Hoje, 22/12/2024, o congresso encerra oficialmente suas atividades para voltar em 01 de fevereiro próximo e com um novo presidente na câmara. Confesso que não tem admiração por Arthur Lira e me ojeriza aumentou no caso de Deltan Dallagnol. Para quem não lembra, Arthur Lira bradou que só a câmara tinha autonomia para cassar um mandato, mas o STF colocou na pauta um processo contra ele, que foi engavetado logo após a mesa diretora cassar Deltan. Eu sempre falo que enquanto não elegermos políticos sem rabo preso no STF, a gente não vai mudar esse país.
Essa semana final do ano é praticamente inoperante, exceto o executivo que pode, a qualquer momento fazer mais uma bobagem e fechar, com chave de ouro o ano de 2024. As pérolas são infindas e até acho que a retrospectiva da rede globo será sobre os momentos nos quais Bolsonaro foi ameaçado de prisão. Eu duvido muito que esse pessoal tenha coragem de criticar as merdas do governo atual.
O que vai mudar em 2025 não é apenas o passar do tempo. Termos um novo presidente no Banco Central, afinado com o partido do presidente e não sabemos até que ponto ele será capaz de manter os ensinamentos de Campos Neto. Nesse sentido, o presidente declarou publicamente que Galípolo terá autonomia e que ele não irá dar opiniões. Eu acho engraçado isso porque é muita burrice. Há uma lei que dá autonomia ao Banco Central, não ao seu presidente. Quem determina a política monetária do país não é presidente do Banco Central, é o COPOM. O Banco Central é um órgão que cumpre e faz cumprir as diretrizes do COPOM. É um órgão puramente executivo. No entanto, ao dizer que não vai se meter, fica patente que ele vai se meter sim. Que embora, ele no seu segundo governo tenha dado ao presidente do Banco Central o status de ministro – fez isso para evitar que Henrique Meirelles tivesse foro privilegiado por conta de investigações contra ele – o presidente, tanto diretamente quanto através do ministro da fazenda, vai querer implantar políticas que Campos Neto não admitia.
É do conhecimento de todos que a economia está indo, a passos rápidos – para um estado de estagnação. No início da pandemia eu cheguei a dizer que seriam necessários 10 anos para recuperar efetivamente a economia brasileira. Tivemos quatros de responsabilidade fiscal e estamos há dois anos com um governo totalmente irresponsável. A proposta fiscal do governo teve alguns pontos aprovados e outros desidratados. O DPVAT, por exemplo, foi enterrado. Como se sabe, trata-se de um seguro que cobre acidentes de veículos no Brasil. Na verdade o governo atual tentou recriar isso, mais como uma forma de transferir responsabilidades do que assumi-las e o que se quer, de fato, é aumentar a arrecadação.
O resto do pacote – vamos chamar essa porra de embrulho que é melhor – tem a limitação do aumento do salário-mínimo em 2,5% + inflação, em substituição a crescimento econômico + inflação. O efeito disso é um achatamento de renda na camada mais baixa da sociedade, em tese, formada por eleitores do presidente, afinal, quem não lembra quando ele disse que “quem ganha mais dois salários-mínimos ou tem uma educação melhor, não vota no PT”. Importante, dizer o seguinte: com o ritmo inflacionário atual, os R$ 1.518,00 de salário que serão pagos em 2025 fará com que, em maio/2025, o trabalhador já não tem capacidade de adquirir a mesma cesta de produtos adquirida em janeiro.
Como diz Jessier Quirino, “desmantelo para ser desmantelo só presta se for bem desmantelado” e nesse sentido o governo foi craque (ou crack, você escolhe). Limitou acesso ao BPC – Benefício de Prestação Continuada que atende uma camada da população inserida no Cadastro Único e que, na maioria, não tem condições de se manter sozinha. Em meio a isso tudo, vem a proposta fiscal de tributação e a pretensão de economizar R$ 375 bilhões até 2030. Quem votou no presidente pode até acreditar nisso, mas que tem um mínimo de discernimento sabe que isso é lorota. Basta ver o descontrole cambial para entender que não temos condições de fazer o dólar voltar para um patamar aceitável. E o engraçado em tudo isso é ver a mídia remunerada através dos seus representantes de plantão atribuindo culpa a Donald Trump ou a fake News envolvendo o futuro presidente do Banco Central. Ninguém culpa a irresponsabilidade do governo com medo de não receber o Pix no final do mês. No fundo esse governo se impõe como o traficante de drogas que mantem a dependência química dos usuários.
Os impostos serão tratados em 2025 e por isso só terão vigência em 2026 e para 2030 são apenas 4 anos. Tempo insuficiente para consertar o buraco econômico atual que é bem maior do que o buraco do Ibura. Aí vem a promessa de isentar contribuintes que ganham até R$ 5 mil. Haverá incidência sobre a renda superior a R$ 50 mil mês que, de modo amplo, é inerente a executivos contratados como pessoas jurídicas.
Enfim, vamos entrar em 2025 com uma penca de problemas atuais. O pior de tudo isso é não temos capacidade de mudança no curto prazo. O presidente foi colocado no poder, simplesmente, e quem questionar corre o risco de ser condenado a 17 anos de prisão. Cale-se, publicamente, mas aja em silêncio. É o melhor.
Assim sendo, tudo que podemos fazer é torcer pela mudança. No mais, um feliz Natal a todos que contribuíram com seus pensamentos aos meus textos aqui no JBF. Volto em janeiro de 2025, lembrando que o JBF é o único jornal do mundo que não dá férias coletivas aos seus empregados e que todos os dias teremos opiniões diversas de colunistas. Até 2025.
Bom descanso e um feliz natal Nobre Assuero. Quanto ao atual que para o ano será ex, digo com sinceridade, conheço de perto pois sou conterrâneo do mesmo, nunca votei ou votarei pra nenhum cargo, a capivara é grande. Abraços!
Valeu meu caro. Que venha 2025
Meu caro Maurício.
A tempestade perfeita está pronta para desabar. 2025 esse furacão vai varrer a terra brasilis a ponto de não deixar nem toco, nem raiz. Os fundamentos desse governo são mentirosos, as ações são mentirosas, os ministros são mentirosos, o próprio presidente é um mentiroso contumaz.
Se nem um trabalhador braçal está acreditando nessas mentiras, imagine os operadores de investimentos.
como já disse, e repito, tomo de Dante a sua famosa expressão.. “siamo tutti fottuti”!
Caeté, o presidente nunca apresentou programa de governo durante a campanha porque não tinha. Tudo que faz é baseado na improvisação. O único sustentáculo firme que tem é o judiciário. Então, acho que fundamentos mesmo só na cabeça dos adeptos