ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

OS DENTES DO MONSTRO

Na terça feira (18/08) recebi no grupo de zap do meu local de trabalho um recorte do instagran, da ANPUH – Associação Nacional de Professores Universitários de História – com uma nota de repúdio ao Senado Federal pela censura a um livro que iria ser publicado pela gráfica daquela casa legislativa. O livro, diga-se de passagem, necessário, fala sobre a história do Brasil, principalmente sobre o período cívico-militar, que muito historiador com menos de quarenta anos chama de ditadura militar.

Eu, caeté que gosto de atiçar o fogo só para ver a fogueira irracional de Pindorama crepitar mais alta, que gosto de dizer que o céu é verde, só para deixar os outros irritados, desci a minha borduna feita de guatambu e questionei….. agora? Foi o bastante para se levantar um alarido de guerra na taba, pintarem os corpos com urucum e colocarem o cocar de guerreiros.

Mas, o fato, esse ente que não controlamos é teimoso como uma vaca dentro de uma quitinete. Por mais que tentemos jogar uma toalha por cima, por mais que tentemos fazer dela uma parte da mobília, ela vai continuar cagando, mijando e berrando para quem quiser ouvir. Não tem como esconder o fato, depois que ele faz a zona dentro da quitinete.

Passei a lembrar aos meus interlocutores que entidades como a Anpuh, e não somente ela, mas muitas outras, quando viram o monstro nascer acharam ele bonitinho. E, de fato, quando ele nasce é quase inofensivo, não tem dentes, tem olhinhos calmos, procura sempre um colo onde possa se aquecer e se aninhar.

Senão vejamos; quando a suprema corte brasileira proibiu advogados de ter acesso a processos para defenderem seus clientes, violando uma prerrogativa que eu considero sagrada, não vi a OAB, a ABI, a Anpuh, nenhum conselho regional de nenhuma profissão, nenhum sindicato, nenhum veículo de informação levantarem suas vozes e clamarem contra. Ao contrário, quando o monstro mostrava seus dentes e suas garras nascendo, enquanto estava dirigido àqueles considerados inimigos, ou adversário, houve até aplausos.

Quando essa mesma corte, através de um de seus ministros chantageou um acusado pela tentativa de golpe de carochinha do oito de janeiro, a fazer uma delação com aquilo que ele queria, nenhuma dessas entidades, nem mesmo a outrora honrada Polícia Federal disse um “A” contra essa arbitrariedade, já que era contra o inimigo da “democracia e da liberdade”. Não vi sindicato de nenhuma categoria, nem federação, ou confederação, emitirem nota de repúdio.

Quando um ministro da suprema corte entregou um arquivo com mais de quarenta mil página para a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro e deu quinze dias para essa defesa apresentar seu libelo, nem a AOB, nem a ABI, nem a imprensa, nem ninguém que está à frente de organizações falou nada. Muitos, inclusive, até aplaudiram a vontade de “celeridade” desse ministro para se fazer justiça. O monstro estava mostrando seus dentes e garras, mas ainda eram pequenos e metia pouco medo.

Quando esse mesmo ministro negou a advogados o sagrado direito de audiência presencial, houve, inclusive, advogados que aplaudiram a medida, quanto ao resto da dita “sociedade civil organizada”, o que se ouviu foi um retumbante silêncio. Mais uma vez o monstro exercitava seu poder com a conivência e proteção de quem tinha o poder de trancá-lo em um baú de ferro e jogar a chave fora.

Neste ano, o monstro, já taludo, mandou quebrar o sigilo de uma fonte jornalística, violando uma cláusula pétrea da constituição brasileira, começou uma onda de gritaria. Tímida, mas, no meu pensar caeté, tarde demais. O monstro já está em sua fase adulta, incontrolável, indomável, como sempre foi.

Depois disso, o presidente de plantão baixa decreto estabelecendo censura prévia nas redes sociais. Com termos vagos e imprecisos, as ditas “fakes News” serão tudo aquilo que o monstro quiser que seja, e as plataformas que dão suporte a essas redes, ou censuram previamente qualquer notícia que desagrade o monstro, ou vai ser punida.

O monstro, diga-se de passagem, não tem coloração ideológica, não tem afinidade político-partidária, não tem filiação filosófica, não tem compromisso com ninguém a não ser consigo mesmo. Ele é manso enquanto todos fazem aquilo que ele quer e manda. Qualquer desvio ele mostra os dentes e as garras e devora.

Nesse quid pro quo com meus colegas de zap, sempre há aqueles que se fazem de desentendidos, de tolos a serviço de uma causa, a pergunta mais comentada foi: você fala de um monstro, mas não diz quem é esse monstro. Precisa? Só sendo um canalha com carteirinha, ou um lunático com laudo poderia fazer uma pergunta dessas, pois sabem, e muito bem do que estou falando. Eu o chamo de monstro, mas a Língua Portuguesa tem um nome bem menos glamouroso para ele: CENSURA.

Entidades como AOB, ABI, Anpuh, ANDES, FASUBRA, CUT, CONTAG, CNTE, Conselhos Regionais de diversas profissões, Associações de Magistrados, Sindicatos de todas as categorias cevaram o monstro, acalentaram o monstro, colocaram o monstro no colo para ele ninar, trocaram as fraldas do monstro. Agora que ele cresceu e os dentes e garras definitivas se firmaram, começaram, ainda que timidamente a reclamar da cria que eles mesmo pariram.

Temo que seja tarde demais!

DEU NO JORNAL

LOROTAS NA EXCREMENTAÇÃO DIÁRIA

Lula (PT) dedica seu tempo apenas à campanha ou para tratar de temas de interesse eleitoral, mas de vez em quando faz promessas de investir em defesa.

Como sempre, é lorota: o desenvolvimento do submarino nuclear da Marinha, por exemplo, arrasta-se há anos, mas Lula passou ontem (19) pelo Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó (SP) fazendo de conta que ninguém sabe do seu corte de quase 52% no orçamento de 2025 e 2026 para esse submarino de propulsão nuclear.

No ano anterior à posse de Lula, 2022, sob gestão de Jair Bolsonaro, o projeto tinha orçamento de R$ 519,46 milhões.

Quando Lula colocou o pé na Presidência, a torneira fechou e os recursos escassearam. Para 2023, encolheu para R$ 185,82 milhões.

Em 2025, o projeto até ensaiou um fôlego, contou com generosos R$ 615,12 milhões. Mas minguou este ano: só R$ 297,32 milhões.

Prestes a fechar 4 anos no poder, Lula passou quase 20 anos sem dar as caras nas instalações. Só pisou em Iperó em 2007 e nunca mais.

* * *

A nota aí de cima, se refere à fala do descondenado dizendo que “como sempre é lorota”.

E isso dito, está dito tudo.

Não precisa falar mais nada.

Lorota faz parte do excremento oral diário do falador.

ALEXANDRE GARCIA

DIPLOMA OBRIGATÓRIO PARA JORNALISTAS

O jornalista que recebeu informações sobre o ministro Flávio Dino, de que ele estaria usando veículo blindado do Tribunal de Justiça do Maranhão para ir à praia, teve seu sigilo da fonte quebrado. Mas isso é cláusula pétrea da Constituição, uma garantia fundamental – como outros direitos que também estão lá e já foram pisoteados pelo “guardião da Constituição”, que é o Supremo. Agora os ministros estão começando a discutir se deveriam garantir o sigilo da fonte previsto na Constituição para quem não tem diploma de jornalista. Isso que foi o próprio Supremo que derrubou a exigência do diploma em 2009. Eu proponho o seguinte: vamos respeitar a formalidade do diploma, então; se não tem diploma, não tem sigilo da fonte; mas, se não tem foro privilegiado, também não tem julgamento no Supremo, certo? Que tal?

Porque não é só o Silas Malafaia, que agora virou réu: quase todos os réus do 8 de janeiro e de vários outros inquéritos estão sendo ou foram julgados no STF, que não é o juiz natural. Essa é outra garantia da Constituição: ninguém pode ser condenado a não ser pelo juiz natural, e não haverá tribunal de exceção. Tudo isso é cláusula pétrea, que o Supremo não pode abolir porque não é constituinte. Nem mesmo o Congresso Nacional pode remover cláusula pétrea; para isso, é preciso haver uma nova assembleia constituinte, escolhida pelo povo, chancelada pela procuração dada por cada brasileiro que é fonte do poder, para escrever uma nova Constituição, e só então é possível mudar os direitos fundamentais que estão no atual artigo 5.ª. Mas nada disso importa para o STF, que já chegou ao cúmulo de dizer que o que está escrito na Constituição é inconstitucional, como no julgamento do marco temporal.

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Nunes Marques aparece em conversa de lobista amiga de Lulinha

Um outro ministro do Supremo – Kassio Nunes Marques, que agora também é o presidente do TSE – apareceu nas conversas da lobista Roberta Luchsinger, ex-mulher do delegado Protógenes Queiroz, filha de um ex-acionista de banco suíço, que disse para Lulinha que “o nosso futuro é na Suíça”. Lulinha já está respondendo a três inquéritos; Lula diz que ele vai responder e que, “se você é inocente, vá à luta; se é culpado, contrate um advogado”. O advogado ele já contratou: é um do grupo Prerrogativas, até; então, pelo que Lula disse, liguem aí os pontos.

Roberta falou de um outro advogado: Otto Medeiros, que estaria participando da venda de um contrato de cannabis para o Ministério da Saúde, envolvendo também Swedenberger Barbosa, conhecido como “Berg”, que era chefe de gabinete no Ministério da Saúde e depois foi para o Palácio do Planalto. Segundo a lobista, esse advogado era muito influente porque era sócio de Nunes Marques. Tanto o advogado quanto Nunes Marques desmentiram: não são sócios, mas são bons amigos; e o ministro chegou a dizer que, por causa disso, tem se declarado impedido nas ações em que Medeiros representa alguma das partes.

Mas ainda falta esclarecer o papel do Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Marcola é aquele que teve R$ 249 mil em contas pagas por Roberta Luchsinger, e que chegou a vender, ou penhorar, umas joias para Roberta. Em posse dele, foi encontrada uma minuta de um contrato para vender cannabis ao governo, pelo Ministério da Saúde – a venda acabou não sendo concluída. Essa história toda é um rolo enorme, e muito mais deve vir à tona, com mais transparência; afinal são três inquéritos envolvendo o Lulinha. Todos eles por tráfico de influência, porque ele é o “filho do rapaz”, como está lá em uma das frases do “careca do INSS”: ele transferiu R$ 1,5 milhão para Roberta, mas parece que R$ 1,1 milhão era para o “filho do rapaz”.

A PALAVRA DO EDITOR

UM PEQUENO DESMANTELO QUE AUMENTOU

Caros coluistas, leitores e amigos:

Tive alta na manhã desta quinta-feira e já estou em casa.

Reassumo o serviço de edição desta gazeta escrota, do qual Aline cuidou enquanto eu estava internado.

Peço só um pequeno tempo para me inteirar das coisas e voltar a botar no ar o JBF normalmente.

Grato pela força de vocês!!!

Um abraço a todos.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

PENINHA - DICA MUSICAL