DEU NO JORNAL

BRIGA

Mobilizada no impeachment de Alexandre de Moraes, a oposição tem se surpreendido com discreto apoio de governistas.

É que, temendo impacto do escândalo Vorcaro/Moraes em sua campanha, Lula orientou que, “sem tripudiar”, petistas defendam a investigação do escandaloso relacionamento que transformou um ministro do STF em consultor e informante de fraudador.

Lula esfrega as mãos de ansiedade pela abertura de nova vaga de ministro do STF.

Lula também sonha com uma terceira vaga, de Dias Toffoli, enrolado com Vorcaro no Tayayá. Para Lula, não se pode “cassar” apenas Moraes.

A bronca de Lula é do tempo de cadeia, quando Toffoli tomou decisões que o revoltaram.

Ainda se diz “traído” e quer ver o ministro pelas costas.

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A expressão “discreto apoio de governistas” ao impeachment, na abertura dessa nota aí de cima, está ótima!

Troca de tapas dentro do bando.

Que notícia boa.

Vamos torcer pra que a briga pegue fogo e provoque um inusitado desmantelo.

O Descondenado está ansioso pra nomear mais togados e ampliar o seu time lá dentro.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

O ESCÂNDALO

Ainda é incerto o impacto na disputa presidencial do escândalo sobre as relações entre Daniel Vorcaro, acusado de fraude bilionária, e Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

A avaliação de especialistas em pesquisas, que não a assumem publicamente, é que a ligação de Moraes a Lula talvez afete um pouco a definição de voto.

Mas o caso deve movimentar para valer as campanhas para deputado federal e para o Senado: a maioria dos candidatos deve subir nas tamancas.

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Interessante a expressão “ligação de Moraes a Lula”, que está nessa nota aí de cima.

Ligação, solidariedade, associação, união…

Sei não…

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MAURINO JÚNIOR - SEM CRÔNICAS

TRATADO BREVÍSSIMO ACERCA DOS POVOS QUE HABITARIAM OS ASTROS, SEGUNDO OBSERVAÇÕES QUE JAMAIS FORAM FEITAS

Há, entre os sábios de antanho, certa mania de supor que toda cousa há de possuir explicação. É vício deplorável. Eu, ao revés, sustento que há mistérios que melhor se explicam mediante uma boa dose de imaginação, duas de insolência e nenhuma preocupação com aquilo que os físicos chamam de realidade. Posto isto, passemos aos mundos.

SATURNO — A NOBRE REPÚBLICA DOS CABEÇAS OCAS: Saturno, esse magnífico colosso de anéis, é planeta de densidade tão modesta que, caso houvesse oceano bastante para o conter, haveria de boiar como uma laranja esquecida numa tina. Ora, onde a matéria é levíssima, naturalmente leves hão de ser também os habitantes. Os saturnianos, portanto, nasceram com extraordinária capacidade intelectual, posto que seus pensamentos, por não encontrarem suficiente matéria craniana que os retenha, escapam-lhes pelo alto da cabeça. Não são ignorantes. São evaporados. Seu sistema educacional é admirável. As universidades possuem apenas uma cadeira: Metafísica da Ausência. Quando um saturniano afirma: — Tenho uma ideia! Os demais imediatamente seguram seus chapéus. Porque sabem que a ideia poderá sair voando. E não se deve confundir essa peculiaridade com deficiência mental. O saturniano possui cultura vastíssima; apenas não conserva consigo aquilo que aprendeu. É, por conseguinte, o povo mais erudito do Sistema Solar. E o que menos se recorda de coisa alguma.

JÚPITER — O IMPÉRIO DOS SISUDOS: Em Júpiter, onde a gravidade é coisa séria, não há lugar para frivolidades. O jupiteriano não ri. Não porque seja infeliz. É porque rir exige esforço muscular. Seu rosto permanece eternamente grave. — Bom dia. — Bom dia. — Dormiu bem? — Sim. — Tomou café? — Sim. — E o senhor? — Sim. Tudo com expressão de sentença judicial. O jupiteriano jamais corre. Seria indigno e fisicamente dispendioso. Ele anda. Devagar. Com majestade. Cada passo parece proclamar: “Tenho massa suficiente para permanecer onde estou.” E os esportes jupiterianos são de uma monotonia lancinante. Há o levantamento de uma esfera de gás. Há o levantamento de uma esfera de gás maior. E há o campeonato mundial de tentar levantar uma coluna de gás sem deslocar a coluna vertebral. O campeão é respeitado por toda a nação. Recebe uma medalha de chumbo. E passa o resto da vida sentado.

URANO — ONDE NINGUÉM SABE DE QUE LADO ESTÁ: Urano, como é sabido por absolutamente ninguém que tenha bom senso, decidiu girar quase deitado. Consequentemente, seus habitantes adotaram a mesma postura. Todo uraniano nasce com a cabeça inclinada. Não é doença. É tradição planetária. O recém-nascido já vem ao mundo assim: /. A mãe pergunta: — Está tudo bem com ele? O médico responde: — Perfeitamente. É de Urano. Os uranianos possuem extraordinária dificuldade para interpretar mapas. O norte, o sul, o leste e o oeste foram abolidos. Existe somente: “para cima” e “para aquele lado”. Quando um uraniano chega atrasado ao trabalho, jamais diz: — Perdi o caminho. Diz: — O planeta estava numa inclinação desfavorável. E ninguém contesta.

NETUNO — O PLANETA ONDE A ESTAÇÃO DEMORA UMA VIDA INTEIRA: Em Netuno, o tempo é assunto para gente paciente. Muito paciente. Um netuniano pode nascer durante o verão e morrer sem jamais ver novamente a mesma estação. Ali, quarenta anos não são grande cousa. São apenas uma mudança de guarda. Imagine a conversa: — Como está o clima? — Frio. — Há quanto tempo? — Desde que meu bisavô era moço. — E quando melhora? — Não sei. Consulte meu tataraneto. Os meteorologistas netunianos são, portanto, profissionais muito respeitados. Fazem previsões excelentes. O problema é que nenhuma delas termina durante sua vida profissional. “Previsão para o próximo outono: aproximadamente daqui a quarenta anos.” A população aplaude. O meteorologista aposenta-se. Seus filhos continuam o serviço.

MARTE — O PLANETA DOS TURNOS INTERPLANETÁRIOS: Marte, por sua vez, possui o Valles Marineris, uma cicatriz colossal na superfície. E isso gerou uma peculiaridade laboral. No lado oriental do vale: — Bom dia! No lado ocidental: — Boa noite! No centro: — Que dia é hoje? E ninguém sabe. A empresa marciana, muito progressista, aboliu o relógio. Agora trabalha-se segundo a posição do Sol. O departamento de Recursos Humanos, contudo, entrou em colapso. Metade dos empregados afirma estar de folga. A outra metade afirma estar trabalhando. Ambos possuem provas. O sindicato marciano exige adicional de insalubridade. A direção responde que a atmosfera já é naturalmente insalubre e, portanto, não há novidade. Começa uma greve. Ninguém percebe. Todos continuam vermelhos.

VÊNUS — A CIVILIZAÇÃO DOS QUE SE ARREPENDERAM: Em Vênus, a atmosfera é tão espessa e a temperatura tão elevada que o primeiro extraterrestre sensato que chegou lá teria imediatamente dito: — Perdão pelo incômodo. Voltarei outro dia. Os venusianos, porém, desenvolveram uma admirável filosofia de vida. Não reclamam do calor. Consideram-no temperatura normal. Quando um venusiano visita a Terra e encontra 35 °C: — Que frio! O terráqueo: — Frio?! — Sim. Onde está o incêndio?

MERCÚRIO — O POVO QUE NUNCA CONCORDA SOBRE O CLIMA: Mercurianos são extremamente indecisos. Um lado do planeta é submetido a temperaturas infernais; outro, quando em condições adequadas, pode ser extremamente frio. Assim, a previsão meteorológica oficial é: “Hoje: quente. Ou frio. Depende de onde o senhor estiver.” É uma previsão impecável. Jamais erra.

TERRA – O PLANETA ONDE A VIDA INTELIGENTE AINDA É UMA HIPÓTESE: Chegamos, enfim, à Terra. O planeta azul. O planeta da água abundante, dos oceanos, das florestas, dos continentes e de uma extraordinária variedade de formas de vida. Quanto à vida inteligente, contudo, os cientistas permanecem cautelosos. Há indícios. Poucos. Muito poucos. Alguns organismos terrestres demonstram capacidade para construir telescópios, enviar sondas a outros planetas, decifrar o código genético e calcular a idade do Universo. Entretanto, estudos recentes recomendam prudência antes de se declarar a espécie humana como verdadeiramente inteligente. A principal dificuldade encontra-se no comportamento coletivo. Em certas regiões do planeta, populações inteiras são capazes de escolher, reiteradamente, soluções políticas que até uma inteligência artificial mal calibrada classificaria como experimentalmente temerárias. Há sociedades que, dispondo de vasta experiência histórica, abundante informação, universidades, imprensa, bibliotecas e acesso praticamente ilimitado ao conhecimento, parecem concluir que tudo isso é perfeitamente dispensável. O fenómeno intriga os xenobiólogos. Um deles declarou: — Como pode uma espécie tão avançada cometer o mesmo erro tantas vezes? Outro respondeu: — Não sabemos. Mas parece fazê-lo democraticamente. Foi então que surgiu a hipótese mais perturbadora: Talvez a inteligência individual exista na Terra, mas não seja encontrada quando os indivíduos se reúnem para tomar decisões coletivas. A descoberta provocou enorme controvérsia. Criaram-se comissões. As comissões criaram subcomissões. As subcomissões contrataram consultores. Os consultores elaboraram relatórios. E os relatórios concluíram que era necessário criar uma nova comissão.

Até hoje ninguém sabe o resultado. Os extraterrestres, entretanto, continuam observando. Não invadem. Não aterrissam. Não enviam mensagens. Não estabelecem contato diplomático. Preferem aguardar. Segundo fontes não confirmadas, uma civilização distante teria enviado a seguinte comunicação: “Identificamos sinais de inteligência na Terra. Permanecemos, todavia, incapazes de determinar se são provenientes da espécie humana ou de algum fenômeno atmosférico.” O debate prossegue. Enquanto isso, os terráqueos continuam a discutir. Discutem política. Discutem religião. Discutem futebol. Discutem música. Discutem quem está certo. E, ocasionalmente, discutem até fatos que podem ser verificados em aproximadamente trinta segundos. É uma civilização extraordinária. Conseguiu colocar seres humanos na Lua. Conseguiu fotografar buracos negros. Conseguiu detectar ondas gravitacionais. Conseguiu enviar engenhos a regiões tão distantes do Sistema Solar que seus sinais levam horas para regressar. E, apesar de tudo isso, ainda não descobriu uma maneira eficaz de impedir que um imbecil, munido de convicção suficiente, seja confundido com um sábio. E ainda o colocam na Presidência da República do Brasil (Este nome me dá asco). Por isso, ao classificarmos a Terra no catálogo galáctico, talvez seja prudente registrar:

PLANETA: habitável.

ÁGUA: abundante.

VIDA: comprovada.

VIDA INTELIGENTE: indícios inconclusivos.

VIDA POLÍTICA: abundante como uma praga causadora de uma devastação sem precedentes.

Bom senso: espécie aparentemente ameaçada de extinção.

Recomenda-se não interferir.

Os terráqueos parecem estar resolvendo o problema sozinhos.

DEU NO JORNAL

PEDIDO DE NULIDADE DO RELATÓRIO

Editorial Gazeta do Povo

Paulo Gonet não perdeu tempo. Ainda na terça-feira, quando o Brasil inteiro nem tinha terminado de digerir todo o conteúdo das mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes, cujo sigilo havia sido retirado pelo ministro André Mendonça, o procurador-geral da República defendeu a nulidade completa do relatório da Polícia Federal, tentando matar ainda no nascedouro uma eventual investigação sobre possíveis crimes que poderiam ter sido cometidos pelo ministro, como tráfico de influência, advocacia administrativa, obstrução de Justiça ou até corrupção passiva. Ocorre que Gonet não tem a menor legitimidade – se não do ponto de vista jurídico, no mínimo do ponto de vista moral – para tentar travar qualquer providência envolvendo Daniel Vorcaro.

Como a pressa é inimiga da perfeição, Gonet só conseguiu encontrar um argumento bastante pedestre para tentar blindar Moraes: o de que Mendonça teria atropelado o procedimento legal, já que apenas o plenário do STF possui competência para processar, julgar e autorizar investigações contra seus próprios integrantes. Mas o que Gonet ignora, ou quer ignorar, é que Mendonça não atropelou nada, pois ele não abriu nenhuma investigação contra Moraes. O investigado era e sempre foi Vorcaro; uma vez que surgiram nos elementos periciados as referências a Moraes, Mendonça fez o que o rito manda: pediu esclarecimentos justamente para que pudesse submeter ao plenário – como ele já prometeu que fará – um pedido para que Moraes passe a ser investigado. Uma manifestação tão apressada e tão primária só reforça a sensação de que tudo o que o procurador-geral deseja é colocar uma pedra sobre o assunto o quanto antes. Não lhe faltam razões para isso, e são essas mesmas razões que o desqualificam.

Que havia algum nível de relacionamento entre o dono do Banco Master e o procurador-geral da República já era algo sabido desde que o nome de Gonet apareceu na lista bastante seleta dos convidados para a degustação do caríssimo uísque Macallan, em um clube londrino, em abril de 2024. E, ainda que a maior parte do relatório preparado pela PF a pedido de Mendonça trate das mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes, o procurador-geral também está nele, e o que consta no documento não é nada abonador. As trocas de mensagens entre Gonet e Vorcaro, feitas por meio de um intermediário, o advogado Ciro Soares, mostram a animação do procurador-geral com os eventos exclusivos do banqueiro, e indicam o pagamento de ao menos uma viagem a um filho de Gonet.

O procurador-geral realmente gostou da experiência londrina, a ponto de, quase um ano depois, afirmar que estava com “saudades” do banqueiro e, ao conversar com o advogado sobre um novo encontro na capital britânica, responder com um “Oba!!! Tomara que tenha charuto e Macallan!” Poucos dias depois, numa nova troca de mensagens entre Ciro e Vorcaro, o advogado questiona: “Gonet perguntou se o filho dele pode ir com a gente para Londres”, ao que o banqueiro responde: “Óbvio, né?”. Em seguida, Vorcaro recebe de uma funcionária do Master uma lista de nomes para que ele aprove o pagamento das despesas de viagem, e responde com um “Pedro e Ciro ok” – Pedro, no caso, seria Pedro Gonet, filho do procurador-geral.

Suponhamos, por uma fração de segundo, que o “Paulo” citado nas mensagens de Vorcaro a Moraes não seja Gonet – o que levaria a uma outra questão: que outro Paulo, além do procurador-geral, poderia “reverter” o cerco ao banqueiro e teria subordinados, gente “de baixo”, que não poderiam “fazer uma sacanagem” com Vorcaro? Ou suponhamos que, mesmo sendo Gonet o “Paulo” das súplicas a Moraes, ele não tenha agido fora da lei para blindar o dono do Master. Isso, agora, importa pouquíssimo, pois a proximidade demonstrada nas mensagens entre procurador-geral e banqueiro basta para colocar em dúvida sua imparcialidade, e lançam uma sombra sobre muito do que Gonet fez desde que o escândalo estourou: o primeiro arquivamento de um pedido de investigação contra Moraes, em dezembro do ano passado; ou a ausência, sob a alegação de que o prazo era curto demais, de um parecer quando do segundo pedido de prisão de Vorcaro, feito em março deste ano por Mendonça.

A associação de juristas Lexum apontou, nesta quarta-feira, que a Lei Complementar 75/1993 impede a atuação do procurador-geral da República em casos que envolvem informações sobre possíveis crimes cometidos por ele – mesmo quando ainda não há a atribuição concreta de crimes ao procurador-geral (e de fato o relatório da PF não afirma que Gonet tenha cometido ilícito algum). Mas insistimos: ainda que não houvesse impedimento legal, há o impedimento moral. Gonet participou de um dos eventos pelos quais Vorcaro cortejava autoridades – e gostou, a ponto de querer repetir a dose; e um de seus filhos recebeu regalias do banqueiro. Também ele precisa sair de cena o quanto antes para que as investigações prossigam sem novas tentativas de (auto)blindagem.

PENINHA - DICA MUSICAL

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

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