PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

GRANDES MESTRES DO REPENTE

José Antônio do Nascimento Filho, o Zeto do Pajeú, Canhotinho-PE (1956-2002)

A vileza do destino
Espedaçou meu futuro,
O meu viver é obscuro
Desde o tempo de menino.
Hoje sou um peregrino,
Não sei o que é riqueza,
Bruxuleia a luz acesa,
Perdi a perseverança …
E o retrato de minha infância
Está na minha pobreza.

Na terra dos marechais,
Sem ter quem me queira bem,
Ó morte, por que não vens
Tirar meus dias finais?
Vivo gemendo meus ais,
Só sei o que é aspereza,
Não apresento nobreza,
Sou igual a uma balança …
E o retrato da minha infância
Está na minha pobreza.

Zeto do Pajeú

Nas gotas fracas da chuva
Que a terra vai borrifando
E faz levantar o cheiro
De chuva que vou cheirando
Eu sonho dias melhores
E levo a vida cantando.

Nildo Cordel

ANDARILHO

Vou cantar com total atrevimento
Imitar os ciganos andarilhos
Percorrer os caminhos dos trocadilhos
Vendo Louro inventar um novo invento
Misturar poesia e andamento
Construir uma estradeira
Ter um sonho normal numa esteira
Numa noite no lindo Moxotó
Caminhar nas estrelas vendo o pó
Das passadas da glosa derradeira

Imitar o pavão com suas cores
Vou vestir colorido em minha vida
Tratarei como sábio esta ferida
P’ra lembrar a loucura dos amores
Pois os loucos os grandes sabedores
Dão ao lúcido a loucura do real
Pra mostrar que o bem intencional
Faz morada em lugar bem diferente
Qualquer cor, qualquer dor é sempre gente
Sugerindo a paixão o seu aval

A tarefa é não ter nenhum caminho
P’ra encontrar o caminho do não ter
Ser irmão do bonito amanhecer
Ser agulha seguindo o seu alinho
Encontrar multidões quando sozinho
Colocar tom menor no violão
Ser maior entoando uma canção
Perceber quanto tempo falta ainda
Colocar no cabelo a fita linda
Como fosse uma estrofe de canção.

Francisco Nunes de Oliveira

Ser poeta não é pensar de ser
Que quem pensa que é finda não sendo
Diz que sabe de tudo não sabendo
Que quem sabe não gosta de dizer
Pois que diz o costume é não saber
Que o sabido sabendo se aquieta
Mas o erro maldito do pateta
É querer um lugar que não lhe cabe
Diz ao povo que sabe, mas não sabe
O dever ideal de ser poeta.

Zé Maria

O que mais me admira
É vêr-se um sapo inocente
Que gosta de lama fria
Mas detesta a terra quente
Vendo da cobra o pescoço
Pinota dentro do poço
Pra se livrar da serpente.

João Paraibano

Eu acho que esse louro
Dos outros é diferente
Não tem asa mas tem boca
Não tem bico mas tem dente
Não tem pena mas tem pena
De vir dar dinheiro a gente.

Zé de Almeida

Alagoas tem Quilombo
Belas praias, tem coqueiro
Berço de Apolônio Belo
E de Vicente Granjeiro
Famosa nas duas coisas
Marechais e violeiro.

Noel Calixto

Admiro o Zé Ferreira
Um cantador estupendo
Se a roupa se suja, lava
Se rasga, bota remendo
Gasta menos do que ganha
Que é pra não ficar devendo.

Roberto Queiroz

O meu pai não tem estudo
Mamãe é analfabeta
Eu pouco fui à escola
Somente Deus me completa
Com esse sublime dom
De repentista e poeta.

Miro Pereira

A patativa de gola
Nos campos da providência
Uma pequena figura
Uma larga inteligência
Canta com tanta certeza
Sem precisar de ciência.

João Abel

Meu sonho de alpinismo
No precipício caiu
Quando eu caí todos viram
Quando escalei ninguém viu
Os monstro feitos de mármore
Que a mão de Deus esculpiu.

Biu Dionísio

No varal do infinito
Uma nuvem pendurada
Parece com uma roupa
Bem confeccionada
Que Deus coseu com maestria
Para o corpo da madrugada.

Raimundo Borges

Eu já passei tanta coisa
Que na vida nem pensava
Pra minha felicidade
A mulher que eu procurava
Deus teve pena de mim
Mostrou aonde ela estava.

João Lourenço

O mínimo precisaria
Aumentar uns cem por cento
Quem recebe no salário
Quinze reais de aumento
É mesmo que receber
Nota de falecimento.

Ismael Pereira

DEU NO JORNAL

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

AS CARIOCAS

– O que tem para se fazer nessa terra numa belo domingo de Carnaval?

Perguntou Adriana às amigas, enquanto enchia a xícara no café do hotel. Beto, ao lado, entrou na conversa das três morenas bonitas. – Desculpe a intromissão, hoje tem o desfile do Bloco da Nêga Fulô, um dos melhores e mais animados blocos de Maceió, vale a pena dar uma olhada, no começo da tarde estará desfilando na orla uma multidão, na verdade são oito blocos juntos, tocando frevo e marchinhas de antigos carnavais.

As cariocas se interessaram, agradeceram, pediram mais informações, ele sentou-se junto a elas, era seu objetivo. Depois que Beto separou-se de Marlene leva a vida nos hotéis paquerando turistas maiores de trinta em busca de diversão ou algumas aventuras fortuitas. Acompanhou as novas amigas à praia, onde conversaram, divertiram-se com as histórias de Beto; um belo homem, bem humorado, alegre e conhecedor de muitas histórias, completara 50 anos no dia anterior. O desfile do Bloco partiria da pracinha dos 7 Coqueiros às 15:00 horas.

As cariocas descontraídas, de biquíni, acompanharam a multidão arrastada pelo Bloco da Nêga Fulô naquela bela tarde de fevereiro. Dançaram, pularam, cantaram, ficaram encantadas com a animação. O frevo na rua, as marchinhas antigas cantadas pelo povo fantasiado ou simplesmente de bermudas. Acompanharam o bloco por mais de três horas se divertindo, um carnaval inesperado. Eram cinco horas da tarde quando o bloco entrou à direita mar adentro sobre o Marco dos Corais. Orquestra do Maestro Elizaubo tocou uma série de frevos, terminando com os Vassourinhas. Cansados sentaram num banco olhando o azul do mar. As meninas fascinadas, não esperavam tantas beleza. Até que foram caminhando para Barraca Pedra Virada, onde tomaram uísque, cerveja, jantaram. Perto das oito horas, Foram ao hotel colocar uma bermuda, o que Beto também o fez em seu pequeno apartamento defronte à praia de Ponta Verde. Foram ao bairro antigo de Jaraguá, ficaram na praça Dois Leões em uma mesa de ambulante, olhando o povo cair no samba, tocava o afinado conjunto “Samba da Periferia”, as cariocas entraram no meio do povo sambando com seus passos miúdos deram um show.

Encontrara-se com eles, tomando uísque, assistindo a animada banda, o Dr. Evaldo, digno membro da Justiça Alagoana, sessentão aprumado, conquistador, leva a vida de solteiro embora seja casado há mais de 30 anos, solicitado pelo pareia, também fez companhia às cariocas fascinado pelo carnaval nordestino. Terminaram a festa, a paquera com o caminhar da noite estava indefinida. Mas na hora de dormir se ajeitara, Beto ficou com Adriana e Thereza no apartamento e Sua Excelência, o juiz, conseguiu entrar no hotel com Rose. Ele não tinha problema, sua santa mulher fora passar o carnaval em Olinda com as filhas, genros e netos. Ele não gostava, achava muito bagunçado o animadíssimo Carnaval de Olinda.

Pela segunda-feira de manhã encontraram-se na praia em frente ao Hotel Ponta Verde, almoçaram no Restaurante Maria Antonieta. Descansaram um pouco. Às 18:00 horas acompanharam o Bloco do Coco de Roda, as cariocas se encantaram com aquele bloco folclórico. Jantaram na Bodega do Sertão. Por acaso encontraram Bernardo, outro cinquentão que se adaptou muito bem com os cinco foliões. Partiram para a noitada alegre e agitada no belo bairro histórico de prédios antigos, Jaraguá. No final da noite, se ajeitaram, Thereza dormiu no apartamento de Bernardo, viúvo há um ano.

Afinal a terça-feira, foram à praia do Francês, tomaram boa cerveja, almoçaram, esperando o Bloco do Siri Mole, do artista plástico, Ovídio Gurgel, que iniciou seu desfile pelas cinco horas. Ao acabar de dançar, pular, frevar; conforme combinado, retornaram a Maceió, em Jaraguá ainda deu tempo de desfilar no Bloco da Nêga Fulô. Dançar na Praça e finalmente foram encerrar o carnaval no primeiro baile, “Grito de Jaraguá”, organizado pelo carnavalesco Dinho Lopes em um restaurante, ficaram até terminar o animadíssimo baile.

Na tarde de quarta-feira, no aeroporto, felizes, com tantas histórias a contar, Thereza perguntou às amigas cariocas.

– Quem disse que não havia carnaval em Maceió? – Para o ano estarei aqui de novo.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

ESCULHAMBAÇÃO

Além dos protestos “Acorda Brasil”, marcados para 1º de março em todo o País, também está marcado para este sábado (21) um ato na sede do Banco Master, em São Paulo, contra a esculhambação generalizada.

* * *

Fiquei curioso depois que li esta nota aí de cima…

“Esculhambação generalizada”.

Adonde é que tá acontecendo isso?

Em que recanto do mundo está acontecendo “esculhambação generalizada”?

Confesso que não sei mesmo.

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

OS ESCÂNDALOS

Nosso País está fervendo de escândalos.

O Carnaval aumentou ainda mais o número de alegrias escandalosas.

A cada dia que se passa, um ser humano é tratado como se humano não fosse, por tiranos desalmados e sem sentimento de caridade. Mas o mundo dá muitas voltas e quem planta o mal não pode colher o bem.

Não espere que as pessoas adivinhem o que você pensa ou quer.

Já passou o Carnaval e as máscaras foram retiradas.

Defender a liberdade implica em defender quem a defende.

A liberdade de perguntar deve apenas ter limite na liberdade de não responder.

Liberdades absolutamente iguais.

O que impede a Reforma Política: pensa-se mais nas próximas eleições do que nas próximas gerações. Nada mais óbvio.

Empresas não são o povo. Eleição não pode ser um investimento econômico. O Estado não pode ser um balcão de negócios.

O financiamento privado das campanhas eleitorais beneficia os homens de bens.

E afasta da política o homem de bem.

A liberdade de pensamento é direito personalíssimo, não cabendo aos tiranos tentar arrancar, sob tortura, os vários pensamentos e portas que a vida oferece ao ser humano.

O esquecimento alimenta a corrupção. O corrupto sabe que o seu escândalo particular logo será absolvido por um novo escândalo nacional. É o que vemos nos dias atuais.

Existir é a arte de fazer escolhas sobre todos e tudo, pois escolher é a tarefa que a vida nos impõe.

O desenvolvimento sustentável sem desenvolvimento social, não se sustenta. Nem se desenvolve.

Liberdade é sonhar, exprimir e agir. É querer mudar as coisas. É lutar para fazer o que se acha certo. É não ter medo de ousadia.

Os dias passam e Jesus Cristo continua sendo crucificado todos os dias!

Tenham piedade!

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

FITCH EXPÕE IRRESPONSABILIDADE FISCAL

Editorial Gazeta do Povo

Lula Haddad grau de investimento

Lula e Haddad contavam com grau de investimento ainda durante este mandato, mas objetivo ficou muito longe de ser alcançado

O presidente Lula buscará a reeleição em outubro sem um dos trunfos econômicos que ele mais ambicionava: a recuperação do grau de investimento, o “selo de bom pagador” que as agências de classificação de risco deram ao Brasil em 2008 e 2009, na esteira da euforia com o pré-sal e o boom de commodities, e retiraram em 2015 e 2016, com a enorme recessão provocada pela “nova matriz econômica” lulodilmista. “No ano que vem, possivelmente, em uma ou duas agências de risco, estaremos em um grau de investimento”, afirmou Fernando Haddad em setembro de 2024. Pois 2025 passou e 2026 também passará sem que o Brasil retome essa distinção importante para atrair investimentos estrangeiros.

Esforço da parte e Lula e Haddad não faltou – esforço puramente retórico, é claro. Em setembro de 2024, aproveitando a viagem a Nova York para a Assembleia Geral da ONU, o presidente da República e o ministro da Fazenda se reuniram com representantes das três grandes agências de classificação de risco – Fitch, Moody’s e Standard & Poor’s – para tentar convencê-las de que o Brasil era, novamente, um país confiável. Por um momento, chegou a parecer que a lábia petista funcionaria: alguns dias depois, a Moody’s anunciou uma elevação da nota brasileira, que ficou apenas um nível abaixo do grau de investimento, com perspectiva positiva. As outras duas agências, no entanto, não se mexeram, ambas publicando notas explicando por que não viam motivos para mudança àquela altura.

Os avaliadores da Moody’s, no entanto, retomaram ao menos parcialmente o bom senso em meados de 2025, quando alteraram de positiva para estável a perspectiva sobre a nota brasileira – que foi mantida no mesmo nível do fim de 2024. Desde então, nem Standard & Poor’s nem Fitch mexeram na sua avaliação a respeito do Brasil. A Fitch chegou a avisar, em setembro do ano passado, que não via “o Brasil voltando a ganhar um grau de investimento tão cedo”. Agora, repete o alerta em estudo enviado a clientes da agência, afirmando que o Brasil tem uma “posição fiscal fraca” e precisaria de “um plano de consolidação fiscal que seja substancial, crível e suficiente para fortalecer nossa confiança na estabilização da dívida a médio prazo” – deixando subentendido que a atual política fiscal lulista não cumpre esses critérios.

A Fitch percebeu que mesmo bons indicadores atuais, como o baixo desemprego, estão sendo conquistados à custa de um superaquecimento da economia, movida a excesso de gasto público e estímulo intenso ao consumo das famílias. O resultado é uma dívida pública que já estava acima da média da América Latina e dos países emergentes em 2023, e que disparou desde que Lula subiu a rampa do Palácio do Planalto – a previsão é de que tenha subido incríveis dez pontos porcentuais quando terminar o atual mandato. O arcabouço fiscal proposto e aprovado pelo governo já se tornou um morto-vivo, em que as metas são cumpridas no papel, mas com tantas exceções que o déficit primário real do governo central foi 4,7 vezes maior que o déficit primário considerado para efeitos de cumprimento da meta fiscal.

“Esperamos que qualquer governo entrante busque novos esforços de consolidação, mas o ritmo e a estratégia dependerão de quem vencer”, diz o relatório da Fitch, dando o ano de 2026 como perdido do ponto de vista fiscal – algo que até o governo admite pela boca da ministra do Planejamento, Simone Tebet: “Acho que a janela para as grandes mudanças estruturais no ajuste acabará ficando para a pós-eleição de 2026”, disse ela em março do ano passado. Embora reconheça a existência de dificuldades para um ajuste fiscal independentemente do vencedor de outubro, a agência de classificação de risco indica que as reformas seriam mais prováveis caso a direita triunfe. Uma avaliação totalmente previsível: dada a natureza gastadora do petismo, sua manutenção no poder continuará a manter o Brasil longe do grau de investimento.

PENINHA - DICA MUSICAL