Quando puderes dividir, divida! Nunca mais te faltará nada.
Lamparina usada até hoje no sertão
Se existe um órgão em mim que funciona dentro de uma normalidade, esse é o cérebro. É nele que a minha memória deposita sua confiança, rememorando fatos e situações que aconteceram faz muito tempo.
Lembro nitidamente de um fato, quando ainda criança, morávamos na roça das Queimadas, um pequeno e escondido povoado de Pacajus. Era Pacajus por que pertencia territorialmente ao município, mas ficava mais próximo de onde hoje é Horizonte, município que recentemente foi incluído na RMF (Região Metropolitana de Fortaleza).
Pois, foi naquele clima que, a claridade da luz solar, assim de uma hora para outra começou a se esconder, e aos poucos, foi sendo substituída pela escuridão. Nuvens negras vieram juntas, reforçando ainda mais aquela pintura feita nos céus, parecendo um poema escuro, sem muita graça, pintado por Pablo Neruda e Van Gogh a quatro mãos.
As nuvens não eram apenas um prenúncio. Era a chuva chegando mesmo. Rápida e forte, como se pretendesse se fazer notar naquele momento. Aquelas nuvens negras, por segundos, pareciam se abrir para dar passagem às línguas amareladas dos raios que as dividiam, ao mesmo tempo que faziam estremecer a terra. Era uma tempestade, maior que qualquer uma que tivéssemos pedido, mas na medida que Deus sabe que podemos suportar.
De repente, na porteira que levava à casa da Vovó, uma voz tremida se fez escutar:
– Ô cumade Doca, segure seu cachorro. Sou eu, “Dasdores”, e já tô entrando!
– Apois intão entre, danisca!
Bradou Vovó, com a força que os pulmões envelhecidos ainda permitiam.
– Ô cumade, duma hora pra ôtra em fiquei sem gás. Num tem nem um tiquim prumode botar na lamparina, e alumiar a casa! Vosmecê me impresta só um tiquim, logo amanhã cedo mando comprá pra devolvê, visse!
– Mulé, tu tá parecendo mais uma galinha velha, toda moiada! Inté a “coisona” que tu carrega entre as pernas tá toda engilhada!
– Deixa disso, mulé! Me adjetora logo esse gás, que eu quero voltar num pé e noutro – apois tá é tudo escuro lá em casa!
– Avia, cadê a lamparina, mulé?
– Cumade Doca, quaje que ia me isqueceno. Me impresta tomém um pôco de pó de café, prumode eu fazê amanhã cedim pra quem vai trabaiá!
Secular forma de “passar café” na roça
Pois foi assim, rapidinho, que um anoitecer mudou de figura, com a chegada da noite trazida por uma forte tempestade, onde o vento destruiu e derrubou árvores naqueles lugares distantes em que as pessoas ainda vivem até hoje, e poucos se dão conta, porque a televisão não mostra no Jornal Nacional.
Sem que possamos assegurar que a vida em sociedade teve algum tipo de progresso ou evolução, podemos garantir, isso sim, que muita coisa já não é como era cinquenta anos atrás.
Houve mudança, sim. Num somatório, algumas eram necessárias, outras nem tanto. Um exemplo perceptível, é que, com o progresso das pesquisas e da ciência em todos os mais evoluídos rincões do mundo, há quase um século se tenta descobrir a cura do câncer, e não se consegue.
A praticidade de algumas coisas melhorou. Alguns direitos foram conquistados – mas ainda não conseguiram descobrir “por que um ser humano precisa matar outro”. Os irracionais não se matam entre as espécies semelhantes.
Torçamos para que, pelos muitos dias que ainda teremos pela frente, as coisas e as relações humanas continuem melhorando.
Deixando a ansiedade de lado, trato hoje de dois momentos diferentes enfrentados pela sociedade vivente, que se dilacera, que se entretém das mais diferentes e estapafúrdias formas – mas diz ao mundo que se ama.
I – A CACIMBA
A cacimba e a tradição familiar da roça
Em muitos desses grotões interioranos Brasil à fora, uns chamam de cacimba, outros de cacimbão, e outros tantos de cisterna. Na realidade, é um buraco cavado no chão, que vai encontrar o lençol freático e um veio contínuo d´água. Me acostumei chamando de cacimba, embora Vovó quisesse que chamássemos “poço”. E ela “mandava” em nós. Sem reclamações, ou as frescuras atuais. Quem não obedecesse, estaria comprando uma briga que, no futuro, acabaria perdendo. Nem que fosse um gostoso pedaço de rapadura, ou algumas colheradas a mais, daquele gostoso caldo do almoço dominical , colocadas com carinho no prato de barro.
O que sabemos mesmo, era que, ficávamos horas e horas “puxando água” para encher os tonéis que os jumentos carregariam. Eram os “caminhos d´água” que tornavam o nosso trabalho uma poesia da eficiência, dizendo da nossa importância ao som do “roém, roém, roém” provocado pelo contato do breu com a madeira desgastada e da corda de sisal com o carretel (roldana).
Algum dia, na minha infância, puxar água para encher o pote de alguém, já foi uma forma de trabalhar para ganhar umas moedas de mil réis. Era comum faltar água em algum lugar, e as donas das casas da vizinhança nos pagavam para enchermos os potes. Com a merrequinha que ganhávamos, comprávamos revistas, íamos ao cinema, e comíamos pipocas antes do início da sessão da tarde. Era, digamos, o colorido da vida.
II – A DIFERENÇA – ÀS VEZES, “A FAMÍLIA” DESEDUCA!
Alojamento de um “Colégio Militar”
Volto a bater na tecla em caixa alta. Educar é uma coisa, e cabe à família. Entre as muitas tarefas pertencentes à família, está o “impor limites” (com o peso da palavra, mesmo: “impor”) e, nos dias atuais, os pais aprenderem e terem que dizer “não”.
As gerações passadas foram criadas de formas diferentes, sem a obrigatoriedade de dizer sempre o “sim”, como acontece nos dias de hoje. Era o “não” – e estamos conversados! Adota quem quer. Mas, quem não adotar, vai correr o risco de se dar mal. E, quase sempre, isso acontece.
Escolarizar compete à escola – neste caso, algumas escolas, inadvertidamente, estão tomando para si o papel de educar. E é aí que mora o perigo, e nisso residem os mais catastróficos conflitos no dia a dia do jovem.
Entre os primeiros sinais dessa tentativa de inversão dos papeis, está a quase imposição de que os jovens estudantes tratem as(os) professoras (es) como “tia” (tio). Ora, “tio”, é o irmão do pai ou da mãe – e nem vamos caminhar por ali, pois seria discutir a mediocridade ou o sexo dos anjos.
Quarto de dormir de jovens “educados” pelas famílias brasileiras
Mas, o que nos traz aqui, nestes poucos parágrafos é a acirrada discussão da sugestão e não da obrigatoriedade de matricular ou não, o(a) filho(a) numa escola com “orientação militar.” Como se isso estivesse sendo uma determinação. E não é.
Quem matricula o(a) filho(a) numa escola Adventista?
Alguém é obrigado matricular o(a) filho(a) numa escola adventista?
Sabe qual é mesmo o grande problema? É que a ideia vem do Governo Bolsonaro. E muitos que não votaram no 17, simples e ridiculamente, para mostrar que “são do contra”, estão tentando desconstruir a proposta. Repetimos: “proposta”! Não orientação.
É quase que a mesma babaquice (repito o termo chulo: “babaquice”) de ficar dizendo que “homossexualidade” é “orientação”, e não opção. Alguém orienta outrem para que escolha ser homossexual, para queimar a rosca?
Vai longe a pendenga. Duvido que, descumprindo as “regras” dos colégios com orientação militar, algum aluno se atreva a sair da cama sem deixa-la arrumada com os lençóis sem uma única rusga.
Diferente das camarinhas onde dorme e vivem os(as) filhos(as) de muitos dos pais atuais. Alguém vai querer exigir que o(a) filho(a) alinhe o quarto pessoal antes de sair de casa? Du-vi-d-ó-dó!
Parecia a repetição de uma peça teatral escrita por Plínio Marcos. Num cenário mental estabelecido, gravado até hoje. No alpendre lateral da casa, estavam armados uma mesa, quatro tamboretes com assentos de couro de bode, e, ao lado, o “reserva” balançava na rede, tocando o pé na parede para a tijubana pegar impulso. Esse “reserva” dificilmente entrava no jogo – a não ser que alguém precisasse ir ao banheiro e demorasse bastante.
– Corta!
Era o sorteado para embaralhar a primeira partida de sueca das dez ou mais, que seriam jogadas naquela tarde de domingo, logo depois da madorna pós-almoço, quem daria as cartas pela primeira vez.
– Qual é o trunfo?! Perguntavam os três jogadores.
– Copas!
Respondia o responsável pela distribuição das dez cartas para cada um dos jogadores.
Mancheia de “trunfos” (copas) – se fosse ouros tava lascado
A sueca é um jogo de cartas, jogado por quatro jogadores. À cada um serão distribuídas dez cartas. É hábito no Nordeste, jogar sueca em parceria de dois pares, e ganha o jogo, quem somar mais de 60 pontos – não entram no jogo as cartas 8, 9 e 10. A “sueca” é dada quando uma das parcerias não consegue somar nenhum ponto.
A cada início de partida, o baralho é “traçado” (misturado) e posto ao “corte” para que seja conhecido o “trunfo” – naipe que dará privilégios para “cortar” qualquer carta de alto valor que não seja “trunfo”. A ordem de distribuir cartas e cortar o baralho, é sempre no sentido horário.
O Às e o sete são as cartas de maior valor do baralho no jogo de sueca. Como “regra do jogo”, se não for do “trunfo”, o Às e o sete podem ser “cortados” até mesmo pelo 2 de trunfo.
Parcerias
Existem pessoas que gostam de jogar sueca em parcerias com outras. Na maioria dos lugares onde se joga sueca, essas parcerias não são aceitas, haja vista que, desconfia-se da prévia combinação de sinais no procedimento das jogadas. Tipo: coçar o olho direito; pigarrear uma ou duas vezes; fingir coçar o nariz, etc.
A sueca é um jogo secular, que mantém entretidos diferentes faixas etárias das famílias. Os idosos não são muito adeptos de jogar contra os jovens – preferem a seriedade dos da mesma faixa etária durante as partidas.
“Os Santos Cosme e Damião, irmãos gêmeos, morreram por volta de 300 d.C. Crê-se que foram médicos, e sua santidade é atribuída pelo motivo de haverem exercido a medicina sem cobrar por isso, devotados à fé. Na Igreja Católica sua festa é celebrada no dia 26 de setembro, de acordo com o atual Calendário Litúrgico Romano do Rito Ordinário, e no dia 27 de setembro, pelo Calendário Litúrgico Romano do Rito Extraordinário. Na Igreja Ortodoxa são celebrados no dia 1 de novembro e também em 1 de julho pelos ortodoxos gregos. Nas religiões afro-brasileiras, onde são sincretizados como entidades infantis, também são festejados em 27 de setembro.
Os gêmeos nasceram em Egeia (agora Ayas, no Golfo do İskenderun, Cilícia, Ásia Menor), e tinham outros três irmãos. O pai foi mártir durante a perseguição dos cristãos na era de Diocleciano. Cosme e Damião eram médicos que curavam os enfermos não só com seu saber mas através de milagres propiciados por suas orações. Seus nomes verdadeiros eram Acta e Passio. Sua mãe se chamava Teodata, e também é venerada como santa pelos ortodoxos.
Brasil – O culto aos gêmeos mártires foi trazido para o Brasil em 1530 por Duarte Coelho Pereira e tornaram-se padroeiros de Igarassu, em Pernambuco. No nordeste brasileiro passaram a ser invocados para afastar o contágios de epidemias. Os negros bantos identificaram Cosme e Damião como os orixás Ibejis em um sincretismo religioso.
Relação com as religiões afro-brasileiras – O dia de São Cosme e Damião é celebrado também pelo candomblé, batuque, xangô do Nordeste, xambá e pelos centros de umbanda onde são associados aos ibejis, gêmeos amigos das crianças que trazem bem estar por onde passam , possuem conhecimento de desfazer feitiços e auxiliam na cura de enfermidades e trazem alegria , deixando harmonia e felicidade no ambiente a sua volta ,(descarregando o ambiente de energias densas), trabalham na caridade , auxiliam principalmente , pessoas em situações de desamparo, fragilizadas , como crianças , idosos , enfermos e como trazem a energia alegre leve e inocente das crianças consigo , gostam de doces , frutas doces e guloseimas. O nome Cosme significa “o enfeitado” e Damião, “o popular”.
Estas religiões os celebram no dia 27 de setembro, enfeitando seus templos com bandeirolas e alegres desenhos, tendo-se o costume, principalmente no Rio de Janeiro, de dar doces e brinquedos às crianças que lotam as ruas em busca dos agrados. Na Bahia, as pessoas comemoram oferecendo caruru, vatapá, doces e pipoca para a vizinhança.
São considerados no Brasil os Santos padroeiros dos Farmacêuticos e Médicos. A bonita história de São Cosme e São Damião — que por sua vez é marcada por visões diferentes, dependendo da crença de cada religião — demonstra a complementaridade e interdependência que as profissões irmãs, a medicina e a farmácia, possuem. Talvez o sucesso atribuído às curas milagrosas dos irmãos gêmeos, na idade média, nada mais fosse do que a antecipação da divisão do trabalho, ocorrida apenas no século XIII, onde a farmácia foi separada oficialmente da medicina e considerada uma profissão.” (Informações transcritas do Wikipédia)
Pois sim. Dito e mostrado isso, a data serve de motivação para nos transportar de volta à infância, mais uma vez. E, como parte da nossa infância foi vivenciada ao lado dos avós, como poderia eu “deixar de fora” minha inesquecível Dona Doca Buretama?
Nossa casa, mais dela do que nossa – tanto que herdamos apenas os maravilhosos momentos vivenciados juntos – era grande e cheia de cômodos, cada um com sua utilidade. Eram mantidas duas “camarinhas”: uma, onde ela e Vovô dormiam e provavelmente faziam traquinagens antes de dormir; e outra, onde ela escondia as cumbucas cheias de ovos de galinha caipira, das patas e das peruas e nacos generosos de rapaduras.
Cocadas brancas e pretas – as verdadeiras cerejas do dia
A gente nunca sabia o motivo, mas via que, no dia 26 de setembro Vovó pegava alguns cocos, abria cada um em duas quengas, pegava o raspador manual (uma concha dentada) e se punha a preparar os ingredientes das cocadas. Para a cocada branca usava o açúcar branco e, para a cocada preta, usava a rapadura. Não dava para dispensar.
Em vez de distribuir senhas para entregar os doces, avisava aos gritos para que todos os netos e demais parentes viessem no dia seguinte, 27, participar da distribuição das guloseimas em comemoração ao dia de São Cosme e Damião. Eram para nós, santos desconhecidos, haja vista que, para aquelas bandas só se ouvia os nomes de São José, o santo das chuvas; São Francisco de Canindé, o milagreiro da cidade próxima; e, claro, Jesus Cristo, a quem adorávamos e até jejuávamos por uma semana na Semana Santa.
Adolescentes felizes com sacolas de bombons
A mudança para a chamada cidade grande não mudou muito nossa rotina quando se aproximava esse dia. Apenas perdemos o incentivo à curiosidade de tentar descobrir quantos pedaços de rapadura e quantas cocadas Vovó daria para cada neto. Nosso foco passou a ser uma tal distribuição de senha, um papelucho que nos garantia receber chocolates batom, maria-moles, pirulitos e jujubas.
Era uma correria danada e desenfreada no fim da tarde do dia 26. Os mais organizados e respeitosos formavam fila para a recepção da senha. Uma senha por família – não havia necessidade de enganar o benfazejo doador dos doces. Todos se respeitavam e se conheciam dos encontros de tantas tardes e noites brincando na ruas.
Em que pese ser o dia de São Cosme e Damião um festejo pagão que todos respeitavam, não se tinha notícia de missas ou outros tipos de celebrações. Era apenas a festa dos doces. Nada mais.
Maria-mole, uma verdadeira maravilha
Hoje, ao que se sabe, apenas as pessoas que frequentam candomblé, umbanda e outras crenças continuam distribuindo doces – mas há quem afirme que, em muitos locais onde há grande frequência, também se distribui, além de doces para as crianças, são postas fartas mesas de distribuição gratuita de comidas da culinária africana e nordestina.
A “bolandeira” tocada a boi que movimenta o caititu
Na prática, tudo começava quando Zarraimundo metia a mão no bolso lateral da calça, e dele retirava um relógio de algibeira. Pontualmente às 07:30 horas, fazia soar em alto e bom tom o chocalho velho que fora retirado do boi Genaro, quando esse precisou ser sacrificado. Não conseguia mais andar, dando voltas, para movimentar a bolandeira e essa o cilindro do caititu.
Chegava a hora do trabalho. Oficialmente! Era verdade que, para a maioria que ali estava, o dia começara com o cantar do galo, por volta das 05:30 horas. Ainda escuro, quando todos se aprumavam nos lombos dos animais e partiam para a casa dos Albanos, onde acontecia a farinhada tocada pela cooperativa.
Zarraimundo, o leitor haverá de descobrir, na realidade era o José Raimundo, mas duvido que ele atendesse, quando alguém o chamasse assim. Pequena estatura, conformado com o seu 1,56m de altura e 0,80m de largura, tinha contra si a desproporcionalidade do pé. Calçava 46 ou 48 e nunca comprara sapatos em qualquer loja. Ninguém fabricava essas pontuações. Calçava alpercatas feitas sob encomenda. Vestia calças com suspensórios e usava na cabeça um chapéu de palha que matava qualquer mosca que, desavisada, pousasse ali. Um suor medonho, acumulado de meses e meses.
Mulher no “caititu” cevando a mandioca
Ao som do chocalho o dia começava. O estalar do chicote tangia o boi que conseguia dormir andando em círculos para movimentar a bolandeira e, essa o caititu. A mandioca começava a ser cevada (ralada, ou moída, para muitos) e, dali era transportada em cuias para um saco branco posto numa caixa da prensa. A mandioca ralada transformada em massa, era espremida e, dali saía a massa para peneirar antes de ir ao forno para ser torrada.
A “prensa” espremendo a massa da farinha antes de ir ao forno
Foi hilário quando Dilma Rousseff, inadvertidamente e demonstrando que jamais vira uma “mandioca” entrar no caititu para ser devorada, falou que o tubérculo poderia ser de grande valia para a economia nacional, ávida por mandiocas grossas, fortes e produtivas. É difícil o nordestino conviver sem a farinha. Farinha “soma” em tudo e não “diminui” em nada.
E por mais incrível que possa parecer, a mandioca precisa da água, do vento (o mesmo que a mesma Dilma pretendia ensacar para exportar) como sendo uma Trade Mark de nossa propriedade. As regiões Norte e Nordeste sofrem com a escassez d´água, em que pese o Norte ser rico em rios perenes, mas sem serem utilizados como “tocadores da agricultura”. Peixe é o que tem nos rios perenes da região Norte. E é difícil comer o peixe, sem a farinha.
A farinha – culminância de meses de cultivo e dias de trabalho digno do agricultor
Zé de Osmina dando uma pitada enquanto contava bravuras
– É mentira, Terta?!
– Verdade!
Corre mundo à “boca miúda” que, em qualquer lugar do Universo tem cearense. É uma raça que, igual pobreza ou riqueza, tem em todo lugar.
Da mesma forma, costumam dizer que, mentira tem pernas curtas, e não consegue ir muito longe. Mas, também há quem acredite que, uma mentira, por mais deslavada que seja, contada de forma repetida, um dia vira verdade. Daí muitos afirmarem que, tem gente que conta mentira com tamanha ênfase, que até ele próprio acredita que seja verdade.
Pois, foi no crocheteado município de Nova Russas, bem pertinho de Ipu, Ipueiras, Tamboril, Crateús e Monsenhor Tabosa que, no dia 30 de fevereiro de 1910, nasceu José Honorato de Oliveira, um menino gordo por natureza, gerado por Osmina Oliveira e Gertrudes Honorato.
Em Nova Russas, terra das vaquejadas que tem a sorte de ser banhada pelo rio Acaraú, cujo volume d´água provoca sono em quem, pesca de anzol e só acorda com a fisgada do peixe, e nas mulheres que passam a tarde inteira fazendo croché balançando na espreguiçadeira, para receber o vento que parece ter mãos de fada. Ali, quem se dava ao trabalho de procurar José Honorato de Oliveira, não encontrava nem que procurasse na própria residência do dito cujo. Agora, se procurassem por Zé de Osmina, podia preparar o tiro, que ia encontra-lo em qualquer roda de mentirosos.
Nunca se soube de outro lugar onde existisse tantos mentirosos quanto em Nova Russas – mas, com certeza, nenhum desses podia ser comparado com Zé de Osmina.
Cidade de porte médio do interior cearense com pouco mais de 30 mil habitantes, Nova Russas é mais uma das muitas cidades encravadas na caatinga cearense, que sofre com a escassez das chuvas, haja vista, grande parte da população viver da agricultura familiar.
Fartura é coisa rara em Nova Russas. Uma das cidades mais próximas de Nova Russas, é Tamboril, onde nasceram General Sampaio e, entre outros de igual fama, o ator e diretor de teatro Haroldo Serra.
De forma controversa para a má fama de Nova Russas, todo ano acontece o famoso “Festival Internacional das Mentiras”, batendo recorde de participantes a cada edição. E, os organizadores não precisaram pensar mais de uma vez, para dar nome ao “troféu” de vencedor em primeiro lugar: “Troféu Zé de Osmina”.
Até hoje Zé de Osmina é imbatível. Ninguém conseguiu mentir mais que ele. A mentira mais famosa pregada por Zé de Osmina aconteceu em 1945, quando, ainda nos seus 35 anos, foi conhecido e reconhecido como o homem que matou Adolf Hitler.
E, deixo para o próprio Zé de Osmina narrar os fatos ocorridos antes e depois da trágica morte de Hitler:
“Naquele tempo não era fácil viajar para os grandes centros. A gente precisava caminhar quase um dia para alcançar a rodovia que levava à Fortaleza. Certa noite eu escutei numa rádio da capital, que um certo Hitler estava apavorando o mundo, mandando matar muita gente e coisa e tal. Foi quando parei de maginar e arresolvi acabar logo caquela celeuma.
E aí pensei: vou já acabar com a farofa desse homem! Ora se vou! Como eu nunca tinha viajado de avião, resolvi que ia pegar o navio, o primeiro que parasse, prumode eu viajar. Mas, primeiro tive que pegar mesmo foi o pau-de-arara até Fortaleza, e a gente descia numa tal Cidade das Crianças, de onde precisava caminhar até o Mucuripe prumode pegar o navio e me mandar para onde tava acontecendo a guerra. E eu lá queria saber de guerra, siô! O meu negoço era com o tal Hitler. Era com ele que eu queria ajustar conta.
E eu me mandei na maior carreira para as bandas do Mucuripe. Quando cheguei na altura não sei nem de onde, de longe mesmo avistei aquele bando de fumaça sair do cano do navio. O bichão tava se movimentando para partir. Fiz sinal com as duas mãos, amostrei minhas armas, e aquele bichão deu marcha-ré para esperar que eu subisse.
A viagem num foi boa, não. Eu tava toda hora enjoando. Mas resolvi resistir até o destino final.
Depois de quase dois meses de viagem, quando escureceu, de longe, ainda no mar, a gente via as balas incendiarem os olhos da gente. Era uma bala encontrando a outra, e se atracando, e se envolvendo. Foi debaixo daquela saraivada de bala que o navio atracou. A gente desembarcou, e eu me avexei prumode cumprir minha missão, derna que saí de Nova Russas.
E foi aí que me apressei, inté que encontrei o lugar onde o tal do Hitler se escondia. Ele já tinha começado se esconder, pois tava perdendo a guerra e soube num sei como, que eu tava indo matar ele. Cheguei no lugar, dei uma pesada na porta, percurei ele, num encontrei. Fui noutro lugar, dei outra pesada e arrebentei a porta, sempre com a minha espingarda bate-bucha na mão.
Foi aí que eu vi, aquele homenzinho todo tremendo, tremia inté aquele bigodinho debaixo das ventas, e ao me ver, foi logo pedindo penico, dizendo:
– Zé de Osmina, tu por aqui, meu amigo?!
Foi aí que eu nem precisei atirar. Ele se tremia tanto cum medo de mim, e do que ia acontecer, que caiu durim, durim!”
* * * Na verdade, o que aconteceu foi que Zé de Osmina nem chegou a embarcar. No mesmo dia que ele chegou em Fortaleza, a Segunda Guerra tinha acabado, e o navio que saía do Mucuripe estava era levando trigo moído para Belém.
Para parecer que estava mesmo vindo da guerra, Zé de Osmina resolveu ficar quase um ano perambulando pelas ruas de Fortaleza, deixando a barba crescer. Foi numa loja que vendia roupa militares e, três meses depois, usando sempre a mesma roupa, resolveu voltar a pé para Nova Russas.
Nem esperou anoitecer e já foi para a praça contar o acontecido para os amigos, que nunca confirmaram se acreditavam nele. E logo disse:
– Aquela guerra tinha que acabar mesmo. Foi só eu disparar uma carga nos peitos do Hitler, mandando ele para a cidade dos pés juntos, que resolveram acabar a guerra.
Faz tempo saí de Fortaleza. Mais de 50 anos que, convenhamos, não é pouco tempo. Na verdade, fui tangido e optei por viver no Rio de Janeiro, enfrentando dificuldades e conquistando vitórias – principalmente as do lado profissional, que hoje garantem o meu sustento e da família.
Nesses mais de 50 anos, poucas vezes retornei a Fortaleza, ainda que apenas para passear. São poucos os familiares que ainda vivem na capital cearense, e os antigos amigos são hoje quase nenhum. Isso me faz um estranho no ninho.
A Fortaleza dos dias de hoje é completamente diferente da Fortaleza de 50 anos atrás. Era, reconhece-se, uma cidade provinciana e mal planejada. E um planejamento cosmopolita foi acontecendo ao passar dos anos. Credite-se a essa melhora, a dois fatores primordiais que estão edificando e transformando a cidade na maior capital do Norte-Nordeste.
Catedral Metropolitana de Fortaleza em estilo gótico
O primeiro fator, deve-se à intenção de atingir o “bom” e a acreditar que os empreendedores do alicerce estavam ali mesmo, na capital. O crédito que fosse dado à esses, estaria, também, sendo dado aos investidores externos, principalmente os internacionais.
Ninguém poderá negar, jamais, a vultosa parcela positiva nesse crescimento, ao cearense de Cascavel, EDSON QUEIROZ, um audacioso que se tornou megaempresário e, somando a outros de antes, ajudou a alavancar Fortaleza e por merecimento e trabalho, o Ceará. Tampouco alguém poderá olvidar a mudança e transformação comportamental de jovens empreendedores fortalezenses que, a partir de uma “escolarização com mais qualidade, pôde visualizar novos caminhos para o crescimento pessoal em sociedade.
A juventude cearense de determinado nível sócio-econômico não é diferente em nada dos jovens de outras cidades ou capitais brasileiras. Mas, o jovem empreendedor cearense é diferente, sim. Ele viaja, busca, evolui e investe naquilo que acredita ao descobrir como novo e possa render bons frutos.
Foto 3 – Orla marítima de Fortaleza – praia do Meireles
Infelizmente, essa Fortaleza eu não vivi e não me permiti usufruir. A minha Fortaleza é aquela outra, das “fuampas”, das festas nos clubes sociais da periferia, dos movimentos religiosos e estudantis, que acabaram por inserir pequenos valores no crescimento e mudanças atuais.
O Curral das Éguas, a Buate 80, sexo ao ar livre na orla marítima, se contrapondo com o bom vinho consumido ao som do piano no Caravelle ou até mesmo as feijoadas do Clube dos Advogados, ou do Bar do Sá Filho.
Fortaleza substituiu Zé Tatá, Pedão da Bananada, João Nascimento, Parangaba, Orélia do Dedão, por outros ícones. A “reforma” não ficou apenas restrita às praças e avenidas. Ela, com muita força, atingiu também e, principalmente, a juventude.
Hoje, quase que morrendo de saudades da minha terrinha que, quando nasci era “Queimadas”, povoado do município de Pacajus, interior não tão distante do Ceará. Qualquer dia, antes de viajar para Pasárgada, aparecerei por lá.
Mas, enquanto isso não se torna possível, lembro de coisas e fatos para que o entretenimento minimize um graminha da saúde que está pesando mais de toneladas.
Assim, lhes trago mais uma relembrança em que Vovó vira protagonista e toma as rédeas da estória que, de tanto ser contada, um dia vai virar história.
Peru que Vovó achava ser pavão
Não tenho certeza, se um pequeno conto, podemos chamar de “continho”. Pelo sim, pelo não, melhor conta-lo sem faze-lo maior. Aí viraria conto. Assim, vou contar uma estória pequena, de um dos vários dias de aniversário na família. Até virar história.
No mais recente dia 19 deste mês de agosto, foi dia do aniversário de Didi. A família tem mais datas comemorativas no mês de abril. São muitos nascidos nesse mês. Talvez, durante as comemorações de agosto, pai e mãe, cansados, fossem deitar mais cedo. Escrevi “deitar”, o que é diferente de “dormir”. Vida que segue.
Qualquer um de nós, netos, que se disponha a escrever alguma coisa relacionada à nossa feliz infância, deixando de citar as maluquices da minha Vovó, estará mentindo. Pode até não ser a protagonista, mas terá papel de destaque no elenco e na estória.
Eis que, certo dia 19 de agosto de muitos anos atrás – já faz mais de 60 anos que Vovó subiu pro andar de cima! – um domingo, quando a família pulava as cercas dos roçados e ia beber água na mesma caneca, gargalhar até se mijar, eis que Didi aniversariava.
Preocupada em agradar um neto tão querido, embora esse fosse mais grudado no Avô. Eis que, bulindo na camarinha e no quarto onde escondia os pedaços de rapadura, alfenim e mariolas, Vovó encontrou dentro de uma cuia, alguns ovos de galinha caipira e, pasmem, apenas um ovo de perua. E, no quintal havia mais de uma perua e em idade de por.
Mas, por que “apenas um ovo de perua”?
Pavão que Vovó pensava ser peru
Ela mesma se preocupou em dar a resposta: tem alguma coisa errada. Acho que o macho não é um peru. Tá mais para pavão. E caminhou para a cozinha, onde, embora não fosse necessária a resposta, pois qualquer que fosse, ela não daria a mínima atenção, tascou a pergunta:
– Meus fios, já que hoje é “niversaro” do Didi, que tá eu matar aquele pavão ali, prumode a gente fazer um bom dicumê?
Já nascido, e fazendo peraltices no mundo, estudante iniciado em Ciências Naturais no Grupo Municipal, me atrevi a responder:
– Vó, aquilo ali não é um pavão! É um peru! Kkkkkkkkkkkk!
Ela toda de pavio aceso, mais parecendo aquela lamparina grande de iluminar até o quintal mais escuro da casa, sapecou a justificativa:
– Pode inté ser um peru. Mas, a cuia adindonde eu separo os ovos das galinhas, dos ovos das peruas, só tem um ovo, e faiz é tempo. Já espiei o pato “abaixar” esse bichim colorido foi muitas veizes. Com certeza é baitola!
Ora, VAR tomar onde as patas tomam!
Goleiro (de vermelho) do São Paulo cometendo penalidade em jogador do Ceará
Cada dia mais mercantilizado, o futebol chamado profissional vem recebendo apoio de novas tecnologias. No ano passado, a FIFA tentou implantar o VAR em apoio às situações confusas na arbitragem que acontecem durante uma partida de futebol. Já cometei em outras oportunidades sobre o assunto. E, mais uma vez afirmo: o VAR está atrapalhando mais que ajudando o futebol brasileiro. Está “desmoralizando”.
Ora, a gente aprendeu que, durante um jogo de futebol, se um torcedor qualquer estiver atrapalhando o bom andamento da partida, o Árbitro, única e maior autoridade em campo, tem o apoio da “Regra” e pode pedir para a Polícia retira-lo do Estádio. Também pode, o Árbitro, citar um jogador ou dirigente até 24 horas após o encerramento do jogo. Exemplos, apenas para mostrar a “autoridade” que compete ao Árbitro.
Não sou eu que quero isso. É a Lei do futebol, também chamada de “regra”, que diz isso. Melhor, dizia. Hoje, tanto quanto o pai ou a mãe que não mandam nos filhos – pois esse direito agora é do Conselho Tutelar, que põe a comida dentro de casa, que dá escola e veste as crianças! – o Árbitro de futebol não tem mais o poder de “decisão”. Tudo depende do VAR.
Desde o início da sua utilização até ontem, quantas vezes o Árbitro do VAR foi punido ou admoestado por erros gritantes? Por que a ação do VAR nunca é a mesma para todos os jogos e clubes?
Ora, se o Árbitro do campo é a maior autoridade do jogo, para que e com qual intenção o VAR interfere para dar outra interpretação para um lance que acontece a menos de um metro do Árbitro de campo? Caracteriza, isso sim, desrespeito ao Árbitro de campo, e má intenção a favor de algum clube.
Quem sabe separar as coisas do dia a dia, e viu o jogo São Paulo 1 x 0 Ceará, no Morumbi no domingo/18, de forma isenta, jamais vai deixar de afirmar que o goleiro são-paulino cometeu penalidade sobre o atacante do Ceará. E o VAR, nem aí!
Cheia de “recomendações”, a Regra do futebol, antes, dizia que, em lance como aquele, além da marcação da penalidade, o goleiro teria que ser expulso, pois era o último homem à frente do atacante que, não tivesse sofrido a carga faltosa, poderia até desperdiçar o gol eminente. Hoje a regra não autoriza mais “expulsar”. Amarelou!
Responda com honestidade: fosse o jogo realizado em Fortaleza, no Castelão, com o Ceará vencendo por 1 a 0 e o São Paulo como visitante, com o lance acontecendo com um atacante do São Paulo, o VAR ficaria omisso?
Há muita hipocrisia neste momento. Há muita gente “torcendo contra”, da mesma forma que há a pecha mentirosa que diz defender a democracia. A sua democracia. A democracia dos outros que vá à merda e continuar com ela nada mais é que ser fascista.
Essa diversidade de conceitos favoráveis ou contra isso e aquilo é o que miscigena e, às vezes, dificulta o desenvolvimento desta imensidão continental que detém cerca de 65% do continente sul-americano.
E é exatamente nesses 65% que “frutificam” as nossas riquezas. Alimentaríamos o mundo, em todos os sentidos e em todos as vertentes da economia, se tivéssemos tido a sorte de termos sido “comandados” por competentes em pelo menos metade da nossa existência. Infelizmente não fomos. É ariscado afirmar, que um dia seremos.
Deixando um pouco de lado essas reflexões ainda amarradas à política e à administração, pois como afirmava minha sábia e falecida avó Raimunda Buretama, “falar de como dirigir o Brasil, é a mesma coisa que peidar dentro d´água, tomando banho num açude. Não vale de nada.”!
Hoje, continuando a ideia de “enxugar gelo”, quero lhes apresentar uma fruta pouco conhecida nesse país continental. Falo do “marmelo”, que está se tornando uma febre entre os agricultores maranhenses; e a pupunha, esta, mais conhecida em meio aos habitantes e conhecedores da região amazônica.
1 – Marmelo
Marmelo maduro
Estivemos há cerca de 15 dias sofrendo as agruras e enfrentando as verdades maranhenses no conhecimento de algumas estradas estaduais. No caso, a MA-014 que, nos impôs uma viagem de sete horas, quando o normal e sem atropelos chega a apenas quatro horas. Fomos a São Vicente Férrer, município situado na Baixada Maranhense.
Ali, iniciamos a produção de uma matéria jornalística especial tendo como foco um “jovem senhor vicentino” que, no próximo dia 4 de setembro completará, com a graça de Deus, 100 anos de vida e boas ações. Um verdadeiro cidadão ainda lúcido, que em meio aos seus e na comunidade goza de respeito.
Pois, foi em São Vicente Férrer, que viemos a conhecer o “marmelo”, uma fruta que ainda não chegou ao conhecimento de muitos. Aparência e cheiro de goiaba, mas não é. Claro! Formato e cor de pera, mas também mão é.
Uma raridade que precisa de mais investimento no Maranhão. Começa atingir patamar de preferência em meio aos agricultores familiares, pela fartura de cada colheita.
Dá para desconfiar que, o marmelo é a fruta que produz a marmelada, doce que existe há centenas de anos. Quem, no Brasil, não conhece a “Marmelada Colombo”?
Marmelada – consumida há anos no Brasil
“Propriedades/Benefícios do Marmelo:
1 – Hidratação: O Marmelo possui baixa calorias, apenas 25 kcal a cada 100 gramas. Ele tem uma elevada quantidade de água em sua composição, ajudando a manter o corpo hidratado. Isso é muito importante para todos nós, mas favorece ainda mais aqueles que estão tentando perder peso.
2 – Auxílio na digestão: A fruta possui muitas fibras solúveis e a pectina. Elas ajudam no processo de digestão dos alimentos, prevenindo a desidratação quando ocorrem episódios de vômitos. Elas também ajudam no tratamento de doenças do estômago.
3 – Controle do colesterol: O consumo desta fruta é recomendado para pessoas que têm problemas de controle no nível de colesterol. Como o marmelo é uma fonte de fibras solúveis, elas ajudam na redução da taxa de colesterol no sangue.
4 – Combate o ácido úrico: O gosto amargo do marmelo se dá pela presença de ácido málico, o qual auxilia na neutralização do ácido úrico no organismo. É importante ter em conta que o ácido úrico, em níveis elevados, causa acidentes cardiovasculares. Ele também estimula a formação de cristais que podem se localizar em várias áreas do corpo, como os rins, por exemplo.
5 – Tratamento da diarreia: A grande quantidade de uma substância chamada de tanino, encontrada principalmente em suas sementes, apresenta função adstringente, sendo uma ótima opção para tratar e diarreia (para isso, deve-se comer a fruta crua).
6 – Prevenção de cãibras: O marmelo é uma grande fonte de potássio, protegendo os músculos e auxiliando na prevenção de cãibras e no controle da pressão arterial.
7 – Tratamento para inflamação de garganta: O marmelo também pode ser usado para a realização de gargarejos. Assim ele alivia os sintomas de inflamação de garganta. Na preparação dos gargarejos, é preciso cozinhar a fruta inteira em uma água com açúcar. Em seguida, é preciso coar e armazenar o líquido em um vidro que tenha boa vedação. O gargarejo será feito com uma colher do líquido mais um copo de água morna.
8 – Prevenção ao câncer: Isso acontece porque a fruta tem propriedades antioxidantes que combatem radicais livres responsáveis pelo estresse oxidativo. É esse tipo de estresse que causa diversos tipos de câncer.
9 – Auxílio para quem tem constipação: O marmelo possui grande quantidade de fibras, sendo um laxante natural. Assim ele se torna um grande auxílio para quem sofre com constipação. É importante ter em conta que todo e qualquer alimento, se consumido em excesso, pode trazer prejuízo para a saúde. No caso específico do marmelo, como ele geralmente não é consumido in natura e sim na forma de doces e compotas, as pessoas diabéticas devem moderar em seu consumo. Isso porque uma dose exagerada de doces pode levar ao aumento da glicose no sangue.” (Informações transcritas do Wikipédia)
2 – Pupunha
Por anos, alguns questionavam se a pupunha era uma fruta, com características e serventia alimentares, ou se deveria servir apenas para o caule produzir o palmito.
Estudos feitos na própria região amazônica concluíram que há sim, serventia para os dois casos. O fruto tem alto poder nutritivo e o caule é matéria prima para a industrialização do palmito.
Um dos vários tipos de “pupunha”
A fruta pupunha, que é o fruto da pupunheira, continua a ser consumida cozida e servir de matéria-prima para outros produtos, com seu cultivo e consumo concentrados nos estados do Amazonas e Pará. Nessas regiões, é comum comer pupunha cozida no café da manhã ou saborear uma pupunha com café no lanche da tarde.
A pupunha só pode ser consumida cozida (leva de 50 a 80 minutos para cozinhar) porque o fruto cru contém cristais de oxalato de cálcio (ácido oxálico) que produzem uma sensação desagradável ao paladar e inibem a digestão, sobretudo em crianças.
Existe uma técnica, muito usada no Pará, para acertar o ponto de cozimento da pupunha fruta. Coloca-se as frutas na panela ainda presas ao cacho, acrescenta-se água e leva-se ao fogo para que cozinhem. Quando as pupunhas se soltam facilmente do cacho, ao sacudi-lo levemente, quer dizer que estão quase no ponto certo. Após o cozimento, retira-se a casca e a semente da pupunha.
Mesa posta para o café matinal
“Benefícios da pupunha: O consumo da pupunha proporciona vários benefícios à saúde, entre os quais podemos citar:
1 – Fortalece os ossos. A pupunha é rica em cálcio e ferro, dois minerais essenciais para a manutenção da saúde óssea e prevenção de problemas como a osteoporose;
2 – É um antioxidante poderoso. A pupunha contém um grande percentual de carotenoides, substâncias que combatem os radicais livres, causadores de doenças e aceleradores do envelhecimento;
3 – Fortalece a imunidade. Os antioxidantes presentes na pupunha também atuam no fortalecimento do sistema imunológico, responsável por proteger o corpo de infecções por vírus, bactérias e fungos;
4 – É boa para a visão. Os carotenoides presentes na pupunha são essenciais para que o organismo consiga sintetizar a vitamina A, nutriente fundamental para manter a saúde dos olhos e prevenir problemas como degeneração macular e catarata. A vitamina A também é importante para manter a saúde do tecido epitelial, mucosas e tecidos moles do corpo.” (Informações transcritas do Wikipédia)
Aquele calor matinal, com a temperatura beirando os 30 graus. De repente, sem mais nem menos, começa cair uma neblina que, aos poucos vai aumentando de intensidade, e acaba se transformando numa chuva gostosa. E, para não fugir à regra, muitas coisas gostosas são sempre rápidas, inesperadas, e às vezes até em situações inconvenientes. Sem direito a muitas escolhas de conforto.
Pois, certo dia, visitando um sítio de um amigo, o silêncio era tão grande que, passada aquela chuvinha gostosa, pude ouvir uma conversa não muito comum, entre duas jabuticabas. Pela intimidade da conversa, deu para perceber que tudo estava acontecendo entre uma jabuticaba fêmea e um jabuticaba macho, se é que fruta tem sexo ou se é tudo igual aos anjos:
– Eita neguinha gostosa, zulive! Rasgou elogios o jabuticaba macho!
– Como sabes disso, se nunca me comestes? Indagou a jabuticaba fêmea, torcendo por mais provocação.
– Um dia, quando eu crescer, ainda vou ficar por cima de ti, pois nós, os machos, somos maiores! Disse com segurança o jabuticaba macho!
– Santo Deus, fazei correr os dias e o tempo! Disse, ansiosa pelo encontro futuro, a jabuticaba fêmea!
* * *
O HOMEM QUE VIROU LAGARTA
Dodô o “malfazejo” da roça de milho
Por conta de duas cabras, um bode e três cabritos que encontraram um buraco na cerca do roçado e por ali entraram e fizeram um salseiro nas ramas da batata doce e nos recém brotados pés de feijão, Dorival, também conhecido por Dodô, passou uns tempos sem os costumeiros cumprimentos com Vovô e Vovó.
Na roça do interior, ficar sem falar com outro é algo que ninguém aprova – todos, sem exceção, vivem precisando uns dos outros.
Há um “ditado popular” no interior do Ceará, sobre o relacionamento juvenil de meninos e meninas, essas ficando mais afoitas quando os peitinhos se avolumam exigindo o uso do sutiã, e as xanas se avolumam pelo crescimento dos pelos pubianos, ou pelo uso de absorventes. Coisas da idade. Tudo coisa normal. É nesse período que os pais de meninos, glosando os pais de meninas, dão o aviso: “compadres, prendam suas cabritas, pois os meus cabritos estão soltos e sedentos.”
Pois, o ar rarefeito após qualquer chuvisco que “agita” a roça e expele pela clorofila odores que atraem os animais que se alimentam das folhas. Foi isso que aconteceu, quando bodes, cabras e cabritos encontraram um buraco na cerca de encheram a pança nas ramas de batatas da roça de Dodô.
Aquilo fez com que Dodô mudasse o comportamento. Não cumprimentava mais ninguém, vivia cabisbaixo – há quem afirme que arquitetava uma vingança contra Vovô e Vovó.
Foi após esse acontecido que, nas noites de lua cheia Dodô bebia chá de sumiço e muitos vizinhos garantiam que, no silêncio da noite escutavam uivos distantes de um animal que parecia ser um cão ou um lobo. Nasceu a conversa que Dodô, nas noites de lua cheia virava “lobisomem”. Zulive!
O que se sabia, realmente, afirmavam os vizinhos, era que, de tanto projetar vingança, Dodô atraiu para si alguns espíritos malignos, numa verdadeira parceria com o 666. Cruz credo! Zulive e zulive!
Eis, finalmente, que o inverno chegou, antevendo boa safra do que fora plantado. Vovô semeava milho, feijão, fava, abóbora, quiabo e maxixe. Aquelas coisas que fazem nossas alegrias durante a colheita.
O milho nasceu, cresceu e começou a cachear. Brotaram os primeiros sabugos e bonecas, e sem muita demora, logo as espigas foram se enchendo de grandes e suculentos caroços. A manutenção da roça se fazia necessária, e era o que Vovô passava o dia fazendo, retirando as ervas daninhas como maliças e carrapichos.
Vovô trabalhou até o meio dia do sábado. Limpou e guardou as ferramentas de roçar. Verificou se os “espantalhos” estavam todos de pé e em condições de espantar os pássaros que se alimentavam do milho verde. Tudo em ordem, ele foi para casa.
Domingo era dia de missa pela manhã, um almoço de carne bovina cozida e um bom caldo, antes da madorna da tarde.
Na manhã seguinte, a volta à rotina na roça. Roupa de trabalho, chapéu de palha na cabeça, cabaça d´água no ombro e a direção do roçado. Ao passar a cerca e levantar o olhar, Vovô teve um princípio de enfarte. Não acreditava no que estava vendo. O milharal literalmente destruído. Nenhuma espiga estava incólume. A lagarta comeu tudo. Destruiu tudo!
Soube-se, meses depois que, sem lua cheia para virar lobisomem, Dodô entrou em metamorfose e se transformou numa lagarta. Lagarta da pior espécie, e resolveu se vingar de Vovô e Vovó, que eram os donos das cabras, dos bodes e dos cabritos que, anos antes haviam devorado as ramas das suas batatas.