ALEXANDRE GARCIA

MINISTRO TEM DE SE LEGITIMAR TODO DIA, MAS ALGUNS SE ESQUECERAM DISSO

Cármen Lúcia stf legitimidade

A ministra do STF Cármen Lúcia

Outro dia comentei uma fala da ministra Cármen Lúcia, quase um desabafo, quando ela disse que a família a estava pressionando para que deixasse o Supremo, parasse de se incomodar. Agora ela disse que a legitimidade de um ministro do Supremo não ocorre só na entrada, mas todos os dias. E como ele se legitima? Mantendo todos os dias aquilo que é exigido pelo artigo 101 da Constituição: o notável saber jurídico – e esse quem tem não perde – e a reputação ilibada, que o ministro pode até ter tido no início, quando passou pela sabatina no Senado, mas pode não ter mais. Foi um bom aviso.

Ela ainda lembrou de uma fala do seu pai: “Minha filha, juiz não tem família”. Ela tinha de dizer isso para Alexandre de Moraes. Estamos vendo que juiz tem irmãos, como Dias Toffoli. Gilmar Mendes se separou por algum motivo. Da maneira como Cármen Lúcia se expressou, parece que ela está sentindo que há ministros do Supremo que estão devendo satisfações à sociedade – e efetivamente estão.

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Se vamos trabalhar menos, vamos produzir menos também; é isso que queremos?

O relator dos projetos sobre o fim da escala 6×1 na Câmara, deputado Paulo Azi (União-BA), deu parecer favorável às PECs que reduzem a jornada de 44 para 36 horas. Parece achar que não vai acontecer nada. Mas é claro que vai: produziremos menos riqueza, menos bens; haverá menos dinheiro para pagar as pessoas; menos rendimento é igual a menos riqueza, menos salário, menos tudo. Não existe almoço grátis. O Bolsa Família não é grátis; alguém trabalhou, suou e pagou impostos para que as pessoas recebam o Bolsa Família. Metade do Brasil está trabalhando para sustentar a outra metade, e o governo ainda gasta muito. Com isso, faz os juros ficarem altos, porque o governo também toma dinheiro emprestado para poder pagar tudo o que compra.

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Acusaram Bolsonaro de atrapalhar investigações, mas quem tem feito isso é o Supremo

Jair Bolsonaro foi acusado tantas vezes de tentar prejudicar investigações sobre Marielle Franco, e todos já descobriram a verdade. Mas agora ninguém – ao menos não no Supremo – está apontando a responsabilidade dos ministros ao prejudicar investigações nas CPIs. Dias Toffoli tentou blindar o Master, congelou a investigação da Polícia Federal; só andou depois que foi para as mãos de André Mendonça. O critério que aplicaram para Bolsonaro não está servindo para o próprio Supremo, que responde falando em “ataques à democracia”. Ninguém está atacando nada; só estão criticando ministros do Supremo que, como disse Cármen Lúcia, não têm mais reputação ilibada, nem seguem a obrigação de moralidade que está no artigo 37 da Constituição, que exige moralidade em todo o serviço público.

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Não são apenas os mais jovens que precisam ser incentivados a votar bem

Nós, eleitores acima de 60 anos, somos 36 milhões, ou um em cada quatro votantes, e precisamos ir às urnas. Com 60 anos de vida, de aprendizado, de experiência, de conhecimento dos candidatos – e muitos de nós fomos enganados por mentiras e promessas –, é impossível seguir errando; está na hora de votarmos sabendo em quem votar. Nikolas Ferreira está fazendo campanha para que os jovens de 16 e 17 anos, que não são obrigados a votar, façam o título e votem também, para já decidirem o futuro. E vejo que, cada vez mais, uma nova geração está aí com outra cabeça, para defender os valores da civilização ocidental judaico-cristã. O voto também é facultativo para quem tem mais de 70 anos; precisamos lembrar deles.

DEU NO JORNAL

COISAS DA PATOTA

Preso nesta quarta-feira (15) na batida da Polícia Federal contra lavagem de dinheiro que movimentou R$ 1,63 bilhão, Raphael Sousa Oliveira é dono do perfil de fofocas “Choquei”, que coleciona nas redes bajulação ao PT e acusações de diálogos ensaiados para promover o governo e emplacar “versões oficiais”.

Foi o caso quando anunciou que a “taxa das blusinhas” não pegava o consumidor e ainda deu espaço para a primeira-dama Janja insistir na lorota que a taxa seria só “para empresas”.

Não demorou e o diálogo entre Janja e Choquei logo ganhou o selo “Isto é falso!”, no X.

A cobrança caiu mesmo na conta do consumidor final.

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Não há motivo pra espantos.

Tá tudo em casa e dentro dos conformes.

Normal, normal, normal.

MAURINO JÚNIOR - SEM CRÔNICAS

O BRASIL NÃO FOI CONSTRUÍDO. FOI SABOTADO. (DESDE 1500, COM ORGULHO)

O Brasil não deu errado. Essa é a primeira mentira que nos contaram. O Brasil deu exatamente certo — para quem sempre esteve no comando. Desde 1500, este território não foi pensado como nação, mas como negócio. Nunca como projeto coletivo, mas como extrativismo humano, material e simbólico. E a elite brasileira — essa entidade sem pátria, sem vergonha e sem espelho — sempre foi a gerente fiel do saque.

1500–1822: Nascemos Colônia; Morremos Colônia

Portugal não veio fundar um país. Veio abrir uma planilha. Aqui não se plantou cidadania, plantou-se monocultura. Não se formou povo, formou-se mão de obra descartável. Não se construiu Estado, construiu-se Casa-Grande. E atenção: a elite que nasce aí nunca se brasilizou. Ela falava português olhando para a Europa, vivendo aqui como quem mora num hotel decadente, apenas esperando o momento de ir embora com os bolsos cheios.

Machado de Assis teria resumido assim, com aquele sorriso assassino: “Não tivemos senhores de escravos. Tivemos escravos de senhores. ”

1822: Independência Sem Povo (O Golpe Mais Bem Sucedido)

A independência brasileira foi um milagre: conseguimos trocar de dono sem mudar nada. Mesma elite. Mesma estrutura. Mesmo desprezo pelo povo. Mudou a bandeira, manteve-se o chicote — agora invisível, jurídico, elegante. Enquanto outros países fizeram revoluções, o Brasil fez um acordo de condomínio. Orwell aplaudiria de pé: “Todos são livres, mas alguns continuam mandando mais que os outros. ”

República: O Nome Moderno do Mesmo Casarão

A República prometeu cidadania: Entregou coronelismo. Prometeu democracia: Entregou clientelismo. Prometeu igualdade: Entregou CPF, dívida e humilhação. A elite brasileira percebeu algo cedo: educar o povo é um risco existencial. Por isso: escola sempre foi improviso, universidade, exceção, ciência, luxo, professor, estorvo. Millôr Fernandes não pediria licença: “No Brasil, o futuro sempre foi uma ameaça ao presente de quem manda. ”

A Grande Obra da Elite: Produzir um Povo que se Acuse

Aqui está o golpe mais perverso: a elite brasileira não se sustenta só no dinheiro — ela se sustenta na culpa que o povo carrega. O brasileiro é ensinado a pensar: “Somos corruptos. ” “Não damos certo. ” “Isso aqui não tem jeito. ” Enquanto isso, quem: escreve as leis, controla o orçamento, define prioridades, protege privilégios permanece fora do banco dos réus morais. Machado gargalha do túmulo: “A culpa coletiva é o álibi perfeito para o crime individual. ”

Brasília: A Obra-Prima Da Desconexão

Brasília é o ápice estético da sabotagem. Não foi feita para governar um povo. Foi feita para governar à distância do povo. Lá, tudo é largo: avenidas largas, gabinetes largos, salários largos, privilégios largos. E tudo é estreito: empatia estreita, responsabilidade estreita e consequência estreita. Orwell anotaria: “Quanto mais longe do povo, mais fácil chamá-lo de problema. ”

O Mito Da “Falta de Vocação”

Dizem que o Brasil não tem vocação para ciência. Mentira. Dizem que não tem vocação para organização. Mentira. Dizem que não tem vocação para excelência.

Mentira. O que o Brasil não tem permissão é para que a excelência vire regra. Porque excelência cobra, Ciência questiona, Educação denuncia e Consciência desestabiliza.

Millôr pisaria fundo: “Aqui se premia o medíocre leal e se pune o brilhante incômodo.”

O Complexo de Vira-Latas: Uma Engenharia Psicológica

O brasileiro não se acha menor por acaso. Ele foi treinado. Treinado a: admirar o que vem de fora, desconfiar do que é seu, aceitar migalhas como destino e confundir sobrevivência com fracasso. Enquanto isso, a elite brasileira: estuda fora, investe fora, sonha fora, e governa aqui como quem cuida de um ativo temporário. Machado fecharia com navalha: “A pátria é um discurso conveniente. O lucro, permanente. ”

Conclusão: O Crime Perfeito

O maior crime da elite brasileira não foi roubar. Foi normalizar o roubo. Não foi explorar.

Foi convencer o explorado de que a culpa era dele. Não foi falhar. Foi chamar sabotagem de destino. O Brasil não precisa ser salvo. Precisa ser desmascarado. E quando o povo finalmente entender que: não é incompetente, não é inferior, não é o problema, a elite — essa sim — ficará nua, sem discurso, sem mito, sem álibi. E isso, meus caros, é o único terror que Brasília realmente teme.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

RETALIAÇÃO E INTIMIDAÇÃO

Editorial Gazeta do Povo

Como um boxeador nas cordas e que não tem mais nada a perder, os ministros do STF resolveram que não basta simplesmente continuarem blindando uns aos outros enquanto sofrem críticas de todos os lados. Agora, eles irão contra-atacar, e para isso não hesitarão nem em usar sua autoridade, nem em abusar da prática de se pronunciar fora dos autos. Gilmar Mendes e Dias Toffoli já afirmaram claramente que gostariam de ver punidos – seja na esfera criminal, seja em ações de inelegibilidade – os senadores da CPI do Crime Organizado que foram favoráveis ao indiciamento de Gilmar, Toffoli, Alexandre de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O relator da CPI, Alessandro Vieira (MDB-SE), havia solicitado o indiciamento dos três ministros e do procurador-geral por atos ligados ao escândalo do Banco Master: a condução atípica do caso no STF por Dias Toffoli; as decisões de Gilmar Mendes que blindaram a investigação da empresa familiar dos Toffoli; o possível conflito de interesses envolvendo Alexandre de Moraes, e a tentativa de intimidar servidores por meio de inquéritos sobre vazamento de dados; e a omissão de Gonet, que continua sem ver motivos para a investigação dos ministros. No dia 14, quando o relatório seria votado, o governo, com a ajuda de aliados no Senado, manobrou para alterar a composição da CPI e o relatório, que antes tinha maioria para aprovação, foi rejeitado por 6 votos a 4. No entanto, isso não bastou para os ministros.

Por mais que houvesse uma conexão, mesmo tênue, que tem em uma ponta o resort Tayayá e, em outra, o PCC – por meio da Reag Investimentos, que administrava o fundo Arleen –, pode-se questionar a opção do relator por incluir os ministros e Gonet em seu relatório final. Pode-se, ainda, considerar frágil, ou até mesmo equivocado, o pedido de indiciamento dos ministros e do procurador-geral por crimes de responsabilidade, que não são caso para a esfera criminal, mas para um julgamento no próprio Senado. O que é inaceitável é o desejo escancarado de retaliação contra Vieira e os outros três senadores favoráveis ao relatório – Eduardo Girão (Novo-CE), Espiridião Amin (PP-SC) e Magno Malta (PL-ES) –, que, segundo a Constituição, são invioláveis também por seus votos, e não apenas por suas palavras.

Gilmar Mendes, sempre o mais exaltado, insinuou uma ligação de Alessandro Vieira com milícias em entrevista; durante sessão da Segunda Turma do Supremo, no dia 14, ainda antes que a CPI votasse o relatório de Vieira, afirmou que a Procuradoria-Geral da República deveria apurar “rigorosamente” o que classificou de abuso de autoridade – no dia segunte, Gilmar de fato formalizou o pedido de investigação à PGR. Na mesma sessão, Toffoli acrescentou que gostaria de ver inelegíveis os responsáveis pelo que chamou de “relatório aventureiro”: “não podemos deixar de nos furtar a cassar eleitoralmente aqueles que abusaram, atacando instituições para obter voto e conspurcar o voto do eleitor”, afirmou, dirigindo-se ao colega Nunes Marques, que assumirá em breve a presidência do Tribunal Superior Eleitoral – Magno Malta está no meio de seu mandato, mas Vieira, Amin e Girão encerram em 2026 seu período de oito anos no Senado e deverão sair candidatos em outubro.

Trata-se de retaliação e intimidação em estado puro. Com suas decisões, os ministros (com a ajuda de Gonet) já haviam declarado a toda a nação que ninguém haveria de botar os olhos ou encostar as mãos nos negócios próprios ou de suas famílias, não importando a quantidade enorme de suspeitas que pesam sobre eles. Agora, os integrantes do Supremo vão além e dizem que a insistência em investigar os laços dos ministros com Daniel Vorcaro trará consequências legais ou eleitorais aos que tiverem essa ousadia. Até o presidente da corte, Edson Fachin, reforçou a ideia de que ele e seus colegas são uma casta intocável, em nota sobre a “indevida inclusão” dos ministros no relatório de Vieira, na qual Fachin “se solidariza” com Gilmar, Toffoli e Moraes – como também fizeram André Mendonça e Flávio Dino.

“Cada qual reage de alguma forma a esse tipo de contingência. Alguns enfrentam. Eu, como sabem, adoro ser desafiado”, bravateou Gilmar Mendes durante a sessão da Segunda Turma em que criticou o relatório de Vieira. É fácil chamar para a briga quando se tem na mão um poder ilimitado, já que o contrapeso constitucional do Supremo abriu mão covardemente de exercer sua função. Afinal, falamos do ministro que coloca a Polícia Federal atrás de um servidor porque não suporta ser interpelado em um aeroporto, e que processa senadores por piadinhas; seria até estranho se ele não tivesse reagido ao relatório da forma como reagiu. “Lá no meu Mato Grosso, as pessoas dizem: ‘Não me convide para dançar porque eu posso aceitar’”, afirmou, ainda, Gilmar Mendes; de fato, ele hoje é o dono do salão de baile; resta saber até quando o Senado deixará que ele continue pisando nos pés de todos impunemente.

PENINHA - DICA MUSICAL

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