MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

ESPERANÇA É MESMO A ÚLTIMA QUE MORRE?

Dia 01/02 e o fato marcante para o Brasil não é o aumento dos combustíveis anunciados pelo governo desde a semana passada. A mazela é a eleição para presidente da câmara e do senado realizada hoje e que conduziu, respectivamente, Hugo Mota e Davi Alcolumbre para comandar as duas casas. É mais um dia triste para o Brasil, um dia no qual a gente pisa e afunda um pouco mais, a tal da esperança.

Alcolumbre, para quem não se lembra, junto com Rodrigo Maia, também conhecido como Botafogo nas planilhas da Odebrecht, procuraram na surdina o presidente do STF, o sinistro Lewandowski, para consultar sobre a possibilidade de permanecerem no cargo na legislatura seguinte. O sinistro Lewandowski delegou a “análise” ao sinistro Gilmar Mendes, o qual num voto de 64 páginas concluiu que “mesmo ao arrepio da lei” era possível. O tal “arrepio da lei” era uma transgressão constitucional porque essa coitada dessa quenga leva mais chibata do que Amaro Brotinho. Ainda bem que outros sinistros pisaram no freio.

Obviamente, o interesse que estava por trás dessa decisão era manter a oposição ao governo Bolsonaro forte nas duas casas e deixar o presidente com a faca no pescoço, sob a ameaça de um impeachment. Rodrigo “Botafogo” Maia, canalha como muitos existentes no Brasil, tinha o sonho de ocupar a vaga, mas havia um vice-presidente antes. Nenhum problema, porque tem memória deve lembrar que o sinistro Gilmar Mendes quando presidia o STE, pautou a cassação da chapa Dilma e Temer. Daí, com o impeachment de Dilma, correu para reverter o processo mantendo Temer na presidência e tirando o doce da boca de Eduardo Cunha.

Alcolumbre, ao deixar o senado em 2020, engavetou, simplesmente, 21 pedidos de impeachment contra os sinistros do STF, sendo o campeão de audiência, o digníssimo, iluminadíssimo, absolutismo, sinistro Alexandre de Morais. Esse mesmo canalha, ao presidir a CCJ deixou de pautar, propositadamente, a indicação de André Mendonça para o STF. Mais de 90 dias transcorreram e ele não quis colocar em pauta a sabatina prevista na lei. Qual a alegação? O apoio que Mendonça deu, enquanto ministro da justiça, a Lava Jato.

Não custa lembrar que o irmão de Alcolumbre foi pego com mais de R$ 250 mil em espécie dentro de uma mala e que esse dinheiro não tinha origem declarada. Essa beleza de irmão foi preso, autuado, processado ou coisa que o valha? Não. Absolutamente, nada contra ele. Tão inocente quanto um bebê que acaba de inaugurar a vida numa maternidade do SUS.

Como se não bastasse, temos Hugo Mota, um deputado com base eleitoral em Patos, na Paraíba, eleito pela influência do pai, prefeito da cidade, e da avó que ocupa, pela sexta vez, uma cadeira na assembleia legislativa. Esse jovem foi eleito, pela primeira vez, deputado federal com pouco mais de 86 mil votos e destinou R$ 1,50 milhão como emenda parlamentar para reforma do teatro da cidade. Sabe qual a peça de inauguração? Desvio de dinheiro, obra inacabada até hoje, processo na CGU, TCU e tudo mais, com improbidade administrativa do pai, da avó, do papagaio e vai por aí.

Ser corrupto, neste país, merece prêmio. Quem trabalha com honestidade, mesmo na informalidade, fica exposto a vigilância de receita, mas quem rouba é perdoado e não apenas isso: se elege presidente, deputado, senador, governador, prefeito, vereador ou vai ser diretor de alguma estatal. É baseado nisso que, para mim, a esperança já morreu faz tempo, apenas deixaram de enterrar ou de cremar.

Minha esperança era que as pessoas compreendessem que nós não iremos mudar esse país nunca enquanto não tivermos um congresso digno, sem rabo preso com STF. É simples assim. Enquanto se vota nessas pessoas, o país se afunda, as falcatruas desfilam na avenida com um tapa sexo imoral. O povo recolhe o lixo e os corruptos se locupletam cada vez mais. Temos culpa porque não estamos fazendo a coisa de forma coerente. Não adianta irmos aos nossos grupos de zap colocar vídeos sobre os desmandos do governo ou, pior, coisas utópicas, fantasiosas que basta uma simples leitura para se ver o quão de energia se perde. Por exemplo: Trump vai nomear Bolsonaro como embaixador, vai suspender o visto dos sinistros do STF, agora Alexandre de Morais vai preso e vai por aí.

Não há organização política na oposição. Todo dia Gustavo Gayer publica com algo como “a casa caiu” e quando a gente vai ver, nada com nada. A estrela em ascensão é Nikolas Ferreira: um vídeo sobre o Pix foi visto 300 milhões de vezes. Isso foi suficiente para se falar na redução da idade para concorrer ao cargo de presidente. Se a intenção é beneficiar Nikolas, o efeito será exatamente o contrário. Por quê? Simples: há outros jovens com a mesma idade que mamam nas tetas do governo desde muito e que defendem os preceitos da esquerda. Então, pela hegemonia, Nikolas não teria a menor chance.

Observem o seguinte: na cidade de São Paulo, Tarcísio de Freitas teve menos votos do Haddad, Bolsonaro teve menos votos do que Lula. Em Minas, Lula teve 48% dos votos e Bolsonaro 43%. Dar para entender? Enquanto procurarmos fazer política com responsabilidade, orientando o eleitorado com propostas, convencendo da desgraça feita pela esquerda nesse país, não sairemos do velório da esperança.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

A PIXOTADA DO GOVERNO

A instrução normativa Nº 1229/2024, da Receita Federal, trazia procedimentos que seriam adotados às movimentações financeiras a partir do dia primeiro desse mês. Operações com cartões, Pix, criptoativos etc. cuja movimentação fosse superior a R$ 5 mil e R$ 15 mil para pessoas físicas e jurídicas, respectivamente. Considerando que a instrução é de outubro/2024, o governo teve tempo mais do que suficiente para esclarecer determinados pontos e não o fez com competência, não restando alternativa além da anulação da medida.

O governo sugeria que a necessidade dessa medida era adequar procedimentos de fiscalizações aos padrões internacionais, mas não deixou de frisar que se tratava, SIM, de uma medida destinada a combater a evasão fiscal, ou seja, SIM, a ideia do governo era aumentar a arrecadação, não através de cobrança de taxas sobre as transações via Pix. Faltou discernimento para a equipe econômica ao considerar movimentação financeira com lucro. Cabe lembrar que já tivemos cobrança sobre movimentação financeira, que era a tal CPMF que tirava de todo correntista 0,38% sobre qualquer saída de recursos da sua conta corrente. Outra questão é que imposto exige um fato gerador. Por exemplo, a venda de uma mercadoria é o fato gerador do ICMS, assim como a renda do trabalhador é base para o imposto de renda. A CPMF não tinha um fato gerador, por isso foi instituída como contribuição.

Outra questão escrota que o governo propagou era que a medida visada evitar que o contribuinte caísse na “malha fina”. Esse sentimento é o mesmo de uma pessoa que mata seu próprio filho para que ele não seja vítima da violência. Enfatizo: embora não se tratasse uma perspectiva de cobrança de taxas sobre as transações via Pix, a medida do governo iria onerar, substancialmente, pessoas trabalhadoras, como os microempreendedores individuais.

De acordo a lei, o MEI é aquele que fatura até R$ 81 mil por ano ou R$ 6.750,00 por mês. Agora imagine o seguinte: um vendedor de cerveja na praia, não MEI, compra 100 latinhas de cerveja ao custo de R$ 3,50 a unidade e vende por R$ 6,00. Esse cidadão teria que registrar sua renda na declaração anual (em outras fontes), mas para isso ele precisaria do CPF de todos os compradores. No momento que ele fornecesse o CPF de fulano, a receita iria verificar se o fulano tem renda suficiente para comprar cerveja na praia e se este fulano fosse um trabalhador autônomo que não anotou as fontes que lhe pagaram, então seria multado. Simples assim pagaria o imposto devido, mas uma multa de 75% sobre o valor devido.

Era necessária uma medida dessa natureza? Obviamente, que não! O governo tem mecanismo de fiscalizar transações financeiras, por exemplo, através do COAF e para quem não sabe, toda movimentação acima de R$ 2 mil e de R$ 6 mil para pessoas físicas e jurídicas, respectivamente, já são registradas pelo COAF. O problema é que o prazo que reação desse órgão não é fixo em 6 meses como no caso da instrução normativa. Se for declarar que ganhou na sena 24 vezes e seu nome não for João Alves, deputado federal, então, esteja certo de que a receita federal irá lhe visitar. O COAF age quando a distorção entre a movimentação financeira e o patrimônio do contribuinte não são compatíveis com sua renda. A medida exigia que toda movimentação realizada no primeiro semestre fosse informada pelos bancos até o dia 31 de agosto.

O governo acabou com o arcabouço fiscal implantado no governo Temer através da Emenda Constitucional Nº 95/2016 que atualizava os gastos do governo, por um período de 20 anos, à variação da inflação. Em troca propôs um novo arcabouço fiscal que deveria entrar em vigor em 31 de agosto de 2023 e, ontem, apenas ontem, foi sancionado pelo presidente e vai levar nossa carga tributária para uma das mais altas do mundo. Em adição, a irresponsabilidade fiscal implantada por pessoas que não sabem o que fazer, impõe a manutenção da taxa de juros em patamares altos e, já se ensaia, uma explicação para o desemprego futuro: necessidade de desacelerar a atividade econômica para evitar pressão inflacionária, ou seja, se quiser colocar para fora um inquilino ruim, derrube a casa.

A essência do governo é arrecadação. Instituiu imposto sobre a importação de bens de até US$ 50, a tal taxa das blusinhas, e o que resultou? Nenhum impacto significativo no mercado interno, mas uma perda de receita importante para os Correios que estão passando cuspe para lacrar as encomendas por falta de cola. O governo ameaçou cobrar impostos sobre a previdência privada e a ideia foi rechaçada imediatamente. Depois veio a cobrança sobre herança recebida no exterior, depois vem a proposta de cobrar 10% sobre a renda (aqui incluí tudo: salário, juros, aluguéis, dividendos), mas a proposta de mudança do imposto de renda não foi colocada em votação.

Em detrimento, foi votado e aprovado, a atualização do salário-mínimo pela inflação mais 2,5% de modo que temos um salário de R$ 1.518,00 que, mantida a tendencia de inflação de 2024, este salário vai equivaler, em maio desse ano, a R$ 1.488,00. Recordo de um vídeo do presidente no qual ele diz que quem ganha mais de 2 salários ou tem uma instrução melhor, não vota no PT. Caramba, serão estas pessoas mais afetadas pelo desgoverno. Poderia até falar sobre o veto do BCP para as crianças afetadas pelo zika vírus, mas eu não consigo destilar tanto maldade.

Diante de tanta sacanagem, foi necessário recuar na ação e principalmente após o vídeo gravado pelo deputado Nicolas Ferreira. Foram mais de 300 milhões de visualizações e as reações foram superengraçadas. A primeira espalhar que o deputado estava divulgando fake News. Eliane Castanhede foi taxativa em dizer que havia violação de medidas governamentais. Na visão dela, o que o governo fizer a população deve ficar calada. Outra coisa foi o “lindinho” ser escalado para rebater Nicolas. Deu pena. Um cenário parecido, mas um conteúdo absolutamente distinto.

A gente precisa se convencer do seguinte: esse governo nunca apresentou projeto durante o período eleitoral. O candidato do PT dizia que programa de governo seria feito quando fosse eleito. Tudo que se fez, foi vingança. Perseguiram Deltan, perseguiram Moro e agora, um grupo de advogados candidatos a cargos no STF está movendo uma ação no conselho de ética contra Nicolas. Esse governo tem por meta, única e exclusiva, gerar déficits orçamentários e quebrar o país. Ainda há tempo de esclarecer a população sobre as escolhas para 2026.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

APENAS PARA ENGANAR

O lado bom da internet é a sua capacidade de recuperar fatos antigos, registrados em filmes, jornais ou televisão. Isso nos permite identificar o tanto de baboseiras que são proferidas como verdades absolutas e que acabam criando adeptos. Em cada segmento profissional, a gente uma figura de destaque. O caso de Miriam Leitão, por exemplo, é algo de natureza perdida. Coloca aí mais uma três ou quatro encarnações para ver se ela consegue evoluir para reino hominal. Tenhamos fé.

Na cultura é difícil escolher um apenas, mas talvez Daniela Mercury seja o expoente maior dessa representatividade imbecil. No passado, gravou um hit que vendeu um milhão de cópias e a colocou numa posição de destaque, inclusive sendo tratada como “rainha do axé”. O segundo disco vendeu 250 mil cópias e o terceiro não passou de 100 mil. Ninguém se lembrava que ela existia mais, até voltar à mídia, não ao sucesso, por conta de uma relação homoafetiva.

Depois vem os seres inanimados como Felipe Neto. São velas de embarcações levadas pelo vento que as dirigem para qualquer direção que seja condizente com seus interesses financeiros. Felipe Neto criticou a roubalheira do PT, de Lula e de companhia bela, mas em 2022 esqueceu tudo que disse para apoiar o cara que ele chamava de ladrão. Chamou os eleitores contrários de tudo que não prestava e quando perdeu alguns milhões de Reais, adotou um discurso de paz, de perdão etc.

No campo político, eu acredito que o maior exemplar de imbecilidade atende pelo nome de Embeciro Gomes. Não passa de um pulha, mas fala com a postura de quem sabe muito, ou seja, de que é a única pessoa no mundo com inteligência. A humanidade, diante de Embeciro, tem apenas instinto. Em todo canto diz que prefeito de uma grande cidade, governou o estado com 8º maior PIB, que foi ministro da fazenda etc. mas, não diz, por exemplo, que 60% dos municípios do Ceará são classificados como de extrema pobreza. Fala do tempo como ministro, como se sua atuação fosse a coisa mais importante da face da Terra.

Embeciro assumiu a pasta porque Rubens Ricupero foi pego pelas parabólicas. Numa entrevista a Carlos Monfort ele disse que estava fazendo as coisas no sentido de eleger FHC. Assim, no dia 08 de setembro de 1994, ele assumiu e ficou até janeiro de 1995 quando foi substituído por Pedro Malan. O que ele fez? Eliminou o imposto de importação de 445 itens e com isso houve um aumento das importações desequilibrando a balança comercial. Ele costuma dizer que na sua gestão a dívida era US$ 1,7 bilhão (dados do Banco Central mostram que era, de fato, US$ 1,689 bilhão) e quando saiu a dívida passou para US$ 33,6 bilhões.

Pense comigo: a gente tinha uma moeda valorizada nesse período. O Plano Real tinha sido implantado em 01 de julho de 1994, logo, estávamos, ainda, num processo de transição e havia, nitidamente, uma pressão sobre consumo porque o poder aquisitivo das pessoas cresceu. Daí, quando Embeciro reduziu a alíquota de importação desses produtos, as importações aumentaram e as exportações, não. O Real estava valorizado. A paridade era US$ 1,00 = R$ 1,23 e com isso não havia muito incentivo às exportações. Vamos para o resultado: exportações líquidas é diferença entre o que um país exporta e o que ele importa. Entenderam?

O resultado é simples: como não tivemos capacidade de exportar, por conta da valorização do Real, e tivemos um aumento grosseiro nas importações, o saldo da balança comercial gerou um déficit de US$ 5,09 bilhões (dados do banco central). As contas públicas, ao longo do governo FHC, acabaram atingindo um déficit de US$ 30 bilhões, no entanto, isso começou com Embeciro porque antes deles havia um superavit de US$ 3,4 bilhões. Então, essencialmente, nenhuma contribuição significativa para a economia brasileira.

Recentemente, eu recebi um vídeo encaminhado por um aluno perguntando minha opinião. Era uma entrevista de Embeciro criticando, dentre outras coisas, as operações de swap cambial, o aumento da dívida por conta dos juros, atribuindo isso, inclusive ao fato da taxa de juros ser pré-fixada. Primeira coisa eu duvido que se ele fosse presidente da república ou do banco central ele tivesse coragem de acabar com as operações de swap cambial. É certo que o banco central assume o risco das variações cambiais, no entanto, estas operações desempenham um papel importante no equilíbrio da moeda estrangeira.

Sobre a taxa ser pré-fixada causar danos, é preciso entender o seguinte: se a gente faz um CDB de R$ 100,00 por um prazo de 60 dias, uma taxa pré-fixada de 8% ao ano, o valor líquido corresponde a uma rentabilidade de 6,16%, 4,75% ao ano, o ganho real do investidor será de 0,79% ao ano. Depois você fica sem saber por que o país não tem poupança. Agora, pegue a rentabilidade de um CDB pós-fixado. Com a SELIC em 12,25% ao ano, a rentabilidade de um título desse supera os 10% ao ano. Então, antes de falar merda, seria importante comparar a rentabilidade das aplicações.

Para finalizar, Embeciro fez duras críticas ao presidente do banco central, inclusive chegou a destacar pontos da lei 179/2021 que elenca os casos nos quais o presidente do banco central pode ser demitido. Ele destaca um: desempenho insuficiente. Caramba! Só pode ser imbecilidade. Campos Neto foi eleito em 2020 como o melhor presidente de banco central do mundo (Guedes foi eleito o melhor ministro da economia). Depois o cara foi eleito como o melhor presidente de banco central da América Latina, por duas ocasiões. Depois vem Embeciro, que não tem nenhuma contribuição para a economia, dizer que o cara poderia ser demitido por desempenho insuficiente.

Faça assim: entra na internet e procura um vídeo de Embeciro dizendo que a taxa de juros foi reduzida no governo Bolsonaro. Para quem não lembra, tivemos juros reais negativos, porque a taxa de juros chegou a 2% ao ano. O presidente do banco central era Campos Neto, mas Embeciro não diz um minuto sequer que houve redução da dívida no governo passado. Eu não gosto desse cara por um motivo simples: é um reles aproveitador que pensa que sabe das coisas, mas nem o partido dele o queria como candidato.

O resumo que faço dessa criatura é assim: passou a vida toda babando Lula. A pedido de Lula transferiu o domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo sob a promessa de ser candidato ao governo paulista com o apoio do PT. O PT apoiou Mercadante e ele voltou para o Ceará. Ganhou o ministério das cidades e não fez porra nenhuma. Em 2010, colocou seu nome como candidato a presidente pelo PSB e foi sufocado por Eduardo Campos que era aliado de Lula. Em 2018, fez de tudo para ter apoio do PT contra Bolsonaro, chegou a dizer que se fosse eleito daria indulto a Lula, mas teve 6% dos votos. Em 2022, o PDT do Rio colocou foto de Lula no diretório e os candidatos a deputados não queriam que ele concorresse para não faltar dinheiro para suas campanhas. Votou em Lula no segundo turno, seu partido dá sustentação ao governo atual e o cara, agora, vendo Lula sangrar, quer se colocar como salvador do mundo. Foda-se.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

ANO NOVO, VELHOS PROBLEMAS

Hoje, 22/12/2024, o congresso encerra oficialmente suas atividades para voltar em 01 de fevereiro próximo e com um novo presidente na câmara. Confesso que não tem admiração por Arthur Lira e me ojeriza aumentou no caso de Deltan Dallagnol. Para quem não lembra, Arthur Lira bradou que só a câmara tinha autonomia para cassar um mandato, mas o STF colocou na pauta um processo contra ele, que foi engavetado logo após a mesa diretora cassar Deltan. Eu sempre falo que enquanto não elegermos políticos sem rabo preso no STF, a gente não vai mudar esse país.

Essa semana final do ano é praticamente inoperante, exceto o executivo que pode, a qualquer momento fazer mais uma bobagem e fechar, com chave de ouro o ano de 2024. As pérolas são infindas e até acho que a retrospectiva da rede globo será sobre os momentos nos quais Bolsonaro foi ameaçado de prisão. Eu duvido muito que esse pessoal tenha coragem de criticar as merdas do governo atual.

O que vai mudar em 2025 não é apenas o passar do tempo. Termos um novo presidente no Banco Central, afinado com o partido do presidente e não sabemos até que ponto ele será capaz de manter os ensinamentos de Campos Neto. Nesse sentido, o presidente declarou publicamente que Galípolo terá autonomia e que ele não irá dar opiniões. Eu acho engraçado isso porque é muita burrice. Há uma lei que dá autonomia ao Banco Central, não ao seu presidente. Quem determina a política monetária do país não é presidente do Banco Central, é o COPOM. O Banco Central é um órgão que cumpre e faz cumprir as diretrizes do COPOM. É um órgão puramente executivo. No entanto, ao dizer que não vai se meter, fica patente que ele vai se meter sim. Que embora, ele no seu segundo governo tenha dado ao presidente do Banco Central o status de ministro – fez isso para evitar que Henrique Meirelles tivesse foro privilegiado por conta de investigações contra ele – o presidente, tanto diretamente quanto através do ministro da fazenda, vai querer implantar políticas que Campos Neto não admitia.

É do conhecimento de todos que a economia está indo, a passos rápidos – para um estado de estagnação. No início da pandemia eu cheguei a dizer que seriam necessários 10 anos para recuperar efetivamente a economia brasileira. Tivemos quatros de responsabilidade fiscal e estamos há dois anos com um governo totalmente irresponsável. A proposta fiscal do governo teve alguns pontos aprovados e outros desidratados. O DPVAT, por exemplo, foi enterrado. Como se sabe, trata-se de um seguro que cobre acidentes de veículos no Brasil. Na verdade o governo atual tentou recriar isso, mais como uma forma de transferir responsabilidades do que assumi-las e o que se quer, de fato, é aumentar a arrecadação.

O resto do pacote – vamos chamar essa porra de embrulho que é melhor – tem a limitação do aumento do salário-mínimo em 2,5% + inflação, em substituição a crescimento econômico + inflação. O efeito disso é um achatamento de renda na camada mais baixa da sociedade, em tese, formada por eleitores do presidente, afinal, quem não lembra quando ele disse que “quem ganha mais dois salários-mínimos ou tem uma educação melhor, não vota no PT”. Importante, dizer o seguinte: com o ritmo inflacionário atual, os R$ 1.518,00 de salário que serão pagos em 2025 fará com que, em maio/2025, o trabalhador já não tem capacidade de adquirir a mesma cesta de produtos adquirida em janeiro.

Como diz Jessier Quirino, “desmantelo para ser desmantelo só presta se for bem desmantelado” e nesse sentido o governo foi craque (ou crack, você escolhe). Limitou acesso ao BPC – Benefício de Prestação Continuada que atende uma camada da população inserida no Cadastro Único e que, na maioria, não tem condições de se manter sozinha. Em meio a isso tudo, vem a proposta fiscal de tributação e a pretensão de economizar R$ 375 bilhões até 2030. Quem votou no presidente pode até acreditar nisso, mas que tem um mínimo de discernimento sabe que isso é lorota. Basta ver o descontrole cambial para entender que não temos condições de fazer o dólar voltar para um patamar aceitável. E o engraçado em tudo isso é ver a mídia remunerada através dos seus representantes de plantão atribuindo culpa a Donald Trump ou a fake News envolvendo o futuro presidente do Banco Central. Ninguém culpa a irresponsabilidade do governo com medo de não receber o Pix no final do mês. No fundo esse governo se impõe como o traficante de drogas que mantem a dependência química dos usuários.

Os impostos serão tratados em 2025 e por isso só terão vigência em 2026 e para 2030 são apenas 4 anos. Tempo insuficiente para consertar o buraco econômico atual que é bem maior do que o buraco do Ibura. Aí vem a promessa de isentar contribuintes que ganham até R$ 5 mil. Haverá incidência sobre a renda superior a R$ 50 mil mês que, de modo amplo, é inerente a executivos contratados como pessoas jurídicas.

Enfim, vamos entrar em 2025 com uma penca de problemas atuais. O pior de tudo isso é não temos capacidade de mudança no curto prazo. O presidente foi colocado no poder, simplesmente, e quem questionar corre o risco de ser condenado a 17 anos de prisão. Cale-se, publicamente, mas aja em silêncio. É o melhor.

Assim sendo, tudo que podemos fazer é torcer pela mudança. No mais, um feliz Natal a todos que contribuíram com seus pensamentos aos meus textos aqui no JBF. Volto em janeiro de 2025, lembrando que o JBF é o único jornal do mundo que não dá férias coletivas aos seus empregados e que todos os dias teremos opiniões diversas de colunistas. Até 2025.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

OPERAÇÃO PUNHAL VERDE

Demorei um pouco a falar sobre a trama para assassinar Lula, Alckmin e Alexandre de Morais e o motivo foi falta de palavras, até que vi um vídeo de uma repórter, provavelmente, funcionário do PT, falando sobre o rigor da vigilância do presidente no hospital tendo em vista que a ideia era matá-lo, por envenenamento, exatamente nessas visitas a hospitais que ele faz. Aí me veio a vontade de dizer: PUTA QUE PARIU!

Acho incrível como essas mentes privilegiadas são capazes de urdir tramas que colocadas em prática poderiam resultar num filme da ação, de suspense, mas não passam de comédia pastelão ou pornochanchada. O problema é amplo: primeiro alguém escreve a matéria, depois passa pelo revisor, depois pelo crivo do editor para, finalmente, ir ao ar. No mínimo, um grupo de quatro pessoas, que na verdade participam de uma equipe, para construir um conteúdo a ser apresentado em cadeia nacional. O pior talvez nem seja isso! O pior é o impacto que isso causa nas pessoas ou que as levam a acreditar em tanta sandice.

Honestamente, acredito que caiamos numa enorme cilada e até o momento os caminhos escolhidos para contornarmos o problema não me parecem que sejam os caminhos adequados. Vivemos um período de governo militar que quem leu a coluna de José Paulo Cavalcanti essa semana aqui no JBF, vai compreender que foram momentos de restrições de liberdade, mas se você concorda ou não com essa questão, isso não entra no mérito da minha abordagem.

Lembro da emenda constitucional das “Diretas Já” de Dante Oliveira que ganhou as ruas, apelos de diversas classes sociais e tudo que se queria era o direito de escolher diretamente nossos representantes, em todos os níveis. Tivemos o colégio eleitoral com Tancredo Neves e Sarney e deu no que deu. Tancredo, dizem as más línguas, usou um “Pinotti” para chegar no céu e Sarney fez um governo ridículo, instituiu quatro planos econômicos (Cruzado I, Cruzado II, Bresser Pereira e Maílson da Nóbrega) que não tiveram o menor êxito no controle da economia. Sarney deixou o governo em março de 1990 com a inflação de fevereiro em 84% ao mês, ou, 150.496,15% ao ano.

Havia uma tentativa de reestruturação das esquerdas no Brasil com o processo de abertura política iniciado ainda no governo Geisel e com Figueiredo veio a anistia política, ampla, geral e irrestrita que permitiu a volta dos exilados como Leonel Brizola, Miguel Arraes etc. Já em 1982 tivemos eleição direta para governador e aqui em Pernambuco, tivemos candidatos como Manoel da Conceição (um sindicalista do PT), Padre Melo (folclórico), Marcos Freire e Roberto Magalhães. A vitória de Magalhães representou o pensamento político de Pernambuco naquele momento, ou seja, as forças da direita, digamos assim, ainda estavam no auge, enquanto a esquerda estava desorganizada. O fato que me faz pensar assim foi eleição de Arraes, já em 1986, que obteve 60% dos votos com 39% de José Múcio Monteiro, hoje ministro de Lula. Nessa eleição de 1986, o slogan de Arraes era que Múcio – o novo – representava o velho e o velho – Arraes – representava o novo.

Eu tomo como base o caso de Pernambuco para mostrar que a partir daí as escolhas por governantes de esquerda passou a ser a tônica no cenário político. Embora os partidos de esquerda tivessem se organizando, não havia muita representatividade nas assembleias ou câmaras municipais ou federal. E quando chegamos a 1989, a disputa se deu entre Collor e Lula e o primeiro, era o cara equilibrado, caçador de marajá, que iria combater a corrupção e fazer o Brasil crescer. O plano Collor, capitaneado por Zélia Cardoso, era uma ideia puramente monetária: diminui a oferta de moeda e com isso os produtores terão que baixar preço. Tranquilo: macroeconomia básica essa ideia, no entanto, o governo não teve capacidade de conter a força do poder econômico e o confisco só atingiu a classe média/baixa.

O problema é que Collor se envolveu num mar de corrupção sem precedentes e seu tesoureiro, Paulo César Farias, o PC Farias, passou a ser foragido procurado até pela Interpol. O homem sabia demais e, sem sombra de dúvidas, a trama que foi feita para assassiná-lo, colocada em prática no dia 23 de junho de 1996, ou seja, confundiram-se os fogos de São João com as balas que o mataram. Essa foi uma trama devidamente urdida e colocada em prática na presença de um monte de seguranças particulares que ele tinha. Era precisou matá-lo para que os segredos da república não viessem à tona. Acrescente-se: não eram apenas os segredos envolvendo Collor, principal beneficiado com essa morte, mas também de todas as pessoas envolvidas na corrupção daquele governo.

O impeachment de Collor traz a figura de Itamar Franco. Seu fato mais notório foi pousar ao lado de uma sósia de Fafá de Belém que estava sem calcinha na Marquês de Sapucaí. O segundo fato, foi colocar Fernando Henrique Cardoso como ministro da Economia. O cara se cercou de uma equipe de economistas com boas ideias e lançaram o Plano Real. Controlou a inflação, estabilizou a moeda, mas hoje, com a inflação acumulada R$ 100,00 no dia 01/07/1994 valem R$ 12,49.

Foi aqui que não percebemos o risco de aparelhamento do estado. Devemos a FHC, por exemplo, a presença de Gilmar Mendes no STF. Na eleição de 1994 tivemos Enéas, Brizola, FHC, Lula, Orestes Quércia, Espiridião Amin, dentre outros. O mais próximo de uma linha conservador era Amin, visto que Enéas não consegui cativar o eleitorado. Eu acho que a única candidatura que abalou o cenário político foi a de Sílvio Santos, devidamente, anulada pelo TSE.

De lá pra cá tivemos os governos petistas e o interstício de Temer e Bolsonaro, sendo Temer ainda ligado à esquerda, vice de um governo de esquerda. Quase mataram Bolsonaro e ainda hoje não se sabe nada sobre isso. Mataram Celso Daniel e todos as pessoas que tiveram presentes em algum momento foram mortas. Até o garçom que o atendeu no restaurante, foi morto. Chegar a esse ponto realmente necessita de uma cumplicidade grande de envolvidos, até mesmo precisa do consentimento da justiça para proibir, por exemplo, a quebra de sigilo de Adélio Bispo.

Não consigo acreditar em algo parecido envolvendo Alckmin e Lula. Não consigo visualizar como se aproveitar de um procedimento médico para envenená-lo. Quem faria isso? Um membro da equipe médica do dr. Roberto Kalil? Quem faz atendimento do presidente e ele e sua equipe e duvido que nessa equipe tenha a presença de pessoas estranhas. Além do mais, são todos simpáticos eleitores do presidente. Quem poderia matar Alckmin? Qual o interesse? Se fosse a volta de Bolsonaro, é para morrer de rir. É só olhar a constituição e ver a sucessão na presidência.

No fundo, eu acho que esse pessoal joga essa merda no ar por absoluta necessidade de continuar respirando. São meros nadadores que dão suas braçadas retirando a cabeça da água para respirar. Estão apenas em busca de medalhas.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

PACOTE ECONÔMICO

Há duas semanas, o ministro da fazenda gastou 7 minutos do povo brasileiro para anunciar um pacote econômico que, do seu ponto de vista, vai salvar o Brasil de todas as mazelas que seu partido fez. Começou culpando a conjuntura externa pelos impactos preocupantes na economia brasileira, mais precisamente as guerras, no seu entendimento, estão acabando com a moral econômica brasileira. A palavra desse “gênio” é sempre um amontoado de tolices.

O problema principal do Brasil, atualmente, é desequilíbrio fiscal. O governo do qual ele faz parte arrebentou as contas públicas desde que assumiu. As estatais que até 2022 deram lucros, agora estão apresentando déficit monumental, destacando o caso dos Correios que ostenta o pior resultado, com tendência a insolvência. Dois fatores contribuem fortemente com isso: o primeiro é a incompetência administrativa. Os gestores atuais não são preparados para gerir absolutamente nada. Estão ali pura e simplesmente, por apadrinhamento político.

A segunda questão é falta de criatividade gerencial porque os Correios perderam, há muito tempo, sua função social, passando a explorar, maciçamente, a prestação de serviços de entrega de encomendas. Então, o ministro da fazenda, ávido de arrecadar recursos para cobrir o rombo fiscal, instituiu a chamada “taxa das blusinhas” que cobrava imposto de importação de produtos até US$ 50. A queda de receita foi intensa e aliada com o aumento dos custos levou o déficit para algo em torno dos R$ 3,8 bilhões.

Contraditoriamente, vem o IBGE nos dizer que estamos com a menor taxa de desemprego, 6,3% e que, só este ano, milhões de pessoas foram tiradas da miséria. Embora, a instituição seja séria, seu presidente é um mau caráter. Tem histórico de falsear dados no IPEA apenas para atender o projeto político do seu partido. Mas, a dúvida que paira é a seguinte: se o desemprego está nesse patamar, por que a preocupação com a economia? Vamos por partes:

A Economia considera uma taxa natural de desemprego, chamada NAIRU, que se situa em torno dos 4,5%. Admite-se, portanto, que essa é a taxa do “pleno emprego”, ou seja, todos os fatores econômicos estão empregados e, de forma clara, quando o produto atinge seu ponto máximo, a tendência é que ele comece a cair, porque a economia se desloca em ciclos e não de forma linear. Então, a queda da economia está mais associada com um fator político do que com um fator econômico, ou seja, não é o momento para cair sob pena de desgastar a imagem do governo!

Outro fator é que com o desequilíbrio fiscal, a pressão sobre a inflação vai ser intensa. Então, vamos ter um momento no qual a renda está alta, adicionado a irresponsabilidade fiscal do governo, resultando na necessidade de aumento da taxa de juros para conter consumo e, com isso, a inflação. A taxa de juros alta implica redução no investimento, portanto, além desse fator que puxa o produto para baixo tem a alta do dólar reduzindo o resultado das exportações líquidas que é outra variável componente do PIB.

Quando tudo parece mais ou menos roteiro de um filme de terror, eis que a partir do dia primeiro de janeiro teremos mudança na presidência do Banco Central e em algumas diretorias importantes. Se este pessoal que vai assumir chegar com o objetivo de fazer o Banco Central obedecer às diretrizes do partido, vamos ter um período tenebroso na economia.

A proposta do governo com o arcabouço fiscal é uma piada. Primeiro porque isentar pessoas que ganham até R$ 5 mil já incorpora quem ganha até R$ 2.259,20 e isso representa, aproximadamente, 35% dos contribuintes. Então, novidade mesmo é para quem está acima desse valor e inferior aos R$ 5 mil, que representa, mais ou menos, 30% dos contribuintes. O melhor vem agora: tributar pessoas que ganham acima de R$ 50 mil na esperança de que a arrecadação nessa faixa compense o que deixou de ser arrecadado com a isenção até R$ 5 mil. Para isso o governo vai fixar a alíquota em …em quanto mesmo? Não se sabe! Quem ganha R$ 1,2 milhão por ano, vai pagar 10%, mas entre R$ 600 mil e esse valor não se tem um percentual definido. O que se sabe é que o governo pretende reduzir as deduções com saúde e educação. Ou seja, nitidamente o governo não sabe quanto pretende arrecadar numa faixa de renda que, numericamente, tem menos contribuintes do que a faixa mais baixa.

Outro detalhe é que, por se tratar de uma medida fiscal, deve ser observado o princípio da anterioridade, ou seja, sendo aprovado em 2025, só entra em vigor a partir de 2026. Com isso, a meta do governo de economizar R$ 375 bilhões até 2030 acaba sem uma utopia.

Em meio a tudo isso, o mercado é o culpado pelas desgraças do governo, a rejeição do presidente é superior a 90% e os bancos, isso mesmo, os bancos se uniram em defesa do ministro da economia. Ganha um Pix isento de cobrança de tarifas, quem adivinhar a razão disso. Aproveite a promoção porque daqui a pouco iremos pagar por transferência via Pix.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

BRASIL SEM RUMO?

A meu ver a derrocada moral do Brasil começou com o escândalo do mensalão. A revelação do, então, deputado Roberto Jefferson de que havia pagamentos realizados mensalmente a um grupo de deputados para que votassem em propostas do governo, foi o estopim da revelação de algo que passou despercebido na época: o aparelhamento do Estado.

De forma mais concisa, a gente percebe que a proposta de poder do PT por um período de 20 anos, não ocorreria sem que nos lugares importantes tivesse decisores simpáticos à causa do partido. Incompetentes foram galgados aos pontos mais decisórios mais importante do país como os tribunais superiores. O STJ, o STE e o STF, passaram a adotar uma política protecionista aos interesses partidários.

A ação 470, relatada por Joaquim Barbosa, condenou tesoureiros do PT, deputados de diversos partidos, dentre os quais, Pedro Correia Neto, deputado famoso por estar sempre ao lado do poder, fosse quem fosse o presidente. Ficou famosa sua frase: “sapato branco e oposição fica bem nos outros. Eu quero ser governo.” Ficou claro sua participação em atos de corrupção, assumindo toda a culpa e buscando inocentar sua filha, a deputada Aline Correia. Em seu depoimento ele não deixa dúvidas de que houve corrupção.

O comando de tudo isso era feito por José Dirceu, chefe da Casa Civil do governo, ministro mais forte dentre todos os demais. Apesar de tudo isso ocorrer ao lado do gabinete do presidente, ele veio a público pedir desculpas, dizer que não sabia, para depois, na França, cinicamente, dizer que se tratava de “despesas não contabilizadas”. O que eu acho mais estranho em tudo isso é o seguinte: todos os envolvidos foram inocentados, o caso de Alckmin foi encaminhado para o TRE-SP, ou seja, transformaram um caso de corrupção numa investigação eleitoral, cujo resultado todos nós sabemos: não deu em nada.

O que mais me estranha é o seguinte: por que Marcos Valério foi condenado a 37 anos, 5 meses e seis dias de reclusão em regime fechado por crimes de peculato, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro? Primeiro, onde existe um ativo, existe um passivo e os corruptos passivos eram os deputados do PT e aliados que recebiam dinheiro dos empréstimos feitos por Marcos Valério junto ao Banco Rural. Os empréstimos eram para o PT e assinados pelo presidente do partido, José Genoíno. O advogado desse cara deve ser muito burro porque se não houve corrupção passiva, não tem corrupção ativa. Se há um corruptor, há um corrupto.

A coisa podre evolui para o petrolão e para a consequente ação da Lava Jato. Provas, provas e mais provas simplesmente anuladas e toda a sanha corrupta do país volta ao poder com um apoio escancarado dos tribunais superiores. Cassaram Deltan Dallagnol, ameaçaram cassar Moro, sufocaram o governo de Bolsonaro com mais 100 ações no STF, alterando, inclusive, coisas que são prerrogativas da presidência da república. Qualquer coisa que Bolsonaro propunha era alvo de uma ação.

Veio a eleição de 2022 e o resultado das urnas mostrou um comportamento diferente do sentimento das ruas. O presidente atual é incapaz de caminhar sozinho por qualquer rua desse país, sem que lhe chamem de ladrão. Só vai a eventos cuja plateia seja constituída de aliados, fora disso, vive recluso e ao que parece tramando. A suspeita reunião no palácio do planalto com a presença de Alexandre de Morais e Zanin e a consequente ação da polícia federal parece coisa orquestrada. É, nitidamente, o domínio de um partido, esfacelado, sem pudor, fétido, que tem diminuído de tamanho a cada eleição, mas o seu dono parece saber o segredo de muitos.

O Brasil perdeu o rumo? O rumo da decência, sem dúvida! Agora, é preciso ver que estamos num rumo decisivo para uma aniquilação de ideias contrárias aos ideais esquerdistas. 0 que é pior, não temos, uma liderança capaz de mudar tais rumos. Pode-se falar de Tarcísio, Zema, Ronaldo Caiado etc. mas estes nomes não são conhecidos nas regiões norte e nordeste, principalmente, que apesar da miséria deu 70% dos votos ao presidente eleito, segundo o TSE. Eu já disse algumas vezes e vou dizer de novo: Bolsonaro perdeu uma oportunidade ímpar de mudar esse país.

Não custa lembrar: a partir de setembro de 2018, com a probabilidade de vitória de Bolsonaro, o mercado começou a reagir bem. A Bolsa de Valores começou a subir e quando foi decretada a vitória, no dia seguinte, a bolsa abriu em alta, ultrapassando os 100 mil pontos. Eu ouvi o discurso de Guedes, no dia 02 de janeiro, e acreditei que, do ponto de vista econômico, o Brasil seria outro país e não me enganei: as empresas estatais começaram a ter resultados positivos, a economia deu sinais de crescimento, tivemos por meses consecutivos superávit primário, houve injeção de capital externo, enfim, tudo se encaminhava para uma economia diferente.

Apesar desses avanços, Bolsonaro começou a perder tempo com picuinhas. A meu ver, a pessoa mais indicada para ser vice-presidente na chapa era Teresa Cristina. Tinha votos, carisma, capacidade de arregimentar votos femininos, mas colocou-se Braga Netto, que não tem capilaridade eleitoral. Deu no que deu.

Poderia falar sobre as inúmeras vezes que ouvi falar de golpe no Brasil, mas há um texto publicado aqui no JBF pelo deputado Marcel van Hattem que vale a pena ler e ao fazê-lo você irá entender qual o rumo que o Brasil está seguindo.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

PEC 4 X 3

A Proposta de Emenda Constitucional pretende alterar o art. 7º, inciso XIII, da Constituição Federal que o turno de trabalho em 8 horas diárias e. no máximo, 44 horas semanais. A ideia da autora é ter-se não mais que 8 horas diárias e no máximo 36 horas semanais, ou seja, redução de um dia de trabalho. Isso não significa que vamos trabalhar de segunda à quinta, pois as 36 horas podem ser diluídas em 5 dias, portanto, 7,20 horas por dia. O trabalhador ganharia 40 minutos para melhorar sua qualidade de vida.

Eu acho que esse pessoal tem inveja de quem é capaz de gerar emprego e renda. Eles não conseguem ver alguém tendo sucesso financeiro que logo falam em taxar ou impor leis para limitar a ação da iniciativa privada, no entanto, quando chega eleição recorrem às empresas e empresários em busca de doações para suas campanhas. Outro equívoco é que eles fazem a coisas parecer como necessária. O presidente, por exemplo, inventou de regulamentar o transporte por aplicativo e os próprios trabalhadores mandaram-no se calar, a ponto de que não se ouve falar mais nesse assunto.

Trabalhei na iniciativa privada, fiz consultoria, hoje sou servidor público. Por mais que não aceite essa pecha, não posso deixar de admitir que somos uma classe diferenciada, inclusive no nosso âmbito também, porque há uns que trabalham e outros que ganham dinheiro. Durante a pandemia, nenhum servidor público recebeu um centavo a menos do seu salário. Até mesmo adicional noturno, insalubridade e periculosidade foram pagos, embora as atividades estivessem suspensas. Isso é privilégio? Eu acho que sim, principalmente, quando comparado ao que houve no setor privado, onde contratos foram suspensos e o governo teve que amparar com o auxílio emergencial.

Entendo que se houvesse um estudo que avaliasse os impactos nos diversos setores da economia, que se apresentasse um planejamento de adequação e que tudo isso apontasse para a viabilidade econômica e financeira da ação, tudo bem, vamos fazer porque estamos apoiados na ciência. Essa mesma ciência que no governo passado foi tão exigida, agora está sendo delegada às paixões ou idiotices. A nobre deputada nunca foi proprietária de empresa, provavelmente, nunca empreendeu absolutamente nada, não sabe como se forma o custo de produção e nem desconfia como se faz a formação de preços.

É sabido que o salário-mínimo é fixado por lei e este ano vale R$ 1.412,00. Numa matemática elementar, 44 horas em dias equivalem a 220 horas e com isso o salário-mínimo é R$ 6,49 por hora. Reduzindo para 36 horas semanais, numa semana de 5 dias, teremos 180 horas, logo, o para que não houvesse prejuízo, as empresas deveriam pagar R$ 900,00, mas a proposta não aceita redução do salário, portanto, já se tem um custo de R$ 512,00 mês, por trabalhador, ou se ficar mais simples, o salário horário passaria para R$ 7,84, o que implica em R$ 1,35 por hora, por trabalhador. Multiplica pelo número de trabalhadores que recebem salário-mínimo e verás o tamanho do buraco.

Em Economia, a gente considera curto prazo um período os fatores permanecem constantes. Digamos, um período de um ano. O custo médio é determinado pela divisão entre a taxa de salário e a produtividade média. A taxa de salário é constante num período de um ano, de modo que redução na produtividade média, aumenta o custo médio. Simples assim. Agora, a produtividade média no Brasil tem caído (a FGV publicou que a produtividade média do brasileiro caiu 4,5% ano passado), então juntando a queda de produtividade com o aumento da taxa se salário, imagine o que vai acontecer com o custo médio de produção. O risco disso é aumento de preços e com o achatamento de renda, já viu.

Com a reforma trabalhista de 2017, permitiu-se o trabalho intermitente, ou seja, aquela situação em que o trabalhador é chamado quando houver necessidade. Foi uma gritaria geral. Agora, uma medida dessa natureza, sem qualquer embasamento técnico, ou científico, fará sempre, a credibilidade desse país se resumir a nada.

É bom dizer que há países onde a jornada de trabalho é menor do que 44 horas. O que eles têm de diferente em relação ao Brasil é uma economia estruturada, produtiva, com o governo se metendo o mínimo possível. Lá corruptos são presos 44 horas, como a China, por exemplo. Poderíamos dizer que é trabalho escravo?

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

ALMAS PURAS

A eleição de Trump gerou uma onda de faniquitos na imprensa brasileira, até talvez mais do que nos Estados Unidos. A cara de enterro dos comentaristas da rede globo era algo visível. Todos emitindo suas opiniões, a maioria sem qualquer respaldo, mas há uma necessidade imensa de falar, mesmo que seja besteira. Aquele “Gil do Vigor” publicou um texto demonstrando incredulidade. Sinceramente: muita besteira.

No esteio de tanta idiotice, uma ex-aluna perguntou: “E agora? O que vocês acham?”. Francamente, eu acho absolutamente normal que num país onde os dois maiores partidos estão sempre na disputa pela presidência que um dos dois sai vencedor. Eleição é feito jogo de basquete: se der empate, tem truta.

A vitória de Trump mostra um fato natural de decepção do americano com o governo que tinha. Não se trata apenas de um presidente incapaz, mas de um projeto de governo ineficiente que não tem habilidade para resolver problemas externos, haja vista os problemas entre Israel e Hamas ou Ucrânia e Rússia. Devolveram o Afeganistão ao Talibã deixando lá um arsenal bélico expressivo. A um documentário chamado “Fuga de Cabul” que relata o desespero dos afegãos para fugir, de qualquer forma, e a perplexidade de soldados americanos.

Os simpatizantes da esquerda, as almas mais puras do planeta Terra ou, quiçá, do universo, chiaram bastante, mas terão que engolir. Achei engraçado o comentário de um amigo que disse: “Pois é! É a volta do fascismo, mas democracia é isso. A maioria escolhe e pronto”. Esse mesmo amigo entre 2018 e 2022 nunca demonstrou tamanha compreensão com o resultado da eleição aqui no Brasil. Um conterrâneo chegou a perguntar: “O que explica pobre votando na direita?”

Eu descobri que tenho várias teorias e baseado na pergunta acima, poderia indagar: “O que explica pobre votando na esquerda?”. Vamos partir da premissa de que, ao longo do tempo, a esquerda só tem produzido mais pobres, mais dependentes de programas sociais do governo. No Nordeste, por exemplo, há escassez de mão de obra porque as pessoas preferem não ter a carteira assinada para não correr o risco de perder o benefício. O resultado disso será, sempre, um rombo nas contas públicas, porque é preciso dinheiro para manter esse status e dinheiro para bancar uma aposentadoria no futuro.

Para explicar uma dessas teorias, vamos analisar o perfil dos apoiadores de esquerda: artistas, intelectuais e professores, de todos os níveis, do setor público. Levanto aqui uma dúvida em relação aos professores de escolas particulares para os quais não acredito muito que eles usem seu horário de aula para doutrinar aluno. Talvez alguns empresários, mas nesse caso eu acho que o empresário não se liga por paixão a qualquer governo. Eles se ligam para manter ativos negócios com o governo. Marcelo Odebrecht, Leo Pinheiro, Wesley Batista e seu irmão etc. A Rede Globo, por exemplo, sempre viveu pendurada nos governos fosse quem fosse, com exceção de Bolsonaro.

O que motivo essa gente? Basicamente a ideia de que os pobres não representam ameaça para seu poderio econômico. Nenhum deles tem disponibilidade de apoiar ações que reduzam desigualdades, o que se faz, de fato, é querer impor o pensamento de que a política pública deve ser feita com dinheiro público. E nesse contexto, vi recentemente o canalha presidencial dizer que os empresários deveriam contribuir com o equilíbrio fiscal renunciando a subsídios. Do ponto econômico um subsídio é um imposto negativo e sua fundamentação é tornar determinados produtos competitivos. O canalha não quer reduzir gastos inúteis do seu governo, cujo rombo já atinge os R$ 105 bilhões.

Então, a ideia é simples: como o pessoal da direita defende redução do estado, economia de mercado, meritocracia, eficiência do setor público etc. a implantação desse tipo de proposta é uma ameaça a hegemonia daqueles que sempre usurparam o bem-estar social das pessoas pobres. Vejo o programa Bolsa Família como um supositório de pimenta, mas constato que há uma mudança muito grande comportamento da população de hoje para uma de um passado não tão distante. Luiz Lua Gonzaga gravou uma música chamada “Vozes da Seca” diz: “Mas, doutor uma esmola a um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão”. Perdemos a vergonha e estamos, literalmente, viciados nas migalhas sociais do governo implantada a partir de FHC.

Diante de tudo isso, a esquerda quer que a alternância de poder seja feita, sempre, dentre seus adeptos, em qualquer lugar do mundo. Qualquer pessoa que pense diferente é chamado de fascista. Descobri que eu sou fascista, porque defendo economia de mercado, cadeia para corruptos, cidadania através de emprego. Eu não sou uma alma pura.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

ELEIÇÃO MUNICIPAL: RESULTADO PARCIAL

Passado o primeiro turno das eleições municipais, os resultados indicaram que partidos de esquerda, dentre os quais PT, PSDB e PDT, saíram das eleições menores do que entraram. Os casos do PDT e do PSDB parecem mais emblemáticos, visto que Ciro Gomes sofreu uma derrota acachapante no Ceará, não elegendo quase ninguém que apoiou, principalmente, em Fortaleza. De modo igual, o PSDB e a forma desses partidos continuarem existindo é através da federalização, isto é, um artifício usado para driblar a lei, pois o partido sem representatividade sai de cena.

O PSDB era o partido de esquerda com maior representatividade. Comandou o estado de São Paulo batendo, por ano, no PT que nunca chegou a governar o estado, para o bem dos paulistanos. O MDB, tinha raízes quadro fortes, chamado “históricos” como Pedro Simon, mas depois absorveu algumas indignidades como José Sarney, Renan Calheiros, Romero Jucá e tornou-se um partido bissexual, ou seja, politicamente dividido com uma ala fazendo oposição e outra participando do governo fosse ele qual fosse.

O PSDB era aristocrático e Fernando Henrique Cardoso foi eleito e reeleito com facilidade para presidência da república. Nitidamente, politicamente, superior ao PT que era extremista e causava temor a organizações como o Fiesp (não custa lembrar que quando Lula se candidatou em 1989, Mário Amanto, então presidente da Fiesp, declarou que se ele fosse eleito, 800 mil empresários sairiam do Brasil). A briga pelo poder era entre PT e PSDB, visto que os outros partidos de esquerda (PDT, PCB, PCdoB etc.) nunca tiveram capacidade de arregimentar eleitores. O PDT vive das cinzas de Leonel Brizola que brigou contra o PTB de Ivete Vargas pelo legado de Getúlio Vargas (briga judicial, com vitória de Leonel Brizola).

Ciro Gomes se candidatou à presidência em três ocasiões e seu melhor resultado, salvo engano, foi 12% dos votos. Ele não entendeu que o Brasil não o quer como presidente e atualmente pode ser visto nas lives da vida pregando bobagem. Um mero canalha que chegou a beijar a mão de Antônio Carlos Magalhães. Hoje, critica o governo tendo, particularmente, votado no presidente atual. Na ausência de capacidade empresarial para trabalhar, continua ganhando dinheiro do PDT para não fazer nada. Dinheiro público, vindo do fundo partidário. Essa vergonha precisa acabar. A saída para o PDT é se juntar, em federação, com o PSDB e o Solidariedade.

No caso do PT, ao que se viu até agora, nenhuma prefeitura em capitais, embora esteja no segundo turno em quatro delas, todas no Nordeste. Duas prefeituras em cidades grandes lá em Minas Gerais e o resto das prefeituras são interioranas, sem muito expressividade no cenário político. Perdeu a prefeitura de Araraquara, não teve um bom desempenho no ABC paulista e tem, em São Paulo, a esperança de ter um aliado extremamente mais radical, o PSOL, na prefeitura. Se Pablo Marçal tivesse sido mais objetivo nos debates e não se pegasse a babaquice (pesquisas mostram que os indecisos deixaram de votar em Marçal por conta daquele laudo falso), o segundo turno paulista poderia ter alijado Boulos da disputa.

Acho que cabe relembrar um fato ocorrido aqui em Pernambuco nos idos de 1980. Jarbas Vasconcelos era o candidato preferido de Arraes para prefeitura do Recife, ambos no PMDB. Ocorre que o partido tinha interesse em lançar Sérgio Murilo e Jarbas sairia derrotada na convenção. Arraes o filiou ao PSB e Jarbas concorreu por esse partido. Faltando dois dias para acabar a propaganda eleitoral, o programa do PSB massacrou Sérgio Murilo acusando de ter cometido um assassinato. De fato, Sérgio se envolveu num problema dessa natureza, no entanto, ficou comprovado que foi por legítima defesa. A viúva do cara que morreu, declarou que foi legítima defesa, mas o povo não deu a mínima importância e Jarbas Vasconcelos foi eleito.

Voltando à questão do primeiro turno, é preciso verificar se essa derrocada da esquerda representa o início da conscientização da população. Eu acho que pode haver um ingrediente de simpatia com os candidatos, ou seja, lançam um candidato que não é opção da maioria. Lula foi vaiado aqui em Pernambuco porque não abraçou a candidatura de Marília Arraes e ela saiu do PT para concorrer pelo Solidariedade.

Sobre o PSB, partido do vice-presidente que dizia que Lula queria voltar à cena do crime, foi eleito, com folga, o candidato do Recife que colocou como vice uma figura controlável pela família Campos. Lula insistiu para que o vice fosse do PT por motivos óbvios: daqui a dois anos João Campos vai se candidatar a governador de Pernambuco e com isso o PT assumiria uma prefeitura estratégica.

Diante de tudo isso, a única certeza que me resta é que o presidente atual continua centralizando as decisões de esquerda nesse país e quando ele morrer, dificilmente o PT existirá porque não ninguém com capacidade de agregar votos. Basta ver o seguinte: o PT foi reconhecido com partido em 1980, mas só chegou ao poder 22 anos depois. Esse foi, de fato, o tempo necessário para o partido se organizar, mudar a cara de reacionário, se aproximar do mercado, dos empresários etc. Quando o presidente atual morrer, qualquer outro nome do partido vai precisar de 20 anos para ser reconhecido no cenário nacional.