Por trás do musgo silencioso e espesso,
que cresce no teu ventre desolado,
nasce um mundo obscuro e inusitado
que eu não sei se mereço ou desmereço,
Sei apenas que às vezes, quando teço
canções noturnas do prazer frustrado,
sou, nem sei por que sombras,
exilado para além do meu fim e meu começo.
Esse teu mundo, concha que é morada
de anêmonas e polvos, é mais raro
que a luz de Deus na noite abandonada.
E é por isso talvez que não se entrega
e me deixa a esperar teu corpo claro
de fêmea esquiva que ao prazer se nega.

Carlos Souto Pena Filho, Recife-PE, (1929-1960)
O poeta já é feio que só a peste, ainda escreve à pretendida;
Por trás do musgo silencioso e espesso,
que cresce no teu ventre desolado,
Musgo que cresce no ventre? Sério? Aí no fim vem com essa;
E é por isso talvez que não se entrega
e me deixa a esperar teu corpo claro
de fêmea esquiva que ao prazer se nega.
Coitada da moça que recebeu estes “elogios”
Este soneto de Carlos Pena Filho é uma peça de refinamento estético que equilibra o desejo carnal com uma aura de mistério, fascínio e inacessibilidade.
Nesta obra o autor transforma a frustração do desejo em uma construção artística rebuscada, onde o corpo feminino é tratado como um santuário raro e, por isso mesmo, distante.
É interessante o modo lírico, criativo e elegante que ele utiliza para descrever o corpo da amada como um território geológico e biológico (musgo, ventre, concha, morada de anêmonas e polvos), sugerindo uma intimidade que, embora observada de perto, permanece impenetrável.
Diferente do que se vê hoje em dia, quando muitos têm dificuldade de aceitar eventuais recusas femininas a investidas amorosas (quando o não delas quer dizer não), chama a atenção a mensagem final, que é a da espera e aceitação resignada do admirador diante de um “corpo claro de fêmea” que, embora presente, se nega ao prazer, mantendo-se esquivo e inalcançável.
Trata-se, portanto, de um belo poema sobre a distância intransponível entre dois seres, onde a beleza e a atitude irredutível do ser desejado acabam por gerar uma mistura de perplexidade, solidão e frustração melancólica no poeta.
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Por mais que tente desviar minha criatividade para o lado romântico-libidinoso da estética feminina, só consigo me recortar das cenas e personagens da saga Piratas do Caribe.
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