Dos Franciscos, tenho a sorte de ter xarás ilustres, a começar pelo Santo de Assis, meu ídolo maior e protetor de todas as horas. Nomino-os, alguns: o Buarque de Holanda, Poeta maior de nossa música; o Xavier, bem feitor da humanidade; o Anysio, humorista e conterrâneo; o César, compositor, cantor e Parceiro musical; o Mendes, defensor das matas amazônicas; o Papa Chico, (bastar-lhe-ia ser Papa mas é muito mais que apenas isto); o Brennand, transformador de barro em arte pura …
Dos Paulos, a ventura de ter amigos ilustres e queridos com esse nome. Além do meu irmão Paulo José, engenheiro, a ventura de ter outros queridos amigos assim chamados: o Carvalho, Médico e Poeta; o Cavalcanti, Jurista e Acadêmico de algumas Academias; o Matos, Empresário em Itaúnas, paraíso do Forró; o Rocha, Cronista e Poeta; o Matricó, Músico, Cantor e Compositor; o Salles, Poeta e colega de trabalho; o Vanderlei, historiador, em Fortaleza; o Corrêa, radialista em Aracaju; o Leite, Cantor, que se assina Paulinho, assim como o Rosa, dono do Canto da Ema, em São Paulo … Todos Paulo ou Paulinho.
Não bastasse o apreço que tenho por meus amigos Paulos, contribui para o meu amplo gostar a existência de alguns Paulos que não conheci nem tive amizade, apenas tendo por eles imenso respeito e profunda admiração: o Freire, o Evaristo Arns, o Picasso (que era Paulo em español), os Joôes Paulos Papas, 1 e 2 …De tanto gostar dos Paulos, a um filho dei-lhe este nome, na pia batismal e no Cartório.
Todo esse preâmbulo para dizer que uma característica comum a quase todos esses queridos é o gosto pelas viagens. Um deles, mantém residência dupla por aqui e em Lisboa, um tempo lá, um tempo cá. Outro, viaja todo ano rumo à Europa, fotografando e passeando, passeando e fotografando. Os demais também são viajantes e viajados pelos céus do mundo. Invejo-os. Nunca fui nem irei a Europa. Apavora-me o só pensar em voar oito horas sobre um imenso mar rumo ao velho mundo. Deixem-me no novo, meu mundo é no chão. Não sou passarinho e voar é para os pássaros.
Essa conversa faz-me lembrar meu amigo e parceiro Dominguinhos, que queria ver o cão pintado na parede ao invés de um avião. Questionei-o, certa feita, argumentando que o trajeto de automóvel entre a sua casa e aeroporto, em ruas e avenidas esburacadas, oferecia muito mais perigo que o voo propriamente dito. Seu contra-argumento foi devastador. Disse-me ele: – Pois é, Xico, lá em cima só tem um buraco, mas o ‘danado’ é muito fundo. Se a gente cair nele, não volta nunca mais. Seu Domingos, além do gênio da música que era, sabia das coisas. Ele estava coberto de razão.
Por isso, meus dias de descanso e repouso são por aqui. Prefiro desfrutá-los no friozinho de Gravatá, que talvez não tenha a beleza daquele continente mas tem, em seu mercado público, um caldinho de mocotó que, praquelas bandas, acho pouco provável que tenha. Também duvido que se encontre por lá, à frente de suas belas catedrais e suntuosos teatros, um ‘sanfoneirim’ matuto tocando em seu pé-de-bode um baião de Gonzaga. Nas esquinas de Gravatá ainda se vê essa espécie em extinção. E a estrada até lá tem poucos buracos, e não tão fundos quanto aquele a que se referia o Mestre Dominguinhos. Aos meus queridos amigos desejo sempre uma boa viagem e um breve regresso.
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O amigo ( mais ou menos ) Mário Henrique Simonsen, à época Ministro da Fazenda, chegava de viagem. A ele perguntei se havia sido boa. Ele respondeu com frase que, depois, ganhou o mundo, “ Viagem de avião tem só dois tipos, as muito boas e as fatais. Foi muito boa “ . As de hoje são melhores, mestre Xico. Tenha medo não. Abraços lisboetas.
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