O mané, que se julga estar exudando conhecimento e sabedoria por todos os orifícios, sempre foi muito fraco das ideias.
Mas parece que piorou bastante depois de “ter juntado os trapos”, por assim dizer, com uma “socióloga”, “cientista social”, sei lá, algo dessa natureza.
Vai ver pode estar havendo uma tranferência venérea de conceitos sociais e o gajo agora se acha capaz de instruir a macacada como votar.
E, com ele, o autor brinda os leitores com um belo poema, focado na descrição detalhada e na idealização da beleza feminina.
A ênfase no colo descoberto, na cútis de cetim e na linfa suspirada revela sua preocupação com a forma e a beleza plástica, transformando a mulher em um objeto de arte a ser contemplado, assim como uma estátua ou uma pintura.
Também chama a atenção no texto a apresentação da imagem dos “insetos zumbidores” em volta das “níveas flores”, que vem a ser uma das metáforas mais ricas do texto.
Por meio dessa imagem lírica, o poeta compara seus próprios desejos aos insetos que, de forma “sofregamente” (de forma ansiosa, faminta), cercam as flores – aqui descritas como “níveas” (brancas como a neve), simbolizando a pureza e a brancura da pele da mulher – transpondo assim o sentimento humano para um instinto natural e irresistível.
E, para complementar, o zumbido dos insetos traz uma sensação maneira de movimento e agitação que quebra o estado de paralisia típica dos momentos de contemplação.
Além da metáfora dos insetos zumbidores e níveas flores, o poema utiliza outros elementos sensoriais para construir e descrever a cena.
Em uma passagem o autor utiliza uma figura de linguagem baseada em exagero intencional sobre o olhar quente ao dizer que o seu olhar é tão ardente que poderia “crestar” (queimar) a pele da amada, demonstrando com isso a intensidade da paixão e do desejo físico.
Em outra passagem sobressai a descrição da reação física ao vislumbrar o objeto de admiração: A visão da mulher desejada provoca sensações físicas reais no autor (“que se sente tonto, “fremente o pulso”), mostrando como a beleza, para os poetas daquela época, era uma força avassaladora.
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NO BAILE – Afonso Celso
Ontem ao contemplá-la decotada, Ao primor do seu colo descoberto, Senti-me tonto, da vertigem perto, Fremente o pulso, a vista deslumbrada.
E, como em láctea fonte perfumada, Sorvi-lhe sonhos mil no seio aberto, Com a sede de um filho do deserto Que encontre enfim a linfa suspirada.
Giram em derredor das níveas flores, Sofregamente, insetos zumbidores… – Meus desejos então foram assim…
Mas arredei os olhos, de repente, Pois meu olhar podia, de tão quente, Crestar-lhe a fina cútis de cetim!
Tenho 72 anos no costado, e já vi e vivi coisas, que como diria minha bisavó Iaiá Alexandrina Belarmina Alencar, só Deus com jeito, pra acreditar.
Vi secas terríveis, gente com um saco vazio nas mãos querendo invadir locais onde se sabia, o Governo guardava “dicomê”; vi homens mendigando, trocando filhos, doando filhos (meu avô paterno teve dez e criou mais seis, doados pelos compadres;); vi fazendeiros trabalhando em frentes de serviço, limpando estradas ou velhos açudes em troca de um quase nada; vi muita gente arribando para nunca mais voltar, (eu fiquei 47 anos mundo a fora), e também vi a aposentadoria rural (aposentado pelo funrural, como dizia o povo), uma das medidas mais eficazes do governo militar.
Deu dignidade ao idoso rural, que de pedinte passou a ser árrimo da família. (Meu avô paterno foi um deles, o vei Adonias Alencar).
Mas também vi, esse mesmo instrumento de redenção, virar moeda de troca, fábrica de um novo tipo de sertanejo: “Sou apusentado graças ao gunverno”, recebo minha bolsa família, o gunverno paga minha luz, e ainda me dá um botijão de gás! Promode que eu vou curtir sole nas cacundas? Não matou ninguém de vergonha, mas viciou o cidadão…
Na maioria dos Estados nordestinos, segundo a imprensa, já existem mais pessoas dependentes dessas “benesses” , que com um trabalho formal.
A conta não fecha, e vai cair, ou melhor, já está caindo, no colo de quem trabalha, ou gera trabalho, imposto e renda. E só aumenta.
O que fazer não sei. Só sei que é assim com bem dizia Chicó.
E mais, temo que nada ou muito pouco vai mudar, tomando por base o Status Quo vigente.
E essa multidão de “novos escravos” vai elegendo de dois em dois anos os de sempre, ou os filhos dos “de sempre”…
O problema não é o palhaço que se propõe candidato.
O problema é que Banânia está infestada de imbecis.
Onde a vasta maioria é constituída de idiotas, obrigados a votar, quais serão as chances de algum paspalho que queira disputar uma eleição seja uma boa alma, ou ao menos minimamente inteligente e honesto?
Afinal o material sai das massas!
Nesse quarto de século Banânia foi, e está sendo, governada por material de décima quinta categoria, mas a merda foi posta lá pela vontade popular, o voto, não por força das armas…
Este soneto de Carlos Pena Filho é uma peça de refinamento estético que equilibra o desejo carnal com uma aura de mistério, fascínio e inacessibilidade.
Nesta obra o autor transforma a frustração do desejo em uma construção artística rebuscada, onde o corpo feminino é tratado como um santuário raro e, por isso mesmo, distante.
É interessante o modo lírico, criativo e elegante que ele utiliza para descrever o corpo da amada como um território geológico e biológico (musgo, ventre, concha, morada de anêmonas e polvos), sugerindo uma intimidade que, embora observada de perto, permanece impenetrável.
Diferente do que se vê hoje em dia, quando muitos têm dificuldade de aceitar eventuais recusas femininas a investidas amorosas (quando o não delas quer dizer não), chama a atenção a mensagem final, que é a da espera e aceitação resignada do admirador diante de um “corpo claro de fêmea” que, embora presente, se nega ao prazer, mantendo-se esquivo e inalcançável.
Trata-se, portanto, de um belo poema sobre a distância intransponível entre dois seres, onde a beleza e a atitude irredutível do ser desejado acabam por gerar uma mistura de perplexidade, solidão e frustração melancólica no poeta.