Arquivo diários:21 de fevereiro de 2026
DEU NO X
DEU NO JORNAL
FIASCO NA SAPUCAÍ
Marcel van Hattem

O presidente Lula com o estandarte da escola Acadêmicos de Niterói
Um samba-enredo claramente político; uma homenagem eminentemente eleitoral. Uma apresentação inteiramente constrangedora e um resultado nada menos do que esperado. O rebaixamento da escola de samba Acadêmicos de Niterói no carnaval do Rio, aquela que homenageou Lula no seu desfile, fechou de forma merecida o feriadão da semana que passou. As notícias sobre o caso, porém, não se encerraram. Pelo contrário.
No pós-desfile atualizaram-se os valores repassados à Acadêmicos para sua apresentação. Nada menos que R$ 9,6 milhões, até o momento, foram computados como originários de cofres públicos, somando-se os recebidos da prefeitura de Niterói, do governo do estado do Rio de Janeiro e do governo federal. Também os processos judiciais, administrativos e eleitorais contra a escola e contra o petista seguem na mídia.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acionado pelo partido NOVO, não impediu o desfile alegando censura prévia (diferentemente dos seus julgados anteriores, como no caso do documentário “Quem mandou matar Jair Bolsonaro”, da Brasil Paralelo, em 2022), porém alertou para a potencialidade do ilícito eleitoral. Consumada a evidente transgressão, basta aguardarmos pelo registro da candidatura de Lula como candidato à reeleição para que se reabra a discussão no TSE e defina-se pela inelegibilidade ou não do candidato.
Independentemente de decisões judiciais, o dano político a Lula e ao PT já foi causado pela própria escola de samba. O entorno do presidente percebeu o grande erro em embarcar na aventura criada por uma escola desconhecida e que tentou fazer do “desfile de ode ao líder” – uma prática bem comum em regimes ditatoriais, aliás – um instrumento para seu próprio sucesso. Deu tudo errado.
As notas dos jurados anunciadas na quarta-feira de cinzas, uma após a outra, colocavam os últimos pregos no caixão de uma iniciativa malfadada do início ao fim. Da queda da audiência da TV Globo, enquanto transmitia o desfile na Sapucaí, ao barraco familiar protagonizado por Janja e Lurian, filha de Lula, no camarote do evento, tudo deu errado. No público e no privado, na passarela e nos bastidores, o fiasco foi completo.
A confiança em excesso é péssima conselheira. Diz-se que o diabo faz a panela, mas não faz a tampa. Que o digam a escola de samba Acadêmicos de Niterói e o seu homenageado: acreditaram estar abafando, mas agora terão de lidar com as péssimas consequências de suas soberbas.
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
ESSE PERFUME – Emiliano Perneta
Esse perfume – sândalo e verbenas –
De tua pele de maçã madura,
Sorvi-o quando, ó deusa das morenas!
Por mim roçaste a cabeleira escura.
Mas ó perfídia negra das hienas!
Sabes que o teu perfume é uma loucura:
– E o concedes; que é um tóxico: e envenenas
Com uma tão rara e singular doçura!
Quando o aspirei – minhas mãos nas tuas –
Bateu-me o coração como se fora
Fundir-se lírio das espáduas nuas!
Foi-me um gozo cruel, áspero e curto…
Ó requintada, ó sábia pecadora,
Mestra no amor das sensações de um furto!

Emiliano David Perneta, Pinhais-PR, (1866-1921)
DEU NO JORNAL
O MAIS COERENTE SERIA 1,3 BILHÃO. COM 13 DE PT
CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA
ESTOL DE BADALO: QUE POMBADA!…
José Vasconcelos e Jô Soares garganteando
Geraldo, um amigo muito engraçado, sempre que nos encontrávamos, a prosa tinha espaços para a senvergonhice.
Certa manhã sentados num banco na praia de Boa Viagem, em lance discreto, segredou-me:
– Meus divertimentos prediletos são andar aqui na praia, pela manhã, com a patroa, e ao chegar em casa, estando o filho na escola, aproveito para dar uma “pombada”.
Soltei aquele sorriso mal-amanhado, com sinais de quem “comeu e não gostou”. Ao final do papo, meio confuso, indaguei-lhe:
– Que diabo é dar uma “pombada”?
– Ora, Carlos Eduardo: é um ato sexual. O pênis é a pomba. O bate e volta é a pombada!!
Dos meus sonhos realizados, durante estes 90 anos, um deles foi residir num prédio alto. Eu achava bonito ver aquele arranha-céu. Hoje moro num 15º pavimento e torna-se oportuno falar sobre pequenos incômodos; ou seja, comentar sobre uma pombada, no real sentido vernacular.
E falarei também sobre o “Estol de Badalo”, conforme a apresentação teatral do humorista José Vasconcelos, durante um “Programa do Jô”, cujo link pode ser acessado clicando aqui, pois esta crônica, que está mesmo “cheia de graça”.
Certo dia, passava das 12h. quando estávamos nos preparando para almoçar. De repente, batidas fortes de asas dentro de casa. Era uma pomba desvairada, que voando em baixa altura, entrara pela varanda e chegara à sala. Era uma pomba-rola.
A pomba-rola
Rápido esquivei-me e a ave inclinou-se, dando um “rasante”. Depois subiu, tal qual um buscapé. Livrou-se da lâmpada do teto e continuou, sem “Plano-de-voo” definido. Logo deu o primeiro “Estol de Badalo”. Tudo muito rápido e apavorante.
A família ficou inquieta quando gritei: “Pomba à vista!” Pensavam que era uma das minhas brincadeiras. Mas na verdade era uma “penosa” sem destino! Havia passado à jato pela varanda, sem convite, e entrou.
Voava à velocidade da luz e sem controle, endoidando todos nós. Logo em seguida, “arremeteu” e aplicou um “Estol de Badalo”.
Face à aproximação da esposa e do meu filho – ambos com toalhas nas mãos – a pomba resolve dar o “lance de emergência”. Havia endoidado mesmo, quando a gritaria começou a ecoar pelas paredes da casa. O incômodo era real e apavorante.
Correram para pegá-la, mas, sem prática “bombeirística”, complicou-se a busca. Instantes depois, escorraçada, escondeu-se atrás da máquina de lavar e logo foi segurada por meu filho, que a segurou. Que vitória! Pensei eu, iludido.
O nosso herói, cheio de orgulho, exibindo a pomba presa num pano-de-prato, resolve tirar uma foto e foi para o quarto, ficou perto do espelho, a fim de preparar o “cenário”, enquanto chegava o celular e a “fotógrafa”, para postar o episódio na internet. Seria certamente: “A pombada do ano.”
Porém, diante do espelho, o rapaz soltou uma das mãos para ajeitar o cabelo e a ave escapou novamente, mergulhando pra baixo da cama. E tome vassouradas para espantá-la. Até que, por exaustão, talvez, a pobre pediu paz e se entregou.
Como alguns sabem, a pomba-rola pertence à família dos Columbiformes, que são centenas de penosos, tendo esta o bico curto, corpo robusto e cabeça pequena. São excelentes voadores. Originalmente faziam seus ninhos nos paredões situados no litoral, adaptando-se perfeitamente aos paredões dos edifícios urbanos.
Por aí, os amigos já entenderam uma das desvantagens em se morar em prédios altos. Penosas pensam que estão nas falésias e fazem alí suas moradas, seus helipontos.
Finalmente, o momento feliz. A “penosa” foi capturada novamente, tirou fotos com a família, e levada à varanda, levantou voo para a liberdade, saindo ilesa do marcante episódio.
Adaptando a narrativa do amigo Geraldo, podemos dizer: Aí foi mesmo uma pombada!…
No decorrer do “pega pra capar”, houve um momento em que ficamos tão apavorados que abrimos a porta da sala e saímos para o hall, a fim de deixar a intrusa voadora refazer seu ”Plano de voo” e vislumbrar uma opção de escape. Os residentes vizinhos se juntaram para nos ajudar. Mas nada poderiam fazer. Apenas se concentraram no hall.
Findo o drama, uma vizinha, com ares de “salvadora da pátria”, depois de ouvir o relato detalhado do drama, saiu-se com inesperada expressão.
Bem, aí, nova surpresa, pois eu tinha a certeza absolutíssima de que a distinta senhora, não sabia o que estava dizendo, quando improvisou uma graçola e sorrindo mandou ver, aplicando a palavrinha marota do amigo Geraldo:
– Meu Deus, que pombada; verdadeiro Estol de Badalo!
PENINHA - DICA MUSICAL

