CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

BOAVENTURA BONFIM-FORTALEZA-CE

A ILUSÃO DO “OU LULA, OU O CAOS”

Os fanáticos por Lula chegaram ao paroxismo da loucura.

Estão a bradar aos quatro ventos: Ou Lula, ou a barbárie!

A barbárie a que eles se referem seria a volta do bolsonarismo ao poder.

A sandice é tamanha que eles não enxergam saída em nenhum outro candidato a presidente da República — como Augusto Cury; Romeu Zema; Ronaldo Caiado; Renan Santos; Clariana Barão; Edmilson Costa; Hertz Dias; Samara Martins; Rui Costa Pimenta e Veterinário Wilson Grassi — mas tão-somente em Lula.

Isso é um acinte à inteligência do povo.

“Modus in rebus”.

XICO COM X, BIZERRA COM I

DEU NO JORNAL

O MODELO LULISTA DE CRESCIMENTO PELO CONSUMO ESTÁ ESGOTADO

Editorial Gazeta do Povo

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Lula e o ministro Alexandre Silveira no lançamento do programa Gás do Povo, em setembro de 2025

O agronegócio, tão demonizado pelo PT e pelo presidente Lula, segurou a economia no segundo trimestre deste ano, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE em 1.º de setembro: a elevação de 0,5% no PIB foi bancada pela agropecuária, que cresceu 2,8%, enquanto serviços e indústria permaneceram estáveis, com elevação de 0,2% e 0,1% respectivamente. O dado mais relevante, no entanto, surge quando se mede o PIB pelo lado da demanda: a redução de 0,4% no consumo das famílias, que aponta para o possível esgotamento de um modelo muito caro ao lulopetismo: o de fazer a economia crescer apostando no gasto público e no estímulo irresponsável ao consumo.

“Não tem macroeconomia, não tem câmbio: se tiver dinheiro na mão do povo, está resolvido nosso problema” – foram essas as palavras de Lula na última reunião ministerial de 2025. A afirmação do presidente tem um fundo de verdade: se o povo tiver mais dinheiro em suas mãos, seu poder de compra cresce, o consumo nacional aumenta, as empresas passam a vender mais, a gerar mais empregos e a pagar mais impostos. A melhoria é geral. O detalhe, no entanto, é que há formas saudáveis e formas nocivas de colocar mais dinheiro nas mãos do povo. Lula escolheu essas últimas, e agora a conta chegou.

O meio mais sólido de aumentar o poder aquisitivo da população é pelo crescimento dos salários. Esse meio, porém, depende do desempenho da economia nacional, da taxa de crescimento da produção do país e, especialmente, da produtividade econômica. Ele depende da expansão da estrutura empresarial, do ambiente de negócios e da qualidade das instituições como condição estimulante da iniciativa empreendedora. Lula, em vez disso, preferiu atalhos como políticas de aumento real do salário mínimo, e agora investe em plataformas como o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho com manutenção dos salários.

Quando o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, alertou que aumento de salários sem elevação na produtividade criaria pressão inflacionária, Lula o criticou de forma falaciosa, afirmando que Campos Neto não queria que o brasileiro ganhasse mais. Recentemente, os diretores do BC, agora todos indicados pelo petista, têm afirmado nas atas e comunicados das reuniões do Copom o mesmo que Campos Neto dizia; por exemplo, quando constatam que “a taxa de desemprego tem se mantido em patamares historicamente baixos enquanto os rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho”, e quando afirmam ser necessária uma “avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia”. Se a linguagem mais técnica escapa à capacidade de compreensão de Lula, ou se o presidente escolheu ignorar o aviso, não se sabe; mas isso não anula o acerto da observação.

Um segundo meio para colocar “dinheiro na mão do povo” é a doação feita pelo governo às pessoas via programas sociais. É um caminho em que Lula tem investido pesadamente em busca de votos para sua reeleição, ignorando que a ampliação da transferência de recursos públicos para o bolso da população esbarra em dois obstáculos: a carga tributária brasileira já ultrapassou o limite do razoável, e não há espaço para aumento de impostos destinados a financiar mais programas sociais; e o governo já se tornou cronicamente deficitário, necessitando urgentemente de uma redução do gasto público. A gastança e os déficits forçam o Banco Central a elevar os juros, o que por sua vez afeta de forma decisiva o terceiro meio para colocar mais dinheiro no bolso dos brasileiros: a expansão do crédito bancário às pessoas físicas.

Aqui, a situação brasileira é complexa e explica por que as famílias colocaram o pé no freio do consumo. O governo plantou gastança e colheu inflação, juros e endividamento. Os juros nas linhas de crédito ao consumo se tornaram muito altos, e o grau de endividamento pessoal no país atingiu níveis elevados e preocupantes. A Confederação Nacional do Comércio informa que 82% das famílias brasileiras têm algum tipo de dívida – o maior número da série histórica –, incluindo as dívidas caras e com taxas de juros elevadas (caso do cartão de crédito e cheque especial). Três em cada dez endividados admitiram estar inadimplentes, parcela que sobe para quatro em cada dez entre os endividados que ganham até três salários mínimos mensais.

Em seu segundo mandato, Lula e seu ministro da Fazenda, Guido Mantega, deram início à “nova matriz econômica”, que consistia em fazer a economia crescer pela via do consumo, do governo e das famílias. Dilma Rousseff levou adiante esse modelo, com a ajuda de um Banco Central que manteve os juros artificialmente baixos. De início, vieram os “PIBões” e o desemprego caiu, mas o modelo era insustentável e seu esgotamento levou à pior recessão de nossa história. Lula 3 está repetindo a dose: gasta como se não houvesse amanhã, e estimula o brasileiro a gastar com programas sociais, “Desenrolas” e novas linhas de crédito, sem fazer as reformas legais e institucionais que melhorem o ambiente de negócios, sem elevar a segurança jurídica, sem aumentar a confiança nas institucionais, sem incentivar os investimentos privados, nacionais e estrangeiros, sem reduzir a carga tributária e sem eliminar o inferno de normas e regulamentos que desanimam os investidores. Agora, sua demagogia barata e deseducativa está chegando ao limite.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Mestre Pastinha

Vicente Ferreira Pastinha, mais conhecido por Mestre Pastinha, nasceu em 5/4/1889, em Salvador, BA. Mestre da Capoeira, considerado um dos precursores desta luta/jogo de origem africana, desenvolvida na Bahia pelos negros escravizados na época colonial.

Filho de uma ex-escravizada baiana e um comerciante espanhol, conheceu a capoeira ainda criança, quando essa prática era proibida no Código Penal, sujeita a pena de prisão por 2 dias a 6 meses, tendo o período dobrado no caso dos “chefes ou cabeças”. Aprendeu a jogar (ou lutar, ou dançar) com o velho Benedito, um negro liberto que viu-o apanhar algumas vezes de um garoto maior que ele.

“Quando eu tinha uns dez anos um outro menino mais forte do que eu tornou-se meu rival. Era só eu sair para a rua e a gente se pegava em briga. Só sei que acabava apanhando dele, sempre. Então eu ia chorar escondido de vergonha e de tristeza. Um dia, da janela de sua casa, um velho africano assistiu uma briga da gente. Vem cá, meu filho, ele me disse, vendo que eu chorava de raiva depois de apanhar. Você não pode com ele, sabe, porque ele é maior e tem mais idade. O tempo que você perde empinando raia vem aqui no meu cazuá que vou lhe ensinar coisa de muita valia. O aprenizado durou alguns dias e ele me dizia: não provoque, menino, vai botando devagarinho ele sabedor do que você sabe (…). Na última vez que o menino me atacou fiz ele sabedor com um só golpe do que eu era capaz. E acabou-se meu rival, o menino ficou até meu amigo de admiração e respeito.”

Estudou no Liceu de Artes e Ofícios e entrou na escola de aprendizes de marinheiros, em 1902, onde praticou esgrima (com espada e florete); aprendeu a tocar violão e ensinava capoeira a seus amigos. Em 1910, aos 21 anos, pediu baixa da Marinha e tornou-se professor da capoeira, apesar da proibição em Lei. Mais tarde, em 1952, fundou o CECA-Centro Esportivo Capoeira Angola na Praça do Pelourinho, frequentado por diversos mestres, como Valdemar da Paixão, Noronha, Maré, Divino, Traíra, Curió, Albertino e Gildo, mantendo a tradição dos angoleiros.

Em 1964, lançou o livro Capoeira Angola, com prefácio de Jorge Amado, defendendo a natureza não violenta do jogo e afirmando que a capoeira conferia dignidade, honradez e decência aos seus praticantes. Foi uma expressiva contribuição à cultura afro-brasileira, que motivou o Mestre a realizar o sonho de conhecer a África. Em 1966, foi representar o Brasil, apresentando a Capoeira Angola, no “1º Festival Mundial das Artes Negras”, em Dacar, capital do Senegal.

A partir daí a capoeira ganhou expressão e foi disseminada pelo País e pelo mundo. Sua história de vida e os ensinamentos, junto com a de outros mestres da Capoeira Angola que tenham sido seus alunos ou não, motivou outras pessoas a praticar a capoeira e foi um fator importante para que essa expressão se disseminasse pelo País e pelo mundo, tornando-se um dos símbolos da cultura brasileira.

Sua expressividade levou o IPHAN-Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional a registrar a Roda de Capoeira como patrimônio cultural imaterial dos brasileiros, em 2008. Em seguida, foi inscrita no “Livro de Registro das Formas de Expressão” e no “Livro de Registro dos Saberes”, respectivamente. 6 anos depois, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura-Unesco conferiu à Roda de Capoeira o título de “Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade”. Mestre Pastinha faleceu em 13/11/1981, aos 92 anos, e deixou um expressivo legado ao patrimônio da cultura popular brasileira.

DEU NO JORNAL

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

PSICOLOGIA DE UM VENCIDO – Augusto dos Anjos

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde as epgênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, Cruz do Espírito Santo, Paraíba (1884-1914)

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

O COMANDANTE DOS MARES INCOMUNS

Há quem meça a vida pela claridade dos dias, mas João Maria de Luizinho Moita, um meu querido amigo de infância e dos bancos escolares até a 8ª Série, escolheu medi-la pela força da esperança.

Escala o mastro mais alto segurando firme os nós da corda da fé, carregando no vão do peito o cuidado terno à esposa; sendo esse cuidado sua força de equilíbrio. João desafia a gravidade do possível tombo guardando a saudade da filha no coração, sorrindo assim mesmo, não obstante a distância física.

Olhando de fora, o mundo apressado veria um homem sitiado pelas circunstâncias e obrigações.

Olhando de perto, eu vejo um milagre diário de pura resiliência. A personificação da alegria.

Meu amigo João é o homem mais genuinamente feliz que conheço.

Todas as manhãs, antes que a rotina me atropele e o estresse possa me assaltar, ele me envia um punhado de palavras escritas, ou vídeos que produz sem a preocupação de ser técnico. São mensagens despretensiosas? Talvez. Mas são carregadas de uma fé inabalável, de uma gratidão que desafia a escassez e de uma resiliência que flerta com a poesia que ele, naturalmente, declama com sua verve quase inocente de homem. Homem sábio.

Um eterno marinheiro apaixonado pela Marinha do Brasil, que serviu orgulhoso na juventude, e que lhe ajuda a ser o comandante invencível que ele é hoje.

Enquanto muitos de nós naufragamos em pingos d’água, João parece extrair diariamente um mar de esperança da rocha da vida, e coloca o seu navio para singrar sem se abalar com qualquer tormenta.

Suas saudações diárias são faróis que rasgam o meu próprio nevoeiro, lembrando-me de que a paz não é a ausência de tempestade, mas a presença de uma âncora firme, jogada ante um porto seguro. João sabe ser marinheiro no mar da vida. Sabe vencer as procelas do mar do destino.

Esse meu amigo me ensina, sem saber, que a felicidade não é um porto onde se chega quando tudo deu certo; antes disso, é a lente da luneta pela qual se escolhe enxergar a rota, mesmo quando o tempo está deveras nublado e o mar revolto. Ele limpa os meus olhos viciados em querer reclamar, e me devolve a capacidade de agradecer.

Obrigado, meu querido João, por ter sido porto e, ao mesmo tempo, céu limpo nas entrelinhas desses dias.

Por me ensinar que ser feliz é mais fácil quando a simplicidade está segurando o leme da vida.

E que há a luz de Deus até nos dias escuros.

Muito obrigado!