CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

PABLO MILANÉS – O CUBANO APAIXONADO PELO CAPITALISMO

Pablo Milanês (1943-2022) com a pequena Lynn e a esposa nos anos 1970

Encantou-se no dia 22 de novembro de 2022 na cidade de Madrid, Capital da Espanha, Pablo Paulo Milanés Arias – Pablo Milanés, aos 79 anos, o compositor de Yolanda, uma das músicas românticas mais executadas nas rádios e programas de TV dos anos setenta, oitenta, noventa e lá vai o trem, que o canto e compositor cubano fez para sua então esposa Yolanda Benet, que acabara de da à luz à Lynn, a primeira filha do casal e que ele não pôde assistir ao parto, pois estava viajando a compromissos.

Chico Buarque versificou Yolanda para o português, mantendo a mesma essência da canção e a interpretou magistralmente com a cantora Simone, fazendo a canção conquistar o Brasil inteiro.

O crítico musical, ex JC, José Teles, prestou uma grande homenagem a Pablo Milanés em crônica recentemente publicada, que segue reproduzida abaixo:

“Uma das canções mais tocadas do repertório de Chico Buarque é a versão que ele fez para Yolanda, do cubano Pablo Milanés, cuja morte foi anunciada nesta terça-feira, 22 de novembro. Ele estava com 79 anos, e morava há alguns anos em Madri. Mudou-se para a capital espanhola pelas melhores condições que oferecia para o tratamento da doença hemato-oncologica contra a qual lutava há alguns anos (submeteu-se também a um transplante de rim).”

“Um dos principais nomes da Nueva Trova, movimento renovador da canção de Cuba, fez amizade com Chico Buarque, nos anos 70, quando este foi à ilha para participar de uma comissão julgadora do prêmio literário La Casa de Las Americas, o que rendeu parceria, e a divulgação do trabalho de Milanés no Brasil.”

“Iolanda (sem o “y” na versão em português) foi um dos maiores sucessos de Simone, e continua sendo obrigatória em seus shows. Foi gravada por ela, com participação de Chico Buarque, no álbum Desejos, de 1984. Pablo Milanés teve uma popularidade no Brasil que raros artistas cantando em espanhol obtiveram desde os áureos tempos do bolerão. Da música cubana, Antes dele, somente Bienvenido Granda, “El bigode que canta” nos anos 50 e início dos 60.”

“Milanés foi gravado por muita gente da MPB, Fagner, MPB-4, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Jessé, Miúcha, Diana Pequeno, a lista é longa, e inclui sertanejos, e bregas. O próprio Milanés gravou um disco ao vivo no Brasil, com participações de Elba Ramalho, Chico Buarque e Caetano Veloso.

Apologista ferrenho da revolução cubana, e de regimes de esquerda da América Latina, Pablo Milanés não fazia o tipo “uns mandam, outros obedecem”, pelo contrário. Ele condenava os desvios do regime. Denunciou os métodos stalinistas implantados no governo de Fidel Castro, em seu rígido alinhamento com a então União Soviética. Foi confinado, num campo de concentração, na província de Camagüey, com artistas, intelectuais, homossexuais, religiosos, pessoas não sintonizadas com as normas do governo.

Em 2015, ao jornalista Maurício Vicenti, do El País, Pablo Milanés falou, sem dissimulação, sobre os quase três anos em que esteve preso:

“Nunca me perguntaram tão diretamente sobre as UMAP (ironicamente, Unidades Militares de Ajuda à Produção). A imprensa cubana não se atreve e a estrangeira desconhece a nefasta transcendência que aquela medida repressora de caráter puramente stalinista teve. Estivemos ali, entre 1965 e finais de 1967, eu e mais de 40 mil outras pessoas, em campos de concentração isolados na província de Camagüey, realizando trabalhos forçados desde as cinco da madrugada até o anoitecer, sem nenhuma justificativa nem explicações, e muito menos o perdão que estou esperando que o Governo cubano peça.

Eu tinha 23 anos, fugi do meu acampamento — e me seguiram mais 280 companheiros que estavam presos no mesmo território que eu — e fui a Havana para denunciar a injustiça que estavam cometendo. O resultado foi que me enviaram por dois meses à prisão de La Cabaña, e depois fui transferido para um acampamento de castigo pior que as UMAP, onde permaneci até que essas unidades fossem dissolvidas devido à pressão da opinião internacional”. Porém, Pablo considerava estes percalços acidentes de percurso, afirmando que não ser revolucionário seria trair sua própria consciência.

Lynn e Yolanda Benet

Há pelo menos 50 gravações de Yolanda no Brasil, realizadas por nomes dos mais diversos nichos, da Citada Simone a Lairton dos Teclados, Chrystian & Ralf, Glória Maria, Sonia Santos, Elymar Santos, Selma Reis, Guto Franco (filho de Moacir Franco), Elba Ramalho entre muitos outros intérpretes.

Yolanda foi composta em 1970. Pablo Milanés era casado com uma produtora de cinema e TV, Yolanda Benet. Ele estava em turnê quando nasceu sua primeira filha, Lynn. A saudade da mulher, e a vontade de ver a filha, o inspiraram a compor a canção, tão popular no Brasil que muita gente acredita que é de Chico Buarque. Iolanda é cantada em coro nos shows de voz e violão pelos barzinhos país afora, ao lado de eternos sucessos feito Amélia (Ataulfo Alves/Mario Lago), ou Mulher Brasileira (Benito di Paula).”

Yolanda com Chico Buarque e Pablo Milanez

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PERIGO PARA A NAÇÃO: UM PSICOPATA DESCONDENADO À SOLTA

O descondenado canalha em traje de demônio

Esse é o presidente TSE/STF que vamos ter de engolir durante 4 anos, caso Maria Caetana não o empacote num paletó de madeira antes.

A entrevista de Lula ao Jornal da Globo Lixo, antes das eleições, lembrou uma passagem memorável do filme inglês The King’s Speech (2010), (“O Discurso do Rei”), ganhador do Oscar de melhor filme de 2011.

O filme conta a história de George VI, o pai da Rainha Elisabeth II, que era gago e não sabia discursar justamente em um momento em que o povo inglês e o mundo precisavam de alguém que levantasse o moral diante da possibilidade da guerra.

Na cena, após assistirem um trecho curto de um poderoso e inflamado discurso de Hitler em uma projeção caseira, a jovem Elisabeth perguntava ao pai sob o que aquele homem estava falando. George disse que também não saber, “mas, parece que ele está falando muito bem.”

O filme mostra que psicopata domina a oratória de forma mais tranqüila, pois não tem outro compromisso, a não ser alcançar os seus objetivos pessoais..

Lula sempre falou bem e encantou imbecis. Não porque tem algo de bom a dizer ou oferecer ao mundo. Falar a verdade é difícil. Encarar os fatos é complicado.

Lula se sai bem falando e discursando porque seu discurso não tem compromisso nenhum com a verdade, com a honestidade, com valores morais, com coerência, com nada.

Há diversos vídeos circulando nas Redes Sociais onde Lula diz que fala o que quer, inventa o que quer, enrola como quer e todo mundo acha lindo. Trata-se do velho apreço de parte do povo brasileiro pelo canalha bom de lábia. Aquela gente que prefere ser enganada com simpatia do que fazer o certo que a antipatia acena.

Somos um povo superficial. Lula nunca responde perguntas. Tira nomes e números do bolso, inverte questões, sorri no momento certo, dá as pausas corretas, finge intimidade. É provavelmente o ator mais talentoso da nossa história política. Um ator, um oportunista, um engana trouxa, numa terra pródiga de trouxas.

Não carrega dentro de si bondade alguma ou mesmo uma alma que valha apenas ser analisada. Trata-se de um dos maiores – senão o maior – canalha da nossa história. Uma das personalidades mais odiosas que já adentrou o Palácio do Planalto.

Esse homem ter nascido no Brasil – sobretudo no Nordeste, em Caetés – é a comprovação de que somos uma Nação sem sorte.

De longe, um dos momentos mais asquerosos da sua entrevista à Globo Lixo, antes das eleições, foi, ao nosso ver, algo extremamente emblemático da carreira política de Lula e da cultura do nosso país.

Poucas vezes, enxergamos o Brasil tão completo e de forma tão límpida. Minutos antes desse momento, Lula comparou a falácia do “Orçamento Secreto” com o crime do mensalão. Bonner, que desistiu de ser jornalista há anos, fez cara de paisagem. Ali ouvimos que a coisa não acabaria bem. Mais na frente, Lula ligou seu sorriso de malandro esperto àquele do sujeito que resolve tudo do jeito dele e criticou, em Rede Nacional, quem tenta agir corretamente. Lula disse que Bolsonaro é “um bobo da corte.” “Não manda em nada” – finalizou.

Pouca gente observou, mas boa parte dos que estávamos assistindo ao debate na Globo Lixo, presenciamos tudo que há de errado nesse país. Bolsonaro não manda em nada. Simplesmente porque um presidente não faz o que quer. Ele deve jogar dentro das regras das leis. O que Lula disse é que ele sabe jogar melhor por não respeitar nada e ainda se gaba disso diante de todo mundo.

Não se trata de uma opinião apenas. É facílimo comprovar tudo que estamos dizendo. Pergunte a qualquer bandido o que é que ele acha de você ou de uma pessoa honesta. Ele vai dizer, exatamente, o que Lula disse na Globo Lixo, a William Bonner, sobre Bolsonaro – “o homem honesto é otário, é um bobo, não manda em nada.” A mensagem de fundo desse tipo de pessoa é: “você é um babaca.” “Esperto sou eu que faço tudo errado e ainda me dou bem.” “Eu não estou aqui.”

Esse é o Lula cagado e cuspido. E isso é o Brasil.

É nesse tipo de descaramento que milhões de pessoas preferiram votar. Que Lula ainda tenha tantos admiradores explica muito porque vivemos em um país que não tem vocação para dar certo. Minha maior sorte na vida foi aprender desde cedo que o Demônio é sempre sedutor. Quem ceder seu voto a ele, seja pela desculpa que for, pelo motivo que for, merece o Inferno que esse homem já trouxe ao país e que ele agora promete trazer de volta. Quem tiver condições que saia. A reeleição de Lula foi o maior e mais merecido castigo da nossa história.

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MARIA BAGO MOLE ROMPE O CABAÇO NA VÉSPERA DE SÃO JOÃO

Em uma noite festiva como nunca se via naqueles tempos no Nordeste, início do Século XX, a cafetina mais famosa e charmosa daquela região, que fundou O Cabaré de Maria Bago Mole, referência regional, escolheu perder o cabaço para o coronel Bitônio Coelho, o fazendeiro mais respeitado da Zona da Mata Sul de Carpina (PE), num dia de sábado, lua cheia, sem nuvens, sem chuvas, e o povo comemorando os festejos juninos à beira das fogueiras, soltando traques, busca-pés, peidos de veia, bombas caseiras e muita comida feita a base de milho, à mesa.

Era mês de São João, tempo em que tudo respirava festa, rela bucho iluminado por candeeiro e lamparina, alegria no vilarejo, com muita fartura de pamonha, canjica, milho assado na cozinha da mesa do povo da Vila dos Vinténs. Nesse dia o cabaré estava em festa, com tudo sobre o controle da cafetina que não deixava nada dar errado. As meninas enfeitadas sem excesso de maquiagem, sem a aparência das garotas do Natanael, do cabaré do filme Django.

À noitinha chega ao cabaré o coronel Bitônio Coelho, montado em seu cavalo alazão branco todo serelepe, os pelos brilhando no reflexo das lamparinas instaladas por Maria Bago Mole nas janelas no térreo do cabaré. Como sempre costumava fazer, para não ter aborrecimentos depois, a cafetina reuniu as dezoito meninas no quarto do aposento dela, e as alertou, depois de consultar-lhes, uma a uma, a maquiagem.

– Trate bem dos seus homens. Não os deixem faltar nada. Deixe-os usufruir de todos os prazeres da carne e da bebida. Ofereçam muita comida e bebida. Não se esqueçam que quando chegam aqui os homens estão atrás de diversão e prazeres e procuram encontrar em vocês. Não se neguem a dar. Não se esqueçam que o sucesso “da casa” depende de vocês que são o produto almejado por eles. Vigiem tudo. Qualquer malquerença que houver revolva na conversa, no diálogo e, se mesmo assim, houver excesso no parceiro, leve-o para o quarto, tranque a porta, tire a roupa pela metade, mostre seus atributos sensuais e, depois, seja lá o que deus quiser, porque homens gostam de atenção. Eu vou estar ocupada com o meu amor nos nossos aposentos. Hoje eu vou dar o que nunca dei a ele, com as duas janelas abertas e a lua iluminando nossos desejos.

Depois desse bate papo com as meninas, Maria Bago Mole ainda sondou todo o cabaré, checou detalhes por detalhes das comidas e bebidas da despensa, verificou se estava faltando alguma coisa, desejou sucesso e diversão a todos os presentes e se mandou para os aposentos, onde já esperava por ela, todo tímido e desajeitado, o homem mais cobiçado e respeitado da Zona da Mata Sul da Região de Carpina (PE).

Apaixonadíssimo pela cafetina e sem poder esconder o nervosismo, Seu Bitônio Coelho deixou escapar alguns segredos de alcovas. Como se comportar sem roupa, nu, ante a mulher amada? Se beijasse a cafetina, e por onde começar as preliminares? Tantas eram as dúvidas e o nervosismo que o coronel a pediu para apagar a lamparina para mergulhar por baixo do lençol e a cafetina não o olhasse nu.

Nesse momento, com toda sua experiência lidando com homens no cabaré sem se envolver com nenhum dele, Maria Bago Mole, chamou o feito à ordem, pegou nas mãos do coronel, arrancou-lhe o pijama e começou a lhe fazer as preliminares para intumescer os desejos.

Com menos de meia hora de excitação, Seu Bitônio Coelho, já estava relaxado e pronto para viver com a cafetina os desejos de um homem. Antes de ele a possuir, ela o beijou por todas as partes, fez barba, cabelo e bigode. Feito isso, perguntou-lhe o que estava sentindo.

Ao que ele respondeu:

– Nada do que eu pensava do sexo, – e beijou sua amada na boca com um beijo tão ardente que ela sentiu sufocada, mas nada disse. Foi assim até amanhecer o dia com o sol avisando que as estrelas já tinham se ido.

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LINCOLN (2012)

SÓ A INTERPRETAÇÃO DE DANIEL DAY-LEWIS TORNA O FILME UM CLÁSSICO

Imagem do filme LINCOLN (2012), dirigido magistralmente por Steven Spielberg

A abertura do clássico filme Lincoln do diretor Steven Spielberg traz uma poderosa e rápida cena de batalha na etapa final da histórica “Guerra Civil Americana”, muito semelhante às magistrais sequências de confronto nos filmes “O Resgate do Soldado Ryan.” (1998) e “Cavalo de Guerra.” (2011).

Na cena de abertura, soldados lutam em um grande campo de terra enlameado pela forte chuva, espadas e rifles, ceifando centenas de vida a cada segundo. De fato, Spielberg já demonstrou que sabe fazer filmes com temática de guerra como poucos diretores, porém, em Lincoln, após os primeiros minutos, o cineasta se supera a nos contar com maestria a história dos últimos meses de vida do mais popular presidente americano de todos os tempos, Abraham Lincoln, deixando, assim, os momentos de batalha de lado e apostando, seguramente, em desenvolver uma minuciosa cinebiografia do presidente acerca de uma forte temática política com base em fatos que mudaram o curso da história da humanidade.

Como já dito anteriormente, a superprodução desenvolve uma cinebiografia do 16.º presidente norte-americano que liderou o Norte dos Estados Unidos na vitória durante a Guerra Civil Americana (também conhecida como “Guerra da Secessão”). O longa enfatiza os tumultuados meses finais do presidente Lincoln no cargo do primeiro mandato. Em um país dividido pela guerra e varrido por fortes ventos de mudança, Lincoln (Daniel Day Lewis) segue estratégia para encerrar a guerra, unir o país e abolir a escravidão. Com coragem moral e determinação férrea de vencer, suas escolhas nesse momento crítico mudaram o destino das gerações futuras.

Logo que Lincoln aparece em cena (em um belíssimo momento, por sinal) já vislumbra a nítida impressão da tendência narrativa que o diretor Spielberg desenvolverá: endeusar a figura do herói americano (repare, por exemplo, no momento em que o quadro se abre aos poucos até que apareça o presidente – quase sempre em primeiríssimo plano ou em perfil, aliás). Além disso, o roteiro ainda faz questão de enfatizar os dramas familiares de Lincoln a fim de humanizá-lo e gerar maior familiaridade com o espectador, para que este, posteriormente, venha a se comover com a lamentável e histórica morte do presidente – e isso não é spoiler, obviamente. Porém, apesar de não ser um problema comprometedor, tal opção soa desnecessária no filme que traz, por si só, um herói que não precisa de nenhum excesso narrativo para carregar o filme do início ao fim – ainda mais quando interpretado por um dos melhores atores da atualidade, Daniel Day Lewis, ganhador do Oscar de melhor ator.

Roteirizado por Tony Kushner, John Logan e Paul Webb – baseado na obra de Doris Kearns Goodwin, “Lincoln” é um dos melhores filmes sobre a política americana já feitos. As cenas de debate entre políticos com opiniões gritantemente divergentes a respeito da 13.ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos da América (que, evidentemente, pôs fim a escravidão e justificou os direitos entre negros e brancos) são excepcionais.

E, mesmo que certos termos políticos possam causar estranheza, o trabalho de pesquisa da equipe de Spielberg é admirável desde simples nomes a grandes acontecimentos – muito deles envolvendo a corrupção de compra de votos de vários políticos. E é justamente nesses momentos – que são, sem dúvidas, os melhores e mais vibrantes do longa – que Tommy Lee Jones brilha em uma atuação excelente como ator coadjuvante (não precisa nem dizer que seria merecido caso ele viesse a receber o Oscar – apesar de que todos indicados sejam fortíssimos e igualmente merecedores).

O ator, facilmente, garante o êxito de todas as cenas onde Lincoln não aparece; porém quando Daniel Day Lewis está em cena não tem para ninguém. Chega a impressionar a facilidade com a qual o brilhante ator interpreta o presidente como já tivesse atuado no papel toda sua vida; Daniel, de fato, domina as características de Abraham Lincoln magistralmente, começando pelas pequenas expressões faciais, passando pelo jeito de andar e impressionando a todos com seu perfeito trabalho vocal (e, mesmo sendo admirador das atuações dos demais concorrentes ao prêmio de melhor ator ganhador do Oscar seria um pecado não contemplar o divino trabalho do sempre perfeccionista Daniel Day Lewis).

Contando com um desing de produção definitivamente impecável, “Lincoln” se torna um filme genuinamente exuberante. A direção de arte (de Curt Beech, David Crank e Leslie McDonald) é extraordinária, os figurinos são riquíssimos em detalhes, a maquiagem é formidável e a trilha musical – além de tocante – é quase sempre adicionada precisamente pela edição (mesmo que a composição de John Williams possa, em alguns momentos, soar insistente). Isso sem mencionar a primorosa fotografia de Janusz Kaminski, quase sempre azulada e nebulosa, transmitindo toda a tensão e tristeza daquela época (mas, mesmo em meio a tamanho temor, Spielberg faz questão de contrastar os escuros figurinos e os tristes cenários com a luz solar que constantemente resplandece através das janelas da Casa Branca remetendo diretamente à esperança que, em tempos sombrios, ainda persiste – sempre, claro, focalizando a figura do presidente de modo questionável).

Mas se, por um lado, Steven Spielberg, em trabalhos anteriores, esbanjava – em algumas vezes até mesmo exagerava – na dose de ação em marcantes cenas de batalhas; em “Lincoln”, por outro, o cineasta desenvolve uma narrativa lenta, com longos diálogos e monólogos e intermináveis cenas – o que, certamente, prejudica diretamente o ritmo do filme e exige maior paciência do espectador. E não é exagero algum dizer que em alguns momentos a narrativa se torne demasiada e excessiva, fazendo com que tenhamos certeza de que Spielberg cometeu alguns erros ao concluir tal versão final do longa que, certamente, poderia ser editada (deméritos para a montagem que, embora seja inegavelmente cuidadosa, possui explícitos problemas de envolvência e fluidez).

Então, mesmo que vagarosamente, o filme chega a seu ótimo clímax que – aí sim – Spielberg conduz muito bem (repare, por exemplo, no ágil corte no momento chave do terceiro ato quando o diretor opta, ao invés de manter o foco na câmera dos deputados, em focalizar em outro lugar a face aflita de Lincoln, que, assim como a maioria, recebe a tão esperada notícia de que a 13ª Emenda havia sido aprovada por meio de fervorosas badalas no sino da Casa Branca, que anunciam a “paz” que estava por vim).

Enfim, não há dúvidas de que “Lincoln” é um filme grandioso, uma obra-prima – justificando suas 12 indicações ao Oscar. Magistralmente produzido, com um roteiro ousado e seguramente colocado em prática por Steven Spielberg – no caso, adotando uma linguagem diferente de seu estilo habitual, que, sem dúvidas, dividiu e ainda dividirá opiniões. No mais, um longa que, apesar de seus problemas, nos conta convincentemente sua história baseada em fatos históricos que jamais serão esquecidos, e, sobretudo, presta uma homenagem mais do que merecida a um verdadeiro herói da humanidade – e não somente americano. Portanto, resta dizer que, sim, o filme cumpre seu papel como cinebiografia política magna, que será sempre lembrado mais pela poderosíssima atuação de Daniel Day-Lewis, personificando o presidente Abraham Lincoln, do que por ser uma obra-prima.

a) Lincoln – Trailer Oficial Legendado

b) Daniel Day-Lewis winning Best Actor for “Lincoln” (2013).

Clique aqui para ver.

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MARIA BAGO MOLE E O POETA ROMANO JUVENAL

Si Si -Bar do sonho de Maria Bago Mole, que concretizou

Com suas obrigatórias idas e vindas ao Mercado Livre do Centro da Cidade de Carpina (PE), na Rua Ipiranga, todos os dias, manhã cedo, para comprar os mantimentos necessários para abastecer a despensa do seu pequeno comércio, que crescia a olhos vistos, com a chegada de mais trabalhadores da palha da cana nos engenhos das imediações, a cafetina mais sana in corpore sano da Vila dos Vinténs, a cada dia vibrava com o estrondoso crescimento do embrião do cabaré. Procurava-lhe não poder atender, a seu jeito, a grande quantidade de homens com estômagos vazios por falta de mão de obra qualificada nas imediações: cozinheiras, arrumadeiras e atendentes para despacharem com os fregueses as refeições. Tudo teria de ser improvisado na hora para não desagradar os trabalhadores famintos.

Mulher inteligente e arrojada em suas atitudes empreendedoríssimas, Maria Bago Mole, sempre que passava em frente ao empório do Seu Adamastor Salvatore, imigrante italiano, para comprar mantimentos, observava um letreiro em forma de poema que ele pregava de frente do seu comércio. Era uma tabuleta de madeira, esculpida a mão por um artesão da redondeza, gênio da raça desconhecido. Na tabuleta havia grafado um poema do poeta romano Juvenal. No contexto, a frase era a parte da resposta do autor à questão sobre o que as pessoas deveriam desejar na vida.

No cabeçalho da tabuleta estava escrito em letras garrafais: MENS SANA IN CORPORE SANO (“uma mente sã no corpo são”), que Bago Mole não entendia o significado, mas ficava fascinada pelo som das palavras, ao ponto de decorar o poema e balbuciá-lo ao Sol toda manhã quando saia do cabaré para comprar os mantimentos:

Deve-se pedir em oração que a mente seja sã num corpo são.
Peça uma alma corajosa que careça do temor da morte,
que ponha longevidade em último lugar entre as bênçãos da natureza,
que suporte qualquer tipo de labores,
desconheça a ira, nada cobice e creia mais
nos labores selvagens de Hércules do que
nas satisfações, nos banquetes e camas de plumas de um rei oriental.
Revelarei aquilo que podes dar a ti próprio;
Certamente, o único caminho de uma vida tranqüila passa pela virtude.

Tudo isso prova por que a adolescente que foi expulsa de casa pelo pai, com apenas 17 anos por ter sido difamada por um aventureiro salafrário, ter conquistado o amor do fazendeiro Bitônio Coelho, o homem mais rico e poderoso da Região da Zona da Mata Sul de Carpina, PE, era uma mulher de mente sana in corpore sano e à frente do seu tempo.

Tudo isso corrobora que a mulher que teve a visão de transformar um vilarejo inóspito, caótico, sem vida, numa comunidade próspera, construindo um cabaré que se tornou referência em toda circunvizinhança, numa época em que não existia lamparina, tinha de ser uma empreendedora que enxergava longe.

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A VIDA DIFÍCIL DE MARIA BAGO MOLE NO INÍCIO DA PROFISSÃO

A vida não foi fácil para a cafetina Maria Bago Mole no início da profissão. Teve de ralar muito para chegar onde chegou, mas desistir para ela era uma palavra que não existia no seu vocabulário! Muita noite de sono ela teve de passar acordada, cochilando ao relento, dentro de um quarto de um barraco improvisado, feito de madeira de jacarandá e revestido de argila, coberto por palha de coco, para se levantar no outro dia de madrugada e preparar, junto com uma vizinha da Vila do Vintém que se propôs a preparar com ela, o café dos cortadores de cana de açúcar, que por ali chegavam logo cedo sem comer, para a labuta na palha da cana dos engenhos, em carroça de burro. 

Bago Mole não tinha tempo para pensar na vida, cuidar dela própria, ser feliz, porque o trabalho lhe exigia a presença constantemente. Ficava tão focada na luta diária da cozinha da bodega que a sua diversão eram as panelas para lavar, a água para colher no riacho que passava por trás do barraco para lavar os pratos e as roupas, o fogão de lenha para fazer a comida dos cortadores de cana, as suas idas e vindas diárias ao Mercado no Centro da Cidade para comprar mantimentos para preparar a comida dos homens. Afinal de conta a barriga não espera quando está vazia e a fome dar dor de cabeça quando não tem comida no estômago. 

Fora nessa época de grande movimento na feira do Mercado da Cidade, e observando com grande perspicácia e tino comercial, que Maria Bago Mole teve a ideia de montar um comércio igual ao do mercado no seu pequeno espaço, onde havia muito embargues e desembarques de homens para cortarem cana nos engenhos. Naquele dia em diante a cafetina percebera que seu destino estava traçado e que ela estava disposta a transformar o vilarejo dos vinténs num Secos e Molhados de progresso e prosperidade. 

Nascia, ali, o embrião do Cabaré de Bago Mole, para a felicidade do pessoal da Vila que vivia da plantação de raiz de mandioca, batata-doce, macaxeira, inhame e outras raízes de subsistência, e para felicidade dos homens que já podiam reivindicar a instalação dum cabaré para se divertirem nos finais de semana, terminado o expediente do corte da cana.    

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JOÃO GOMES E A POLÊMICA DO SHOW NO MARCO ZERO

O percuciente jornalista e pesquisador musical da MPB, José Teles, do Jornal do Commercio, um dos melhores do Brasil na atualidade, lança sua impressão a respeito do “cantor” serritense e questiona por que a Prefeitura do Recife não cobra pelo espaço ocupado pela gravação do DVD do dito-cujo.

A esquerda não foi idealizada visando o bem estar do povo, mas a sua idiotização

A seguir transcrevo o texto de José Teles.

* * *

O show de João Gomes, nesta quarta-feira aqui no Recife, no Marco Zero, é típico do mercado da música no Brasil neste século 21. O cantor, de Serrita, no Sertão Pernambucano (onde acontece a Missa do Vaqueiro), tem milhões de seguidores, paradoxalmente, a maioria das pessoas não sabe quem é ele, nem conhece sua música. Não se trata de gerações diferentes, ou como dizem os americanos, generation gap. Os coroas, ou caretas, de outros tempos, sobretudo do século passado, podiam não gostar de Roberto Carlos, Caetano Veloso, Raul Seixas, Legião Urbana, mas sabiam quem eram, e conheciam suas músicas. Esta é mais uma celebridade impulsionadas pelas mídias sociais feito o Tik-Tok, ou Instagram.

João Gomes entra em cena com todo um projeto pronto. Sua divulgação acentua os milhões de seguidores, os milhões de plays nas plataformas digitais e, neste caso especifico do citado show, a estrutura monumental pra gravação de DVD (pra vender a quem? Ninguém compra mais DVD). Fala-se pouco da música do jovem. Uns poucos atrás, Wesley Safadão era divulgado pelo valor do cachê, que a partir daí chegou à estratosfera.

No blog do Jamildo, no JC Online, informam-se os cachês que o cantor vem recebendo de prefeituras, e órgãos públicos em Pernambuco. Chega perto dos 4 milhões de reais. Dinheiro pago à JG Shows Ltda.

João Gomes deveria ser convidado pelo próximo presidente pra ser do ministério das finanças. Com apenas 20 anos, três de carreira, recentemente ele esvaiu-se em lágrimas ao estrear no palco principal do São João de Caruaru. Agora mostra que já conseguiu montar uma estrutura que artistas veteranos como Alceu Valença, Gilberto Gil ou Roberto Carlos não ostentam. Aliás, dois artistas veteranos participam do show, Fagner e Wanessa da Mata, talvez, não apenas por amor ao piseiro.

A prefeitura do Recife, segundo o blog do Jamildo, não pagou pelo show do Marco Zero hoje. Se pagasse seria de estranhar. O município deveria era receber pela cessão do local para o cantor. Que vai usufruir de um dos cenários mais belos do país. Também pelos transtornos a que submeteu à população, com tantos bloqueios de ruas, num começo de noite, numa cidade de mobilidade já critica. Por que não iniciar às 21h? E tudo isto pra que uma produtora de shows promova João Gomes, e mais três artistas do mesmo nicho musical, divulgados de última hora, que participam da apresentação (ganhando assim uma oportuna e valioso exposição).

Alega-se que tais shows com cantores popularescos, e bombados na web, divulgam a cidade. O Recife tem beleza, história e cultura que dispensam tal tipo de divulgação.

Andy Warhol foi autor da célebre frase “No futuro todos serão famosos por 15 minutos” e “Eu sou uma pessoa profundamente superficial”.

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CLARA NUNES – 80 ANOS MENOS LEMBRADOS DE VOZ E OBRA

Disco para a história de Clara Nunes (1980)

No último dia 12 de agosto, como bem lembrado pelo percuciente pesquisador e crítico musical, José Teles, Clara Nunes completaria 80 anos. Por cá, valoriza-se mais compositor do que intérprete, sobretudo alguém que morreu há 39 anos.

Clara Nunes foi uma das grandes vozes da música popular brasileira nos anos 70, mas seguia a tradição das cantoras do rádio. Cantava, simplesmente. Não pertenceu a movimentos, grupos, nem gravava para um determinado público.

Rotulada de sambista, ia além do gênero, foi extremamente versátil. Teve entre seus principais sucessos o arrasta-pé Feira de Mangaio (Sivuca/Glorinha Gadelha), embora o forró fosse uma eventualidade no seu repertório.

Iniciou a carreira em Belo Horizonte, e logo comandaria programas na TV Itacolomy, A Voz Musical de Minas, Viagem Musical Vasp, Clara Nunes Apresenta. Este último encerrou sua carreira em BH, em 1965, quando se mudaria para o Rio. No carnaval, como toda cantora de rádio, ia de músicas da de época. Gravou sambas carnavalescos, mas confessou, em entrevista à revista Intervalo, em 1967, que não era a dela:

“Prefiro morrer de fome a aceitar parceria em samba ruim que não é meu. Sei que os cantores veteranos que só aparecem no carnaval fazem isso: exigem parceria para cantar a música, pois sabem que são os direitos autores que fazem entrar dinheiro, mas comigo isso não pega”.

Clara Nunes, até então era uma cantora de estilo indefinido. Seu único sucesso nessa fase foi com a balada Eu Você e a Rosa, versão de Geraldo Figueiredo, um hit italiano de Orietta Berti de 1967.

Ela gravou dois sambas para o carnaval de 1968, Chorar, Chorei (Jair Amorim/Zequinha), e A Noite (Almeidinha/Roberto Muniz), mas não considerava sua praia: “É o tipo de trabalho que cansa demais e não rende nada. Mas já que gravei vou trabalhar as músicas até não poder mais. E que ninguém bobeie, senão venço de novo”. O “venço de novo” referia-se a ter gravado, em 1966, o samba Porta Aberta, de Jair Amorim e Benedito Reis, que ganhou em1966, o concurso de música carnavalesca do então estado da Guanabara (o Rio foi capital estado). Mas o grande sucesso dela no carnaval foi com Carnaval na Onda, do radialista e compositor José Messias.

Em 1968, Clara Nunes gravaria mais um samba, este deu um norte à sua carreira. O compositor e cantor da velha guarda, o também mineiro Ataulfo Alves, que andava meio esquecido, em parceria com Carlos Imperial, compôs Você Passa Eu Acho Graça. Na época um dos mais badalados nomes da música brasileira, Carlos Imperial sabia caitituar uma música. “Caitituar” significava trabalhar uma música no rádio e TV, quase sempre com um por fora a alguém da emissora. Caitituava-se também sem dinheiro, só na base do convencimento.

Certamente, o conhecimento de causa de Imperial contribuiu para o estouro de Você Passa/Eu Acho Graça, um dos maiores hits de 1968, e que direcionou Clara Nunes para a MPB. A diferença entre seu primeiro LP e o segundo é abissal. Um é formado por boleros e baladas insossas, a maioria de autores pouco conhecidos, que não a levaram a canto algum. O segundo a colocou nas paradas com mais uma parceria Ataulfo/Imperial, Você Não É Como as Flores, que abre o álbum, cujo título é Você Passa Eu Acho Graça. No repertório Chico Buarque, Tom Jobim, Martinho da Vila, Dolores Duran, Darcy da Mangueira, ou Noel Rosa.

Ele definiria o estilo definitivamente em 1971, com o álbum Clara Nunes, e demarcou seu espaço na MPB. Dali em diante só cresceria, com a produção de Adelzon Alves, com quem foi casada. Aliás, Adelzon está por merecer uma biografia pela sua contribuição à música brasileira, em geral, e samba em particular.

Clara Nunes tinha uma queda pelo Recife e Olinda. Nesse disco de 1971, há uma bela versão do frevo canção Novamente, de Luiz Bandeira. Ela canta também o pernambucano Zé Dantas autor de Sabiá (cuja parceria é de Luiz Gonzaga). Clara se tornou filha de Oxum, nas águas do Rio Capibaribe, numa cerimônia realizada por Pai Edu (Edwin Barbosa da Silva, falecido em 2011), cuja casa, o Palácio de Iemanjá, em Olinda, costumava frequentar. Pai Edu nos anos 70, era o babalaôrixá mais badalado do país. O Palácio de Iemanjá um dos pontos mais visitados de Olinda.”

Novamente – Clara Nunes

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

POLÍTICA UNE MARIA BAGO MOLE A PREFEITO DESAFETO

Mercado Público de Carpina, construído na gestão de Neo Maguary

Por conta do estrondoso sucesso do cabaré que trouxe progresso, prosperidade e desenvolvimento à sociedade comercial e canavieira do município carpinense, Maria Bago Mole despertou a atenção nos senhores de engenho bastardos da região e a admiração do prefeito Manoel Augusto do Rêgo, conhecido pelo povo como Neo Maguary, um dos homens mais influentes e populares da região da Mata Norte, depois do Coronel Bitônio Coelho.

No início dos anos setenta do século XX, eleito prefeito do município com uma expressiva votação que o surpreendeu e ao governador de Pernambuco, Eraldo Gueiros, que, em retribuição ao carinho do povo, fez-se presente à cidade por três dias para participar das inaugurações das benfeitorias realizadas pelo prefeito, Neo Maguary, que cumpriu a promessa que houvera feito ao pai quando criança: transformar Carpina numa cidade próspera, com a abertura de grandes avenidas que deram origem a bairros famosos, praças, ruas, construção do Mercado Público, construção de colégios estaduais e municipais, hospitais, clínicas, saneamentos básicos por toda cidade…

Ciente, antes de ser eleito prefeito do município, do estrondoso sucesso do cabaré de Maria Bago Mole e da sua extraordinária capacidade empreendedora, discrição e empatia com o povo, e tendo plena consciência que a sua presença às inaugurações junto com as “meninas” da “casa”, iriam dar mais visibilidades aos acontecimentos e agradar ao governador, o prefeito Neo Maguary mandou contratar, com recursos próprios, a cafetina e suas meninas para animar as inaugurações, com a presença do Coronel Bitônio Coelho, mesmo não sendo simpatizante do proprietário dos mais famosos engenhos canavieiros das redondezas.

Foram três dias de festas e inaugurações, com comes e bebes pagos pelos comerciantes locais, acontecimentos jamais vistos por aquelas paragens. Entrega de títulos de posse de terra, presentes, cestas básicas, roupas, brindes à criançada, que retribuía com sorriso largo no rosto. Distribuição de materiais de construção para edificação de casas populares, sementes para os siteiros plantar, distribuição de dentaduras, assistências médicas. Pastoris com as meninas do cabaré remexendo as cadeiras, divertindo os adolescentes e levando os marmanjos ao delírio.

Terminadas as inaugurações e os comes e bebes, o governador Eraldo Gueiros, o prefeito Neo Maguary, o coronel Bitônio Coelho e a famosa cafetina, já se articulando para nova eleição para prefeito, deram-se as mãos e se abraçaram com a certeza de que o futuro político de Carpina estava nas mãos de Maria Bago Mole, a nova musa do cabaré político.

Se ela transformou a Vila dos Vinténs, um lugar inóspito, onde Judas perdeu as botas, num oásis desenvolvimentista, por que não é páreo forte para política? – observou Eraldo Gueiros, sobre o olhar boquiaberto de todos os presentes!

Ex-prefeito de Carpina Néo Maguary em entrevista ao Programa Francisco Jr e ao Voz de Pernambuco em 31 de janeiro de 2019

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

A CURIOSA HISTÓRIA DAS ESTATUETAS DE VÊNUS

Texto escrito por Luis Antonio Tavares Portella, filho deste colunista e estudante de Biologia na Universidade Católica de Pernambuco.

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O termo estatueta de Vênus é usado para descrever as mais de 200 pequenas estatuetas de figuras femininas sensuais que foram encontradas em escavações do Paleolítico Superior em toda a Europa e algumas partes da Ásia. É importante salientar que, quando os paleoantropólogos se referem às estatuetas como “Vênus”, eles geralmente o fazem com aspas, porque as estatuetas de Vênus antecedem os mitos sobre a deusa romana Vênus em milhares de anos. O nome é derivado, em parte, de teorias que associam essas figuras à fertilidade e à sexualidade, duas características associadas à deusa romana.

I) Vênus de Willendorf

CARACTERÍSTICAS

As chamadas “estatuetas de Vênus” datam entre cerca de 40.000 a.C. e 10.000 a.C. Elas são geralmente muito pequenas, com tamanhos que variam de 2,5 cm a 10,2 cm, embora alguns exemplos tão grandes quanto 24 cm tenham sido encontrados. O material mais comum usado para esculpir essas estatuetas é a presa de mamute, mas dentes, chifres, osso e pedra também foram usados. Em um número muito pequeno de escavações foram encontradas estatuetas de barro, que estão entre os primeiros exemplos conhecidos de arte cerâmica. As figuras são geralmente nus femininos sensuais. Algumas de suas características, como seios, quadris, estômagos e regiões pubianas, são muito exageradas, enquanto outras características estão ausentes ou minimizadas. É bastante comum as figuras serem sem rosto, com braços e pernas mal definidos e uma silhueta afunilada na parte superior e inferior. As esculturas muitas vezes não têm mãos e pés definidos. Dado que os criadores dessas esculturas foram separados por 30.000 anos e centenas de quilômetros, é impressionante que tantas delas compartilhem os mesmos traços.

DESCOBERTAS IMPORTANTES

Embora a maioria das estatuetas de Vênus estejam de acordo com essas características sensuais, os achados individuais mostram que há alguma diversidade em termos de materiais e construção. Elas também são bastante diversificadas em termos de sua localização. Foram encontradas em escavações que vão desde toda a Europa até a Sibéria. A maioria foi encontrada em locais de assentamentos pré-históricos, tanto dentro de cavernas quanto em locais ao ar livre. Embora extremamente raras, algumas figuras foram encontradas em locais de sepultamento.

II) Vênus de Hohle Fels

A Vênus mais antiga conhecida, a Vênus de Hohle Fels, foi encontrada em uma caverna de mesmo nome em Schelklingen, na Alemanha, e estima-se que tenha entre 35.000 e 40.000 anos. É esculpida em marfim de mamute lanoso. No lugar de uma cabeça, a Vênus de Hohle Fels tem um laço, o que sugere que pode ter sido usada como um pingente. Muitas Vênus têm perfurações que sugerem que podem ter sido usadas como joias.

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