Arquivo diários:21 de abril de 2026
DEU NO JORNAL
ALEXANDRE GARCIA
OS IDOSOS
Uma notícia especial para quem tem mais de 60 anos: nós somos um em cada quatro eleitores no Brasil. Temos uma força tremenda como eleitores, só que, como força financeira e econômica, isso só agora está sendo discutido.
Vejam só: sabem quanto movimentam 33 milhões de idosos com mais de 60 anos? R$ 2 trilhões. Eu acho muito pouco; poderia ser o dobro disso, R$ 4 trilhões. Por que não movimentam?
Está aqui o depoimento de uma pessoa de 70 anos que foi abordada e perguntaram: “Como é que você é recebido?”. Ela respondeu: “Os vendedores não dão muita bola, porque veem meus cabelos prateados; não me dão muita importância, preferem atender os mais jovens”.
Será que são tão burros assim? Porque os mais jovens consomem pizza e Coca-Cola. Já os mais velhos tomam vinho, pedem pratos melhores, gastam mais, vão para hotéis melhores, têm mais disponibilidade de renda, porque, afinal, já trabalharam, no mínimo, 40 anos e tiveram a oportunidade de fazer um bom pé de meia para gastar agora, seja porque não estão mais trabalhando, seja como um presente para si próprios.
Os marqueteiros estão perdendo essa oportunidade, inclusive na propaganda — principalmente aquela dirigida aos jovens —, que deixa de oferecer bens e serviços claramente procurados por pessoas mais velhas. Digo isso falando em causa própria.
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Ex-policial condenado pelo 8/1
Quero mencionar agora uma pessoa de 56 anos que está doente. Foi presa e ficou dois anos detida por causa do 8 de janeiro. Segundo ele, não tem relação com invasão, quebra-quebra ou golpe de Estado; ainda assim, ficou preso dois anos sem denúncia sequer.
Depois, foi para casa, passou a usar tornozeleira e, só então, foi condenado. A Polícia Federal foi até a casa dele, retirou-o e o levou de volta à prisão. Ele afirma que não aguenta mais. A mãe dele relata que nunca havia visto o filho com sintomas de esquizofrenia, quadro que ele teria desenvolvido nos dois anos em que esteve afastado da sociedade. O nome dele é Marco Alexandre Machado de Araújo.
Vejam só: imaginem o desespero de tantas famílias que aguardam, agora, no dia 30, a votação para derrubar o veto de Lula sobre a dosimetria, que estabelece que uma pessoa não pode ser condenada por crimes semelhantes de forma cumulativa.
Isso pode mudar muita coisa. Há quem calcule que a pena de Bolsonaro, por exemplo, poderia cair de 27 para 2 anos. Estamos discutindo penas indevidas e condenações injustas, quando, obviamente, deveriam ser alvo de investigação — e talvez de condenação — aqueles que depredaram o patrimônio público.
Sim, o que vimos foi uma manifestação — uma manifestação que perdeu um pouco o rumo —, mas, em geral, eram manifestantes, puramente manifestantes, que acabaram sendo todos condenados.
DEU NO JORNAL
TORRANDO NOSSO DINHEIRO
Os dois dias em que Lula, Janja e anedótica comitiva passaram pela Alemanha deixaram uma fatura milionária, empurrada para o pagador de impostos bancar, sem direito a reclamações.
Para poucas horas em solo alemão, foram R$ 812.548,59 só para hospedar a trupe.
Lula e Janja nunca deixam por menos: escolheram o exclusivíssimo Kastens Hotel Luisenhof, que se jacta no próprio site pelo “luxo sofisticado” e como “o único hotel cinco estrelas superior no coração de Hanover”.
Além dos R$ 812,5 mil, o petista ainda alugou uma sala de “apoio” no hotel. Mesmo sem serventia, custou R$ 17,2 mil para quem paga a conta.
O hotel ainda oferece serviços de luxo, como “Fim de Semana Real”, com café da manhã e passeio pelos Jardins Reais de Herrenhausen.
Para quem gosta de esbanjar, o hotel oferece a Suíte Leibniz, com closet, banheira, piso aquecido e vários mimos distribuídos por 100m².
No Leo’s Bar, a comitiva teve à disposição champagne Dom Perignon Vintage. Em conversão direta, custa R$ 1.700 por menos de um litro.
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A expressão “anedótica comitiva”, no primeira parágrafo dessa nota aí de cima, resume tudo.
Essa despesa absurda deveria ser paga apenas por quem fez o “L”.
Mas, infelizmente, a banda decente do Brasil também cobre este gasto incrível, imoral, surreal.
Pra mudar isso tudo, só tem o jeito: as próximas eleições.
Aguardemos.
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
FORMOSA – Maciel Monteiro
Formosa, qual pincel em tela fina
debuxar jamais pôde ou nunca ousara;
formosa, qual jamais desabrochara
na primavera a rosa purpurina;
formosa, qual se a própria mão divina
lhe alinhara o contorno e a forma rara;
formosa, qual no céu jamais brilhara
astro gentil, estrela peregrina;
formosa, qual se a natureza e a arte,
dando as mãos em seus dons, em seus lavores,
jamais pôde imitar no todo ou parte;
mulher celeste, ó anjo de primores!
Quem pode ver-te, sem querer amar-te?
Quem pode amar-te, sem morrer de amores?!

Maciel Monteiro, Lisboa, Portugal (1804-1868)
DEU NO X
A HILÁRIA IMPRENSA DA REPUBLIQUETA BANÂNICA
COMENTÁRIO DO LEITOR
CATILOGÊNCIA APLICADA
Comentário sobre a postagem SER OU NÃO SER
Jairo Juruna:
Essa crônica do Xico Bizerra é um exercício de filosofia de boteco da melhor qualidade.
Trata-se de um texto leve, cheio de brasilidade e catilogência aplicada de quem sabe que a vida não precisa ser complicada.
O tratamento que ele dá ao dilema profundo do “Biu” Shakespeare é a prova de que, no Brasil, a gente não tem muita paciência para dramas existenciais profundos; a gente prefere mandar o cara “deixar de onda e ficar na sua”.
É o nosso modo peculiar de ser: a gente simplifica o que é complexo no grito e na galhofa.
O autor foi preciso na autocrítica. Ele preferiu “escrevinhar” a ver o programa do Ratinho, que sem dúvida é um exercício cruel mesmo.
Hoje em dia, entre encarar na TV o programa do Ratinho ou um jogo do Santos Futebol Clube ou da seleção da CBF, a gente fica até tonto com tanta bobagem junta.
É um teste de paciência que nem o “Biu” Shakespeare aguentaria!
DEU NO JORNAL
TRI, TRI, TRI
O próprio governo Lula (PT) já admite que gastou muito mais do que arrecadou, este ano.
Segundo dados do Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União, as despesas da administração petista já superaram R$ 1,76 trilhão, enquanto foram tomados da população “apenas” R$ 1,65 trilhão em impostos.
* * *
Tá pouco: na casa do 1 trilhão ainda.
O Descondenado planeja chegar aos 13, o número do bando que comanda.
13 tri, tri, tri.
DEU NO X
POUQUINHO… SÓ UNS MILHÃOZINHOS…
CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS
CONFLITOS ENTRE PAI E FILHO POR IMÓVEL E A PROPOSTA DO BÊBADO

“Pais inteligentes formam sucessores e não herdeiros”
Nelson fora um menino bem educado pela mãe até a maioridade, quando teve de deixar a escola que a mãe era dona e professora para servir no Exército em Picos, Estado do Piauí. Lá, com o “empurrão” de um conhecido do quartel, ocupou um cargo comissionado sem vínculo, até que se graduar e vir a tornar-se um capitão. Como ganhava bem e não havia com que gastar a grana que recebia todo mês, pois era um muquirana incorrigível, ao ponto de nunca levar a jovem com quem namorava para piqueniques, e quando ia não comprava um sanduíche de mortadela para o lanche, fez um acordo com o pai para todo mês, quando recebesse os proventos, enviá-los para o coroa e este se encarregava de comprar imóveis para ele, Nelson. De preferência, num bairro popular do Recife.
Assim foi feito de acordo com as partes, verbalmente. Todo mês Nelson enviava o dinheiro do ordenado, o pai guardava num cofre da época do faroeste americano, que o filho comprara de um gringo instrutor estadunidense que servia no quartel de Picos, e quando a grana atingia uma quantia razoável, o pai saia à procura de imóveis populares bem localizados nas imediações, de preferência aqueles imóveis razoáveis e bem localizados que o proprietário tivesse sufocado, devendo a agiotas, sendo obrigado a pagar e sem condições financeiras para honrar os “juros,” ou o saldo total, antes que o agiota tomasse a casa ou carro “empenhados,” na tora.
Quando atingiu doze imóveis – todos alugados – e Nelson percebendo que não iria ficar no quartel, pediu ao pai, de boca, para construir uma laje no prédio residencial, moradia dos pais, que ficava dentro da escola para, assim que ele saísse do quartel, já casado, viesse morar no primeiro andar que mandou construir. O pai concordou, verbalmente, pediu para ele enviar o dinheiro do mês para a construção da laje. Depois de pronto o primeiro andar, Nelson foi dispensando do quartel, casou-se com uma donzela de Picos e avisou ao pai que viria para o Recife, já casado, e que iria morar com a esposa na laje. E que os pais teriam de desocupar por ser dele o primeiro andar.
Foi nesse momento que o pai deu para trás, “pegou ar” devido à arrogância do filho, dizendo que não iria desocupar a casa dele para filho morar e pagar aluguel, só depois que ele morresse. Que o filho fosse morar numa das casas dele com a esposa ou que ficasse em Picos. A partir daí começa uma disputa entre o ego e a ganância, a birra e a intolerância, com o filho dizendo que viria para morar na casa construída com o dinheiro dele, e o pai dizendo que só deixava a casa dele depois de morto. Enquanto a discussão entre os dois comia no centro, a mãe, professora, diretora e dona da escola, sofria calada, sem poder fazer nada com o desentendimento entre o filho e o pai.
Nelson, egoísta, ganancioso, e dizendo que o pai não havia honrado com a palavra, deixa tudo em Picos e vem morar numa casa nova comprada por ele e infernizar os pais, dizendo que o primeiro andar construído dentro da escola foi com o dinheiro dele e que queria por que queria ocupar o imóvel porque era seu de direito…
Durante esse período de disputa com o pai, que não abria mão de jeito nenhum do seu direito de proprietário do imóvel, Nelson, um obcecado e adorador de Hitler, do qual a biografia Mein Kampf (“Minha Luta”), já havia lido mais de vinte vezes, engordou cinqüenta quilos de preocupação, desenvolveu uma diabetes pesada e teve dois Acidente Vascular Cerebral (AVC) com menos de trinta e cinco anos, mas continuou mais obcecado pelo primeiro andar, pelo qual a mãe desde o início da discussão lhe pagava o aluguel todos os meses, reformou a casa onde ele está morando sem a família saber, mas a intenção de Nelson é o primeiro andar que o pai prometeu e não cumpriu o prometido.
Tomando conhecimento do buruçu, Seu Zé de Nezinha, um papudim autodidata e bem informado, leitor voraz de livro de ficção de Morris West e outros, apaixonado por filmes de faroeste antigo, sobretudo “Era uma Vez no Oeste,” e ter ficado fascinado com o duelo final no filme entre os dois vilões, aconselhou pai e filho a transformarem o Campo do Santa Cruz num Coliseu, cada um de garra com seu Remington 1875, acionava um relógio à moda do filme “The Quick and the Dead” (1995), “Rápida e Mortal,” em tradução brasileira, quando o ponteiro chegasse às 12:00h, com o quengo dos dois queimando no sol de 40ºC, o campo entupido de gente vibrando pela miséria alheia e apostando em quem era mais rápido no gatilho.
– Só assim acaba essa frescura de fresco. Quem for mais rápido no gatilho come a oia do outro e ninguém fala mais nisso – disse eufórico Zé de Nezinha, levantando a taça 51, e perguntando aos presentes na roda de pinga: Tô certo ou tô errado?
DEU NO JORNAL

