DEU NO JORNAL

O CONSELHEIRO

Lula (PT) revelou, com a naturalidade de quem comenta o tempo, haver aconselhado o ministro do STF Alexandre de Moraes a “não permitir” que o escândalo de Daniel Vorcaro e do Banco Master “jogue fora sua biografia”.

O episódio é ainda mais grave porque envolve o contrato de R$ 129 milhões firmado pelo Master com a banca de advocacia da esposa do ministro, e o autor do conselho é um ex-condenado que cumpriu pena em regime fechado por corrupção e lavagem de dinheiro.

Em qualquer democracia saudável, isso seria escândalo ou no mínimo provocaria o constrangimento na suprema corte. No Brasil, passa batido.

O tom paternalista de Lula sugere uma proximidade pessoal que ultrapassa e até ofenderia, para muitos, os limites constitucionais.

Tudo porque, afinal, Moraes é exatamente o ministro que tem aplicado penas que juristas julgam desproporcionais contra opositores de Lula.

A verborragia do conselheiro de toga cobra um preço elevado, e quem paga essa conta é a credibilidade do Supremo Tribunal Federal.

* * *

Nada de gravidade, conforme diz a nota aí de cima.

Tudo conforme o regulamento da republiqueta brasílica.

Não há motivos pra espantos.

Normal, normal, normal.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

ALEXANDRE GARCIA

ENDIVIDAMENTO BATE RECORDE E NÃO TEM CAUSA ÚNICA

endividamento

Endividamento bateu novo recorde no Brasil em março de 2026

É triste ver como as famílias brasileiras estão endividadas. Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio mostrou que o endividamento atinge 80,4% das famílias. Quase 30% estão com algum pagamento em atraso, e a média de atraso é de 65 dias. Uns 12% estão sem a menor condição de pagar. Quase metade tem dívida vencida há mais de 90 dias, e 19% pegam mais da metade da renda familiar para pagar dívidas e prestações. Em média, quase 30% da renda familiar está comprometida.

Qual é a causa? Lula está culpando as “bets”, as apostas. Pode ser uma das causas, mas há também questões culturais. Há quem queira se exibir para os vizinhos, os amigos, para o grupo, mostrar roupa boa, equipamento eletrônico, carro novo, como quem diz “não precisava, mas comprei um carro novo”. É uma necessidade de a pessoa mostrar como está bem de vida. Vemos muito isso em gente que veio do interior e que está cheia de joias e roupas finas, de grife, mas sabemos que estão devendo até os olhos. No interior as pessoas dizem “vejam o Fulano, como está se dando bem na capital”, mas lá na capital o Fulano está devendo tudo.

Eu aprendi isso em casa. Minha mãe dizia, de algumas pessoas, “não tem onde cair morto, mas olha a roupa que está usando na rua para mostrar para os outros”. Meu avô dizia: “quem dá o passo maior que a perna acaba rasgando as calças ou a saia”, quer dizer, acaba mesmo estragando sua vida. É preciso ter educação financeira, mas as pessoas não aprendem a usar seu dinheiro e ficam descontroladas.

* * *

Lula quer fazer bondade com devedor, mas é ele quem trabalha para desvalorizar o nosso dinheiro

Lula resolveu incluir as dívidas nas suas bondades eleitorais. Está dando mais gás, mais eletricidade, mais isso, mais aquilo, e agora promete renegociar dívidas. Falei com amigos ligados ao mercado financeiro e a bancos, e todos me disseram que isso é impossível, porque a pessoa está devendo em vários lugares, não tem como unificar tudo como Lula sugeriu. Vão tirar do Fundo de Garantia? O FGTS é para outras coisas, é para emergências. E, no fim, Lula não dá nada; ele está apenas devolvendo aquilo que o povo pagou como imposto. Isso precisa ficar bem claro: governo não fabrica dinheiro, não produz riqueza. Governo só gasta riqueza. Pode até transferir riqueza de um para o outro, mas não produz riqueza.

E o pior de tudo é que quem causa a desvalorização do dinheiro é o governo, pelo excesso de gastos em relação à arrecadação. Se no fim do ano a inflação chega a 4,5%, isso é o que foi tirado de nós. E os juros são altos porque o governo precisa lançar papéis no mercado para tapar os buracos, porque a arrecadação não é suficiente, e tem de pagar juros sobre esses papéis. Ou aumenta os impostos, tirando dinheiro diretamente do brasileiro, ou tira indiretamente, porque tem que pagar juros mais altos e provoca uma alta geral. É assim que funciona.

* * *

Joesley banca a Avibras e impede venda para chineses

Quando eu falo do setor bélico brasileiro, tenho memórias tristes, como a Engesa e o tanque Osório, um senhor tanque que quase foi vendido para o Oriente Médio – os blindados Cascavel e Urutu participaram de vários conflitos na região –, mas a Engesa faliu e o projeto de um tanque excelente foi encerrado; um dos Osórios, maravilhoso, está em Santa Maria. Hoje esse assunto volta à baila com o abre-e-fecha e os ultimatos envolvendo o Estreito de Ormuz. Uma outra empresa bélica brasileira, a Avibras, estava em recuperação judicial, e quem estava comprando a empresa eram os chineses. Já imaginaram? É uma indústria de artilharia, fabrica foguetes, o sistema lançador Astros II. Mas aí apareceu Joesley Batista para investir na Avibras. Entre Joesley e os chineses, acabamos ficando com o nacional.

DEU NO X

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

A PACA DE SEU LUIZ

Mote do Cego Aderaldo

A paca no meu país
Virou prato de bacana
Servida com a boa cana
Deixa o sujeito feliz.
Come João, come Luiz
Sem possuir alvará
E o Ibama o que dirá
A quem o bicho consome
“Quem a paca cara come
Paca cara pagará”.

Tem a paca recheada
Servida ao molho madeira
Tem paca na frigideira
Saborosa e temperada.
Paca nova acebolada
Trazida lá do Pará
Mas Greta não saberá
Quem comeu, qual o seu nome
“Quem a paca cara come
Paca cara pagará”

Não vejo ambientalista
Reverberando o protesto
Para abominar o gesto
Se escondeu o ativista.
E o falso moralista
Come feito um carcará
Mas a lei só julgará
Um pobre que mata a fome
“Quem a paca cara come
Paca cara pagará”

DEU NO JORNAL

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

CICARINO DANTAS

Para Matilde Urbach

Era aguardenteiro em Pau Grande, daquele tipo de homem que só reserva paixão e amor pelo precioso líquido da cana. Dono de pasto vasqueiro, talqualmente o pai, o avô e o bisavô, desde o gosto do primeiro leite tomou paixão pela profissão cachacista, mesmo tendo uns cascos de gado que engrandecia sua terra de cana e cachaça.

Era homem ciumento, mas guardava ciúmes apenas para o precioso líquido que escorrupichava de suas turbinas de cobre areadas que chegavam a cegar no polimento dos metais. Devocioneiro de Santa Bárbara, São José e São Jorge carregava sempre um patoá encangalhado no pescoço e um oratório com água benta e as imagens dos santos de sua devocionice. Seu maior medo era morrer em caminho ermo, vítima de emboscada, ou mesmo no dente de jararaca, era morrer desbenificiado dos favores da religião e de seu povo de batina.

Apreciava fazer auditoria, sem hora marcada na usina de sua propriedade, aproveitava para gambá o asseio dos funcionários, o ritmo suíço de seu fabrico de cachaça, obtemperando com o mestre de alambique os melhores jeitos de se retirar da cana o doce mais de nababo para se fazer a melhor aguardente.

Reclamativo, como todo dono, queria isso, queria aquilo, mandava isso, mandava aquilo, dando reprimenda em João Fundo de Garrafa, que sugava um alambique mais que morcego e mamava uma cachaça mais que menino novo em peito de mãe de primeiro leite. Emboramente fosse reclamão, alma mais simples e inocente estava ali.

Até que veio a grande peste de trinta e quatro. Era um morrer de gado, um latir de cachorro, um assobiar de lobisomem. São Bartolomeu, nas noites ventosas estumava aquela matilha de empestiado a fuçar porteira, a arranhar janela e a correr pelos campos. No casarão de Cicarino, depois das Aves – Maria, a nenhum ser vivo era franqueado a gozar sua mulata no depois da meia noite, ou mesmo a fazer vadiagem em pés de casuarinas, ou moita de gravatá. A mão ossuda da morte estava por todo lugar.

E o gadinho ralo de Cicarino começou a morrer, como se a ceifadora tivesse contrato de firma assentada em cartório para levar para terra do além a fonte de leite de seus meninos. Somente o canavial e os alambiques continuavam produzindo, mas via-se o medo encalistrado nos olhos e almas dos seus empregados.

Prontamente apareceu nas terras vasqueiras de Cicarino um crioulo com grande fama de benzedor, desses que com uma reza braba, um fumegador de matar caninana no barato de duas braças, prontamente a debelar qualquer compromisso da peste com suas posses. Mas, sua fama de catimbó era meio esquisita. Para a reza dar certo e o rezador espantar a peste, este deveria ficar sozinho no quarto com a mulher do aguardenteiro, nus, com as janelas fechadas.

A coisa ficava pior, porque, segundo alguns maledicentes, o benzedor teria que passar a verruma dele no corpo todo da mulher do fazendeiro contratante, a mode a mazela ser debelada e o gado ir sendo salvo à medida que o crioulo rezava em partes específicas do corpo da dita senhora. Cicarino meio que desconfiou, mas como a certeza do prejuízo e os dissabores de ter que começar tudo do zero o espantava, concordou com esse método esquisito.

Dia aprazado para a benzedura, foi o rezador com suas trapizongas para o quarto, chamou a mulher do aguardenteiro, enquanto este estava gambando o polimento de seus mimos de fabricar cachaça. Ao saber do ocorrido, Cicarino deixou os seus afazeres mais rápido que um calangro quando vê perigo. Chegou em casa botando os bofes pra fora, e antes que o benzedor começasse a sua reza, gritou: olha, seu benzedor, a vaca preta e o boi zebu pode deixar morrer, viu…..

DEU NO X

DEU NO JORNAL

O CASAL PRESIDENCIAL ME ENVERGONHA PACA

Paulo Briguet

CR7 no Al Nassr, segundo o Marca

Almoço com paca é mais um episódio da série de hipocrisias do casal presidencial. Enquanto Lula e Janja ostentam, o povo começa a acordar

Devo começar agradecendo ao casal presidencial. Sim, isso mesmo. Não fosse por Janja e Lula, eu não teria recolhido, dos arquivos da memória, uma afetuosa lembrança infantil.

Quando meu pai encontrava crianças, fazia sempre uma brincadeira:

– Repete comigo: paca, tatu, cotia não.

A criança repetia:

– Paca, tatu, cotia não.

Paulo, então, caía na risada:

– Errou! É paca, tatu. Cotia, NÃO.

Foi esse meu primeiro contato com a paca. Agora ela voltou ao noticiário — se é que alguma vez lá esteve — por causa do almoço oferecido no último domingo pela primeira-dama ao ocupante da Presidência.

Todo mundo sabe — e, a essa altura, Janja e Lula devem saber — que o almoço pegou mal paca. Até aquela moça que chora na televisão por causa dos bichinhos ficou brava paca com o casal supremo. Aliás, com o casal presidencial (todo mundo está careca de saber que o casal supremo é outro).

Quem pode querer mal à paca? É um bichinho simpático paca. Seu nome científico — Cunicullus paca — faz referência ao seu hábito de viver em tocas ou galerias escavadas na terra (em latim, cunicullus significa túnel).

A paca tem manchas brancas horizontais nos flancos, pesa de 6 a 12 quilos e pode chegar, no máximo, a 80 centímetros de estatura. Tem unhas fortes, boas para cavar, e olhos grandes, capazes de enxergar no escuro, apenas auxiliados pela luz da Lua e das estrelas. Tímida, a paca cultiva hábitos noturnos e solitários. Gosta de viver perto da água (como sua prima, a capivara) e alimenta-se de frutas, plantas e sementes. Em suma, é um animal pacífico paca.

Janja disse que a paca jantada (aliás, almoçada, não sei se sobrou para a janta) no domingo foi oferecida por um produtor legalizado e cadastrado. Agora, imaginem — só imaginem — se Michelle Bolsonaro oferecesse o mesmo cardápio silvestre para o sr. Jair. A essa altura, todos os órgãos da extrema-imprensa estariam exigindo nome, CNPJ, ficha cadastral, comprovante de IR e cartão de vacinação não apenas do tal criador legalizado, como de todos os seus funcionários, parentes, amigos e clientes. Por ordem do Supremo Soviete, aquele senador saltitante iria abrir uma CPI dos Animais Silvestres.

O que me chateou nessa história não foi a paca em si. Sim, eu sei que a paca, por conta das leis ambientais e da proibição da caça, é uma carne caríssima, bem mais cara que a prometida e nunca entregue picanha. O que me chateou foi o fato de o casal presidencial simplesmente ignorar o dia mais importante do ano para os cristãos e lançar-se a uma ostentação gastronômica. O que me entristece é saber que o sujeito sentado na cadeira presidencial prefere aparecer sem camisa, tendo ao fundo uma garrafa de cachaça, a falar sobre a Ressurreição do Filho de Deus. O que me envergonhou supremamente foi ver o Domingo de Páscoa transformado em Domingo de Paca.

Eles lulam paca, mentem paca, falam besteira paca e agora comem paca. Mas provavelmente ignoram (assim como eu ignorava até perguntar para o Google) o significado da palavra paca, que vem do tupi paka e quer dizer “aquela que acorda”.

O povo está acordando, Lula. E, para você, isso é ruim paca.