Sabe aqueles momentos que marcam a gente – mais que qualquer e definitiva tatuagem?
Pois foi. Vi, numa semana só, três vezes o mesmo musical, e, embora fossem a mesma coisa, a cada dia uma emoção diferente. Como se estivéssemos em Buenos Aires, vivendo e convivendo com tudo aquilo que aqueles anos nos impuseram. A vida de Evita Perón!
Todas as apresentações, com o Teatro João Caetano superlotado, ainda que com os ingressos vendidos de forma antecipada, e cada um respeitando o direito do lugar do outro.
Ao final de cada apresentação, os acordes nos levavam à cantar juntos, fazendo daquilo um verdadeiro coral.
Fantástico! Às vezes, viver ou morar no Rio de Janeiro tem suas vantagens.
Não Chores por Mim Argentina – CláudIa
Será difícil de compreender, Que apesar de estar hoje aqui, Eu sou povo e jamais poderei me esquecer, Peço me creiam, Que os meus luxos apenas disfarçam, Mais nada que um jogo burguês, São regras do cerimonial,
Eu tinha que aceitar, então mudar, E deixar de viver sem ilusão, Sempre atrás da janela sempre Atrás do portão. Busquei ser livre, Mas eu jamais deixarei de sonhar, Que um dia irei merecer o amor Que sentem por mim.
Não chores por mim Argentina, Minha alma está contigo, A vida inteira eu te dedico, Mas não me deixes. Fica comigo, Jamais o poder ambicionei, Mentiras falaram de mim, Meu lugar é do povo A quem sempre eu amei, Eu só desejo sentir bem de perto O seu coração batendo por mim com fervor, Que nunca…
Não chores por mim Argentina, Don’t cry for me Argentina, The truth is I never left you All through my wild days, My mad existence I kept my promise, Don’t keep your distance Eu falei demais, mas foi só pra convencê-los Desta verdade, se ainda querem duvidar, É só pra dentro de mim, meu olhar…
Situada numa Ilha marítima e fundada em 8 de setembro de 1612, São Luís, capital do Maranhão tem características diferentes de algumas capitais brasileiras que estão situadas na orla marítima. O mar que banha São Luís tem marés também diferentes durante todo o ano e, durante a “sizígia” sofre bastantes danos. O mar lhe proporciona, além de todas essas diferenças da Natureza, um convívio nada benéfico com a quantidade de salitre, elemento que lhe destrói uma quantidade significativa de elementos metálicos usados na construção civil.
Mas isso não é tudo. A Ilha de São Luís está localizada entre as baías de São Marcos e de São José, garantindo à capital o privilégio da navegação, às não tão boa por conta das altas e baixas das marés. Do lado da baía de São José, está a cidade de Icatu, fundada no dia 10 de abril de 1614, primeira capital do Maranhão. Do lado da baía de São Marcos, está a cidade de Alcântara, com nuances ligadas à história do escravismo brasileiro, fundada em 22 de dezembro de 1648. É nessa região de Alcântara, mormente nos municípios vizinhos, Guimarães, Mirinzal e Bequimão que estão fincados em maior número, os quilombos. Todos, e sem exceção, resquícios da escravidão.
Dito isso, é impossível ficar definitivamente desvencilhado do passado. Trazidos pelos portugueses anos antes, que chegaram para expulsar os franceses da convivência com os índios tupinambás, escravos negros foram utilizados de qualquer jeito como reforços aliados da coroa portuguesa na expulsão dos franceses. Asssim era comum que, após a saída dos portugueses, os que ali ficaram com os benefícios da Lei Áurea, se expandissem e mudassem para municípios limítrofes, levando consigo também alguns hábitos culturais. E não foi diferente com a religiosidade.
Alcântara é um município que nos dias atuais faz paprte da da Região Metropolitana de São Luís. Tem uma população estimada de 21 652 habitantes, segundo o censo de 2014 processsado pelo IBGE.
A povoação foi elevada a vila de Santo António de Alcântara em 1648, tendo sido sede da Capitania de Cumã. Durante o período colonial, foi um importante centro agrícola e comercial. No século XIX, a cidade entrou num período de decadência, permanecendo como testemunho do seu período áureo o acervo arquitetônico de seu Centro Histórico, tombado pelo IPHAN, em 1948.
Fiéis conduzem o “mastro” em sacrifício
Pois, em 1982, o governo brasileiro construiu em Alcântara, um centro espacial do qual são lançados os veículos lançadores de satélites no âmbito da Missão espacial completa brasileira. É o CLA – Centro de Lançamento de Alcântara. Na América Latina, o CLA é o único concorrente do Centro Espacial de Kourou situado na Guiana Francesa, mas, ao contrário deste, o centro espacial brasileiro não opera lançamentos constantes em razão de atrasos logísticos e tecnológicos.
“A origem remonta às celebrações religiosas realizadas em Portugal a partir do século XIV, nas quais a terceira pessoa da Santíssima Trindade era festejada com banquetes coletivos designados de Bodo aos Pobres com distribuição de comida e esmolas. Tradição que se cumpre em algumas regiões de Portugal. Há referências históricas que indicam que foi inicialmente instituída, em 1321, pelo convento franciscano de Alenquer sob proteção da Rainha Santa Isabel de Portugal e Aragão.
A celebração do Divino Espírito Santo no planeta teve origem na promessa da rainha, D. Isabel de Aragão, por volta de 1320. A Rainha prometera ao Divino Espírito Santo peregrinar o mundo com uma cópia da coroa e uma pomba no alto da coroa, que é o símbolo do Divino Espírito Santo, arrecadando donativos em benefício da população pobre, caso o esposo, o rei D. Dinis, fizesse as pazes com o filho legítimo, D. Afonso, herdeiro do trono. De acordo com os documentos, D. Isabel não se conformava com o confronto entre pai e filho em vista da herança pelo trono, pois era desejo do rei que a coroa portuguesa passasse, após sua morte, para seu filho bastardo, Afonso Sanches. Diante do conflito, a rainha Isabel passou a suplicar ao Divino Espírito Santo pela paz entre seu esposo e seu filho. A interferência da rainha teria evitado um conflito armado, denominado a Peleja de Alvalade.
Caixeiras do Divino Espírito Santo em Alcântara
Essas celebrações aconteciam cinquenta dias após a Páscoa, comemorando o dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu do céu sobre a Virgem Maria e os apóstolos de Cristo sob a forma de línguas como de fogo, segundo conta o Novo Testamento. Desde seus primórdios, os festejos do Divino, realizados na época das primeiras colheitas no calendário agrícola do hemisfério norte, são marcados pela esperança na chegada de uma nova era para o mundo dos homens, com igualdade, prosperidade e abundância para todos.
A devoção ao Divino encontrou um solo fértil para florescer nos territórios portugueses, especialmente no arquipélago dos Açores. De lá, espalhou-se para outras áreas colonizadas por açorianos, como a Nova Inglaterra, nos EUA, e diversas partes do Brasil.
No Maranhão, o culto ao Divino Espírito Santo teve início com os colonos açorianos, portugueses e seus descendentes, que desde o início do século XVII chegaram para povoar a região. A partir de meados do século XIX, a tradição da festa do Divino começou a estar firmemente enraizada entre a população da cidade de Alcântara, de onde se espalhou para o resto do Maranhão.
Portal (Altar) do Divino Espírito Santo em Alcântara
Hoje, a devoção ao Divino é uma das mais importantes práticas religiosas do Maranhão, a festa, igualmente a que ocorre em Paraty (Rio de Janeiro) seja talvez uma das mais tradicionais de todo o território brasileiro, conservando ainda à risca aspectos do período colonial, mobilizando a cada ano centenas de pessoas em todo o Estado. Embora possa envolver gente de todos os extratos sociais, quase todos os participantes são pessoas humildes, de baixo poder aquisitivo, que se esforçam para produzir uma festa rica e luxuosa, onde não podem faltar as refeições fartas, a decoração requintada e caras vestimentas para as crianças do império (ver abaixo). Por se tratar de uma festa longa, custosa e cheia de detalhes, sua preparação e realização levam vários meses e envolvem muita gente, construindo assim uma grande rede de relações entre todos os participantes.
Toda a festa do Divino gira em torno de um grupo de crianças, chamado império ou reinado. Essas crianças são vestidas com trajes de nobres e tratadas como tais durante os dias da festa, com todas as regalias. O império se estrutura de acordo com uma hierarquia no topo da qual estão o imperador e a imperatriz (ou rei e rainha), abaixo do qual ficam o mordomo-régio e a mordoma-régia, que por sua vez estão acima do mordomo-mor e da mordoma-mor. A cada ano, ao final da festa, imperador e imperatriz repassam seus cargos aos mordomos que os ocuparão no ano seguinte, recomeçando o ciclo.
A festa se desenrola em um salão chamado tribuna, que representa um palácio real e é especialmente decorado para este fim. A abertura e o fechamento desse espaço marcam o começo e o fim do ciclo da festa, durante o qual se desenrolam as diversas etapas que, em conjunto, constituem um ritual extremamente complexo, que pode durar até quinze dias: abertura da tribuna, busca e levantamento do mastro, visita dos impérios, missa e cerimônia dos impérios, derrubamento do mastro, repasse das posses reais, fechamento da tribuna e carimbó de caixeiras.
Entre os elementos mais importantes da festa do Divino estão as caixeiras, senhoras devotas que cantam e tocam caixa acompanhando todas as etapas da cerimônia. As caixeiras são em geral mulheres negras, com mais de cinquenta anos, que moram em bairros periféricos da cidade. É sua responsabilidade não só conhecer perfeitamente todos os detalhes do ritual e do repertório musical da festa, que é vasto e variado, mas também possuir o dom do improviso para poder responder a qualquer situação imprevista.”
Os últimos nove parágrafos foram compilados do Wikipédia.
Neste ano de 2019, os festejos do Divino Espírito Santo, em Alcântara, Maranhão, acontecem a partir do dia 29 de maio, se prolongando até o dia 9 de junho. Em outros municípios maranhenses onde os festejos também acontecem, as datas serão diferentes.
Everton “Cebolinha” o cearense artilheiro do Grêmio/RS
Aquele corte especial do cabelo diz tudo. Quem vê o serelepe Everton vestindo a gloriosa camisa do Grêmio de Porto Alegre, fica feliz com a desenvoltura do atacante, incrédulo com o apelido de “Cebolinha” (mas, entende por conta do corte de cabelo especial), além de apostar todas as fichas numa provável convocação para as disputas da Copa América pela seleção brasileira de futebol.
Com certeza, é olhando adiante, que Renato Portaluppi libera Everton para a flutuação em quase todas posições do ataque gremista, aparecendo, literalmente, em qualquer lugar do campo e se posicionando bem para o arremate ao gol. Todas as posições – mas, voltado exclusivamente para um bom posicionamento na hora da conclusão ao gol adversário. Isso tem feito do “Cebolinha” o principal jogador do time gaúcho.
Nascido em Maracanaú, antigo povoado transformado em Município nos anos 40/50, e hoje integrante da RMF (Região Metropolitana de Fortaleza), Everton tem sido o melhor jogador do tricolor gaúcho, mormente quando Luan enfrenta fase de rendimento negativo.
Cebolinha “detona” os adversários gremistas
Pois, saibam meus amigos seguidores que, esse nome estranho, Maracanaú, foi um pródigo povoado de relevante importância para os cearenses. Ali, durante anos, funcionou um hospital para recuperação de tuberculosos, quando essa doença causava preocupações para os gestores da saúde.
Além disso, foi ali onde nasceram alguns jovens, que, jogando futebol, se tornaram artilheiros famosos. Lembro de Wellington, um traquinas jogador que foi meu contemporâneo no Liceu do Ceará, na mesma sala e estudando juntos por sete anos. Wellington foi artilheiro no Ferroviário dos bons tempos, e depois, no meu Ceará Sporting.
Alencar (Joaci) artilheiro no Ceará, no Bahia e no Palmeiras
Foi em Maracanaú que nasceu, também, um dos maiores artilheiros do futebol brasileiro, iniciando no Ceará Sporting, passando para o Esporte Clube Bahia, depois Palmeiras e, finalmente, Ferroviária de Araraquara, onde encerrou a carreira, antes de retornar para a Bahia, onde faleceu.
Pois, Alencar, que nada tinha de Alencar, pois nasceu Joaci, foi campeão brasileiro pelo Bahia, enfrentando e derrotando o então fabuloso Santos, com Pelé e demais gênios do futebol brasileiro, dentro da Vila Belmiro, com os gols da vitória sendo de autoria do cearense “Alencar” – e esse feito garantiu sua contratação pelo Palmeiras.
Alencar formando no Esporte Clube Bahia
Na foto anexada acima, o atacante cearense Alencar (Joaci) é o segundo agachado da esquerda para a direita. Está entre Marito e Léo. Destaques, ainda, do campeão baiano e brasileiro, o lateral-direito Leone, o zagueiro Henrique e o ponta Biriba.
A casa era pobre de mobília. Nem mesmo aquela tradicional cristaleira para acomodar um bule, uns copos que pareciam de luxo e de cristal, um açucareiro e uma leiteria. Se não tinha cristaleira, para que ter essas coisas?
Mas, havia sim um cambito e, pousado sobre ele, uma sela que vez por outra Vovô usava no cavalo quando amanhecia o domingo com vontade ir à Missa. Nos armadores da sala, ficavam penduradas as esporas e os arreios das montarias.
Agora, destacado mesmo, num dos cantos da sala da casa, principalmente onde menos o sol “batia”, ficava o altar do pote – coberto com uma peça feita de renda; logo ao lado, um porta-caneca.
Em que pese o tamanho do pote, o maior espaço era reservado para “Parecido” – um sapo que minha Avó resolveu adotar e criar, na tentativa que moscas, mosquitos e outros insetos caíssem dentro do pote, apesar desse estar sempre coberto.
Pois, “Parecido” era uma figura. Devia ter parentesco próximo com alguma coruja, pois olhava, olhava e olhava muito para a gente, e nunca “dizia” nada. Calado que só, ainda que na linguagem que usava para se comunicar. Aquela língua pegajosa e comprida jogada para fora duas vezes, era o sinal característico de que alguma coisa estava acontecendo, com ele, ou com alguém da casa.
Quando jogava a língua para fora três vezes ou mais, era um desespero. Era, claramente, algum pedido de socorro. Na forma de falar deles, os sapos.
Vovô precisava concluir a limpeza de uma área no roçado, onde pretendia plantar umas ramas de batata doce. Após a limpeza, para garantir que algumas pragas terrenas não se alojariam ali, resolveu fazer uma coivara com o material que havia roçado. Tocou fogo. O fogo espantou os insetos, e, entre esses, aquele famoso besouro “rola-bosta”. (Digitonthophagus gazella é um besouro rola bosta, coprófago que pertence à família Scarabaeidae. Esta espécie tem grande importância econômica, pois foi introduzida em todo o mundo para controle biológico de mosca-dos-chifres e melhoria de pastagens.)
Besouro rola-bosta na sua tarefa incansável
Depois do fogaréu imposto à coivara, seria difícil encontrar lugar “mais fresco” que o pé do pote da casa da Vovó. A Natureza é sabia, e transmite aos insetos a sua sabedoria na luta pela sobrevivência.
E o besouro, sem perder tempo, deu um voo rasante para o lugar adequado. Infelizmente, não contava que, o pé daquele pote era guardado por “Parecido”, o sapo cururu da estima do meu Avô.
Claro que o besouro não teve sucesso. Antes mesmo de pousar no barro úmido do pé do pote, foi agarrado por aquela língua grande e pegajosa de “Parecido”, o sapo vigia.
Qualquer besouro, ao ser tocado, emite um odor insuportável. Quando “Parecido” se deu conta, o besouro já estava chegando no intestino grosso dele.
E agora?
Quem conhece sapo cururu, sabe que não é qualquer coisa que “consegue passaporte de saída”. Se um trem passar por cima de um sapo cururu, ele expele tudo pela boca – pelo ânus, nadica de nada fora da hora apropriada. Nem vento!
Foi só então, passados alguns minutos, que, ao tentar beber água, Vovó percebeu a aflição de “Parecido”, lançando a língua pegajosa várias vezes (foram tantas, que nem deu para contar). Olhos arregalados, quase saindo da órbita.
E, rola-bosta, quando encontra o material preferido, faz desacertos quando começa trabalhar.
E agora?
Fazer o que, se pelo lugar comum em outros seres vivos, jamais o besouro sairia.
Resultado da faina: amigo é para qualquer hora. Na tentativa de aliviar o sofrimento de “Parecido”, Vovô pegou uma bengala feita de jucá e, preferiu sacrificar “Parecido”, em vez de vê-lo sofrer tamanho aperreio.
DETALHE: Por que o sapo recebera o nome de “Parecido”? Por que, em represália, o sapo tinha uma aparência com um antigo namorado de minha Avó. Era assim que Vovô e Vovó se tratavam.
Com certeza, eu sou um dos poucos netos entre alguns criados pela Avó, que não viraram baitolas ou contraíram os vermes da idiotice. Sempre gostei dos paparicos, mas, quando ela os fazia em mim, logo desencaminhava qualquer sintoma de viadagem.
Hoje, ser baitola, gay, frango, xibungo é a coisa mais normal e está virando moda. Os assumidos, quando isso acontece, dizem que saíram do armário. E tudo começa em casa. É ali, com o apoio velado de alguns pais (pai/mãe) que a semente da viadagem brota e cresce.
Nunca ninguém vai me convencer que, “queimar rosca” pode levar alguém a sentir prazer. Tem quem goste, sei disso.
Pois, no auge da vovozagem (esta palavra estou inventando agora e quero dar o mesmo sentido de paparicagem), eu sentia sim, prazer em deitar a cabeça na perna esquerda dela, ambos sentados no chão da latada na frente da casa, sentindo aquele cheiro maravilhoso do sarro do cachimbo de barro que ela carregava sempre no bolso esquerdo do vestido. Eu até adormecia ali tomando cafunés.
Mas, logo que eu terminava de tomar o desjejum, escutava aquela voz de comando vinda da cozinha:
– Fiii, cherôso, vá buscar um camin d´água prumode eu lavá a lôça, vá!
A “lôça” (louça) nada mais era que, alguns poucos pratos de barro, uma panela também de barro, uma panela velha de alumínio toda amassada, umas colheres que, de tão velhas e usadas pareciam espátulas, e umas duas ou três canecas de alumínio que usávamos para beber água do pote.
Na verdade, o “camin d´água” era, trazer do açude, que ficava distante da cassa uns 2 mil metros, três tonéis cheios. Para isso, eu precisava preparar o jumento “Beiçudo”, colocando os cambitos – o que acabaria inviabilizando a montaria e me obrigando a ir caminhando pela boa distância – para facilitar o transporte do líquido.
E lá vinha outro comando, em alto e bom som:
– Minino, cuide! Espie, vô cuspir no chão, visse!
Aquele código que poucos conhecem, “cuspir no chão”, nada mais era que uma ameaça, do uso da correia pendurada no armador da rede, se o “cuspe do chão” secasse e eu não tivesse voltado. Santa correia, elemento servil que ajudou a me tirar do caminho das maldades.
Arre égua!
Enquanto o jumento terminava de beber água no açude, nu como vim ao mundo, eu dava meus “ligeiros” mergulhos na água, um bom banho, brincava de galinha d´água, vestia de novo as calças de suspensórios, pegava as rédeas do animal e, lépido e fagueiro voltava à casa.
Aquele sol inclemente entre 12 e 13 horas, me obrigou a parar a caminhada por alguns instantes. Olhei para trás, e meus olhos só viam lagos, lagos e mais lagos – e nada mais era que a miragem que o calor provocava.
Olhei para a frente, recoloquei o chapéu na cabeça, e continuei a caminhada. Minutos depois, a sede perturbou. Trouxe a pequena cabaça que carregava nas costas, folguei a tampa feita com um pedaço de sabugo de milho, virei tudo na boca e só naquele instante percebi que não tinha mais uma gota d´água.
O sol torrava, e o chão parecia estar pegando fogo. As alpercatas feitas com restos de pneus pareciam derreter – sair dali à procura de uma sombra ou de alguma casa, onde pudesse beber e encher de novo a cabaça, naquele instante seria melhor que encontrar o paraíso.
Tirei o chapéu para limpar o suor que corria pelo rosto, e achei que o “quengo” estava queimando. Limpei o suor, repus o chapéu na cabeça, e continuei andando, enquanto lembrava versos da “Súplica cearense”, de Patativa do Assaré:
“Meu Deus, perdoe encher meus olhos d’água E ter-lhe pedido cheio de mágoa Pro sol inclemente, se arretirar, Desculpe, pedir a toda hora Pra chegar o inverno e agora O inferno queima o meu Ceará.”
Olhando para o chão, de repente fui atraído por algo que nunca descobri o que era, e levantei a vista. Afastado dali por cerca de 80 metros, avistei uma casa grande, afastada uns 20 metros do caminho onde eu seguia o périplo.
Apressei o passo e senti que a esperança renascia – e era a única coisa que ainda resistia dentro de mim. Aumentava, à proporção que eu me aproximava daquela possibilidade de recomposição física e mental. Era uma casa, sim.
Parei de andar, e olhei para a casa. O portão estava aberto. Um portão não tão novo, cuja “tramela” era um pedaço de arame que o prendia ao poste de sustentação da cerca.
Entrei e fui obrigado a parar defronte à casa, ao observar que, sentado na varanda, havia um enorme cachorro me observando, mas, em posição de ataque. Parei e percebi que o animal estava acorrentado, além de preso numa coleira.
Fui para o lado direito, olhei e não vi ninguém. Bati palmas, o que acabou chamando a atenção do cachorro (foi nesse momento que observei que estava preso pela coleira). Não apareceu ninguém.
Cachorro que vigiava a casa abandonada
Chamei (“oi de casa”!) mais uma vez. Como não apareceu ninguém, resolvi dar a volta pela lateral da casa, e percebi que, num amplo, limpo e bem arrumado quintal, galinhas, pintos, e alguns patos futricavam restos de comida jogados ao chão. Um pouco mais afastado observei uma terrina com água. Ao lado, uma pata se jogava toda, demonstrando que estava satisfeita com o banho que acabara de tomar.
Procurei, e acabei encontrando um pequeno tanque com água. Água limpa, dando a impressão de que acabara de ser colocada ali. Isso me fez procurar a torneira existente naquele espaço. Acabei encontrando-a, e resolvi lavar o rosto, molhar a cabeça e encher a cabaça que carregava comigo.
Saí dali e voltei para a frente da casa. Foi então que percebi que o cachorro continuava no mesmo lugar, e na mesma posição – mas, agora, com a coleira, mas sem estar preso à corrente. Parei, muito mais assustado com a possibilidade de que aquele animal feroz partisse na minha direção, do que por falta de coragem para correr. Se eu corresse, com certeza ele avançaria e me pegaria.
Como o animal não se mexeu, continuei andando vagarosamente, de vez em quando olhando para trás, até atingir o portão. Saí da propriedade e fechei o portão, conferindo se a “tramela” estava bem colocada, garantindo que o cachorro ficava cada vez mais distante de mim.
Caminhei uns vinte metros e, só então, olhei para trás. Vi, perfeitamente, que o portão que eu fechara, estava aberto. Aberto, não. Estava literalmente escancarado. Senti algo estranho e percebi que estava totalmente arrepiado. Saí dali o mais rápido que pude.
Andei por aproximadamente vinte e cinco minutos, até que encontrei uma casa ao lado do caminho, com crianças brincando debaixo de uma frondosa e sombria árvore. Parei, e a minha atitude chamou a atenção daquelas crianças.
– O senhor deseja alguma coisa? Indagou uma das crianças.
– Sim, quero falar com alguém adulto. Respondi.
– Mããããeeee, tem um homem aqui e tá querendo falar!
Em seguida apareceu uma senhora aparentando meia idade, cerca de uns 50 anos, mais ou menos.
– Boa tarde, o senhor deseja alguma coisa? Perguntou.
– Estou indo na direção do Chorozinho, tentar resolver uns antigos problemas familiares. O sol está muito quente, e o calor é insuportável. Antes, parei naquela casa que está lá atrás, cerca de meia hora de caminhada. As galinhas e patos estavam soltos no quintal, mas não consegui falar com ninguém, embora tenha chamado. A senhora sabe informar se os donos estão viajando?
– Moço, ali faz tempo que não mora ninguém. A casa foi abandonada, depois que a mulher morreu, e o marido foi estrangulado por um cachorro enorme, e esse foi abatido por um caçador que passava e escutou o barulho. Garantiu a mulher, em resposta.
Agradeci a resposta da mulher, e me voltei para a estrada. Percebi, de novo, que estava arrepiado. Para amainar o susto, retirei a rolha de sabugo da cabaça e tentei beber um pouco d´água. Só aí me dei conta de que, a cabaça que eu enchera naquela casa, estava vazia. Sem uma única gota d´água!
Voltei para a estrada, e continuei caminhando, orando e pedindo à Deus para me proteger dos males e das coisas que o mundo segreda. Pelo menos a enorme sede havia passado, e, agora, uma brisa gostosa soprava na minha direção. Era a segunda metade da tarde que começava a chegar.
OBSERVAÇÃO: Este pequeno conto faz parte do segundo livro que estou escrevendo (“Trinta contos de réis”), que espero receber a bênção divina para imprimir ainda este ano, e lançar, junto com o primeiro (“Pintando borboletas & outras crônicas”).
Eram muitas as direções do andar, do ir e do vir. Onde eu morava, se resolvesse ir para o Oeste, iria para o Pan-Americano; se fosse para o Sul-Sudeste, iria para a Casa do Português; se fosse para o Nordeste, iria para o Benfica, pela avenida João Pessoa; se fosse para o Norte, e era para onde mais eu ia, acabava indo para o Liceu, via Bezerra de Menezes e Otávio Bonfim.
Pequena ainda – no tempo que lá morei -, concentrando seu dia a dia urbano num raio também pequeno, Fortaleza, a “Loira desposada do sol”, fundada a 13 de abril de 1726, era também naqueles anos 40/50 e 60, apenas uma cidade cheia de problemas. Todos de cunhos administrativos e soluções idem.
Chegada das jangadas na Praia do Meireles
Na configuração urbana, na verdade, existiam apenas quatro grandes avenidas: a Bezerra de Menezes, iniciando a saída ou entrada para o rumo de Sobral; a João Pessoa, iniciando a entrada e a saída para os rumos de Maracanaú e Maranguape; a rua Rio Branco, iniciando a saída e a entrada para Messejana e demais municípios e estados limítrofes; e a Santo Dumont, beirando o riacho Pajeú em direção à Aldeota e as praias do Futuro e outras, ainda virgens. Era esse, sem tirar nem pôr, o croquis da cidade que hoje completa 293 anos. (JOR)
“Casa do Português” iniciou mudanças arquitetônicas em Fortaleza
“Fortaleza é um município brasileiro, construído pelos holandeses durante sua segunda permanência no local, entre 1649 e 1654. O lema de Fortaleza, presente em seu brasão, é a palavra em latim Fortitudine, que, em português, significa “força, valor, coragem”.
Está localizada no litoral Atlântico, a uma altitude média de dezesseis metros, com 34 km de praias. Fortaleza possui 313,140 km² de área e 2 643 247 habitantes estimados em 2018, além da maior densidade demográfica entre as capitais do país, com 8 390,76 hab/km². É a maior cidade do Ceará em população e a quinta do Brasil. A Região Metropolitana de Fortaleza é a sexta mais populosa do Brasil e a primeira do Norte e Nordeste, com 4 051 744 habitantes em 2017. É a cidade nordestina com a maior área de influência regional e possui a terceira maior rede urbana do Brasil em população, atrás apenas de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Fortaleza foi em 2016 a décima cidade mais rica do país em PIB e a 2ª mais rica do Nordeste, com 60 bilhões de reais. Possui, ainda, a terceira região metropolitana mais rica das regiões Norte e Nordeste. É importante centro industrial e comercial do Brasil, com o oitavo maior poder de compra municipal da nação. No turismo, a cidade alcançou as marcas de segundo destino mais desejado do Brasil e quarta cidade brasileira que mais recebe turistas de acordo com o Ministério do Turismo. É sede do Banco do Nordeste, da Transnordestina Logística e do DNOCS. A BR-116, a mais importante rodovia do país, começa em Fortaleza. O município faz parte do Mercado Comum de Cidades do Mercosul.
Orla marítima da “nova” Fortaleza
Batizada de Loira Desposada do Sol pelos versos do poeta Paula Ney, a metrópole cearense é a terra natal de brasileiros de grande renome como o ex-presidente Castelo Branco e Dom Hélder Câmara, assim como Capistrano de Abreu, Gustavo Barroso, Casimiro Montenegro Filho, José de Alencar, Karim Aïnouz, Maurício Peixoto e Rachel de Queiroz. É a capital brasileira mais próxima da Europa, a 5 608 km de Lisboa, em Portugal.” (Transcrito do Wikipédia)
Foto 5 – Estádio Municipal Presidente Vargas no Benfica
Saí de Fortaleza, exatamente há 50 anos. Saí para o Rio de Janeiro em 1969, depois de, em 1967, ter passado alguns dias para “sentir o clima e a possibilidade de uma vida nova”. Quando saí, a cidade era essa que descrevi, e praticamente eu não sabia nada da vida.
Tenho voltado à Cidade Luz poucas vezes, pois a idade já não permite mais esse “para cima e para baixo” com mais assiduidade. Vou quando me dá saudade, e quando a situação financeira permite.
O desenho que tenho é o de 50 anos atrás, com Miscelânea vendendo pastel e caldo de cana, bolachinha Ceci da Padaria Duas Nações na Rua Castro e Silva, cafezinho no Cearazinho, sessões de cinema no São Luiz e no Cine Diogo e merendas na lanchonete das lojas Romcy Magazine. Nunca esqueci o “pão d´água” (francês) comprado na Padaria Lisbonense e levado para casa no início da noite.
Nas poucas vezes que tenho ido, percebo que, da minha geração de amigos, muitos já subiram para o andar de cima, e as antigas amizades ficaram distantes. Cachacinha na “Bodega do Antônio”, cervejinha no Caravele da avenida Luciano Carneiro, ao som do piano; feijoada no Sá Filho ou no Clube do Advogado, e o encerramento da noite com jantar no cirandinha ou no Alfredo o Rei da Peixada, são pontos fortes no cabedal da saudade.
O atual “Restaurante do Alfredo” no Meireles
Como diz o poeta, “não sei se um dia volto para lá”, pois também tenho raízes profundas em São Luís, onde cheguei há exatos 31 anos.
Para comemorar o aniversário desta cidade maravilhosa, bem que eu queria: ir ao Mercado São Sebastião, puxar uma cadeira, sentar e comer meia dúzia de atas; ir ao restaurante ao lado da Western, pedir um caldo de panelada; caminhar da Bela Vista até o Presidente Vargas para assistir o meu Vovô ganhar do Fortaleza; voltar ao Liceu e viajar no ônibus Jacarecanga; ou assistir um bom espetáculo no Theatro José de Alencar.
Como não é possível, Fortaleza, de longe, apenas te aceno fazendo o coraçãozinho do Amor, tendo consciência de que tudo isso está no passado.
Para quem nasceu e cresceu na roça, esquecer aqueles dias difíceis, não é coisa tão fácil. A infância, quase que por inteiro, e boa parte da adolescência num ambiente que marca forte a vida de muitos. E, como quase tudo foi tão bom, tão edificante, tão valorizado, porque influiu diretamente na formação do homem, é como massagear o ego, falar sempre. Reviver o bom.
E por que não falar da minha infância?
A madorna vespertina só era atrapalhada e interrompida quando, repentinamente, começava a chover. Às vezes, dizíamos até que, “chuva com sol, era casamento de raposa.”
A rotina diária era interrompida. A gente corria para tentar “aparar a água da chuva” que serviria para alguma coisa. Para lavar roupas, panelas e pratos e para molhar o canteiro cultivado com cheiro-verde, tomate e pimenta malagueta.
– Fii, essa água num seuve prumode beber. Num apare não!
Meu Avô João Buretama usava uma machadinha e ele próprio fazia as calhas colocadas ao redor da casa. Usava paus de sabiá, uma madeira que, estranhamente, tinha o “miolo” escuro, aparentemente apodrecido, mas era tão duro quanto ferro. Era ele que fazia essas calhas, e, às vezes, fazia até algumas sob encomenda.
Na ausência das chuvas, principalmente nas calhas que ficavam à sombra do sol do meio dia e nas primeiras horas da tarde, os dois gatos da casa dormiam ali, e, às vezes, aproveitavam também para fazer suas necessidades. Outros quase que hospedeiros, eram as “taruíras” (também chamadas de “troíras” ou “osga”), cuja urina se tinha como venenosa.
Gato saboreando a sombra para uma soneca
Era por essas impurezas contidas nas calhas, que a “sábia” Avó nos orientava para não aparar as primeiras águas das chuvas para beber. Urina de gato, fezes e urina de ratos, e até a urina das osgas poderiam prejudicar a saúde de alguém, num lugar onde só se conhecia a medicina dos chás e ervas.
– Mais tarde meu fii apara para encher os potes e as cabaças, viu!
E lá estavam, ao final da boa chuva, os mosquitos voando e sendo comidos pelos pássaros, principalmente as andorinhas e os bem-te-vis em mergulhos e piruetas que mais pareciam aqueles aviões “caças” nas guerras.
Três potes grandes, com panos amarrados nas bocas para coar a água (seria por isso, a justificativa do termo secular de “água potável”?) e algumas quartinhas que eram postas no parapeito das janelas para “gelar”. O pote da casa ficava sob vigilância do sapo “Merquíades”, num dos cantos da sala da casa, para evitar que osgas, baratas e moscas sujassem a água.
Não sei que horas eram, mas sei que era noite. Um estado febril desconhecido me nocauteou, após uma tarde inteira de brincadeiras no quintal da casa.
Como que saindo de uma penumbra, tive lucidez para perceber por detrás daquela fumaça que saía da xícara de chá, uma mão envelhecida que dirigia a xícara para a minha boca, enquanto a outra forçava meus ombros para facilitar a ingestão do milagroso chá de erva cidreira e uma pílula.
Chá bebido, aquelas mesmas mãos envelhecidas me acomodaram sobre o travesseiro macio e cheiroso, ao mesmo tempo que puxava o lençol para me cobrir por inteiro, e me dar mais conforto.
A porta da camarinha ficou entreaberta, o que me permitia, antes de fechar os olhos, ver a movimentação na cozinha.
Aquelas mesmas mãos envelhecidas cuidavam de pôr em ordem as tralhas usadas no dia a dia da cozinha. Em seguida, as mãos envelhecidas limpavam uma mesa, e sobre ela, estendiam uma toalha, depois mais outra e finalmente um lençol branco. Em seguida, aquelas mesmas mãos punham carvão num ferro de engomar, aproveitando para abanar com o abanador de palha, e garantir o ponto de passar do ferro.
Devo ter adormecido e não vi o que aconteceu depois. Mas, como o estado febril não me deixava dormir, acordei no meio da noite, e vi, ao lado do meu catre, uma cadeira de balanço com alguém sentado. Não vi quem era. Mas vi que, as mesmas mãos envelhecidas dos atos anteriores coziam em remendos umas roupas velhas de trabalho do meu pai.
O dia seguinte já estava claro, quando acordei e vi aquela mesma mão envelhecida, sobre a minha face, e em seguida na garganta, verificando se a febre continuava. Pude perceber que a mão cheirava a pó de café, e, além de envelhecida, tinha também muitas estrias de bondade.
Mãos envelhecidas que falavam sem soltar um único som. Que diziam tudo, ao mesmo tempo que não diziam nada – apena faziam. E, vi que, em muitas ocasiões, postas, serviam também para orar, conversando com Deus, como fazem todas essas mãos envelhecidas, calejadas e nobres.
Naquele lugar estranho, com tanto sol e pouca sombra, às vezes o calor impunha o ócio, como se fosse algo hipnótico. A pouca água que se tinha notícia, naqueles dias, era o suor de quem se expunha ao sol.
Mas, com um objetivo, Badiu não dava muita atenção às intempéries – e até conseguia esquecer o calor, por vezes bebendo o suor que lhe corria pelas faces negras, e ao mesmo tempo, molhando o sal que o corpo expelia. Como se árvore fosse, e estivesse vivendo o processo de fotossíntese.
Entre o calor que queimava, o suor salgado que corria pálpebras abaixo, e a falta de uma pequena sombra que fosse, Badiu optava por correr atrás da bola. Era a sua bola. A bola feita por ele – com pedaços de papel velho, e barbantes recolhidos no lixo.
Não era a bola que ele queria e sonhava. Mas, era uma bola sim!
– “Um dia desses serei um jogador bom, famoso, e com dinheiro suficiente para sustentar minha mãe, e comprar muitas bolas para as crianças”!
A bola na Badiu mantinha suas esperanças
Badiu aprimorava seu estilo de jogar, a cada dia. Jogava só. Não tinha adversários além do calor, e da falta de sombras.
Certo dia resolveu construir os traves, para onde mandaria a bola e faria vários gols. Golaços. Paus velhos, tiras velhas e pedaços de plásticos – o que garantiria aquele som inconfundível e uníssono das torcidas, quando acontece um gol do time preferido.
Eis que, num fim de manhã, ao chegar ao local do “treino”, Badiu encontrou seus traves destruídos, jogando ao léu todo seu esforço e ansiedade para um dia se tornar um jogador profissional.
Traves erguidas pela imaginação e carência infantil
No lugar do suor que caía pelo rosto, lágrimas tomaram o lugar. No lugar da alegria, o desespero por sentir que estava perdendo a chance de um dia ser alguém.
Ali onde Badiu aprendia na solidão, tendo como adversários o calor e a falta de sombra, seria erguido um conjunto residencial.