XICO COM X, BIZERRA COM I

UM BESTA E UM SABIDO

Golpes, sempre existiram. O mais antigo que lembro é o do cartão premiado da loteria. Consistia na abordagem de um transeunte, bilhete lotérico premiado na mão e que, por algum motivo, o contemplado estava sem tempo de ir receber o prêmio, repassando o papelzinho supostamente premiado por apenas 10% do valor a receber. Incrível como tantos caíam em armadilha tão bizarra. Minha vó dizia que todo santo dia saem de suas casas um sujeito besta e um outro, este, sabido. Quando do encontro dos dois, consuma-se o ardil.

TECNOLOGIA A SERVIÇO DO MAL

Com o advento da tecnologia os golpes se aprimoraram e já nem é necessário que o besta saia de casa para ser vítima de uma ‘sabedoria’. Comigo aconteceu. Num belo sábado de sol recebo um ZAP, número desconhecido. Dizia tratar-se de meu filho que, por descuido, deixara cair seu celular no vaso sanitário. Pedia repassasse ao número PIX por ele indicado o valor para aquisição de um novo aparelho que, após configurado e tendo instalado o app do seu Banco, faria retornar à minha conta o valor solicitado. Ainda tentei ligar para ele mas, urubu azarado é cagado pelo que mais alto voa, ele estava na praia com o telefone no carro. Não atendeu, claro. Azar o meu. Acreditei.

BESTA ALÉM DA CONTA

Com a experiência de mais de 20 anos de Banco Central, trabalhando na Fiscalização, não me perdoo, até hoje, por ter sido ‘caído’ em golpe tão primário. E o pior (esse detalhe, de tão burlesco, sempre escondo, mas agora o revelo aqui para prevenção dos leitores): o sabido da história pediu um PIX de $2.930. O besta, de boa fé, preferiu arredondar o valor e presentear o sabido com $3.000. Não contem o detalhe para ninguém. O fato ocorrido, podem contar a todos, como contribuição para evitar que outros incautos sejam vítimas de tal situação e se transformem no besta do dia, como eu. Minha vó tinha razão …

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Todos os Livros e a maioria dos Discos de autoria de XICO BIZERRA estão à disposição para compra através do email xicobizerra@gmail.com. Quem preferir, grande parte dos CDs está disponível nas plataformas digitais. 

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DO CASSETE ÀS PLATAFORMAS

Em tempos de plataformas digitais sinto-me uma fita cassete. Na melhor das hipóteses, um vinil. Mas vou tentar me transformar em pelo menos um CD. Prometo. Quando vejo meus netos, Bernardo, o mais velho deles com mirrados 10 anos, manuseando com a maior intimidade e destreza o aparelho celular de sua mãe, convenço-me plenamente de estar vivendo num tempo que não me pertence.

ZAP e PIX

Não que eu sinta saudades do telex ou do orelhão e suas fichas ou que não reconheça a utilidade do ZAP e do próprio celular. Não que eu ainda recorde o velho talão de cheques: dele, não mais faço uso. Utilizo, em seu lugar, o modernoso PIX, muito mais prático que aquela folhinha de papel que a gente assinava e o povo aceitava como se dinheiro fosse.

LERO-LERO COM MÁQUINAS

Tudo o que se faz hoje se fazia ontem, de outra forma, é verdade, mas todos éramos mais felizes. A diferença é que em minha época com cheiro de ‘século passado’ as pessoas conversavam, trocavam ideias, havia tempo para um abraço, sobrava espaço para um sorriso, um aperto de mão. Ia-se aos lugares para se distrair, conversar, aos restaurantes para comer, à igreja para rezar, sem nada às mãos ou ao ouvido. Tudo se resolvia sem que fosse necessário dialogar com insensíveis máquinas.

ONDE ESTÃO OS LPS?

E para ouvir uma boa música bastava ligar a radiola e colocar um LP. Hoje dependo de um aparelhinho pequeno que até falar, fala. E toca música, e compra coisas, e manda e recebe recados, fuxiqueiro que é. Até bate retratos sem necessitar de filmes. Pelo menos não dependo mais da Kodak para fazer meus instantâneos. Salve os novos tempos. Vou me acostumar, se tempo houver.

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UM ASTRONAUTA, UM GOLEIRO E UM CANTOR

Meu neto do meio, Vinicius, 3 aninhos, surpreendeu ao revelar ao pai três dos seus grandes desejos: ter um cachorro para levá-lo à escola, passear de foguete e pisar na neve. Inobstante não haja notícias de cachorros, por mais doces que sejam, frequentando salas de aula, tampouco de agências de viagem promovendo passeios em foguetes e muito menos da existência de chuva de neve em tórridas terras nordestinas, encantou-me, sobremaneira, a qualidade surreal dos sonhos do menino Vina, que estuda bateria aos sábados, pela manhã. Diferentemente dos homens com cabelo na cara, que apenas sonham sonhos materiais (riqueza, aquisição de bens, sucesso na vida social e empresarial), as crianças pensam diferente e sonham sonhos revestidos de pureza, tal qual são suas almas.

O GOLEIRO NA HORA DO GOL

O mais velho deles, Bernardo, solitário sob as traves do PSG aqui em Recife, resolveu ser goleiro. Para o mês estará viajando para Porto Alegre participar de um torneio interestadual defendendo as cores do ex-time de Messi. Teimo em ir aos treinos vê-lo defender bolas totalmente indefensáveis aos meus olhos. Mais angustiado que o goleiro a que se referia Belchior, fica o avô do goleiro na hora do gol.

O LEONARDO QUE NÃO QUER SER LÉO

O caçula, Leonardo (detesta ser chamado de Léo e insiste em ter 1 ano, quando na verdade tem 2), pelo jeito vai ser cantor. Vive cantarolando, é afinado (na medida do possível para uma criança de sua idade). Sabendo das dificuldades dos artistas de canto por essas bandas, já fico a temer por seu futuro artístico. Que não abandone a escola é o que posso aconselhar. O consolo é saber que seu repertório atual é muito bom, Luiz Gonzaga incluído. Por enquanto, pelo menos não há o que temer quanto ao seu enveredar pelos cantos dos sertanejos sem sertão, pagodeiros impostores ou forrozeiros de plástico.

A UTOPIA DOS NETOS

E a gente, já graúdo na vida e não mais desejoso de passeios intergalácticos, ou de criar bonecos de neve ou, ainda, de descobrir escolas que aceitem cachorros como alunos, seguimos a vida admirando e sonhando junto as utopias dos netos. Mas a verdade é que nada é mais saboroso que ser avô de três crianças tão diferentes nos sonhos e tão iguais na benquerença do avô.

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CRÔNICAS E CRONISTAS

Achei bom meu fim-de-semana sem ter muito o que fazer, embalado por uma chuvinha fina, chata e insistente, que desestimula a vontade de encarar a rua, o trânsito, os chatos. Aproveitei para ler (reler) livro de crônicas de 3 mestres que muito admiro: Luiz Fernando Veríssimo (Diálogos Improváveis), Aldir Blanc (Direto do Balcão) e Maciel Melo (O Refúgio das Interrogações). Convenci-me que sou um principiante com todos os pecados que se pode a estes impingir, na arte de escrever. Ao contrário do romance, a crônica é breve, curta, o que, a princípio (e é o que me atrai) minimiza o risco de erros (nunca fui bom em Gramática). Não só por isso, dei-me conta do quanto comodista que sou. Querem a prova? Há pelo menos 6 anos comecei a escrever o romance BASTIÃO DE JESUS. Empolgado, no início, consegui concluir o primeiro e o último capítulos, princípio e desfecho de uma história que me pareceu interessante. Mas faltou o ‘miolo’, as histórias paralelas, o desenrolar dos fatos e, o principal, a coragem para dar andamento ao projeto. Por isso, preferi suspender a iniciativa e dedicar-me à crônica, à poesia, à música e, eventualmente, a pequenos contos (fui até premiado num concurso de contos da Prefeitura do Recife). Combina mais com meu jeito preguiçoso de ser. A verdade é que, além do argumento anterior, a crônica permite que o leitor veja o mundo com os olhos do autor, o que me fascina e incentiva a escrever. Continuarei lendo os grandes cronistas na esperança de que, com eles um dia aprenda. Aí, talvez, resolva dedicar-me ao BASTIÃO DE JESUS. Estão na fila Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Nelson Rodrigues, Otto Lara Rezende …

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FRANCISCOS, PAULOS E AVIÕES

Dos Franciscos, tenho a sorte de ter xarás ilustres, a começar pelo Santo de Assis, meu ídolo maior e protetor de todas as horas. Nomino-os, alguns: o Buarque de Holanda, Poeta maior de nossa música; o Xavier, bem feitor da humanidade; o Anysio, humorista e conterrâneo; o César, compositor, cantor e Parceiro musical; o Mendes, defensor das matas amazônicas; o Papa Chico, (bastar-lhe-ia ser Papa mas é muito mais que apenas isto); o Brennand, transformador de barro em arte pura …

Dos Paulos, a ventura de ter amigos ilustres e queridos com esse nome. Além do meu irmão Paulo José, engenheiro, a ventura de ter outros queridos amigos assim chamados: o Carvalho, Médico e Poeta; o Cavalcanti, Jurista e Acadêmico de algumas Academias; o Matos, Empresário em Itaúnas, paraíso do Forró; o Rocha, Cronista e Poeta; o Matricó, Músico, Cantor e Compositor; o Salles, Poeta e colega de trabalho; o Vanderlei, historiador, em Fortaleza; o Corrêa, radialista em Aracaju; o Leite, Cantor, que se assina Paulinho, assim como o Rosa, dono do Canto da Ema, em São Paulo … Todos Paulo ou Paulinho.

Não bastasse o apreço que tenho por meus amigos Paulos, contribui para o meu amplo gostar a existência de alguns Paulos que não conheci nem tive amizade, apenas tendo por eles imenso respeito e profunda admiração: o Freire, o Evaristo Arns, o Picasso (que era Paulo em español), os Joôes Paulos Papas, 1 e 2 …De tanto gostar dos Paulos, a um filho dei-lhe este nome, na pia batismal e no Cartório.

Todo esse preâmbulo para dizer que uma característica comum a quase todos esses queridos é o gosto pelas viagens. Um deles, mantém residência dupla por aqui e em Lisboa, um tempo lá, um tempo cá. Outro, viaja todo ano rumo à Europa, fotografando e passeando, passeando e fotografando. Os demais também são viajantes e viajados pelos céus do mundo. Invejo-os. Nunca fui nem irei a Europa. Apavora-me o só pensar em voar oito horas sobre um imenso mar rumo ao velho mundo. Deixem-me no novo, meu mundo é no chão. Não sou passarinho e voar é para os pássaros.

Essa conversa faz-me lembrar meu amigo e parceiro Dominguinhos, que queria ver o cão pintado na parede ao invés de um avião. Questionei-o, certa feita, argumentando que o trajeto de automóvel entre a sua casa e aeroporto, em ruas e avenidas esburacadas, oferecia muito mais perigo que o voo propriamente dito. Seu contra-argumento foi devastador. Disse-me ele: – Pois é, Xico, lá em cima só tem um buraco, mas o ‘danado’ é muito fundo. Se a gente cair nele, não volta nunca mais. Seu Domingos, além do gênio da música que era, sabia das coisas. Ele estava coberto de razão.

Por isso, meus dias de descanso e repouso são por aqui. Prefiro desfrutá-los no friozinho de Gravatá, que talvez não tenha a beleza daquele continente mas tem, em seu mercado público, um caldinho de mocotó que, praquelas bandas, acho pouco provável que tenha. Também duvido que se encontre por lá, à frente de suas belas catedrais e suntuosos teatros, um ‘sanfoneirim’ matuto tocando em seu pé-de-bode um baião de Gonzaga. Nas esquinas de Gravatá ainda se vê essa espécie em extinção. E a estrada até lá tem poucos buracos, e não tão fundos quanto aquele a que se referia o Mestre Dominguinhos. Aos meus queridos amigos desejo sempre uma boa viagem e um breve regresso.

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REZAS E ORAÇÕES

Há várias formas de dizer as rezas, embora a forma não importe tanto. Quando pequeno, minha mãe rezava comigo uma oração para o Santo Anjo do Senhor. Toda noite. Depois, aprendi e sabia de cor o Credo e o Salve-Rainha. Hoje, mal lembro da Ave-Maria, a tradicional, a do ‘cheia de graça’. Rezo diferente. Rezo para meu santo amado, aquele que atende por Francisco de Assis, meu anjo protetor, meu zelozo guardador. Que me perdoem todos os Deuses, os Abraâmicos, os Orientais e os dos terreiros de Candomblé: rezo do jeito que acho correto, na linguagem da natureza, como fazem os passarinhos: com certeza eles conversam entre si sobre a natureza, de como preservá-la, de como torná-la o habitat ideal para si e para o bicho homem … eles, os passarinhos, se entendem, rezam por nós, diferentemente dos que promovem matanças e guerras. Francisco, meio mouco, talvez por isso não atenda ao meu clamor e deixe que os fuzis proliferem, inibindo os jardins. Ou, quem sabe?, ande muito atarefado com a quantidade de pedidos a ele dirigidos. Mas certamente o mundo seria melhor fôssemos todos passarinhos, se só existissem jardins, cantos e rezas ao modo deles, pela paz e preservação do lugar em que vivemos, nós e eles. Como são inteligentes os pássaros.

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A MULHER QUE NÃO FOI

Ela não foi. Ficou de ir e não foi. Sequer mandou alguém em seu lugar: melhor assim. Esse alguém talvez nem curtisse as cantigas do Chico, tampouco gostasse de sorver uma cerva bem geladinha. Só sei que a danada não foi. Ou seja: meu amigo estragou água morna e sabão, gastando-os em banho tão demorado. Se seus dentes resistiriam a mais um dia sem escovação, para que escová-los, gastando pasta e escova? Pia e pratos bem que poderiam ficar sem lavar: far-se-ia isto depois, com calma. Tudo em vão … Mas tudo bem. Vai ver o UBER ‘farrapou’ ou a babá que ficaria com seu filho adoeceu. Vai ver ela torceu o pé ao descer a escada ou engasgou-se com o cuscuz, borrou o batom e deu-lhe preguiça de se ‘rebatonzar’ …Terá tido uma dor de barriga? Ou o calo do mindinho voltou a doer? Talvez tenha ido a um chá de caridade e esqueceu a caridade que iria fazer. Não sei a razão. Sei que ela não foi. Apenas busco desculpas para desentristecer meu amigo. – Liga não, – disse-lhe – aproveita e deixa perdido o desodorante que se perdeu. Melhor assim. Quem sabe dona Solidão, que ‘tá já chegando ou já chegou, goste do cheiro dele do teu sovaco, se abanque por aí e dê fim ao teu já tão pouco sossego? A gente nunca sabe: a solidão é esquisita, tem uns gostos tão estranhos …

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INVERNIA DE AMOR

No friozinho de Gravatá, com o dia já envelhecido e o sol indo descansar sob uma chuva fininha, pus-me a refletir sobre o bem-querer revigorante que deve envolver as pessoas. E aí, utilizando-me de toda a liberalidade poético-gramatical permitida, brotou a letra abaixo, melodiada por meu Parceiro DANIEL GONZAGA, Filho de GONZAGUINHA, Neto de GONZAGÃO. Em breve, a cantiga estará à disposição de quem quiser ouvi-la (antigamente dizia-se NAS BOAS LOJAS DO RAMO; hoje, diz-se EM TODAS AS PLATAFORMAS DIGITAIS):

A MÚSICA – INVERNIA DE AMOR

No meu sonho eu namoro estrelas
Desejando tê-las para te ofertar
E as palavras viram Poesia
De noite e de dia só pra te encantar
Esperando como quem espera
Uma primavera em pleno verão
Ou outono bordados de flores
Ternurando amores em toda canção

Só queria que você me desse
Esse teu cheiro gostoso de flor de alecrim
E eu seria invernia de amor
Para todo dia ver você chover em mim

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A AMIGA DO MEU AMIGO

Meu amigo perdeu sua amiga Izolda, não sabe onde nem como, sabe apenas que a perdeu e pôs-se a procurá-la, no meio do mundo, nos confins do universo … como viver sem Izolda? Ela que abria suas janelas e deixava o cheiro da flor entrar … Que acendia a luz do terreiro e apagava a tristeza e a dor … Que dançava a bela dança com seus pés leves de cetim … Ela que usava a roupa que ele queria, quando roupa usava … Que lhe ensinava a dor do beijo e o tremor dos lábios na hora exata em que os lábios devem tremer … Ela que se plantava em seu jardim respirando o azul mais terno e expirando o cor-de-rosa .. que se deixava ser regada e, depois, colhida … Ela, assim mesmo tão doidinha, nunca precisou usar Diazapan…

– Onde estará Izolda? aflito, perguntou –me.

– Onde Izolda se esconde? Onde?

Respondi-lhe, olhos uma vez só a piscar:

– Você acha, meu amigo, que se de Izolda eu soubesse, ao menos desconfiasse do seu íntimo paradeiro, do secreto esconderijo dessa agulha num palheiro, se em Paris ou no Crato, Nova York ou Telaviv, se eu soubesse de fato o lugar onde ela vive, onde se esconde a bailarina, a pintora, a contista, eu diria para alguém? Daria seu endereço? Por maior que seja o apreço que lhe tenho seria eu tão burro assim? – Não me leve a mal, meu amigo, deixe guardado comigo o segredo que guardarei sem medo quando souber o lugar onde está Izolda; Mas, por favor, não insista, permita-me ser egoísta. Quando descobrir, apenas para mim revelarei o seu refúgio …

Em Tempo 1: a última notícia que dela tive foi que estava comendo pastel na praia de Gaibu. Antes, disseram-me tê-la vista comprando uma geladeira usada na feira de Gravatá. Se a avistarem por aí, mandem um ZAP para mim. Guardarei segredo. Só espero não ter confirmada a informação de que Izolda casou com um industrial nigeriano rico e mudou-se para a África.

Em Tempo 2: Assim agindo, estaria eu sendo amigo do meu amigo?, assaltou-me a dúvida. Creio que sim. É que ele, de tanto gostar, termina sendo por ela maltratado. Para o seu bem, melhor não encontrar Izolda.

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MEU AVÔ ZUZA BEZERRA

Há gente nesse mundão de meu Deus que, de tão ruins que são, parecem ter as veias da alma entupidas por varizes de calibre alto, como comparava o Pasquim de outrora. Que as almas dessas pessoas se entupam, cada vez mais, de grossas varizes. Eles não merecem outra premiação. Ao contrário destes existem os bons. Gente como meu avô materno, Professor Zuza Bezerra, mais inteligente e culto do que bonito (embora sua beleza encantasse as então moças de seu tempo).

O PROFESSOR

Vovô dominava e dava aulas de português, latim, grego, matemática, geometria e trigonometria. Era amigo das letras, dos números e devoto das rimas. Atuou como rábula, pois dominava também o direito romano e viajava em lombo de cavalo pelas estradas que ligavam o Crato a cidades vizinhas, para “dizer o direito” dos acusados. Mas era, acima de tudo e ao lado de seu correto proceder, de sua retidão de caráter, um Poeta por excelência. Dele herdei a afeição pela Poesia e a ele atribuo o meu gosto pelas letras. Num tempo sem e-mail ele escrevia versos num pedaço de papel e compartilhava comigo a beleza de sua Poesia, simples e consistente ao mesmo tempo.

O POETA

A ele, toda minha reverência. Sempre digo: quem gostar das baboseiras e besteiragens que escrevo, a ele credite o bem que fez; quem não gostar, dele reclame. Meu avô era tão bom, além de belo e inteligente, que saberá entender.

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