abraçavam, consolavam. Por conta do estado emotivo, ela não percebeu que uma senhora desconhecida chorava além do normal. Muitos notaram quando uma mocinha de seus treze anos aproximou-se do caixão depositou uma rosa, teve acesso de choro e chamou Inocêncio de pai. Essa senhora retirou a jovem discretamente.

Ao terminar a missa de sétimo dia, a viúva foi procurada pela senhora, morena, bonita, cabelos escorridos, olhos irritados vermelhos.

– Dona Augusta, eu me chamo Josefa, preciso falar com a senhora, assunto de nosso interesse.

A viúva, que estava abraçada à sua única filha, Rosinha, de treze anos, convidou-a para tomar café em sua casa com os amigos. Os parentes mais próximos tomaram o lauto café da manhã, lembrando Inocêncio que deveria estar no céu àquela hora.

Depois que todos saíram, Augusta chamou a senhora para conversar na varanda. Josefa entrou no assunto, direta, sem preparar a viúva:

– Dona Augusta a senhora precisa saber agora, não se pode adiar. Eu e Inocêncio há alguns anos tivemos uma relação amorosa. Tenho duas filhas com ele. A mais velha, Rosália, é essa que está na sala conversando com sua filha. São irmãs, incrível, nasceram quase no mesmo dia.

Augusta arregalou os olhos, desnorteada com a imprevisível notícia. Foi um choque como se tivesse levado um coice no estômago. Não admitiu. Não podia acreditar. Respondeu aos berros para Josefa.

– Mentirosa, ponha-se para fora! Não manche o nome de meu marido!

A amante sem fazer barulho disse apenas com firmeza:

– A Senhora precisava saber. Eu aceitei ser amante porque amava Inocêncio. Ele não era um santo, como a senhora pensa. Tome meu cartão, telefone-me quando acalmar. Meu advogado vai procurar a senhora.

Saiu levando sua filha que havia adorado a nova amiga, sua meia irmã e não sabia.

Pela tarde, Lindalva, uma vizinha, bateu à porta. Augusta atendeu se lamentando, chorando:

– Descobri a traição! Eu era corna e não sabia!

Lindalva teve um choque. Começou a chorar e inesperadamente confessou com voz baixa.

– Desculpe Augusta! Agora que você descobriu, quero dizer que não tive culpa. Inocêncio quando me via começava a falar aquelas coisas bonitas. Era um finório na lábia. Juro que dei a primeira vez porque prometeu parar com aquelas cantadas. Peço perdão, pelo amor de Deus.

Augusta ficou atônica e estarrecida com a nova descoberta. Botou Lindalva para fora de casa. Chorou o resto do dia. Inconformada com as histórias amorosas do defunto, ficou reclusa em sua casa. Passou um tempo sem receber ninguém, com vergonha de ter sido uma idiota. Uma incontrolável raiva de Inocêncio apoderou-se de sua alma. Na noite da missa do 30º dia, ela reapareceu, escandalizando. Entrou na Igreja com um vestido vermelho, bem decotado e justo, transparecendo as bonitas pernas. Chocou mais ainda, quando, no final da missa, convidou as amigas para dar uma volta na noitada da cidade.

A partir dessa noite Augusta se liberou. Dá para quem tem vontade. Não perde as baladas de fim de semana. Quando entra em casa, bêbada, olha o retrato do marido com a filha e ela, pendurado na parede, e pragueja.

– Agora sou livre. Dou a quem eu quiser. Corno Véio!

DEU NO X

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

MESTRES DO IMPROVISO

João Pereira da Luz, o João Paraibano (1952-2014)

João Paraibano

Quando esbalda o nevoeiro,
rasga-se a nuvem, a água rola,
um sapo vomita espuma;
onde o boi passa se atola,
e a fartura esconde o saco
que a fome pedia esmola.

*

O menino e o rapaz,
estando juntos na sala,
um fala porém não ri,
o outro ri mas não fala;
um tem na mão um brinquedo,
tem o outro uma bengala.

*

Linda é a baixa de arroz
quando está amarelando;
uma vara em pé no meio
com um molambo balançando,
pros passarinhos pensarem
que tem gente tocaiando.

*

A cabra abana as orelhas
para espantar o mosquito,
e se acocora lambendo
os cabelos do cabrito,
depois vai olhar de longe
pra ver se ficou bonito!

*

Não fale mal de Zefinha,
Que nunca foi amor seu,
A mulher que fez da sua
Honra um presente e me deu.
Sonhou beijando um poeta,
Quando acordou era eu.

* * *

Lenelson Piancó

Extremista maluco do Hamas
Esperando ganhar rios de mel
Desafia o poder de Israel
Decepando a cabeça dos rivais
Entre os dois é difícil encontrar paz
Quando a face do ódio se levanta
Cessar fogo também não adianta
Pra quem sente prazer em mutilar
Um milagre de Deus pode acabar
Com quem faz o terror da guerra santa!

* * *

Otacílio Batista

Um caboclo na cabana
Deitado em sua palhoça
Olhando o verde da roça
Diz sorrindo prá serrana:
Bote um traguinho de cana
Bebe, tempera a garganta
Almoça , pensa na janta
Faz um cigarro de fumo
Abre a porta e sai no rumo
Da sombra de qualquer planta.

*

O poeta e o passarinho
São ricos de inteligência
Simples como a natureza
Eternos como a ciência
Estrelas da liberdade
Peregrinos da inocência.

* * *

Diniz Vitorino

Nós temos por certa a morte,
mas ninguém deseja tê-la…
Quando morre uma criança,
o pai lamenta em perdê-la,
mas Jesus, todo de branco,
abre o céu pra recebê-la.

*

Meu colega, você vive
da fama que teve outrora,
e esses versos bem bolados
que o povo escuta e decora,
você faz de ano em ano
e eu faço de hora em hora!

* * *

Joaquim Vitorino

Tenho enorme inteligência
Poeta não me dá vaia
Sou vento rumorejando
Nos coqueiros de uma praia
Sou mesmo, que Rui Barbosa
Na conferência de Haia.

* * *

Zé de Vidal

O coveiro é um vivente
De pequena autoridade;
De baixo nível e salário,
Porém na realidade,
Preso que coveiro prende
Nunca mais tem liberdade!

* * *

José Lucas de Barros

Quando menino, eu queria
Ser homem com rapidez,
Depois, contabilizando
Tudo que o tempo me fez,
Hoje morro de vontade
De ser menino outra vez.

DEU NO X