WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

NEM SE FALA EM SELEÇÃO…

Copa do Mundo chegando,
Nem se fala em Seleção…

Mote deste colunista

Fala-se de Carnaval,
De recursos desviados,
De artistas descasados,
Do cinema nacional,
De mim, de tu e o escambal…
Fala-se até de eleição,
De Forró e de São João,
O tempo passa voando,
Copa do Mundo chegando,
Nem se fala em Seleção…

Melchior SEZEFREDO Machado

Aqui tem é fofoqueiro,
Que boata um bocado
Diz: Zico foi convocado,
Pra jogar o ano inteiro,
Pelo time do Cruzeiro …
Diz-se: ele é a solução,
Mas é tudo encenação,
Que o VAR tá apurando,
Copa do Mundo chegando,
Nem se fala em Seleção…

Leo Brasil

Eu não acredito mais
Na seleção Brasileira
Já foi pura e verdadeira
Nos velhos tempos atrás
Hoje pra mim tanto faz
Nem ligo a televisão
Jamais será campeão
Do jeito que está jogando!
Copa do Mundo chegando
Nem se fala em Seleção…

Poeta Nascimento

Manchete de toda sorte
Dos forrós e arraiais
Carnaval nas capitais
Outro assunto deram um corte
Não falam mais nesse esporte
Falam até em eleição
Mas nessa competição
Não estou exagerando
Copa do Mundo chegando,
Nem se fala em Seleção…

Cabal Abrantes

Não temos mais um Ronaldo,
Nelinho, Zico e Pelé,
Rivelino, nem Mané
Garrincha, nem Clodoaldo.
Tá pra nascer um Rivaldo,
Um Jairzinho, um Tostão,
Um Valdir Peres, Um Leão
E um Telê comandando.
Copa do Mundo chegando,
Nem se fala em Seleção…

Wellington Vicente

DEU NO X

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Liêdo Maranhão

Liêdo Maranhão de Souza nasceu no Recife, PE, em 3/7/1925. Dentista, folclorista, escritor, escultor, cineasta, fotógrafo e pesquisador da cultura popular. Segundo Ariano Suassuna, “é um dos maiores conhecedores da literatura de cordel do Brasil”.

Teve os primeiros estudos em colégios do Recife e formou-se pela Faculdade de Medicina, Odontologia e Farmácia do Recife, em fins da década de 1940. Logo após a formatura, na condição de carnavalesco “juramentado”, fundou junto com seu irmão a Escola de Samba Estudantes de São José, o bairro onde nasceu e passou toda sua juventude. Frequentava diariamente o Mercado de São José, ponto de encontro com os tipos que se tornaram os protagonistas de seus livros. Sua intimidade com o Mercado resultou no livro O mercado, sua praça e a cultura popular do Nordeste: homenagem ao centenário do Mercado de São José 1875-1975, publicado em 1977 pela Prefeitura do Recife.

Segundo Mark J. Curran, chefe do Departamento de Línguas Estrangeiras da Universidade do Arizona, EUA, “é um monumento sobre a cultura popular do Nordeste”. Para Raymond Cartel, diretor do Centro de Pesquisa Luso-Brasileira da Universidade de Sorbonne, em Paris, “é a maior autoridade das ruas do Recife”. No início da década de 1960, viajou para a Europa, onde passou 3 anos e conheceu 11 países. Fez estágio como dentista no Hospital de La Pitié, em Paris. Com o auxílio de uma bolsa de estudos, estagiou no Hospital Provincial de Madrid. Após muitas viagens de carona, lavar pratos em restaurantes, carregar e descarregar caminhões, tocar pandeiro e trabalhar em teatros, casou-se com a espanhola Bernarda Ruiz e retornou ao Brasil, indo morar em Olinda.

Em 1964, passou a fazer esculturas em madeira, sendo premiado no Salão de Arte do Estado de Pernambuco. Participou do “Atelier + 10”, em Olinda ao lado de artistas plásticos como João Câmara e Vicente do Rego Monteiro. Por essa época ingressou no PCB-Partido Comunista Brasileiro e foi Secretário de Finanças do Diretório Municipal. Participou do Movimento de Cultura Popular do Recife no primeiro mandato do governo Miguel Arraes. A partir de 1967, iniciou uma viagem pelo interior do estado em busca de folhetos de cordel para uma pesquisa sobre os cangaceiros. Queria saber como é o cangaço visto pelo povo.

Apaixonou-se pela literatura de cordel e fez um documentário em 16 mm registrando os folhetos na década de 1970, intitulado O folheto. Mais tarde publicou O folheto popular: sua capa e seus ilustradores, publicado pela Editora Massangana, em 1981. Como conhecedor da poesia popular, colaborou com artigos na Revista Equipe, dos servidores da SUDENE, e do Jornal Universitário, da UFPE. Como escultor, foi premiado no XXX Salão Oficial de Arte do Museu do Estado de Pernambuco. Ao longo da vida, tornou-se um colecionador da cultura popular, incluindo objetos e documentos raros, como os livros sobre medicina popular e culinária nordestina, além de folhetos de cordel.

Sua casa, em Olinda, tornou-se um museu folclórico, transformada hoje em “Casa da Memória Popular”, contendo mais de 2 mil fotos e cerca de 10 mil itens dispostos à visitação pública. Na condição de memorialista, deixou publicado alguns livros indispensáveis ao conhecimento da cultura nordestina: Classificação popular da Literatura de cordel (Editora Vozes, 1976), O povo, o sexo e a miséria ou o homem é sacana (Ed. Guararapes, 1980), Conselhos, comidas e remédios para levantar as forças do homem (Ed. Bagaço, 1982), Cozinha de pobre (Ed. Bagaço, 1992), Marketing dos camelôs do Recife (Ed. Bagaço, 1996), A fala do povão: o Recife cagado-e-cuspido (Edição do autor, 2004), Rolando papo de sexo: memórias de um sacanólogo (Ed. Livro Rápido, 2005).

Após seu falecimento, em 2014, a Prefeitura do Recife perpetuou sua presença com uma estátua de bronze em tamanho natural na praça do Mercado, seu ponto de encontro com a cultura pernambucana e com os recifenses.

DEU NO JORNAL

DISCURSOS VAZIOS NÃO COMBATEM VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Editorial Gazeta do Povo

Representantes dos poderes levaram suas mulheres

O lançamento do chamado Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio pelo governo federal nesta semana expõe, de forma quase didática, o descompasso entre o discurso político e a realidade das ações do governo federal voltadas para as mulheres. Anunciado durante evento em Brasília, com direito a discursos inflamados, o pacto simplesmente não traz nenhuma proposta concreta ou medida efetiva capaz de alterar, de maneira substantiva, o ambiente de impunidade que sustenta a violência contra a mulher no Brasil.

Nos últimos anos, a violência contra as mulheres só tem crescido. Em 2024, o país registrou 1.492 feminicídios; em 2025, o total subiu para 1.518 vítimas, o maior número desde a criação da lei que tipificou o crime. Isso significa que, em média, quatro mulheres brasileiras são assassinadas por dia. Houve crescimento também em outros crimes associados à violência contra as mulheres, como perseguição (stalking), violência psicológica, e crimes de violência sexual, como estupro.

Tudo isso sob a atual gestão federal, que fez da pauta feminina um de seus principais pilares retóricos durante a campanha eleitoral passada. Na prática, porém, pouco foi feito para alterar o cenário. Dados oficiais mostram que, em 2024, apenas 12% dos recursos previstos para ações de combate à violência contra a mulher foram efetivamente executados. Pactos, programas e campanhas sucessivas acumulam-se no discurso, mas não se traduzem em proteção real. A omissão administrativa, nesse caso, não é abstrata – tem consequências diretas, mensuráveis e, como demonstram os números, é paga com vidas.

Violência contra a mulher não se combate com comissões, slogans, declarações genéricas de compromisso ou frases populistas, como a de Lula afirmando que “vai meter a colher”. Combate-se com polícia presente, investigação eficiente e rápida, fiscalização rigorosa de medidas protetivas, penas proporcionais à gravidade dos crimes e um sistema de Justiça que funcione como fator de dissuasão, não como estímulo indireto à reincidência.

O caso de Sérgio Nahas, preso recentemente 22 anos após assassinar a própria esposa, ilustra de forma exemplar o colapso desse sistema. Não se trata de exceção exótica, mas de sintoma estrutural: a demora judicial, a fragilidade da persecução penal e a incapacidade do Estado de oferecer resposta proporcional à violência praticada. As mulheres brasileiras não pedem discursos vazios; pedem segurança. Querem que criminosos sejam presos, julgados e punidos em tempo razoável – antes que a reincidência produza novas vítimas.

A hipocrisia do governo se torna ainda mais evidente quando se observa sua atuação política. Historicamente, o petismo resistiu sistematicamente a propostas de endurecimento penal e de maior responsabilização de agressores, sempre sob o argumento abstrato da proteção de garantias fundamentais – invariavelmente as do agressor, raramente as da vítima. No Congresso, parlamentares do partido votam contra projetos que exigem maior cumprimento de pena para crimes hediondos, como estupro e homicídio, enquanto o discurso oficial insiste em proclamar uma suposta “guerra” contra o feminicídio.

Não é irrelevante, tampouco, a forma como o tema é tratado no plano eleitoral. Nas comemorações recentes do aniversário do PT, em Salvador, dirigentes partidários trataram as mulheres como eleitorado estratégico, essencial para projetos de reeleição. A linguagem é reveladora: mulheres aparecem como segmento a ser mobilizado simbolicamente, alvo de promessas e discursos inflamados, mas não como destinatárias de políticas públicas eficazes, capazes de garantir segurança concreta no cotidiano.

Enquanto governos insistirem em tratar a violência contra a mulher como peça retórica, o número de vítimas continuará a crescer. Pactos sem execução, discursos vazios e promessas sem consequência não alteram a realidade – apenas a disfarçam. A violência contra a mulher não persiste por falta de diagnósticos, mas por ausência de decisões. E cada vez que o Estado escolhe a encenação em lugar da ação, o preço é pago pelas mulheres.

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

GRANDEZAS E PENÚRIAS

Na sociedade brasileira atual, onde um individualismo perverso está asfixiando uma sadia convivialidade social, assusta muito demonstrar solidariedade, manifestar sensações fraternais, condoer-se com os menos favorecidos, ser ombro amigo. Melhor ser solidário à distância, sensibilizar-se com as crianças da Bósnia, horrorizar-se com os massacrados pelos israelitas em Gaza, sair em passeata em prol do cachorro Orelha ou protestar contra o atual quase ruminante Sistema Político Brasileiro.

A sociedade nossa foi edificada a partir do ego. Mas a sabedoria popular ensina que “quanto mais se verga o arco, mais longe voará a flecha, quebrando-se o arco se a curvatura for excessiva”. As promessas de vida fácil, com muito dinheiro posto em Bets, estão multiplicando os otários compulsivos masterizados, a compulsão deles bem mais elevada que o apenas racional. E se o idiotizado é honestamente advertido, o otário sente-se ressentido, como se o mundo inteirinho estivesse tentando destruir seu projeto de enriquecimento acelerado.

O florentino Nicolau Maquiavel, autor de O Príncipe, permanente fonte de consulta para pensantes de todos os calibres, dividiu os cérebros em três categorias: a dos que pensam por si mesmo, a dos que discernem a partir do entendimento dos outros e a dos que não entendem nada, nem a partir de si nem a partir dos outros. Na categoria última certamente se inscrevem os que perderam sua individualidade através de uma manada mórbida, os fins valendo todos os meios.

Na primeira das categorias de Maquiavel, sem qualquer dúvida se posicionou a figura sábia do mestre Harbans Lal Arora, serenamente a entender que “para se melhorar a situação presente, o melhor caminho é estar bem consciente de sua enorme dificuldade”. Possuindo a alegria de servir, Harbans era despido das pedanterias academicistas dos que costumam se idolatrar por ausência de discípulos. Harbans assimilava cotidianamente a imorredoura lição de Spinoza, explicitada na sua Ética: “A alegria é a passagem de um homem de uma perfeição menor para uma perfeição maior”.

Saibamos, apesar de todos os senões existenciais do momento, ser radicalmente humanizados, fiéis seguidores dos “mandamentos” abaixo:

1. Que a produção atenda às reais necessidades do povo, jamais servindo apenas às exigências do sistema econômico;

2. Que a relação entre as pessoas seja de colaboração, nunca de exploração;

3. Que o antagonismo obcecado dê vez à solidariedade persistente;

4. Que se empenhe pelo consumo adequado, nunca supérfluo;

5. Que as organizações sociais tenham por objetivo o bem-estar humano;

6. Que todos sejam, na vida social, participantes ativos, sempre de espíritos abertos.

Para ainda um início de ano, às vésperas de Momo, sempre esperando que a vaca tussa de modo mais generoso, recomendaria a leitura de dois textos que muito me impressionaram. O primeiro é Espelho do Ocidente – o nazismo e a civilização ocidental, Jéan-Louis Vullierme, RJ, Difel, 2019. 364 p. Onde se analisa, sob uma perspectiva incomum, as raízes do nazismo, muito mais amplas e profundas que o senso comum que postula que o fenômeno é produto de uma geração espontânea, fruto de mentes doentias alicerçadas numa ideologia antissemita. O livro é fruto de ampla pesquisa, resultado de uma preocupação que atualmente reina no mundo contemporâneo: uma inevitabilidade histórica que pode resultar em maldades já tidas como exclusas da história dos amanhãs.

A segunda leitura é complementar à primeira: A Coragem da Desesperança: crônicas de um ano em que agimos perigosamente, Slavoj Zizek, Rio de Janeiro, Zahar, 2019, 364 p. Um pensador de análises fecundantes, por vezes bastante inquietantes, sobre as luzes de um fim de túnel que nada mais é que o farol de um trem acelerado vindo em nossa direção. E só quando admitirmos que a situação é absolutamente irremediável e sem esperanças, as mudanças serão quiçá possíveis. Slavoj é considerado o filósofo mais perigoso do Ocidente, segundo o The Guadian. Leitura para os desbundamolizados éticos de nível superior.

DEU NO JORNAL

AUTORITARISMO

Leandro Ruschel

R$ 12 milhões de dinheiro público para uma escola de samba fazer propaganda eleitoral para o Descondenado…

Quantas centenas de milhões a mais estão sendo pagos aos grandes grupos de comunicação, como a Globo?

Além disso, quanto está sendo pago à milícia digital esquerdista nas redes?

Lembre: a partir de 2020, a “justiça” brasileira censurou e perseguiu dezenas de produtores de conteúdo conservadores.

A redação do Terça Livre, por exemplo, foi empastelada pelo regime sob a acusação de produzir “fake news” a favor de Bolsonaro. E, até hoje, não foi provado o repasse de um único real do governo da época ao canal…

A Revista Oeste também foi alvo de assédio judicial. Quando o chefe da censura da Justiça Eleitoral disse ao seu superior que não havia encontrado nenhuma irregularidade no conteúdo produzido pela revista, o superior — braço direito de Moraes — ordenou: “seja criativo”.

Nas eleições, centenas de posts foram censurados; e até mesmo um documentário sobre a facada em Bolsonaro foi impedido de ir ao ar.

Um vídeo com uma colagem de casos de corrupção durante os governos petistas foi censurado sob a acusação de “desordem informacional”, nas palavras do então ministro Lewandowski.

Após a vitória de Lula, ele foi escolhido para ser ministro da Justiça do Descondenado. Saiu de fininho do ministério, antes que fosse revelado que o escritório de advocacia de sua família recebeu R$ 2,5 milhões do Banco Master….

Eis a realidade do regime brasileiro: recursos infinitos para propaganda a favor do regime; censura e perseguição para os opositores. É assim que opera qualquer regime autoritário.

PENINHA - DICA MUSICAL