VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

Como diz a música de Chico Buarque “Meu Caro Amigo”, “a coisa aqui está preta”.

“Meu Caro Amigo” é uma das canções mais icônicas de Chico Buarque, lançada em 1976 no álbum Meus Caros Amigos. Composta em parceria com Francis Hime, a música é uma “carta musical” enviada ao dramaturgo Augusto Boal, exilado em Portugal, relatando de forma irônica e esperançosa a situação do Brasil durante a ditadura militar.

Os boatos e a perseguição dirigida a um homem de bem e sua família, especialmente seus filhos, estão tornando o nosso País um antro de gente ruim, bandidos e ladrões de colarinho branco. O clima está ficando irrespirável, com tanta maldade espalhada pelo ar. Na verdade, “a coisa aqui está preta…”

O arrastão que fizeram com o dinheiro do INSS ficou por isso mesmo. Disse o Poderoso Chefão, que quem foi prejudicado, ou seja, roubado, vai ser ressarcido até o último centavo. Mas não disse quando nem por quem. Mas fiquem calmos! Sabem quando será o ressarcimento?

– No dia em que a galinha criar dentes. Dia de São Nunca, do meio dia pra tarde! Esperem sentados, porque em pé, cansa…. E a catinga de enxofre, o perfume do diabo, continua no ar…

O hábito de se repudiar as flatulências existe desde os antigos egípcios, mas se intensificou na Idade Média, quando as pessoas passaram a relacionar o mau cheiro de enxofre, próprio dos gases, à inhaca que dizem que o diabo tem.

Algumas pessoas supersticiosas acendem velas para espantar o Demônio, quando sentem o mau cheiro de flatos espalhados pelo ar. Deve ser o mesmo odor das quadrilhas de ladrões que roubaram o dinheiro do INSS e que estão acabando com a soberania do Brasil. É humilhante demais, os pobres do INSS terem seu pouco dinheiro roubado por ladrões de colarinho branco, que já não tem onde guardar suas botijas de dinheiro roubado. É gente que fede e causa nojo a quem estiver por perto. Para esses ladrões, todo castigo é pouco.

Nos tempos antigos, havia o costume de se riscar um palito de fósforo, para acabar com o mau cheiro de flatulência que empestasse qualquer ambiente.

Martinho Lutero, inclusive, recomendava aos fiéis soltar puns para afastar o diabo.

O enxofre é um elemento químico com odor igual a ovos podres. Por isso, ninguém consegue suportar a catinga de flato sem demonstrar indignação.

O odor dos flatos provém de pequenas quantidades de sulfeto de hidrogênio (gás sulfídrico), enxofre e os mercaptanos livres na mistura.

O odor fétido dos flatos é causado por pequenas quantidades de compostos de enxofre produzidos por bactérias intestinais, especificamente sulfeto de hidrogênio (gás sulfídrico – \(H_{2}S\)), metanotiol (um tipo de mercaptana) e dimetilsulfeto.

Quanto mais rica em enxofre for a dieta, mais esses gases vão ser produzidos pelas bactérias no intestino, exalando odor cada vez pior, de ovos podres.

Alimentos como cebola, repolho, batata doce, milho, pimenta, couve-flor, leite e ovos são notórios por produzirem esses gases putrefatos.

Flatulência é muitas vezes referida, vulgarmente, como pum (onomatopeia), peido (do latim peditu), bufa, gases, bomba, traque (onomatopeia), entre outros nomes.

Pois bem. Décadas atrás, entrando pelo século passado, numa certa noite, em plena campanha política para prefeito de Nova-Cruz (RN) e governador do Estado, durante a realização de um acirrado comício da UDN, com a presença do candidato a governador Djalma Marinho, houve um acontecimento hilário: “Balançaram o pé de fava” e a catinga de enxofre fez com que o povo se dispersasse.

Alguém que parecia ter comido guisado de urubu, cozinhado no fogo do inferno, se infiltrou na multidão e “empestou” o comício com uma catinga de carniça e enxofre, que denunciava a chegada do Demônio ou da Besta Fera. No mesmo instante, Dona Nenem, que morava na Rua do Sapo, tinha fama de soltar gazes irrespiráveis, e era viciada em Comícios Políticos, gritou:

– EU NÃO FUI!!!

E uma voz forte de homem respondeu indignada:

– AH, CONDENADA INFELIZ!!! QUEM PRIMEIRO SENTIU, DO SEU LHE SAÍU!!!!

Muitos insultos foram dirigidos a Dona Neném, que perdeu a “classe” que, aliás, nunca teve, e respondeu com palavrões, pagando na mesma moeda.

Muita gente cuspiu e escarrou, e algumas pessoas chegaram a vomitar, com a sensação de que tinham engolido o “traque”.

Foi o caso de Lúcia, nossa vizinha, que estava com a tia no comício. A jovem chegou em casa doente, com a sufocante catinga do traque entranhada no nariz. Vomitou a noite toda. Estava gritando “Já ganhou”, de boca aberta, quando a catinga de carniça se espalhou no ar. Em pânico, a jovem botou na cabeça que tinha engolido o traque. Adoeceu na hora. Teve uma intoxicação violenta e passou 15 dias para se curar.

Nunca mais Lúcia quis saber de comício político.

Dona Neném já era conhecida, por expelir gases podres, onde quer que se encontrasse. Certa vez, acabou com o velório de um político, ficando, por alguns minutos, na sala da casa, apenas ela e o distinto “de cujus”.

Por isso, sua presença era evitada pelos conhecidos, em qualquer aglomeração. Era uma presença indesejável.

A história do comício se espalhou e Dona Neném ganhou a fama reiterada de ter sido responsável pela intoxicação de Lúcia. A ideia infeliz que a mulher teve de gritar “eu não fui !” quando a catinga se espalhou, contribuiu para que isso fosse uma declaração de culpa, ou melhor, uma confissão.

Valeu o ditado popular:

“Quem primeiro sentiu, do seu lhe saiu”!!!

Pela primeira vez, em Nova-Cruz (RN), alguém adoeceu por ter engolido um “traque”.

Este caso é Verdade e dou Fé.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *