ALEXANDRE GARCIA

MÉXICO É RETRATO DO QUE ACONTECE QUANDO O ESTADO É LENIENTE COM O CRIME ORGANIZADO

méxico el mencho

Ônibus incendiados em Puerto Vallarta, no México, em retaliação à morte do chefe do narcotráfico El Mencho

O alerta vem do México: os bandidos estão atacando ônibus, empresas, delegacias de polícia, matando policiais, aterrorizando com fogo, explosões e tiroteios, depois que a polícia e forças militares mataram “El Mencho”, o principal narcotraficante do país. A presidente Claudia Sheinbaum, que outro dia havia dito que não considerava os cartéis como grupos terroristas, pelo jeito não sabe bem o que fazer. Ela deve ter achado horrível aquela ação policial no Rio de Janeiro, que terminou com 122 mortes entre narcotraficantes. Pois quando se é leniente com a criminalidade o resultado é esse: as facções vão crescendo, tomando conta do país, e quando há uma repressão séria a reação afeta toda a população.

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Lula vai ajudar Cuba e Venezuela?

Sindicatos, em geral os ligados aos petroleiros, estão pressionando o governo para que Lula ajude Cuba, que está desesperada, sem combustível e, desde janeiro, sem o petróleo da Venezuela. Donald Trump ainda ameaçou o México e outros países, prometendo taxar os produtos de quem enviar petróleo a Cuba. A condição dos norte-americanos para que o caos acabe é o fim da ditadura, que já dura 67 anos, tirando toda a liberdade do povo. Imaginem só: um cubano com 70 anos de idade nunca viveu sob um regime democrático – ou até mais que isso, porque antes dos comunistas havia outra ditadura, a de Fulgencio Batista. Pobre povo cubano, tão alegre, tão musical, nas mãos de tiranos.

E não é só Cuba: Lula também disse que vai falar com Trump sobre a possibilidade de a Petrobras – que, recordemos, significa Petróleo Brasileiro AS – ajudar a Venezuela. A Venezuela já está nos devendo bilhões do metrô de Caracas, financiado pelo BNDES e que os chavistas não pagaram. Esse crédito do BNDES foi suprido pelo Tesouro Nacional, ou seja, diretamente com o dinheiro dos nossos impostos. Como se isso não bastasse, as refinarias estatais venezuelanas estão caindo aos pedaços, como aquela refinaria enferrujada de Pasadena, que compramos lá nos Estados Unidos. Além disso, houve a vigarice de Hugo Chávez com Lula na Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. “A Venezuela vai pagar com petróleo”, dizem. Mas o petróleo venezuelano é pesado, não é apropriado para as nossas refinarias, que usam petróleo leve. Imaginem, então, a Petrobras enviando um dinheirão para reformar as refinarias sucateadas dos venezuelanos. É uma maluquice completa.

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André Mendonça dá mais autonomia à PF no caso Master

André Mendonça, o novo relator do caso do Banco Master, tem um grande desafio. Sabemos que há mais ou menos 100 celulares apreendidos e que seriam examinados por quatro peritos escolhidos a dedo por Dias Toffoli. Isso já mudou: agora, o perito que estiver na escala é que ficará responsável – e precisarão de muitos peritos; se fossem só quatro, para analisar terabytes de armazenagem, o trabalho demoraria décadas. Pois André Mendonça entregou o material, e a Polícia Federal que se vire. A ideia é seguir o ritmo das investigações, sem nada protegido, escondido, blindado por alguma toga. Que valha o mesmo para a CPMI dos que desviaram dinheiro dos velhinhos da Previdência. Esperemos também que se acerte tudo para Daniel Vorcaro depor na comissão do INSS, e também na Comissão de Assuntos Econômicos, para explicar seus negócios com o Banco de Brasília, o banco estatal do Distrito Federal.

DEU NO JORNAL

AFUNDAMENTO

Após as movimentações recentes, o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) concluiu, na sessão da CPMI do INSS:

“Quem tem medo do Master é o PT; o Lula e esse governo que tá afundado até a lama”.

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O sinhô deputado van Hattem foi muito bozinho nessa avaliação.

O governo do PT não está afundado na lama.

Na verdade, o bando petralha que desgoverna Banânia está afundado na bosta.

A mais fedorenta do planeta!

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SONETO – Álvares de Azevedo

Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! o seio palpitando
Negros olhos as pálpebras abrindo
Formas nuas no leito resvalando

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!

Manuel Antônio Álvares de Azevedo, São Paulo (1831-1852)

COMENTÁRIO DO LEITOR

VALORES

Comentário sobre a postagem SAMBARAM NA CARA DA SOCIEDADE E O CASTIGO VEIO A CAVALO

Tota de Dona Biga:

Não é de se admirar, uma vez que segundo Olavo de Carvalho “o brasileiro só reconhece dois valores nessa vida: o dinheiro e a saúde.”

Boa parcela da população (que se diz “cristã”) não dá a mínima se a Esquerda ataca seus valores (saberão o que são valores?).

Estão preocupados apenas em saber se as “bolsas” irão continuar e se serão atendidos num UPA da vida duas ou três horas depois de abrir um prontuário.

A gente que trabalha, paga as nossas contas e os impostos direitinho que se vire.

Eles não estão nem aí.

DEU NO X

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

A VELHICE É O PREÇO QUE SE PAGA PARA CONTINUAR VIVO

Segundo o psiquiatra Emanoel Bione, ou como ele gosta de ser chamado, Bione Cão, ex diretor do Hospital da Tamarineira do Recife, tudo de bom lhe acontece “quando você envelhece.”

Pois a velhice é considerada a terceira idade da vida humana e se caracteriza pela queda de força e degeneração do organismo, ou seja, ao longo da vida, tem-se várias fases e é com elas que você cresce e amadurece.

Na filosofia, a velhice não é uma cisão em relação à vida precedente, mas é, na verdade, uma continuação da adolescência, da juventude, da maturidade, que podem ter sido vividas de diversas maneiras. Só até aí, porque o resto é uma areia movediça. Tudo fica lânguido e quase inativo à medida que o tempo passa. O bingolim, por exemplo, só serve para mijar. Perde outras funções primordiais.

Portanto, vê-se que a velhice é apenas um momento específico dentro do processo de envelhecimento, sendo caracterizado pela redução do funcionamento de diversas funções orgânicas. O envelhecimento é considerado como sendo um processo no qual estão envolvidas as imagens da vida percebida desde o nascimento.

Na velhice, há uma série de perdas significativas, tais como o afloramento das doenças pré-existentes, crônicas degenerativas, a viuvez, a morte dos parentes e amigos, ausências de papéis sociais valorizados, isolamento crescente e dificuldades financeiras para manter em equilíbrio velhice, doença, alimento, saúde e laser.

Portanto, por que tanta ambição na vida em ganhar dinheiro loucamente se tudo que lhe resta na vida de bom, de saudável, de felicidade, de prazer e de bom viver se resumem em QUANDO VOCÊ ENVELHECE?

DEU NO JORNAL

A DECISÃO DA SUPREMA CORTE QUE DERRUBOU O TARIFAÇO DE TRUMP E AS LIÇÕES PARA O BRASIL

Editorial Gazeta do Povo

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Donald Trump cumprimenta o presidente da Suprema Corte, John Roberts, em sessão conjunta do Congresso em março de 2025: Roberts redigiu a decisão que derrubou o tarifaço imposto pelo presidente dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu uma derrota na Suprema Corte, que na semana passada declarou ilegal o tarifaço imposto por Trump às importações oriundas de inúmeros outros países. Seis dos nove membros da Suprema Corte, os chamados justices, votaram por confirmar decisões de instâncias inferiores da Justiça norte-americana que já haviam negado legitimidade para aumentar tarifas por decreto com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, de 1977. A decisão, redigida pelo presidente da corte, John Roberts, não analisa o mérito das tarifas; apenas afirma que seria necessária uma autorização do Congresso dos Estados Unidos para uma elevação como a ocorrida no chamado “Dia da Libertação”.

Eis uma lição que os Estados Unidos, uma democracia consolidada que comemora 250 anos neste 2026, e onde as instituições têm suportado todos os testes de estresse a que foram submetidas nos últimos tempos, oferece ao Brasil. A primeira delas é o valor de um Judiciário realmente independente, que não olha a capa, e sim o conteúdo dos processos; que julga realmente de acordo com a lei, em vez de ignorá-la quando é conveniente; que não muda jurisprudências de acordo com o lado político-ideológico de quem será beneficiado ou prejudicado. Dos seis justices que formaram a maioria para derrubar o tarifaço, três são considerados conservadores: Roberts, Neil Gorsuch e Amy Coney Barrett – os dois últimos foram inclusive indicados por Trump em sem primeiro mandato, e se descrevem como “originalistas”, juristas que defendem a interpretação da Constituição de acordo com o que está no texto e o que reflete a intenção original do legislador constituinte.

Originalistas não julgam de acordo com suas convicções, muito menos por conveniência ou gratidão; se em algum momento Trump imaginou (ou desejou) que os justices por ele indicados sempre votariam para agradar o governo, isso não o colocaria muito longe dos petistas que, em 2012, reclamavam dos ministros do STF indicados por Lula e que “não foram colocados lá para apenar como estão apenando” os condenados do mensalão, nas palavras do ex-líder do PT na Câmara Paulo Rocha. Ao menos publicamente, nem Trump nem trumpistas graúdos chamaram Gorsuch e Barrett de mal-agradecidos, mas o presidente afirmou que sentia “vergonha de certos membros da corte”, além de chamar os seis justices que votaram contra a Casa Branca de “antipatrióticos e desleais à Constituição”.

E aqui vemos uma segunda lição para o Brasil. Assim como Trump insinua uma identificação profunda entre si mesmo e a pátria norte-americana – já que desagradá-lo em uma decisão judicial seria “antipatriótico” –, há por aqui aqueles que se julgam a encarnação da democracia, e que tratam qualquer crítica como “antidemocrática”. Lá, o Judiciário trabalha para conter esse engrandecimento do Executivo, mostrando que ninguém está acima da lei – afinal, o que é mais patriótico: garantir que os Estados Unidos continuem a ser um país regido pelo rule of law, ou arrecadar algumas centenas de bilhões de dólares à custa do enfraquecimento das instituições? Aqui, por outro lado, é o Judiciário que extrapola suas prerrogativas, sem que o Legislativo seja capaz de contê-lo, por conveniência ou pusilanimidade.

O fim das tarifas aplicadas com base na lei de 1977 não encerra a controvérsia. Há, ainda, outras leis que Trump já resolveu usar para compensar o revés da semana passada – algumas delas nunca chegaram a ser colocadas em prática, como a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974; neste caso, as tarifas precisam ser validadas pelo Congresso para continuarem em vigor depois de um período inicial de 150 dias. Não há como descartar novas batalhas judiciais, mas ao menos o recado já está dado: se o “tarifaço 2.0” violar novamente as regras sobre a competência para estabelecer tributação, o Judiciário estará atento.

Para além dos benefícios econômicos que a decisão da Suprema Corte traz ao Brasil – pois nossos exportadores saem vitoriosos –, e que o governo brasileiro tentará explorar como se tivesse algo a ver com isso (não tem: a primeira redução veio porque a tributação de produtos brasileiros estava elevando a inflação nos EUA, e a decisão da Suprema Corte nada tem a ver com qualquer ação do governo Lula), a principal lição que nosso país deveria tirar deste episódio é institucional. A de que ninguém é a incorporação de seu país, da democracia, do que for; a de que todos devem estar submetidos à lei; e a de que quem extrapola seus poderes pode e deve ser contido pelas instituições.

PENINHA - DICA MUSICAL