Almoço com paca é mais um episódio da série de hipocrisias do casal presidencial. Enquanto Lula e Janja ostentam, o povo começa a acordar
Devo começar agradecendo ao casal presidencial. Sim, isso mesmo. Não fosse por Janja e Lula, eu não teria recolhido, dos arquivos da memória, uma afetuosa lembrança infantil.
Quando meu pai encontrava crianças, fazia sempre uma brincadeira:
– Repete comigo: paca, tatu, cotia não.
A criança repetia:
– Paca, tatu, cotia não.
Paulo, então, caía na risada:
– Errou! É paca, tatu. Cotia, NÃO.
Foi esse meu primeiro contato com a paca. Agora ela voltou ao noticiário — se é que alguma vez lá esteve — por causa do almoço oferecido no último domingo pela primeira-dama ao ocupante da Presidência.
Todo mundo sabe — e, a essa altura, Janja e Lula devem saber — que o almoço pegou mal paca. Até aquela moça que chora na televisão por causa dos bichinhos ficou brava paca com o casal supremo. Aliás, com o casal presidencial (todo mundo está careca de saber que o casal supremo é outro).
Quem pode querer mal à paca? É um bichinho simpático paca. Seu nome científico — Cunicullus paca — faz referência ao seu hábito de viver em tocas ou galerias escavadas na terra (em latim, cunicullus significa túnel).
A paca tem manchas brancas horizontais nos flancos, pesa de 6 a 12 quilos e pode chegar, no máximo, a 80 centímetros de estatura. Tem unhas fortes, boas para cavar, e olhos grandes, capazes de enxergar no escuro, apenas auxiliados pela luz da Lua e das estrelas. Tímida, a paca cultiva hábitos noturnos e solitários. Gosta de viver perto da água (como sua prima, a capivara) e alimenta-se de frutas, plantas e sementes. Em suma, é um animal pacífico paca.
Janja disse que a paca jantada (aliás, almoçada, não sei se sobrou para a janta) no domingo foi oferecida por um produtor legalizado e cadastrado. Agora, imaginem — só imaginem — se Michelle Bolsonaro oferecesse o mesmo cardápio silvestre para o sr. Jair. A essa altura, todos os órgãos da extrema-imprensa estariam exigindo nome, CNPJ, ficha cadastral, comprovante de IR e cartão de vacinação não apenas do tal criador legalizado, como de todos os seus funcionários, parentes, amigos e clientes. Por ordem do Supremo Soviete, aquele senador saltitante iria abrir uma CPI dos Animais Silvestres.
O que me chateou nessa história não foi a paca em si. Sim, eu sei que a paca, por conta das leis ambientais e da proibição da caça, é uma carne caríssima, bem mais cara que a prometida e nunca entregue picanha. O que me chateou foi o fato de o casal presidencial simplesmente ignorar o dia mais importante do ano para os cristãos e lançar-se a uma ostentação gastronômica. O que me entristece é saber que o sujeito sentado na cadeira presidencial prefere aparecer sem camisa, tendo ao fundo uma garrafa de cachaça, a falar sobre a Ressurreição do Filho de Deus. O que me envergonhou supremamente foi ver o Domingo de Páscoa transformado em Domingo de Paca.
Eles lulam paca, mentem paca, falam besteira paca e agora comem paca. Mas provavelmente ignoram (assim como eu ignorava até perguntar para o Google) o significado da palavra paca, que vem do tupi paka e quer dizer “aquela que acorda”.
O povo está acordando, Lula. E, para você, isso é ruim paca.
O vídeo da “Janja aventureira” pode até arrancar risadas, mas escancara um problema sério que não pode ser ignorado.
Desde 2023, já são 170 dias fora do Brasil em viagens internacionais. Só neste ano, foram três viagens em um curto espaço de tempo. E o mais grave: ela passou… pic.twitter.com/f8QaNxXvjM
— Deputado Delegado Zucco (@DelegadoZucco) April 8, 2026
Órgãos como MP e Conselho Tutelar estão impondo as convicções de seus membros como se fossem obrigação legal, punindo famílias e indivíduos
O caso da família curitibana multada em meio milhão de reais, de que tratamos dias atrás, não é o único episódio recente envolvendo uma recusa, baseada em parecer médico, de vacinação de crianças contra a Covid-19. Em uma situação ainda mais extrema, um casal de Arroio Grande (RS) teve seus filhos tirados e entregues à guarda dos avós maternos, por ordem judicial. Ambos os casos são manifestações especialmente graves de uma tendência que já vem de tempos: a inclinação de membros de órgãos como o Ministério Público e os Conselhos Tutelares a impor as próprias convicções em matérias que são jurídica ou moralmente controversas, que não incluem apenas a vacinação, mas também temas como ideologia de gênero, homeschooling, aborto e drogas.
Não se trata de um fenômeno isolado, mas de uma disposição mais ampla: a de utilizar o poder institucional (inclusive em sua forma mais coercitiva) para impor determinadas visões de mundo que ainda não foram claramente definidas pelos legisladores eleitos pelo povo, representando a diversidade social da população e a quem compete o papel de definir os limites, permissões e as proibições sobre certos assuntos – pois há outros temas nos quais nem sequer seria desejável que o Legislativo interviesse, para não tolher a liberdade dos cidadãos de escolher entre várias opções lícitas. Quando membros de outras instituições ocupam esse espaço, substituindo o debate democrático pela imposição jurídica, o delicado equilíbrio entre poderes e entre os diferentes grupos dentro de uma sociedade começa a se desorganizar.
O exemplo acabado disso é o do ativismo judicial, que no longo prazo é um dos movimentos mais corrosivos da ordem democrática. Juízes não eleitos passaram a exercer funções próprias do legislador, criando normas, reescrevendo leis e revogando dispositivos, frequentemente sob o argumento de interpretação constitucional. Exemplos recentes foram a descriminalização do porte de maconha, a equiparação da homofobia ao racismo e o reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não discutimos agora o mérito dessas causas; já o fizemos em várias outras ocasiões. Basta-nos apontar o problema: temas altamente controversos, que dividem a sociedade, são decididos fora do espaço próprio do debate democrático. Mesmo quem defende os mesmos pontos de vista dos ministros do Supremo sobre esses assuntos deveria concordar que não é papel de um juiz fazer, alterar ou anular leis a seu bel prazer só porque ele discorda do que está na lei. E, como o exemplo vem de cima, não tardou para que magistrados de instâncias inferiores, membros do MP e de órgãos como Conselhos Tutelares passassem a fazer o mesmo, transformando as próprias convicções em regras impostas a todos.
Um caso especialmente notável é o do ensino domiciliar, o homeschooling. O Supremo já declarou que ele é constitucional, mas que sua regulamentação cabe ao Congresso Nacional, que ainda não aprovou lei alguma a esse respeito. Pais convencidos de que seus filhos aprenderão mais e melhor fora da rede escolar tradicional não quiseram esperar – afinal, crianças crescem – e se organizaram para proporcionar ensino de qualidade aos filhos, com recursos como material didático especializado e tutorias. Mesmo assim, essas famílias têm sido perseguidas quase que como criminosas, vítimas de uma narrativa segundo a qual elas estariam negligenciando a vida intelectual de suas crianças, quando na verdade ocorre o exato oposto – algo atestado pelo desempenho desses estudantes quando submetidos a testes escolares de acordo com sua idade.
Também a liberdade de expressão – especialmente a liberdade de expressão religiosa – tem sofrido pelo ativismo do MP, em casos que contrariam a lei, a Constituição e a jurisprudência do STF. Promotores, procuradores e juízes alinhados com determinadas correntes ideológicas passaram a utilizar, com frequência crescente, a noção de “discurso de ódio” como instrumento para silenciar opiniões divergentes: críticas a comportamentos, discordâncias em relação à ideologia de gênero, ou mesmo a simples exposição de ensinamentos religiosos tradicionais passam a ser tratadas como ilícitos. Um padre ou um pastor que pregue, em sua igreja, o ensinamento de sua fé a respeito da homossexualidade pode ser denunciado e processado – como já ocorreu diversas vezes. Quem aponta incoerências em determinadas correntes de pensamento ou sustenta posições morais clássicas corre o risco de ser levado ao banco dos réus. Em outras palavras, pessoas estão sendo judicialmente perseguidas por discussões sobre comportamentos e questionamentos a correntes de pensamento, opiniões legítimas que – concorde-se ou não com elas – são parte integrante do debate público em qualquer sociedade democrática.
Mesmo na decisão gravemente equivocada em que equiparou a homofobia ao racismo, o Supremo fez questão de ressalvar, de forma expressa, a liberdade de expressão religiosa – tanto de líderes religiosos quanto de fiéis. E, ainda assim, surpreendentemente, pouquíssimo tempo depois de publicada a decisão, o Ministério Público em não poucos casos caminhou na direção oposta a essas ressalvas. Um episódio de repercussão nacional foi a ação movida contra uma escola confessional em Minas Gerais, que havia publicado um folheto de orientação a pais sobre símbolos considerados contrários à sua fé. O material não continua incitação à violência ou ao ódio, limitando-se a uma exposição clara, serena e coerente com a doutrina da instituição. Em Pernambuco, um promotor chegou a exigir um termo de ajuste de conduta de um padre por “LGBTfobia”, por ter criticado a equiparação da homofobia ao racismo e divulgado um abaixo-assinado contra a decisão. Nem mesmo a crítica a uma decisão judicial, portanto, escapou do olhar militante de um promotor.
Em outros casos, a postura militante do MP não se dirige apenas a indivíduos, mas a coletividades inteiras. Em 2018, uma promotora na Bahia criou um programa de incentivo a uma dieta vegana nas escolas municipais, mas não se limitou a defender uma ideia: ela começou a pressionar prefeitos e secretários municipais de Educação, e forçou a assinatura de termos de ajustamento de conduta em quatro municípios que ofereciam carnes, leite e ovos na merenda. Um TAC, como o próprio nome diz, pressupõe que haja uma conduta errada que precisa de retificação. Oferecer produtos de origem animal na merenda, no entanto, não era um erro; era o cumprimento das regras do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Mesmo assim, a promotora resolveu usar a sua autoridade para impor suas convicções alimentares sobre a merenda de várias crianças, usando também o medo dos prefeitos e secretários de Educação, que poderiam sofrer uma ação de improbidade administrativa caso não aceitassem a dieta vegana.
Em uma democracia, é natural que a sociedade esteja dividida sobre vários temas. Só em totalitarismos se impõe o pensamento único sobre todo e qualquer assunto, e a discordância é própria de uma sociedade plural. Com membros de órgãos como o MP e Conselhos Tutelares não é diferente. Um promotor pode julgar que as crianças precisam do ensino formal em escolas, que todos devem se vacinar contra a Covid, que o veganismo é melhor para a saúde que uma dieta com proteína animal, que toda crítica a um comportamento ou a um grupo é “discurso de ódio”. Se está certo ou não, pouco importa; o que importa é como ele usa sua autoridade. Ele pode atuar dentro do direito ou pode instrumentalizar o poder coercitivo do Estado para antecipar uma definição que a própria ordem jurídica ainda não fez – ou pior: para intimidar ou restringir liberdades que o próprio sistema jurídico expressamente protege.
Instituições que concentram poder – incluindo o MP – dependem, para sua legitimidade, não apenas de suas competências formais, mas de virtudes institucionais, das quais a principal talvez seja a autocontenção. Saber quando agir é importante, mas saber quando não agir é decisivo. Quando agentes públicos passam a utilizar o peso do Estado para impor convicções pessoais em áreas abertas ao debate democrático – ou para restringir liberdades fundamentais como a expressão e a religião –, o que se instala, pouco a pouco, é uma lógica autocrática. Ela não se impõe de uma vez: começa em pequenas expansões de poder, muitas vezes bem-intencionadas, em zonas cinzentas, mas, se não for contida, abre caminho para abusos cada vez maiores, como o que vemos hoje em nosso país.
O Ministério Público exerce uma função essencial à justiça. E parte substancial de sua atuação é correta, firme e muitas vezes heroica – pensemos, por exemplo, na força-tarefa da Lava Jato. O MP é realmente indispensável à proteção de direitos; anos atrás, quando se tentou tirar o poder de investigação do MP, a Gazeta do Povo foi uma das vozes contrárias mais firmes. Mas é exatamente por isso que o desvio de função, quando ocorre, é ainda mais preocupante. Por isso, pedimos aos membros do Ministério Público que, em temas moralmente controversos, não se recorra aos TACs ou responsabilização penal. Em uma democracia, nem tudo o que alguém acredita ser correto pode (ou deve) ser imposto pela força do Estado.
O Judiciário brasileiro não se vê como poder da República.
Ele se vê como instância metafísica: Não responde; Não explica; Não se corrige.
Ele revela. Revela sentenças como quem revela dogmas, fala em latim morto para cidadãos vivos e exige fé cega em nome da “técnica”. Aqui, justiça não é serviço público. É rito.
1. A TOGA COMO AURA MÍSTICA
A toga não é vestimenta funcional. É fantasia simbólica de infalibilidade. Ela não protege a imparcialidade. Ela blinda o ego. Vestido de toga, o erro vira “divergência interpretativa”. O abuso vira “entendimento consolidado”. A arbitrariedade vira “convicção jurídica”. Machado de Assis gargalharia: “Nada protege melhor o erro do que um vocabulário incompreensível. ”
2. O JUDICIÁRIO NÃO ERRA. ELE ‘MUDA DE ENTENDIMENTO’
Essa é a genialidade semântica do sistema. Se decide A hoje e B amanhã, não é contradição — é “evolução jurisprudencial”. Se pune um e absolve outro em situação idêntica, não é seletividade — é “análise do caso concreto”. O cidadão comum chama isso de injustiça.
O Judiciário chama de sofisticação. Orwell anotaria: “Quando palavras deixam de significar o que dizem, o poder deixa de precisar de força.”
3. A IMPUNIDADE COMO MÉTODO, NÃO COMO FALHA
No Brasil, o Judiciário não é lento por incompetência. Ele é lento por conveniência sistêmica. Processos arrastam-se até: prescrever, cansar, perder interesse público, virar nota de rodapé. O tempo é a arma preferida da toga. Não sangra. Não escandaliza. Mas mata a justiça por asfixia. Millôr pisaria fundo: “Aqui, a justiça tarda porque sabe para quem trabalha. ”
4. CASTA, NÃO CARREIRA
Juiz no Brasil não é função. É estado social permanente. Salários estratosféricos. Auxílios criativos. Férias em abundância. Cobrança mínima. Punição simbólica. E tudo isso defendido com o argumento supremo: “Para garantir independência. ” Tradução honesta: Para nunca prestar contas.
Machado fecharia com veneno: “Chamam privilégio de garantia porque soa menos feio. ”
5. O POVO COMO ELEMENTO INCÔMODO
O Judiciário fala muito em “sociedade”, mas detesta o cidadão real. O povo: não entende a linguagem, não acessa os gabinetes, não influencia decisões, e só aparece nos autos como “parte”. Quando questiona, é acusado de: “desacreditar instituições”, “atacar a democracia”, e “não compreender a complexidade”. Ou seja: a justiça é do povo — desde que o povo não se meta nela.
CONCLUSÃO DO JUDICIÁRIO
O Judiciário brasileiro não caiu em tentação. Ele organizou-se em torno dela. Transformou autoridade em sacralidade. Prestígio em blindagem. Lentidão em estratégia. Legalidade em álibi moral. E esqueceu o detalhe fundamental: Justiça que não pode ser questionada não é justiça — é poder absoluto com vocabulário técnico.
Os pré-candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)
Nas corridas de cavalo, às vezes não é possível ver quem cruzou a linha de chegada primeiro. Para isso existe o photochart, uma espécie de tira-teima. Em alguns esportes, alguns poucos centímetros podem fazer toda a diferença. Na política também é assim: vitórias apertadas mostram que mover 1% do eleitorado em certa direção pode definir o resultado.
Compreendo a desconfiança com nossas urnas, e na América Latina já nos acostumamos com vitórias da esquerda com 51% contra 49%. Mas se fosse tudo tão manipulável assim, não teríamos Milei, Kast e outros. Ou seja, dá para vencer, e quem repete que não adianta fazer nada pois é um jogo de cartas marcadas acaba afastando potenciais eleitores.
E vamos precisar de cada voto! Em nova pesquisa da Meio/Ideia, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com 45,8% das intenções de voto, contra 45,5% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno na disputa pelo Planalto. O resultado representa empate técnico entre ambos. Sei que ainda falta muito tempo até as eleições e muita coisa pode mudar. Mas isso é um sinal claro de que a disputa será bem acirrada.
Vejo, com preocupação, alguns cantando vitória, achando que dá para derrotar Lula já no primeiro turno. Nunca é sábio subestimar o PT, ainda mais com a máquina estatal nas mãos. O populismo já começou a todo vapor, a propaganda será um show de mentiras e promessas falsas e o adversário vai receber chumbo grosso. Em suma, muita água vai rolar ainda.
Por isso é tão importante uma frente ampla contra Lula. Flávio Bolsonaro tem feito o certo: vem articulando alianças até com adversários históricos ou gente que traiu e detonou seu pai. É preciso engolir muito sapo nessa hora, com o objetivo único de vencer. Infelizmente, tem havido muito “fogo amigo” também, e o Flávio já tentou colocar panos quentes nisso, especialmente nas farpas trocadas entre seu irmão Eduardo e o deputado Nikolas Ferreira.
Nikolas é um baita ativo da direita. Seu vídeo cobrando Davi Alcolumbre quanto ao PL da Dosimetria passou de 100 milhões de visualizações. Valdemar Costa Neto, presidente do PL, acredita que o jovem deputado terá ainda mais voto do que Eduardo Bolsonaro teve, batendo o recorde nacional. Não há motivos para tantos ataques ou “cobranças” nesse momento, se a prioridade é derrotar Lula. Disputas partidárias podem ficar para depois.
Eu faço aqui meu mea culpa: por ver esses ataques todos contra Nikolas e entender que isso é um tiro no pé da campanha do Flávio, tomei as dores e passei a defendê-lo, enquanto criticava a postura do Eduardo. Mas o X é uma Cracolândia, e existem os incendiários que querem só ver o circo pegar fogo. O resultado é que as “tretas” saíram de controle e têm prejudicado a direita como um todo. Por isso tomei a decisão de não mais participar desse bate-boca infrutífero, que chacais e hienas tanto apreciam.
O Brasil não aguenta mais quatro anos de petismo. Isso deve estar claro para todos, espero. Logo, é necessário ter as prioridades certas. E a maior delas é derrotar Lula. Quem tem mais chances disso é o Flávio. Na pesquisa, todos os outros perdem: Zema, Caiado e Renan. Repito: sei que muita coisa ainda vai acontecer até outubro, mas essa é a foto que temos. A candidatura de Flávio parece consolidada, e ele vem crescendo nas pesquisas.
Portanto, apoiar Flávio é uma questão de sobrevivência. Não é preciso morrer de amores por ele, ser um bolsonarista raiz, nada disso. Até porque ninguém vence uma eleição majoritária com a bolha das redes sociais, por mais barulhenta que seja. É preciso atrair os votos do centro, dos indiferentes, daqueles que não ligam tanto para política. E a postura moderada e agregadora que o Flávio vem adotando mostra que ele compreendeu bem isso.
Não é hora de “tretas”. Não é o momento para “caçar traidores”, até porque Flávio já fechou alianças com Sergio Moro, Deltan Dallagnol, André Marinho e Ciro Gomes. De minha parte, isso é uma promessa: podem xingar à vontade no X que não haverá mais resposta. Podem cutucar, cavar falta, colocar lenha na fogueira, criar apelidos “carinhosos” e distorcer tudo que falo, não importa: esse ambiente se torno tóxico demais e em nada ajuda na vitória da direita. Todos deveriam deixar o ego um pouco de lado e abraçar a causa mais nobre do momento: aposentar logo o Lula e, de preferência, começar um trabalho sério para tirar ao menos Moraes e Toffoli do Supremo. É isso que pode salvar nossa democracia.
Discordo de quem defende que Silvia Abravanel e as irmãs agem em desacordo com o posicionamento político do pai, já que a relação de Silvio Santos, fundador do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), com todos os governos brasileiros ao longo das décadas foi marcada pelo pragmatismo e pela manutenção de um perfil de cordialidade, independentemente da orientação ideológica do presidente no poder.
Desde a ditadura militar (especialmente a partir do governo Médici) até governos recentes, Silvio Santos manteve uma relação próxima com quem estivesse no Palácio do Planalto.
Por 16 anos (1981 a 1997), o SBT exibiu o quadro “A Semana do Presidente”>, que divulgava a agenda dos mandatários, o que demonstrava o alinhamento da emissora com o governo federal.
Silvio Santos chegou a se autodenominar de “office boy de luxo do governo”, enfatizando sua visão de que o governo era seu patrão e que ele devia a ele deferência.
Essa postura pragmática permitiu que Silvio Santos mantivesse o SBT no ar e expandisse seus negócios ao longo dos anos, evitando crises políticas que poderiam afetar suas concessões de TV.