DEU NO JORNAL

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

DESDÉNS – Raimundo Correa

Realçam no marfim da ventarola
As tuas unhas de coral, felinas
Garras, com que, a sorrir, tu me assassinas,
Bela e feroz… O sândalo se evola;

O ar cheiroso em redor se desenrola;
Pulsam os seios, arfam as narinas…
Sobre o espaldar de seda o torso inclinas
Numa indolência mórbida, espanhola…

Como eu sou infeliz! Como é sangrenta
Essa mão impiedosa que me arranca
A vida aos poucos, nesta morte lenta!

Essa mão de fidalga, fina e branca;
Essa mão, que me atrai e me afugenta,
Que eu afago, que eu beijo, e que me espanca!

Raimundo da Mota de Azevedo Correia, São Luís-MA (1859-1911)

DEU NO JORNAL

OS NOVOS TROPEÇOS DE BIDEN

Leandro Ruschel

Biden encerrou uma coletiva desastrosa, ontem, demonstrando sinais evidentes de senilidade.

Numa situação normal, não haveria discussão sobre Biden.

Ele simplesmente está demente, e não tem condição de ficar sozinho, muito menos de ser presidente da maior potência do planeta.

Mas não são tempos normais.

A esquerda destrói a lógica.

É mais importante receber ativistas transexuais na Casa Branca do que os EUA contarem com um presidente cuja capacidade cognitiva supera a de uma criança de 5 anos.

Eis o que acontece quando você deixa de lado a ideia de competência e mérito para cargos de poder.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

FEDOR NOS ARES

O ministro da Fazenda resolveu atacar Donald Trump, favorito nos EUA.

A verborragia de Haddad não tem a menor importância por lá, mas essa “síndrome de ‘superpotência verbal’ e falas irresponsáveis”, como definiu o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, podem custar caro ao Brasil.

* * *

Em se tratando das fantasmagóricas figuras petralhas, sobretudo do chefe do bando, a palavra mais apropriada não é “verborragia”, conforme consta nesta nota aí de cima.

O mais certo é “cagorragia”.

Cagam pela boca o tempo todo.

E o fedor toma conta dos ares desta nossa pobre nação poluída.

DEU NO JORNAL

A PICANHA VIROU PÉ DE GALINHA E A CERVEJA TERÁ MAIS IMPOSTOS

Nikolas Ferreira

O presidente Lula e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad

Com a versão final do texto chegando há poucos segundos antes do horário da sessão, por 336 votos a favor e 148 contra, a Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira (10) o Projeto de Lei Complementar (PLP) 68/2024, que regulamenta o IBS e a CBS na reforma tributária.

Foram 500 páginas a serem lidas em meio minuto, para uma decisão extremamente importante ao país. Em resumo, trata-se do aumento de impostos para os brasileiros.

Aliás, ao comentar sobre corte de gastos, o governo Lula se preocupou mais em falar sobre eliminar valores dos benefícios sociais do que suprimir despesas. Mas afinal, o que esperar?

Com a aprovação da reforma tributária da maneira em que se encontra, teremos uma projeção de taxação padrão entre 25,7% e 27,3%. Se considerarmos que o percentual médio, entre os mais de 170 países que adotam o mesmo modelo de tributação, é de 15,9%, o Brasil poderá vir a ser o país com o imposto mais caro do mundo. Motivo este de orgulho somente a quem tem sede de arrecadação, enquanto o retorno para quem sustenta a máquina é péssimo.

“Picanha e cervejinha?”. A famosa frase que Lula usou na campanha não passou de populismo barato. Entre os produtos que terão incidência do Imposto Seletivo estão justamente as bebidas alcoólicas, refrigerantes e outras bebidas. 

Em relação às carnes, por causa da oposição, e não pela vontade dos governistas, foi aprovado a alíquota zero para as proteínas, incluindo carnes, peixe, queijos e sal. Mesmo que tentem criar uma narrativa para ocultar a própria incompetência, o “tira gosto”  – nada agradável – que a esquerda verdadeiramente entregou são mais tributos.

Para os motoristas de aplicativos, já insatisfeitos com o PLP 12/2024 – que inclusive impulsionou protestos da categoria não só em Belo Horizonte como em outras cidades pelo Brasil – haverá uma alíquota fixa estimada em 26,5% caso não sejam formalizados como microempreendedores ou pequenos empresários. 

Há preocupação também no setor imobiliário, e a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) chamou a atenção para os impactos dos custos na área, que dificultariam o acesso à moradia no Brasil.

Pontos negativos não faltam, e não poderia ser diferente uma vez que quiseram fazer tudo às pressas e aprovar algo que os deputados nem sequer tiveram tempo de ler e estudar. Se os parlamentares não tiveram condições de fazer o mínimo, imagine como fica a população, que está sendo deixada de lado por interesses políticos que beneficiam mais o Estado que seus mantenedores.

Apesar dos pesares, sigo tranquilo em relação ao meu papel. Não coloquei e nem irei deixar a minha digital em uma reforma que aumenta impostos, afinal meu compromisso é com o Brasil e com meus eleitores. Não com acordos e politicagens. 

A cerveja terá um custo maior, a picanha está virando pé de galinha e há quem diga que o pastel agora virou algo luxuoso. Isso sem falar do aumento da gasolina e do gás de cozinha. Mas claro, alguns irão tentar te convencer que tudo isso, na verdade, é bom. Só não especificam para quem.

DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

LÁ NOS ZISTEITES

Comentário sobre a postagem CONTRATO SOCIAL

Magnovaldo Santos:

Pois é, Roque, meu querido conterrâneo.

Realmente aqui nos Zisteites – e em vários países de respeito, como o Canadá e a Inglaterra – a palavra vale tanto quanto um documento escrito. Não existe cartório, essa excrescência abominável.

Quando muito, em alguns documentos muito importantes, como uma escritura de um imóvel, por exemplo, existe uma “notarização”, que é uma espécie de reconhecimento da validade do papel.

Notários são cidadãos que não nunca tiveram nenhum entrevero com a Lei e que têm autorização para “notarizar” um documento. Ou seja, garantem, com um carimbo e uma assinatura, que você é você mesmo. Para se “notarizar” um documento você tem que apresentar uma identidade e assinar o documento na frente do Notário. Em praticamente todas as agências bancárias há pelo menos um funcionário habilitado para tal. Essa licença é renovada a cada período, de dois ou de quatro anos, dependendo do Estado. Se você é cliente do Banco essa “notarização” não lhe custa nada.

Mas existem notários avulsos em todas as cidades, que cobram normalmente 10 dólares pelo serviço.

Para a venda de um veículo basta você rabiscar sua assinatura no verso do certificado de propriedade. Nada mais!

Para você medir o nível da burocracia aqui, lembro-me de quando requeri minha aposentadoria americana: entrei no “site” da Social Service Administration e recebi a confirmação da minha aposentadoria após exatos 8 minutos no computador, já informando o valor e os dias de pagamento – no meu caso, todas as terças e quartas-feiras dos meses!

Para me inscrever no Medicare (o INSS daqui), não levei metade desse tempo. Não precisei da ajuda de ninguém para tal – apenas tive que responder algumas perguntas.

Cartões de crédito não têm senha. Os cartões de débito, com os quais você acessa sua conta-corrente no banco, somente têm senha para sacar dinheiro em caixas eletrônicos ou no balcão do banco – em quase todos os supermercados, na hora de pagar, você pode solicitar algum dinheiro de “troco”, normalmente de 20 a 100 dólares, se você pagar com cartão de débito, mas mesmo assim não é necessário nenhuma senha.

E, também sem senha alguma, pode ser utilizado como cartão de crédito – a única diferença é que a despesa cai na sua conta no dia seguinte e não na data estabelecida.

Se você tiver seu cartão roubado, dê uma ligada pro Banco e eles querem saber de sua boca as contas que você confirma que são suas. Todas as demais são imediatamente canceladas no ato.

Há 8 anos atrás um funcionário do Chase, que emitiu meu MasterCard, roubou dados de clientes, entre os quais os meus. O próprio banco entrou em contato comigo. Desde o dia em que os dados foram roubados, todas as despesas que ocorreram foram anuladas sem que eu sequer tenha tido conhecimento delas.

Quando recebi a fatura mensal verifiquei que cêrca de 5 mil dólares foram zerados de minha conta.

Liguei de volta para dizer que algumas poucas daquelas despesas eram minhas de fato. Mas o Banco as assumiu, dizendo que isso era um serviço do próprio Banco para compensar o contratempo que eu tive, assumindo a culpa por ter em seu quadro funcional um funcionário desonesto.

Há problemas com gente safada?

Claro, mas são em um número bem menor que na Tupinicândia.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

BEATA TEREZA CANSADA DE REZA

Sangrando, baleado no ombro esquerdo, Vadinho conseguiu, com dificuldade, atracar a canoa à beira do riacho Poxim. Ajudou Tereza a sair do barco. Ela também fora baleada; deu sorte, o tiro acertou seu medalhão pendurado no pescoço, e resvalou, não penetrou no corpo da jovem. Os dois abraçados caminharam devagar em direção ao Posto de Saúde do povoado. Moradores e amigos, notando o sangue nas vestes do casal, acudiram e ajudaram. Eram onze horas da manhã daquele sábado meio nublado. O Doutor Luiz Lima prestava consulta ao povo da região. Ao notar Vadinho entrar ensanguentado no Posto de Saúde, o médico levantou-se. A enfermeira deitou o ferido na maca da sala de curativos, retirou-lhe a camisa, constatou que uma bala havia penetrado; o ferimento sangrava. Em poucos minutos o médico limpou o ombro, anestesiou o local do ferimento e extraiu uma pequena bala calibre 22. Estancou e limpou o sangue, espalhou pomada, costurou alguns pontos, encobriu o ferimento com gaze e esparadrapo.

– Está pronto para outra. Pode ir, Vadinho. Cuidado com a vida.

– Obrigado, Doutor Luiz, foi sorte encontrar o senhor aqui.

Tereza, na sala de espera do Posto, apreensiva, segurava e beijava o medalhão de Santa Terezinha amassado pela bala que o acertou e por sorte, resvalou. Enquanto atendiam Vadinho, ela contou e repetiu os detalhes do tiro aos que lotavam o Posto. Todos queriam saber a história e segurar a medalha amassada. Uma senhora passando dos 60 anos, fanática adoradora de Santa Terezinha, ao segurar a medalha, ficou em estado de êxtase. Como uma explosão, beijando ininterruptamente a medalha, foi a primeira a anunciar: “– Milagre!”. De braços abertos, caminhou percorrendo as ruas do povoado, gritando para o povo:

– Milagre! Milagre! Milagre!

Andava pelas ruas contando a sorte de Tereza, com o milagre de Santa Terezinha.
Tereza, mais calma, esperando Vadinho, continuou narrando os detalhes dos tiros disparados pelo seu ex-namorado.

– Estávamos chegando na canoa, percebi uma gritaria, era João de Antônia à beira do rio apontando um revólver. Gritei por socorro, tinha certeza de que ele estava bêbado. Ouvi um disparo, senti uma batida no meu corpo, a bala havia acertado o medalhão e resvalado. Desequilibrei-me e caí no fundo da canoa. Vadinho pensou que eu havia morrido, largou o remo, abraçou-me chorando, gritando que me amava, que eu não morresse. Nesse momento, outro tiro acertou seu ombro. A dor de me perder era maior, ele continuava me abraçando e chorando. Ao notar que eu abri os olhos e estava viva, Vadinho sorriu. Ficamos abraçados no fundo da canoa. Só nos levantamos quando o louco do João de Antônia ligou o carro e fugiu. Em poucas remadas Vadinho conseguiu atracar a canoa à beira do rio. Logo viemos caminhando para o Posto de Saúde.

Milagre! Milagre! Milagre. As palavras ecoavam em todo canto. Em pouco tempo todos do povoado, principalmente as senhoras idosas, queriam abraçar Tereza e segurar a medalha milagrosa amassada.

Obs. Esta é a primeira página do romance, BEATA TEREZA CANSADA DE REZA, que terá seu lançamento na sexta-feira, dia 19 de julho, no Café Jardim, junto à Torre da TELASA na Jatiúca, aqui em Maceió. Todos convidados entre 17 e 21 horas.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA