Tenho estreitas e excelentes lembranças da infância. Da minha infância, recheada de aprendizado e de convivência que formou meu caráter – ao lado dos irmãos, primos, e parentes próximos. Não tenho nenhum motivo para me envergonhar.
Tudo que vivi, e que ainda lembro, repetiria sem qualquer sentimento de culpa ou de arrependimento. Meus avós e pais me ensinaram tudo – e, me posiciono como bom aluno na escola da vida.
Hoje, relembro, como se tudo tivesse sido um interminável período de férias – cheia de alegrias, doces brincadeiras e guloseimas das melhores qualidades, porque feitas com muito carinho.
I – Puxa-puxa
Puxa-puxa que obrigava a limpeza dos dentes com os dedos
Minha mãe era uma mestra no “fazer puxa-puxa”, porque deixava queimar no ponto exato que atingia o paladar e o cheiro. Ela, que aprendera com minha Avó, separava o leite líquido, açúcar cristal, bicarbonato de sódio e um pouco de sal.
Numa panela ou “alguidar” de barro, aquecia até queimar, 1 Kg de açúcar, acrescentando o leite, e os demais ingredientes, sem parar de mexer. Botava mais açúcar até “dar o ponto”. Tirava do fogo e deixava esfriar afim de cortar em pedaços (tipo pequenos bombons).
De tanto olhar, eu ganhava de presente, a panela. Era maravilhoso passar parte da tarde raspando a panela.
II – Quebra-queixo
Quebra queixo tinha formato e gosto de infância
O quebra queixo já garantiu e ainda garante o sustento de muita gente que, por algum motivo não conseguiu se especializar e fazer algo melhor e mais rentável.
E muitos locais das grandes cidades ainda é possível encontrar algum ambulante cortando e vendendo “quebra queixo”, doce caseiro que faz parte da culinária dos nossos antepassados.
Aprendi fazer “quebra queixo”, também com a Vovó Raimunda Buretama, que tinha o costume de afirmar que, “carregado de açúcar, até o cu da jumenta é doce”!
Ela sentava num tamborete (aquele mesmo com assento feito de couro de bode, que ela mandara fazer um buraco no meio para facilitar as “bufas”) e debaixo da bunda colocava um “raspa-côco” e raspava até deixar as quengas limpinhas. Depois pegava uma porção de açúcar (ela ainda usava o mascavo), água e duas bandas de limão.
Levava tudo ao fogo no alguidar de barro que usava também para torrar o grão do café. Açúcar, suco do limão e um pouco d´água até garantir a transformação de tudo naquela calda cheirosa. Depois era só acrescentar o coco ralado, continuar mexendo e tirar do fogo. Ela usava um tabuleiro de alumínio, ou colocava sobre uma tábua e espalhava para esfriar.
III – Alfenim
Alfenim era sempre o doce mais doce do sertão
Desses três doces, o único totalmente “orgânico” é o alfenim. É feito diretamente da cana de açúcar, ainda em estado líquido. Essa forma de fazer é mais demorada e, por isso, menos utilizada.
Há, entretanto, quem use açúcar refinado, suco de limão, água e goma (polvilho) de mandioca.
Nessa forma de fazer, em quase nada é diferente da preparação do puxa-puxa, embora haja a preocupação de não deixar açucarar. Leve ao fogo os ingredientes, depois de espalhar a goma (polvilho) sobre uma tábua ou folha de bananeira verde. Após a fervura da calda, deite sobre a goma (polvilho) e, se preferir, mexa. Mas o melhor é misturar tudo e espalhar para esfriar. Está pronto o alfenim.
Minha Avó tinha o hábito de levar ao sol (nunca entendi essa necessidade), dizendo que o doce ficava mais doce – enquanto eu achava que ficava enjoativo (eu era o “provador oficial” dessas guloseimas, pelo fato de ser criança).
Lá pelos primeiros anos da década de 60, ainda residindo em Fortaleza, e após ter ingressado na Faculdade de Filosofia do Ceará (FAFICE), naquele tempo localizada na avenida Luciano Carneiro, tive iniciações de conhecimento de Antropologia, uma das matérias da grade curricular.
Antropologia e Sociologia, lembro bem, passeavam muito pela heterogênea formação da população brasileira. Nascidos na Rússia vivendo e Santa Catarina; italianos e japoneses, em São Paulo; portugueses e espanhóis, no Rio de Janeiro.
Atualmente, em Vargem Grande, interior do Maranhão, existem várias famílias procedentes do Paraná vivendo da plantação e colheita da soja. Registre-se que, tanto a Agricultura quanto a Pecuária, tiveram crescimento importante no Estado. A Agricultura com a soja, e a Pecuária com bovinos e ovinos, isso sem contar com a crescente qualidade na produção das aves. Como dito antes, com procedências de países europeus, eles certamente colaboraram de várias formas, mas também sofreram como as misturas dos significados das palavras que usamos na vivência diária.
Mostramos, a seguir, três palavras escritas de formas diferenciadas, mas praticamente com o mesmo significado, de acordo com cada Estado ou região.
I – Saliente
No Maranhão, diz-se que Jô Soares está sendo saliente
Significado de saliente: Significa, pessoa assanhada, metida, atirada, abusada e muito intrometida. Além de não ter noção do seu comportamento inadequado nos ambientes em que se encontra.
No Maranhão, além de todos os adjetivos listados acima, acr4escenta-se mais um: pessoa “imoral” que vive atentando ao pudor e “saindo da linha” independentemente de quando e onde esteja.
II – Abusado
Criança “abusada” e sem respeito
O “abusado”, que tem o mesmo significado de “saliente” e “enxerido”, é mais e costumeiramente utilizado no Rio de Janeiro, para rotular e identificar pessoas que não se comportam de forma adequada, ou não dão muita atenção ao respeito pelos outros.
Macaco “enxerido” aboletando os seios da visitante
Pessoa que se intromete em assuntos que não lhe diz respeito ou que não foi convidada. Pessoa metida. Intrusa. Penetra.
Rico em imaginação para a “invencionice” e mais ainda para a deturpação dos significados, o brasileiro nascido tanto no Rio Grande do Sul, em Pernambuco, no Rio de Janeiro, no Ceará ou em São Paulo, vai inventando coisas que, às vezes, só ele sabe o significado.
Poucos sabem com qual sentido o brasileiro rotula alguém de “engolidor de espadas”, e muitos ainda desconhecem o sentido pejorativo do “queimador de roscas”.
Vagina, xereca, priquita, xona, xana, vulva, perseguida, passarinha, periquita, genitália, rachada, priquito, significam a mesma coisa em qualquer lugar do Brasil. No Maranhão, nos últimos anos, inventaram também o tal do “toucinho de porco”.
Da mesma forma, nos bares da vida, detratando a escolha dos baitolas, já toma conta do palavreado, dizer que, certos coloridos “estão fazendo regime, e não comem toucinho”, preferindo paio defumado.
Três palitos e um grande pedaço de linha eram suficientes.
Palitos limpos. O primeiro, em forma de cruz com o principal, este na vertical. Amarrado.
Partia para o segundo, na mesma posição, mas mais abaixo. Também amarrado.
Agora, a linha unia as seis pontas, formando o esqueleto.
Grude de goma, quase sempre feito numa colher aquecida na chama da vela ou na lamparina; papel colorido ou não, colado com grude.
Agora a rabiola, feita com muitos pedaços de pano velho, leves, sempre com mais de dois metros. O cabresto, em diagonal com uma das pontas altas.
Tudo pronto!
Um bom lugar, lugar aberto e muita linha sem cerol, ainda no carretel. Empinando, empinando, empinando.
A pipa está no ar. Bons e fortes ventos. Lanceando, lanceando, lanceando. Velhos tempos.
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II – NOSSAS RAÍZES
Raízes da árvore da vida
Raízes de mim, raízes de ti Raízes de nós, nossos ramos Nossas flores, nossos frutos, Raízes de mim e de ti. Nossas raízes, raízes de muitos passados Raízes de nós, nossos ramos Nossas sombras, nossos frutos Raízes de mim e de ti. Nossas raízes, nossas folhas Raízes de nós, nossas árvores Nossas sementes, nossos frutos Raízes de mim e de ti – raízes da vida
Foi com essa moeda que alimentei meu porquinho pela primeira vez
Nunca soube que existisse neste planeta Terra, alguém mais ingênuo e inocente que uma criança – e, um idoso, não é uma criança “ao contrário”, pois já enfrentou e sabe muitas coisas.
Lembro bem que, certa vez, “chutando latas” (forma antiga que a gente dizia de quem não fazia nada, quando andava pelas ruas) pelo bairro onde conheci adolescência e juventude, encontrei ao lado do meio-fio uma moeda. Não lembro com certeza o ano que isso aconteceu, e, assim, também não lembro qual valor aquela moeda teria na moeda atual.
Como tinha o hábito de ler a revistinha do Pato Donald, aprendendo as travessuras de Zezinho, Huguinho e Luisinho – que nunca procurei saber de quem eram filhos, para serem “sobrinhos” do Donald – sabia da arengas do Pato Donald e de Huguinho, Luisinho e Zezinho com o Tio Patinhas.
Sabia, também por ler as histórias, que Tio Patinhas tinha a sua “moeda da sorte”, princípio de qualquer poupança que certamente levaria à riqueza extrema. Nunca li história dizendo que Tio Patinhas ficou pobre.
E foi na “moeda da sorte” do Tio Patinhas, que me inspirei para começar uma longa e demorada “poupança” – que era sempre interrompida aos domingos, para comprar o ingresso para a sessão de cinema e para comprar as revistas em quadrinhos novas.
Moeda antiga fascinava até os “colecionadores”
Por muito tempo, mesmo tendo que acordar cedo para ir à escola, só conseguia dormir após a chegada do meu Pai. Com ele, vinha também uma moeda diária de qualquer valor – o importante era depositar no cofrinho. Um porquinho de cerâmica comprado no Mercado Central de Fortaleza.
Quando algum valor precisava ser completado para garantir a compra da revistinha, não era tão difícil tirar moedas do cofrinho, sem quebra-lo.
Uma faca era colocada na ranhura, e por ali caíam quantas moedas fossem necessárias para somar o valor desejado – na realidade, o custo da revistinha.
Eis que, certa vez, no dia 30 de abril (data do meu natalício!) ganhei tantas moedas de presente dos tios e tias, avós e amigos dos pais, que consegui encher o porquinho.
Quebrei o porquinho. Eram muitas moedas. Menor de idade, minha mãe não permitiu que eu fizesse o uso que quisesse, do “meu dinheiro”. Ela se encarregou de me levar até uma agência da CEF (Caixa Econômica Federal) e ali, abri uma “Caderneta de Poupança”.
Porquinho quebrado moedas levadas à Caixa Econômica Federal
Continuei amealhando e até comprei outro porquinho onde voltaria a colocar mais moedas. Anos depois, quando fui servir ao Exército Brasileiro (no CPOR de Fortaleza), conheci e me tornei amigo do então Segundo Tenente Raimundo Luiz Bezerra, comandante da minha unidade.
Tenente Bezerra, como o tratávamos, com a nossa autorização abriu uma Caderneta de Poupança na Caixa Econômica Federal para cada um dos seus subordinados. Era o ensinamento do bom caminho.
Cofrinhos da Caderneta de Poupança da CEF
Foi a partir daí que tudo começou. Pedagogicamente, com a leitura das histórias das revistinhas do Tio Patinhas e do Pato Donald.
Nos dias atuais, para alguns, não há mais possibilidade de “ajuntar dinheiro”, nem mesmo como fazia minha falecida Avó – nas cabaças escondidas na camarinha ou nos buracos das paredes de barro.
São Luís, capital do Estado do Maranhão é um dos melhores lugares para alguém viver. Alguém que não exija tanto de si mesmo e de seus pares.
Rios perenes, clima com variação aceitável – mas que, infelizmente, vem sofrendo com péssimas administrações desde muito tempo.
Os moradores convivem com a extrema pobreza e a única coisa abundante é a “falta de tudo”. Necessidades básicas, falta tudo. Fornecimento d´água é caótico, esgoto sanitário não existe, saúde nem pensar, transporte urbano caótico, ordenações do trânsito, uma verdadeira merda.
Mas, se por um lado falta tudo, a cultura popular é algo abundando e que, como o circo, faz o povo esquecer as necessidades básicas de uma boa saúde pública e de educação beirando o zero.
São fortes três itens da cultura popular: Tambor de crioula, Cacuriá e Bumba-boi. Esse último é tão fortemente envolvente que, alguém que jamais escutou uma “toada” de qualquer sotaque do bumba-boi do Maranhão, sairá dançando e cantando como se vivesse na cidade há anos.
Entre as toadas que viraram sucessos, destaque para “Se não existisse o sol”, cantada pelo “cantador” Chagas da Maioba, que chega a ser apresentada até por sotaques diferentes e “adversários”
Vejamos:
Se não existisse o sol
Chagas – o “cantador” da Maioba
Se não existisse o Sol Como seria pra Terra se aquecer E se não existisse o mar Como seria pra natureza sobreviver
Se não existisse o luar O homem viveria na escuridão Mas como existe tudo isso meu povo Eu vou guarnecer meu batalhão de novo
OBSERVAÇÃO: Atualmente Chagas não faz mais parte do Bumba-boi da Maioba, e mostra sua competência e categoria por outro “sotaque” da Ilha.
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BARRIGA DE CHORO
Mãe mandando filho “engolir o choro”
Na mais recente oportunidade que estive em Pindaré-Mirim, logo ao término da Piracema, fui comprar uns peixinhos (e só comprei peixinho mesmo, pois o grandes não estavam liberados ainda, haja vista que, eles que desovam) para comer. Comprei piaus, anojados, lírios, mandis, tapiacas.
Comprei passagem para voltar na tarde do dia seguinte. Na noite anterior choveu muito. Choveu tanto, que vi cachorro bebendo água em pé, e tendo dificuldade para nadar em algumas ruas alagadas. Com certeza, a chuva era tão forte que, dez pingos encheriam uma garrafa d´água.
Calçado com essas sandálias das propagandas, tive que tira-las dos pés, para não perdê-las na correnteza que se formava no trajeto de uns 30 metros do bar onde enxugava umas louras, até o carro do cunhado.
Foi naquele momento que viajei, e me vi na infância. Tempos bons. Quando começava a chover – coisa rara na minha Fortaleza dos anos 50/60 – a gente colocava o calção e procurava o primeiro “jacaré”, que em São Luís é chamado de “biqueira”. E tome banho e tome banho.
Quando estava de bom humor, a mãe até levava sabonete e toalha. Quando isso não acontecia, ela bradava:
– Chega! Tá bom! Tá na hora de parar! Tá querendo ficar branco, é?
E eu e os outros irmãos, todos “tremilicando” de frio, com os beiços roxos de tanto banhar, nem nos atrevíamos a reclamar.
– E fique aí mesmo! Não me venha molhar o chão da casa! Não quero mais escutar um pio!
Arre égua! Como era bom aquele tempo. Até mesmo quando a gente apanhava, e era obrigado a escutar:
– Engole o choro! Eu engoli tanto choro, que hoje minha barriga é grande.
Única capital brasileira fundada pelos franceses a 8 de setembro de 1612, São Luís, quatrocentos e sete anos depois, ainda convive com algumas dúvidas, quanto aos primeiros habitantes.
Ilha, separada do oceano por duas baías (São José e São Marcos) e um rio (Rios dos Cachorros), acabou sendo ponto de referência e objeto de estudos para entendimento de algumas cidades localizadas na própria ilha e outras mais afastadas, mas que formam nos dias atuais a RMSL (Região Metropolitana de São Luís).
Do lado Norte, a Ilha de São Luís (Upaon-Açu) tem sua região metropolitana na cidade de Alcântara separada pela Baía de São Marcos; do lado Sul, separada das cidades de Rosário, Presidente Juscelino, Morros, Axixá e Icatu (esta, a primeira capital do Estado).
As cidades de Presidente Juscelino, Morros, Axixá e Icatu fazem parte da “Região do Munim” – principal rio que banha os quatro municípios através de alguns afluentes. Como o caudaloso rio Una, que é a principal atração turística de Morros.
Conta a história de São Luís que, holandeses, portugueses e franceses foram os principais responsáveis pelas explorações (em todos os sentidos, inclusive os piores) no Estado. Com eles foram trazidos da África, vários escravos que foram os primeiros condutores dos “balancins”, primeiro meio de transporte a funcionar na Ilha, carregado por quatro escravos.
Mas, a história também conta que, provenientes da Bahia, vieram também os indígenas (Tupinambás), que entraram na Ilha com suas embarcações nativas pelas baías de São Marcos e São José.
Os negros, logo depois da assinatura da Lei Áurea, se embrenharam para as cidades mais próximas da capital e ali formaram comunidades, hoje rotuladas de quilombos.
Sem muros, com poucas barreiras impedindo a entrada de quem desejar se estabelecer definitivamente, o Brasil é hoje o país onde, provavelmente, reside a maior quantidade de sírios, libaneses, árabes e, acreditem, espanhóis. E essa gente gosta muito das cidades do interior, onde provavelmente existe mais espaço para todos e são grandes as possibilidades econômicas de crescimento.
A “região do Munim”, no passado, recebeu famílias provenientes da Espanha, destaque para a “Muñoz”, que acabou sendo transformada na atual “Muniz”, que também leva a acreditar numa estreiteza com o nome do rio, “Munim”.
Emancipado a 28 de abril de 1898, Morros tem hoje uma população superior a 25 mil habitantes fixos, número que quase duplica nos fins de semanas prolongados, quando muitos se utilizam do maravilhoso banho do rio Una.
Sua geografia é caracterizada por uma grande quantidade de morros, com lindas paisagens de mata nativa, recoberta por formações vegetais distintas. O município faz parte da bacia do Munim e é banhado pelos rios Munim e seus afluentes: Una, Mocambo, Axuí e outros. Dada a influência das marés que penetra pela foz, o rio é propício para a pesca tanto de água doce como de água salgada e apresenta uma navegabilidade em toda sua extensão no mu nicípio, tornando um atrativo de grande beleza.
O Rio Una possui uma beleza considerável por ter águas límpidas. Seu leito é formado de areia fina, alguns trechos de rochas e pedras; e as suas margens, compostas de uma vegetação exuberante. Podendo ser apreciado tanto em passeios de barcos pequenos ou canoas que levará o visitante também a conhecer outros balneários como: Una do Mato Grosso, Balneário Una dos Paulinos, Balneário do Bom Gosto, Una Grande, trilha ecológica, Una das pedras, Una das mulheres, Una dos escoteiros, Una dos Moraes, Una da Fazenda, Una dos Bois e a cachoeira do Arruda, o mais bonito de todos balneários. Afastada da cidade e de acesso difícil, reservado apenas a carro traciona do, através de trilhas, a cachoeira do Arruda é um lugar paradisíaco, formado por uma pequena queda d’água e piscinas naturais, que proporcionam momentos mágicos a todos que ali chegam.
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Doraleia a sereia que vive na Cachoeira do Arruda
Morros está localizado a poucos quilômetros de Barreirinhas e Paulino Neves, dois municípios maranhenses que abrigam a “Região dos Lençóis”, hoje um dos principais equipamentos de apelo turístico do Maranhão.
Os antigos moradores garantem que, há mais de 150 anos a quantidade de rios que serpenteiam os municípios da região era bem maior, que foi separada pela necessidade da construção de estradas estaduais objetivando acabar com o isolamento das comunidades.
Esses antigos moradores contam, ainda que, descendente de espanhóis, Doralena Muñoz, moça de belos seios, ancas volumosas, cabelos negros e uma pele branca como o luar, conheceu a logo se apaixonou por um jovem negro que se assemelhava com uma pintura de beleza abstrata.
Infelizmente, a família “Muñoz”, hoje abrasileirada para Muniz, não aceitou o relacionamento dos dois. Resoluta, Doralena fugiu para Morros e, para não ser descoberta pelos familiares, passou a se encontrar com o jovem negro no lado formado pela Cachoeira do Arruda, onde banhavam nus.
Descoberta meses depois, Doralena decidiu que não largaria aquela vida e aquele paraíso. Resolveu cometer suicídio, mergulhando na parte mais profunda do lago. Meses e anos depois soube-se que Doralena não morrera. As águas límpidas do Una e da Cachoeira do Arruda a transformaram numa sereia. Doralena acabou se encantando e transformando em Doraleia, a sereia da cachoeira.
Está definitivamente confirmado que, dançar, nos dias atuais, tem relação muito maior com “malhar” ou “fazer ginástica” que propriamente sentir o prazer da dança ao lado do par.
Nas festas, já são muito poucos os momentos para “dançar a valsa”, seja num aniversário de 15 anos ou num casamento. Poucos sabem dançar.
A moda passou a ser, literalmente, “pular” – que é o que resolveram chamar de “dançar funk”.
Valsas vienenses desapareceram. Samba-canção, bolero, tango, samba, também. Com esses ritmos desapareceram também as famosas danceterias como Elite, onde a gafieira tinha valor inestimável. Acrescentaram à palavra samba, e resolveram chamar de samba-gafieira. Foi o início da caminhada para o desaparecimento.
Agora a moda é “funk”, e já há, também, quem saia de casa não para “dançar funk” – mas para “pular funk”, quase que com a mesma conotação de “pular carnaval.”
Mas, no passado, dançar era outra coisa. Dava prazer e muitos se orgulhavam de saber fazer isso. Eu sempre fui um poste – mas, confesso, na primeira vez que ouvi e vi uma apresentação de bumba-boi, o clima era tão envolvente, que acabei dançando, sem saber.
Participar de uma festa, num clube, onde estivesse tocando uma “Orquestra”, tipo Severino Araújo, Ivanildo, e outras tantas, era uma glória alcançada. Da mesma forma que, sair de casa para ir dançar numa gafieira.
Lembro bem que, naqueles passados anos, esses locais de festas e danças até realizavam concursos para oferecer um troféu e premiação em espécie ao par que melhor dançasse, além de conferir, também, quem dançava melhor de forma individual.
Houve até, na então muito conhecida casa de danças “Lapinha”, na capital paraense, por anos seguidos os concursos de danças. Eram convidados os melhores dançarinos e dançarinas dos estados vizinhos, com todas as despesas de passagens e hospedagens pagas por uma semana. Era importante conhecer a cidade, o clima, ter informações dos concorrentes.
Certa vez, o melhor dançarino de São Luís, Luizinho do Chapéu (apelido fictício) recebeu um convite para participar desse concurso. Não esperou muito para decidir viajar e competir. Após algumas “eliminatórias” chegou o dia da grande final. A final de melhor dançarino, envolvendo um paraense, da tradicional família Malcher e o representante maranhense, de São Luís, Luizinho do Chapéu.
Começada a festa e a disputa, tudo caminhava para uma decisão no cara ou coroa. Mas, o jurado, escolhido a dedo e composto por figuras importantes nas noites paraenses, reparavam em tudo, nos mínimos detalhes. Desde a forma de vestir, de modos de educação, no comportamento pessoal, na forma de beber e até na bebida escolhida durante a competição. Tudo contava ponto.
Sapato “furado” na sola era inaceitável
Como qualquer competição para pessoas, havia também os momentos de descanso e descontração, para garantir o ar de cavalheirismo aos dançarinos.
Eis que, num desses momentos de descontração, Luizinho do Chapéu sentou para ingerir uma bebida e, descontraidamente, cruzou a perna. Ao cruzar a perna, sem se dar conta, Luizinho do Chapéu acabou exibindo o solado do sapato.
E, pasmem, o sapato de Luizinho do Chapéu estava furado. Furado no solado. Foi eliminado na hora e sequer voltou ao salão.
Vitorioso, o representante da família Malcher voltou ao salão apenas para continuar dançando amistosamente, e receber o troféu e a rica premiação.
Como é que alguém que é bom de dança não consegue perceber que o solado do sapato está furado?
Trabalhar é o caminho e a solução para quase tudo. Inclusive, para esquecer a realidade e as coisas simples que a Natureza divina nos oferece, todos os dias. Muito provavelmente, foi pensando assim, que os gestores públicos do passado criaram “férias” para quem se dedica tanto nas obrigações trabalhistas assumidas e, como castigo disso, acaba esquecendo a família que está construindo.
Felizmente, não era assim que pensava Antônio Luciano, homem rude em todos os sentidos e, felizmente, correto e honesto em todos os seus propósitos – coisa rara neste Brasil que rouba a si próprio – que conseguia ver que, todos os dias têm 24 horas, mas a noite, infelizmente, só têm 8.
E era esse mesmo Antônio Luciano que afirmava com conhecimento prático e acadêmico:
– Se, dessas oito horas da noite a gente aproveitar todo dia, pelo menos duas fazendo malinagens “capatroa”, ela nunca vai sentir dor de cabeça, nem ter tempo para sofrer depressão. A gente economiza na compra de remédios!
Era essa a filosofia do viver de Antônio Luciano, casado de papel passado com a Tia Maria. Tia Maria, teve ano que pariu duas vezes. Uma em fevereiro e outra em dezembro. Se doaram inteiros na “multiplicação”, embalados, nos tempos dos anos 50, pelas sinfonias de cigarras, grilos e corujas.
Fizeram tantos filhos que, certa tarde de domingo, esperando o café com cuscuz depois da madorna do almoço, Antônio percebeu que, no cio, a jumenta Brilhosa aporrinhava o jumento Fabrício, se negando a ter e dar prazer, e resolveu chamar o filho Zé Luciano para soltar a jumentinha. De repente, um rapaz e um menino se postaram na frente dele e, uníssonos disseram:
– Sim, pai!
Pois, eram tantos filhos, que Antônio Luciano esqueceu e, na hora do batizado, repetiu o nome. Dois filhos com o mesmo nome.
E essa foto aí mostra a exata realidade do sertão cearense. O pai se preparando para ir ao trabalho, encostado no jumento; o cachorro pirento e cheio de pulgas todo enrolado, deitado; a mulher prenha, com três filhos pequenos e o mais velho sentado ao lado da mulher que já pariu dois (estranhamente, um moreno e um mais clarinho – não se espantem, pois é que ela bebia muito café durante a gravidez) na despedida do pai.
No sertão, “crescer e multiplicar” não é apenas uma passagem bíblica – às vezes, a interpretação muda de figura, e é feita ao pé da letra, “triplicando”.
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2 – OS PRAZERES DE IPANEMA E HIGIENÓPOLIS SÃO DIFERENTES DE TIMBAÚBA
Moderno “rebolador de barro” de Timbaúba
São muitas as afirmações de entidades envolvidas com a saúde pública, dando conta da escassez e da quase inexistência de saneamento básico na maioria das cidades brasileiras, e a má qualidade operacional desse item na saúde do povo. Virou justificativa cultural, o dizer que, “saneamento básico não aparece, por isso não dá votos, o que justificaria sua inexistência”.
Na minha Queimadas, lembro bem, quando apertava a necessidade de “rebolar o barro fora”, a gente pegava a vara de derrubar manga e caju, um sabugo de milho e se enfiava mata à dentro – a vara era para espantar os porcos e as galinhas. Se não fizesse isso, esses saborosos animais domésticos não deixavam ninguém cagar.
Agora, se a vontade de fazer isso permitisse, não precisava levar a vara. Dava tempo subir na mangueira e, de lá, “atirar merda” nas cabeças dos porcos. Pior mesmo, era o castigo imposto pela Avó: banhar os animais para retirar a bosta. Era muito trabalhoso levar dois porcos para banhar no açude. Eles eram levados soltos e, costumeiramente, se embrenhavam na mata. Era uma luta hercúlea para juntá-los e trazer de volta.
Mas, como toda regra tem exceção, na casa da tia Nezinha, na Timbaúba – um povoado nem tão distante das Queimadas, o luxo era diferente, haja vista que havia dois “water closet” – um, mandado construir na parte externa da casa, logo ao lado da camarinha, com uma porta da qual apenas ela tinha a chave; e outro, no quintal para uso geral – na realidade, um buraco no chão, protegido por um banheiro de palhas de coqueiro.
No bairro Higienópolis, na capital paulista, claro que a realidade é outra. Banheiros modernos, sempre higienizados, duchas íntimas e até equipamentos que, na descarga, transformam o odor insuportável da merda em colônias francesas. Mas, essas são as exceções da regra, e nunca somam nas estatísticas do IBGE.
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3 – A BODEGA E O BODEGUEIRO DO SERTÃO
Uma bodega típica em Simplício Mendes – interior piauiense
Nunca teve lista. É, lista, Aquela relação abestalhada que muitos que querem aparecer levam para os supermercados no dia de fazer a “compra grande” do mês. Tava tudo ali, decorado na cabeça, por força da necessidade. Biscoito de maisena, sabonete Phebo, essas coisas que a gente comprava quando era no começo do mês e a conta do caderninho ainda estava pequena.
Levava 250gr de pó de café, mil réis de pimenta do reino, mil réis de colorau (quando acabava o que era feito de urucu e vinha do interior), 100gr de banha de porco, 200gr de manteiga real, uma barra de sabão, 1 lata de leite Ninho, 1kg de feijão, 2kg de arroz, 2 kg de farinha, 1 litro de querosene, duas velas das médias, duas latas de sardinhas Coqueiro, 1 lata de Kitut fiambrada e 1 kg de sal. Essa era a compra de casa, anotada no caderninho para pagar quando o “dinheiro do papai saísse”.
A compra da Vovó, era mais ou menos essa aí, mas no lugar do leite Ninho, tinha 1 quarta de fumo em rolo; no lugar das 250gr de pó de café tinha as mesmas 250gr de café, mas em grãos. Não entravam na lista o feijão, o arroz, a farinha e o açúcar. Tudo era colhido na roça e no lugar do açúcar, a gente usava mesmo era a rapadura.
Segredos dos negócios sempre existiram. E um dos segredos guardados sob sete chaves, era a mania que Diógenes da Nêga, bodegueiro lá das beiradas do Açude Novo, na Guaiúba, tinha para comprar alguns itens em maiores quantidades, embora o consumo não fosse tão grande.
Fumo de rolo, charque, pirarucu, camurupim, rapadura, querosene, creolina, banha de porco e óleo comestível de caroço de algodão, eram itens que lotavam sempre a despensa do bodegueiro.
Charque no feijão, quase todo mundo usava, querosene toda casa consumia mais de 1 litro por semana, apenas nas lamparinas, creolina para limpar as bicheiras dos animais e fumo de rolo para suprir os cachimbos. Talvez fosse essa a justificativa dos grandes estoques.
Agora, nunca teve bodega que não vendesse fiado. Ainda que ostentando em muitas prateleiras, aquela placa tradicional de “Fiado só amanhã”! Hoje tudo é muito diferente, com a chegada dos sacolões, dos pequenos comércios de cereais, das padarias que se triplicaram e, finalmente, com a chegada dos supermercados, sufocando e acabando quase que definitivamente com as bodegas e os bodegueiros.
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4 – ROSÁRIO DOS COQUINHOS
Rosário de coquinho catolé
Coco catolé. Para as crianças, uma divertida brincadeira coroada com a satisfação da alimentação; para outros, uma alimentação, se misturada à outros ingredientes; para outros, a única fonte de renda possível de suprir as necessidades mais prementes.
Em algumas cidades do interior dos estados do Ceará, Piauí, Paraíba e Pernambuco, o “rosário de coco catolé” não permite qualquer associação religiosa. É muito forte entre o brincar comendo alguma coisa e a manutenção cultural descoberta pelos antepassados.
A venda de rosários ajuda na manutenção de famílias, como faz o menino do amendoim torrado nos trens suburbanos do Rio de Janeiro. A extração do óleo comestível e medicinal, tem se transformado numa fonte de renda no alto sertão nordestino, onde prolifera, ainda, a fome – em meio ao cântico dos sabiás.
Clay Dolores, era o nome da moça. Cerca de 1,80m servindo de mural para uma jovem de rara beleza, pele mais macia que a própria seda, sem jamais fugir da moda vigente, e uma conta bancária que contrastava com a sua magreza elegante.
Linda! Uma jovem mulher linda!
Olhos pequenos e azuis, semelhantes aos olhos da loba branca vivendo e aparecendo furtivamente nas matas geladas do Alasca – desses aparecimentos que, ainda que não anunciados por trombetas, chamam e merecem atenção até dos pássaros que conseguem sobrevoar as áreas conservadas pela Natureza.
Herdeira, consciente que seria um dia a principal responsável pelo conglomerado empresarial que os pais construíram, num desses passeios de gôndolas por Veneza, conheceu “Raimundo”, um paraibano de Sapé – e por ele se apaixonou.
Raimundo era plantador de abacaxis em Sapé – um fruto que mais parece um torrão de açúcar, que consegue ser mais doce mais vezes que o abacaxi de Turiaçu – e certo dia cansou daquela labuta diária do plantio.
Vendeu parte do que tinha na agricultura familiar, pegou duas ou três cuecas, uma calça jeans rasgada no joelho, muito mais pelo uso que por moda, conseguiu a emissão do passaporte e entrou para um projeto de trabalhar como garçom em Veneza. Enquanto esperava o visto e a resposta do Consulado, estudou o básico do italiano nas 24 horas do dia.
Recebendo o visto, Raimundo chegou dias depois em Roma, e sequer esperou pela bênção do Papa. Num pulo só, mudou para Veneza e, em poucos dias já trabalhava na cozinha de um propagado restaurante, como Auxiliar.
Como era esforçado e não demorou a conhecer os melhores “cicchetti! (tiragosto em italiano), passou a trabalhar como Garçom. Surgia ali a oportunidade de contatos, de vivência e de conhecer melhor a cidade que o fez abandonar em definitivo a sua Sapé.
Foi exatamente quando trabalhava no “Vecio Fritolin”, um dos melhores bares e restaurantes de Veneza, que Raimundo teve o primeiro contato com Clay Dolores, à quem serviu o maravilhoso vinho “Tramin”. A gentileza com que Raimundo serviu a cliente, acabou cativando Clay, e uma nova e boa amizade estava formada.
Encontros em dias de folga. Passeios e convivência que acabaram levando a outro tipo de envolvimento. Algo forte, seguro e com perspectivas de boa culminância. Como dizia minha falecida Avó, passaram a transar oficiosamente.
Eis que, em pleno período invernoso, quando a echarpe é mais útil que a calcinha, Clay Dolores recebeu um comunicado familiar, solicitando sua presença sem demora – problema grave de saúde na família.
Em meio às tantas preocupações e soluções imediatas, Clay Dolores não demonstrava tanta aflição, preocupada exclusivamente com quem deixara momentaneamente em Veneza, em meio a tanta alegria de viver, bons vinhos, bons restaurantes e gente bonita. A vida – pelo menos a dela – enfim!
Em segredo familiar, foi quase que obrigada a revelar o motivo de tamanho alheamento pela situação presente, em detrimento dos momentos vividos em terras italianas. A certeza da felicidade pessoal lhe deu coragem e essa a levou à revelação:
– E, podemos saber quem é esse príncipe? Indaga a aflita Mãe.
– É uma criatura ma-ra-vi-lho-sa. É o Bill!- Mas, filha, o Bill que está ao seu nível, é o Bill Clinton! E esse é casado com a Hillary! Afirma, ainda mais preocupada, a Mãe.
– Não “mama”! Na realidade, Bill é um tratamento carinhoso. É o Raimundo!
– Rai, o quê? Quase tendo um infarto, incrédula pela paixão da filha, quer saber mais a Mãe. – “Mama”, é uma história muito longa. Coisas do amor que a vida nos prepara.
Clay Dolores a empresária salva pela echarpe
O doente da família, hospitalizado havia dias, não resistiu muito e acabou atendendo chamado do Criador para voltar ao barro. Passados alguns dias, missas de encomenda da alma, apoio espiritual à viúva, Clay Dolores retorna à Veneza para chorar no ombro do agora, Bill.
Passado aquele período de luto e sofrimento, a vida precisava ser tocada e o funcionamento do conglomerado de empresas tinha que voltar ao normal.
O toque da campainha na residência de Clay, a fez levantar do confortável sofá, abrir a porta e receber uma mensagem:
– Volte, imediatamente. Preciso de você, pois perdi forças e vontade de viver!
A intimação, na realidade, era para que Clay Dolores assumisse o comando das decisões empresariais, que não poderiam ficar sem direção e sem um norte.
Mas, havia Bill. E a relação com ele era mais forte. Era a sua vida que estava sendo dividida.
Clay arrumou apenas uma das muitas malas, com poucas roupas e a intenção de demorar muito pouco. O destaque na mala, uma echarpe “Pashmina”, uma das menos usadas na Itália, por conta do alto custo. A facilidade e rapidez do transporte a levou de volta à casa em poucas horas.
As conversas entre Mãe e filha aconteciam dentro de uma normalidade, de acordo com a casualidade. A mãe, enfim, se interessou por saber mais detalhes sobre Bill, ou, Raimundo.
Clay não tinha motivos para esconder detalhes, haja vista que a situação financeira do namorado muito pouco ou quase nada lhe interessava – o que ela queria e amava, era ele, o sujeito. Para ela, provavelmente, o primeiro e único amor verdadeiro de sua vida.
– Mãe, ele é um homem simples, trabalhador, honesto e muito carinhoso. É Garçom!
– O quuuêêê?
Como poderia, uma jovem com tamanha estrutura patrimonial, com dinheiro para ser consumido por cinco ou seis gerações, se bem administrado, se apaixonar por um Garçom?
– Volte hoje ainda e, por respeito, termine esse relacionamento e venha cuidar do que construímos durante anos para você.
Clay Dolores pegou a mesma bagagem que trouxera e saiu de casa. Em vez de voltar para Veneza e cumprir o desejo da matriarca, foi para Torino, mais distante de tudo. Entregou-se literalmente à bebida e a vulnerabilidade psicológica acabou por leva-la às drogas.
Viciou-se. Tornou-se dependente das drogas químicas. Suas contas bancárias rarearam e algumas tiveram saldos zerados. Nunca mais se comunicou com a mãe – e preferia não ter que encontrar Bill para não ter que contar-lhe o que a mãe lhe impusera.
Dormir nas sarjetas passou a ser sua melhor hospedagem. Nenhuma alimentação, nenhum banho, nenhuma comida. Só droga, droga e mais droga. Chegou a um avançado estágio de anorexia.
Por outro lado, a família começou a se preocupar. Telefonemas, mensagens de todos os tipos, e nada de resposta. Parentes mais próximos foram até Veneza, em vão. Continuaram as buscas e a procura, agora também por “Bill”, o Garçom.
Bill não existia. Era um tratamento carinhoso entre os dois, Clay Dolores e Raimundo. Nenhuma notícia. De ninguém. A Itália começou a ser literalmente “revirada” com distribuição de fotos por todas as instituições de segurança e hospitais. Nada. Nenhuma pista.
Como que estivessem esgotando todas as formas de procura e investigação, a Polícia italiana resolveu investigar as compras feitas através do cartão de crédito.
Alguns anos atrás – seis, para ser mais preciso – a emissão de uma venda estranha, principalmente pelo valor pago por uma única peça: uma echarpe.
Com a informação foi criada uma nova pista, e quem passou a ser procurada foi “a moça da echarpe”. Echarpe Pashmina, peça fabricada com lã e seda pura, com a qual os usuários se protegem do clima frio exagerado.
As buscas continuaram, agora com novas pistas. Até que, numa vivência comunitária de drogados com dependência química em Torino, foi encontrada uma jovem, já não tão jovem por conta do uso das drogas, que, para se proteger do frio, continuava usando uma echarpe. Echarpe Pashmina. Era Clay!
Após meses seguidos de tratamento intenso, Clay Dolores condicionou sua volta para casa, e para o gerenciamento dos negócios da família, com a aceitação de Bill, agora como seu marido.
Novas buscas em Veneza, agora para encontrar “Bill”, digo, Raimundo. No restaurante “Vecio Fritolin”, onde acontecera o primeiro encontro de Clay com o então Raimundo, mais tarde “Bill”, foi dada a informação que, Raimundo voltara para o Brasil, mais propriamente para Sapé, para gerenciar uma fábrica de beneficiamento de abacaxis, que havia sido comprada por uma família de italianos.
Como o comprador italiano falecera poucos anos atrás, ……. bem, aí já é outra história.
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Este é um dos 50 contos que comporão meu segundo livro, “Cinquenta contos de réis” que está em fase de conclusão.
A charge desse gênio Sponholz diz tudo da “evolução”
Lembro que foi lá pelos idos dos anos 60, ou pouco antes, quando cursava o terceiro ano ginasial, que comecei a ler e estudar com vontade a natureza, o homem e, num todo, as Ciências Naturais. Foi naquele ano que, pela primeira vez ouvi o nome Charles Darwin – teórico da evolução humana.
Começando a entender alguma coisa daquilo que o professor ensinava (e conseguia!), perguntávamos ao Mestre (“tio” é coisa de abestalhado – além de ser, normalmente, irmão do meu pai ou da minha mãe), desde quando e de onde se tinha informações concretas dos primeiros homens, depois, claro, de Adão e Eva.
“Na Papua Guiné”! Respondeu o Professor. E aquela informação ficou gravada e permanece até hoje. Ninguém discutiu a veracidade ou não. Mais uns anos, e entramos nos estudos da Antropologia, dessa feita, já na Universidade, mais propriamente no curso de Filosofia. Chegara a hora de estudar o “Homo Sapiens” – a “Mulher Sapiens” teria sido coisa inventada pela ensacadora de vento.
Vendo e convivendo com tudo isso, todas essas teorias, mudanças e estagnações dos jovens que cada dia mais se transformam em idiotas úteis (e, alguns, até inúteis), li há poucos dias uma informação, não lembro onde. Na verdade, eu não quis gravar na memória, como gravei naquele dia que o Professor informou para a classe, que as notícias mais antigas da existência do Homem, eram da Papua Guiné.
Foi naquele dia, também, que o Professor nos disse: “com problema no aleitamento, e entendendo que o bebê precisava comer algo sólido, a mãe mastigava o alimento disponível, e colocava na boca da criança. Como fazem alguns pássaros.”
Duas informações recentes, não sei se as mesmas: um homem, provavelmente pai biológico, teria abusado sexualmente de uma filha portadora da Síndrome de Down. Depois, soube-se ser verdadeira a informação, mas foram preservadas as identidades dos envolvidos.
E aí eu pergunto: que merda de “evolução humana” foi essa? O que é que é para fazer com um FDP desses? Sei. Prender uns dias, colocar uma tornozeleira, e liberar para ir embora. E, se preso for por condenação, soltar temporariamente para visitar a filha no Dia dos Pais.
E tem quem ache que, mudando o Presidente, um país como o Brasil consegue resolver seus problemas.
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A RESSURREIÇÃO DO PADRE
Manoel dos Santos Neto recebendo premiação de um concurso literário
Escrever não é algo que possamos classificar de “fácil”. Tanto quanto tocar piano, jogar futebol, pintar quadros de forma diferenciada e qualificada, “escrever” é um dom divino. Escrever de forma que todos que leem entendam, gramaticalmente correto, e sem que seja necessário consultar dicionários para compreender os significados das palavras, é algo divino que coroa a busca do fazer sempre o melhor com responsabilidade.
Pois, é assim que faz o Jornalista MANOEL DOS SANTOS NETO, com absoluta certeza um dos mais completos profissionais da área, no Maranhão. Responsável, correto, honesto em defesa da verdade e da qualidade da palavra. E mais: simples, como deveríamos ser todos nós.
Nesse foco de responsabilidade, “MANOELZINHO” – como os da intimidade do dia a dia do trabalho o chamam – pesquisou, escreveu, e com toda responsabilidade e domínio de conhecimento, lança na noite dessa sexta-feira, 31 de maio, o livro resultado de um trabalho minucioso de sua autoria, retratando a vida religiosa e literária do falecido padre João Mohana – “A ressurreição do padre”.
Com tintas fortes do sucesso que certamente será, e da qualidade responsável do autor, o lançamento vai acontecer na Livraria AMEI (Associação Maranhense de Escritores Independentes), onde todos poderão adquirir um ou mais exemplares dessa obra que, com certeza, é mais um pedaço na estrada que está levando “MANOELZINHO” à Academia Maranhense de Letras, num futuro bem próximo.