JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Dona Ivone Lara

Ivonne Lara da Costa nasceu em 13/4/1921. Enfermeira, assistente social, compositora e cantora, ficou conhecida como Rainha do Samba e Grande Dama do Samba. Foi a primeira mulher a compor um samba-enredo, vindo a integrar a ala de compositores de sua escola, a “Império Serrano”, em 1963. Seu nascimento em 13 de abril foi instituído em Lei como “Dia Nacional da Mulher Sambista”.

Filha de Emerentina Bento da Silva e João da Silva Lara, ambos ligados a música. Formada em enfermagem e serviço social, trabalhou na área de saúde por mais de 30 anos. Teve atuação destacada na reforma psiquiátrica no Brasil, ao lado da médica Nise da Silveira, antes de se aposentar, em 1977, e dedicar-se à carreira artística.

Perdeu a mãe aos 3 anos de idade, o pai aos 16, e foi criada pelos tios, com quem aprendeu a tocar cavaquinho, ouvindo samba; teve aulas de canto com Lucília Guimarães e recebeu elogios de seu marido, o maestro Villa-Lobos. Teve uma família formada por músicos: casou-se, em 4/12/1947, com Oscar Costa, filho de Alfredo Costa, presidente da Escola de Samba Prazer da Serrinha. Aí conheceu alguns compositores que vieram a ser seus parceiros, como Mano Décio da Viola e Silas de Oliveira.

Passou a maior parte de sua vida dedicada ao serviço de saúde. Entrou na Faculdade de Enfermagem (atual UNIRIO) aos 17 anos; aos 21 prestou concurso público no Ministério da Saúde e aos 25 foi trabalhar no Instituto de Psiquiatria do Engenho de Dentro. Aí especializou-se em terapia ocupacional e trabalhou por mais de 30 anos na Colônia Juliano Moreira, com pacientes de doenças mentais. Formou-se, também, em Serviço Social e teve atuação destacada nesta área, reconhecido pela professora da Faculdade de Serviço Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro-UERJ, Graziela Scheffer, que publicou o artigo acadêmico “Serviço social e Dona Ivone Lara: o lado negro e laico da nossa história profissional”, em 2021 na revista Opera.

Tinha uma visão diferenciada dos diagnósticos médicos, que desacreditavam da condição mental dessas pessoas e trouxe a “terapia musical” para seus pacientes. Utilizando-se de seus contatos, conseguiu patrocínios para adquirir os instrumentos e criou uma oficina de música, passando a promover festas e eventos de socialização entre os pacientes, familiares e funcionários. A oficina deu origem ao bloco de carnaval carioca “Loucura Suburbana”, em 2001.

Compôs o primeiro samba – Nasci para Sofrer -, que se tornou o hino da escola de samba Prazer da Serrinha, fundada na década de 40 e extinta em 1952. Com a fundação da escola de samba Império Serrano em 1947, passou a desfilar na ala das baianas. Seu primo Antônio dos Santos, conhecido como Mestre Fuleiro recebia os créditos pela maioria das primeiras composições, pois os sambas eram compostos apenas por homens. Trata-se de um ardil premeditado entre os dois. Primeiro ele apresentou os sambas na ala dos compositores como se fossem dele. Só mais tarde quando alcançavam sucesso, ele revelou como sendo de sua prima.

Assim, ela só foi integrada na ala dos compositores do Império Serrano em 1963, após 11 anos contribuindo com a escola. Em 1965, passou a assinar sambas enredo com seu próprio nome. Desse modo tornou-se a primeira mulher a assinar um samba-enredo. Em 1970 gravou seu primeiro disco “Sambão 70”, obtendo grande sucesso. Em 1986 compôs um jingle para a campanha de Wellington Moreira Franco nas eleições para governador e o sucesso da canção foi apontada como responsável pela vitória naquele ano.

Participou como atriz em alguns filmes e foi a Tia Anastácia no programa “Sítio do Pica-Pau Amarelo”. Deixou mais de 20 discos gravados e suas músicas vêm sendo interpretadas pelas principais cantoras e cantores brasileiros. Uma de suas músicas mais conhecidas, em parceria com Délcio Carvalho, foi Sonho Meu, sucesso na voz de Maria Bethânia e Gal Costa em 1978, cujo álbum ultrapassou um milhão de cópias vendidas. Em 2010 foi a homenageada na 21.ª edição do Prêmio da Música Brasileira. Em 2012, recebeu homenagem do Império Serrano, com o enredo Dona Ivone Lara: O enredo do meu samba.

Em dezembro de 2014 foi a homenageada na 19ª edição do Trem do Samba; em 2015, entrou para a lista das “Dez Grandes Mulheres que Marcaram a História do Rio”. Faleceu em 16/4/2018, aos 97 anos. Algumas biografias dão conta de seu legado: Nasci para sonhar e cantar: Dona Ivone Lara: a mulher no samba, de Mila Burns, publicada pela Ed. Record, em 2009; Dona Ivone Lara: A Primeira-Dama do Samba, de Lucas Nobile, publicada pela Sonora Editora, em 2015, e Ivone Lara: A dona da melodia, publicada pela Ed. Garamond, em 2010.

Uma cinebiografia intitulada Dona Ivone Lara: O Prazer da Serrinha, com roteiro de Elísio Lopes e Igor Verde, encontra-se em fase de produção com lançamento previsto para 2026. O longa retrata sua trajetória, focando a carreira musical, bem como sua atuação na área da saúde mental.

DEU NO JORNAL

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

CONSEQUÊNCIAS…

Estou pagando com juros
Tudo o que fiz no passado.

Mote do poeta Asa Branca do Ceará

Já fui moço e já fui belo,
Já esbanjei elegância,
Na areia da arrogância
Edifiquei meu castelo.
Hoje o meu riso amarelo,
Meio nicotinizado,
É o retrato-falado
Dos meus dias obscuros.
Estou pagando com juros
Tudo o que fiz no passado.

Aos conselhos paternais
Eu nunca dei atenção,
Qualquer orientação
Era intromissão demais.
O que fiz com os meus pais
Hoje recebo dobrado:
O meu filho revoltado
Só me traz grandes apuros.
Estou pagando com juros
Tudo o que fiz no passado.

Cada paixão desprezada
Por este meu coração
Transformou-se em tropeção
Que sofro na caminhada.
Espinhosa é minha estrada,
Pois o trajeto traçado
Parece até desenhado
Por promotor de enduros.
Estou pagando com juros
Tudo o que fiz no passado.

DEU NO X

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

FÉ SEM FINGIMENTOS

No seu livro Os Demônios, o notável Dostoievski explicita um questionamento do seu personagem principal: “A fé se reduz, no fundo, a uma pergunta angustiosa: ‘Um homem culto, um europeu dos nossos dias, pode ainda crer, pode acreditar na divindade de Jesus Cristo, Filho de Deus? Porque, em suma, toda fé está nisso’”.

Para Dostoievski, entretanto, a questão maior do ser humano pensante contemporâneo, que muito ainda o está angustiando é outra: Como Jesus pode ser divino e humano simultaneamente? Um mistério para todos aqueles que buscam vivenciar Jesus como Ser Humano e como personalidade integrante da Santíssima Trindade.

Na Páscoa que está sendo vivenciada por gregos e troianos das vertentes espiritistas e espiritualistas as mais diferenciadas, estão sendo recomendadas muitas análises de especialistas, as quais contribuirão certamente para uma enxergância mais consistente sobre o autor do inesquecível Sermão da Montanha (Mateus 5,3), para quem encareço, desde já, uma leitura meditativa do livro O SERMÃO DA MONTANHA, Rodolfo Calligaris, 18ª. edição, 16ª. reimpressão, Brasília, Editora FEB, 2024, 192 p. O autor do livro (1913-1975), paulista de Americana, foi um dos fundadores, em 1964, do Lar Espírita Esperidião Prado, integrando sua Diretoria até sua desencarnação. Os balizamentos do Sermão da Montanha são otimamente analisados, com comentários argutos e convincentes.

Para melhor orientar os cristãos dos quatro cantos do Brasil, de todas as denominações, recomendo ainda, abaixo, algumas leituras atentas de conferências pronunciadas por gente de elevado nível cultural:

a. JESUS CRISTO: CONFERÊNCIAS SOBRE A FISIONOMIA HUMANA E DIVINA DE CRISTO, Karl Adam, 2ª. edição, São Paulo, Cultor de Livros, 2021, 337 p. Quatro conferências do teólogo alemão católico (1876-1966), que ratifica a doutrina católica a respeito de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Karl Adam, em seis conferências, analisa uma tese filosófica muito discutida: Se Jesus não passasse apenas de um ser humano, o Cristianismo seria uma mera fantasia, de fé totalmente infundada.

b. JESUS CRISTO É DEUS? José Antônio de Laburu, SJ, 5ª. edição, São Paulo, Edições Loyola / Edirora Cléofas, 2013, 101 p. Seis notáveis conferências proferidas pelo autor (1887-1972), todas elas sobre a divindade de Jesus. Um livro lógico incontestável, já com mais de 30 edições em castelhano. Livro tido e havido como único no gênero. Sempre com entusiasmo, já o li três vezes.

c. SEGUIR JESU: ENCONTRAR O CAMINHO EM TEMPOS DE ANSIEDADE, Henri Nouwen, Petrópolis RJ, Editora Vozes, 2025, 188 p. O autor (1932-1996), foi professor de Psicologia e Teologia em Yale, Connecticut e Harvard. São seis reflexões feitas em Cambridge, Estados Unidos, na Páscoa de 1985, que fizeram inúmeros descaminhados retornarem às suas essências espirituais.

Desejo a todos, os daqui e os do exterior, uma PPE – Páscoa Pensante Evolucionária, erradicando posturas aéticas e descaminhos induzidos por ânsias financeiras, buscando ser novos seres humanos, sem preconceitos, antissemitismos, feminicídios, homofobias, cavilações, chiliques piedosos e tampouco crença nas futilidades pregadas pelos malafeias da vida, que apenas pensam em amealhar recursos, distanciados de povos, religiões, nações e etnias que buscam integrar, ad futuram, a Mansão do Criador do Todo.

Uma Feliz Páscoa muito arretada de ótima para todos nós, irmãos sem fronteiras, se possível se respaldando na figura muito ímpar do atleta Oscar Schmidt, desencarnado nesta semana que passou!

PENINHA - DICA MUSICAL

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