Quem põe as cartas na mesa Não causa desilusão Não golpeia uma amizade Não fere um coração Não mancha seu nome à toa Não engana, não magoa Pois marca sua posição.
Quem joga limpo na vida Porta aberta sempre deixa Demostra ter hombridade Não deixa brecha pra queixa Preza o nome que carrega Não finge não escorrega No estilo não desleixa.
Amizade é coisa rara Que se deve conservar Mas quando fica arranhada É difícil cultivar É como um vaso quebrado Que mesmo sendo colado As marcas irão ficar.
Poetas e poetisas, como vocês ficaram enternecidos com o fiofó da galinha, eu resolvi editar e postar a penosa ciranda de versos.
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Um dia uma galinha Com pena do fiofó Pediu suplicou a Deus Que dela tivesse dó Em tom de lamentação Fez sua reclamação Com seu cocorococó:
Senhor Jesus, me socorra Pois estou numa pior Meu fiofó é pequeno Não podia ser menor Quero ver se lhe comovo Diminua o meu ovo Ou me dê um cu maior.
Dalinha Catunda
Então, Jesus respondeu: Tenha santa paciência!!! O ovo tem que sair Não venha pedir clemência Pois quando o galo te pega O seu cu no dele esfrega Não sente dor, nem ardência.
Lindicássia Nascimento
O cão como é entremetido Entrou na conversa toda Disse: eu não tenho pena Dona galinha “gaitoda” Deixe de lamentações Eu, nas minhas orações Peço que você se fôda.
Paulo Filho
Jesus não pode atender Bem difícil tal pedido Outro cu mandar fazer Maiorzinho, pois duvido Faria tudo de novo Pra sair melhor um ovo Limpinho não espremido.
Dulce Esteves
Quando o pinto nasce grande Galinha fica feliz Porém quando é o ovo Pobrezinha, se maldiz Quieta dona galinha Pois foi assim que Deus quis
Euza Nascimento
A galinha era esperta O galo era um carijó Ela disse hoje eu não quero Fazer o cocoricó Fingiu que tava doente Mas o galo botou quente Pois ela era o seu xodó
Foi enorme o rebuliço Corre-corre no terreiro Carijó já foi dizendo Sou chefe do galinheiro Armo o maior quiproquó Mas só quero um fiofó E saiu bem sorrateiro.
Rivamoura Teixeira
Jesus falou irritado, Você vai compreender, Se você quiser trocar, Eu vou já lhe atender, Seu ovo com avestruz, A galinha disse: Jesus, Eu só vim agradecer.
Joab Nascimento
Dona penosa queria Ser grande como uma vaca Foi rejeitado o pedido Da pintadinha babaca Pra acabar a agonia Tem que fazer cirurgia Pra dilatar a cloaca
Araquém Vasconcelos
A galinha teve inveja Da codorna, sua vizinha Mas seu pedido não foi Atendido, pois não tinha A tal possibilidade Porque Deus quis na verdade Que ela nascesse galinha.
Vivaldo Araújo
Rejeitado seu pedido A coitada da galinha Com fiofó distendido Sofria ela sozinha Botar ovos todo dia Era grande à agonia Da penosa de Dalinha.
Dulce Esteves
Vai ver que a galinha quer Se transformar em codorna Só assim para o seu fundo Tudo mais fácil se torna. Mas a codorna tadinha Nunca quer ser uma galinha O ovo não sai retorna!
Gerardo Carvalho Pardal
Mas Jesus, mestre dos mestres, Como sempre, ensinando, Convenceu tanto a galinha, E ela ficou escutando… Agora vive feliz, De nada mais se maldiz, Dá o cu e sai cantando.
Anilda Figueiredo
Quantos cus tem a galinha, Pra suportar tanta dor? Agora tá explicado Porque faz tanto clamor; É a dor do ovo duro Ao sair pelo seu furo Sem ter lubrificador.
Arimatéa Sales.
Não sou de meter o dedo Onde eu não sou chamado Mas no tema do franzido É preciso ter cuidado Vai que nessa confusão Deus nos bote na questão E o nosso for trocado?!
Giovanni Arruda
Foi o jeito eu editar Pra obra ficar completa O fiofó da galinha Animou cada poeta E eu aqui com cu na mão Para fazer a edição Não pude tirar da reta!
Não tente apagar o brilho, Que carrego em meu olhar. Não queira conter o riso, Que insisto em ostentar. Sou mulher independente, É boa minha semente, Escolhi onde brotar. No solo que eu germino, O meu canto feminino, Não deixo ninguém podar.
Cangaceirinho: artesanato feito por esta colunista
Eu para fazer menino No tempo da mocidade Virava só os olhinhos Cheia de felicidade O tempo foi se passando E foi chegando a idade Lá se foi a primavera Meu Deus quanta crueldade Hoje pra fazer menino É uma dificuldade Preciso de agulha e linha Tecido em variedade Uma máquina de costura Só para essa atividade O tempo passa e faz dano Essa é a mais pura verdade E para meu desengano Com toda sinceridade Menino me arisco e faço E vendo por unidade. Mas é menino de pano Minha especialidade.
Eu sou mulher sertaneja! Feminina e singular O agreste me batizou Mas fiz do mundo meu lar Açoites patriarcais Não me podaram jamais Lutei pra me libertar.
Nunca fui igual a tantas Aceitando imposição Tinha o olhar aguçado Tinha rumo e direção Do meu jeito nordestino Sem drama sem desatino Segui cheia de razão.
Não fui mulher de ficar Debruçada na janela Eu queria muito mais Vi que a vida dava trela Na janela não fiquei A porta eu escancarei E joguei fora a tramela.
Uma estrada desenhei Do jeitinho que eu queria Nela pisei com firmeza Distribuindo alegria As veredas da tristeza Enfrentei sem ter moleza Recorrendo a rebeldia
Sou cearense da gema Onde o sol nasce encarnado A minha cabeça chata Faz parte desse legado Nunca me vi coitadinha Faca, tirei da bainha Pra riscar o meu traçado.
No Rio sou Paraíba, Em São Paulo sou baiana Minha nordestinidade Não me deixa ser fulana Na Feira dos Paraíbas Revejo em minhas idas Que nossa gente se irmana.
Não nasci pra ser piolho Tenho meu discernimento Jamais segui a manada Pra isso tenho argumento Prefiro ter meu poder Sem empoderada ser Só sigo meu pensamento.
Foi para sobreviver Que a Ana mulher sem ócio Abriu seu próprio negócio Sem falatório temer E se alguém quiser meter A Língua no que faz Ana A vendedora se dana E dá pro cliente um naco: Pode cheirar meu tabaco Ele é feito de imburana!
Com seu negócio montado Outra coisa ela não quer Pois negócio de mulher Sempre dá bom resultado Já que o seu tem prosperado Contratou logo sua mana E a dupla toda semana Faz zoada no barraco: Pode cheirar meu tabaco Ele é feito de imburana!
Chegou essa pandemia parecendo um vendaval. Confesso que fiquei mal de medo eu quase morria, e morrendo de agonia, hoje a Jesus eu recorro, morro pedindo socorro, pois penico eu já pedi: Ano passado eu morri, Mas esse ano eu não morro.
Joab Nascimento:
Eu já fui contaminado Por essa tal pandemia Juro qu’eu quase morria Com o vírus desgraçado Fiquei muito desgastado Nem sequer subi o morro Já no mato sem cachorro Mas logo sobrevivi Ano passado eu morri, Mas esse ano eu não morro.
Bastinha Job:
Vou dar uma de artista No mote de ZÉ Limeira Nascido lá em Teixeira E era surrealista Foi notável repentista Famoso igual ao Zorro Na décima então discorro Em Orlando Tejo li: Ano passado eu morri, Mas esse ano eu não morro.
Araquem Vasconcelos:
Aprendi vencer a morte Pois já morri uma vez Comigo não tem talvez Eu sou caboclo do Norte Vencer heróis é meu forte E se vier pega esporro Eu nunca pedi socorro E nem de medo eu corri Ano passado eu morri, Mas esse ano eu não morro.
Gevanildo Almeida:
Quando comecei saber Desse vírus condenado Fiquei desorientado Disse agora vou morrer Deus veio me socorrer No meu leito pôs um forro Com ele eu disse, não corro Seguir firme decidi Ano passado eu morri, Mas esse ano eu não morro.
Jairo Vasconcelos:
Quando chegou no Brasil Essa grande pandemia Me causando uma agonia Morreram duzentos mil Mantando mais que fuzil Chorando pedir socorro De medo quase eu escorro Me segurei não escorri Ano passado eu morri, Mas esse ano eu não morro.
Rivamoura Teixeira:
Foi sim eu morri de medo Me tornei um mascarado O mundo todo tomado De um virus do degredo Eu me levantava cedo Ia parecendo um zorro Se for me abraçar eu corro Faça boca de siri Ano passado eu morri, Mas esse ano eu não morro.
Francisco de Assis Sousa:
Eu já vivo é morrendo De medo todos os dias Entre susto e agonias Assim eu sigo vivendo Com tudo é me benzendo Até de espiro eu corro Uso máscara, alcool, gorro Não quero arribar daqui Ano passado eu morri, Mas esse ano eu não morro.
Creusa Meira:
Ao sentir que o dia nasce Abro os olhos com surpresa Vejo se não tem fraqueza Nas pernas, calor na face Respiro fundo, com classe E toda a casa, percorro A mais um dia, concorro Pra viver, estou aqui Ano passado eu morri, Mas esse ano eu não morro.
Ritinha Oliveira:
O vírus me derrubou Igual coice de jumento Fui ao céu dum passamento São Pedro me avistou Ao me ver se agoniou Gritou pedindo socorro Eu num mato sem cachorro Me expulsaram eu corri Ano passado eu morri, Mas esse ano eu não morro.
Giovanni Arruda:
O eterno Belchior Cantor de belas canções Teve nas composições Zé Limeira coautor Essa dupla infernizou Aquela turma do gorro Sofreu censura e esporro Mas resistiu que eu vi Ano passado eu morri, Mas esse ano eu não morro.
Vânia Freitas:
A nuvem ficou escura Vírus das trevas saiu E o pior que ninguém viu E nem vê a sua feiura Só atrás da lente dura E quem vê pede socorro Faz da cara um porta-forro É coisa que nunca vi Ano passado eu morri, Mas esse ano eu não morro.
Tião Simpatia:
Faz um ano que me escondo Desse corona maldito, Já não conto, nem recito, Engordei que tô redondo! O sol nascendo e se pondo Todo dia por trás do morro; Eu vi a morte de gorro, Mas acordei e me benzi… Ano passado eu morri, Mas esse ano eu não morro.
Em noite fria de outono De luar encantador A lua cheia brilhava Mostrando seu esplendor A noite estava tão bela Entreabri a janela Com meu ar contemplador
Ao apagar o abajur Ensaiando pra dormir Um rumor vindo de fora Eu imaginei ouvir Acheguei-me ao travesseiro Porém despertei ligeiro E vi meu sono sumir.
Foi quando ele sorrateiro No meu quarto penetrou E sem que eu me desse conta Nesse ambiente se espalhou Bem de leve me roçava Num sopro que acarinhava E o meu corpo despertou.
Chegou brando e carinhoso Confesso me satisfez Encantava-me a meiguice Afagando a minha tez E não achei que era abuso A visita desse intruso Oportunista talvez.
Inteiramente à vontade Eu me deixei seduzir Ele entrava, ele saía E eu gostando do ir e vir Cada vez que penetrava O meu corpo arrepiava meu anseio a consentir.
Foi visita relaxante Até um dado momento Ficou mais audacioso Intenso no movimento Meus cabelos, desmanchou Os lençóis, desarrumou Transformou-se totalmente.
Daí eu me levantei Tentando uma solução Tentei fechar a janela Mas faltou força na mão Depois desse vento forte Quase que perco meu norte Nos braços de um furacão.