Nesse País que leva o nome de Pindorama e alguns o chamam pelo apelido de um pé de pau, como diz Teles, ‘Biu’ Shakespeare não se criaria. Quando ele dissesse ‘Ser ou Não Ser’ não faltaria um gaiato tupiniquim levantando o dedo e gritando:
– Nem uma coisa nem outra, seu Galego. Deixe de onda e fique na sua!
Eis a crucial questão. Todo esse preâmbulo, sem beira nem beira, apenas para comentar as pequenas dúvidas (ou grandes dilemas) que enfrentamos no dia-a-dia: ir ou não ir, cerveja ou whisky, que roupa vestir? Tudo bobagem: terminamos por ir ao lugar mais próximo, a beber o que estiver mais perto, a escolher uma ou outra vestimenta aleatoriamente, comonum par ou ímpar e a vestir a primeira roupa que pegar no armário.
Desde os tempos em que Eva só enxergava Adão à sua frente, que não via outro homem naquele imenso Paraíso – até porque só existia ele, além das serpentes – que é assim: sempre temos que decidir entre pelo menos duas opções. Até Eva, longínquo tempo, teve de decidir entre Adão e a fruta: deu preferência à maçã, mas isso já é outra história. Então, na vida, isto ou aquilo, escolhamos. Sábado à tardinha, por exemplo, surge a dúvida, outra necessidade de decidir: jantar fora ou pedir uma pizza? calabrezza ou mussarella? Feita a opção, pede-se acessoriamente uma coca-cola. Ou um guaraná.
Ontem mesmo, lembrando o tempo em que se fumava um cigarrinho que passarim não fuma, ocorreu-me a dúvida cruel que confirma minha tese aqui exposta: assistir o programa do Ratinho ou escrevinhar minhas baboseiras e besteiragens semanais para encher o saco de meus 5 ou 6 leitores. Perdeu o leitor. Também, quem mandou o protótipo de roedor ser tão ruim apresentando seu programa? Daí, escrevi este sem-assunto, estas mal tecladas linhas, pelo que já me desculpo perante aqueles que tiverem a infeliz ideia de lê-las ao invés de escolherem algo melhor a fazer. Da próxima, prometo, vou optar pela TV: dos males, o menor.
