Arquivo diários:19 de outubro de 2025
DEU NO X
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
CÍRCULO VICIOSO – Machado de Assis
Bailando no ar, gemia inquieto vagalume:
Quem me dera que eu fosse aquela loira estrela
Que arde no eterno azul, como uma eterna vela!
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
Pudesse eu copiar-te o transparente lume,
Que, da grega coluna à gótica janela,
Contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela
Mas a lua, fitando o sol com azedume:
Mísera! Tivesse eu aquela enorme, aquela
Claridade imortal, que toda a luz resume!
Mas o sol, inclinando a rútila capela:
Pesa-me esta brilhante auréola de nume…
Enfara-me esta luz e desmedida umbela…
Por que não nasci eu um simples vagalume?

Joaquim Maria Machado de Assis, Rio de Janeiro-RJ, (1839-1908)
DEU NO X
NADA DE NOVO: NORMAL, NORMAL
JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO
O FAROL
“Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar, meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer”
Dorival Caymmi
O farol que orienta
A claridade do dia ainda não chegara. Mas estava próxima, e já se percebia o horizonte sendo pintado de cores alaranjadas – foi quando naquele momento, a maré propiciava a saída da jangada para o alto mar. A tripulação com três pessoas dispostas e experientes pescadores: João, Antônio e José.
A bordo, a confiança no bom resultado da pescaria e a certeza dada pelo quarto “tripulante” invisível, mas sentido: Deus!
A tripulação empurrou a jangada, até que ela pudesse ser absolvida pelo vai-e-vem das ondas em movimento. O vento favorável mostrava a necessidade do içamento do pano que levaria aquela jangada e a tripulação para alto mar.
Em alto mar, a tripulação começava a estender as redes, na esperança de encontrar cardumes que, se encontrados e fisgados, pela quantidade pescada dificultaria o regresso no dia seguinte.
Mas, se por um lado, “o mar estava pra peixe”, nos céus nuvens negras começavam a cobrir a lua – única luz que iluminava e norteava – que, aos poucos desaparecia. Antecipava uma tempestade. Tempestade em alto mar e uma pequena embarcação com João, Antônio e José…. e, claro, Deus!
Repentinamente, tudo mudou. José e Antônio puxavam a rede para dentro da jangada. João tentava, em vão, mudar o pano com a intenção de “dirigir” a jangada…. e Deus, presente, apenas assistia como aqueles pescadores se sairiam daquela provação.
Havia dificuldade. Muita dificuldade.
Mas, a “luz divina” apareceu. Em meio a toda aquela escuridão, em alto mar, uma jangada agora cheia de peixes e com apenas três tripulantes que encontraram a pesca e agora enfrentavam a tempestade. Foi quando João avistou naquela escuridão total, a luz. A luz divina em forma de Farol.
A pesca frutificada e, agora, a certeza de que a onipotência divina mostrava, na prática que, em vez de somente João, Antônio e José, Deus também estava naquela embarcação.
As ondas mais altas foram vencidas com muito denodo, até que aquele Farol começou a nortear e iluminar o caminho da jangada em alto mar.
O farol da educação
A Educação, dizem, é a base de tudo. Será?
Não afirmo que o Farol da Educação seja Lei, nem tenho certeza se é abrangente para o Brasil. Mas sei que, foi “criada” no Maranhão em 1997. Deveria “orientar” não apenas crianças, mas todos os que estão vivendo tempestades culturais e sem rumo na vida.
Entretanto, sei e afirmo que, desde que as escolas maranhenses (e, do Brasil como um todo) aderiram às teorias paulofreirianas, a jangada do ensino e da educação sofre, perdida, e não tem conseguido pescar nada. Nem um único “bagre”.
Em contrapartida ao “Farol da Educação”, com o único viés político, o Governo tem aderido e investido na tecnologia dos tabletes – e deixado de lado a voz do mundo, de que “a educação é a base de tudo”.
Milhares de milhas distante do Maranhão e, por que não dizer do Brasil, Suécia e Reino Unido conseguiram enxegar o “Farol” em meio a tempestade vivida no ensino e voltaram em definitivo para o ABC, o lápis e a borracha.
E os faróis?
Pelo menos na Suécia e no Reino Unido, os faróis, agora, só estão iluminando e orientando os mares.
Mas, há uma esperança: euzinho vou ganhar um combo de livros de um consagrado escritor pernambucano de Palmares (futuro membro da Academia Brasileira de Letras, que passará a conviver com gênios como Gilberto Gil, Fernanda Montenegro), ler, aprender, me orientar na vida, e, depois, fazer uma doação para qualquer Farol da Educação. Então o Farol da Educação também estará iluminado.
DEU NO JORNAL
ROMBÃO
Há apenas nove meses, a ministra de Gestão e Inovação de Lula, Esther Dweck, inventou a lorota de que “não é rombo” o que vitimava os Correios.
Na verdade, é um abismo de mais de R$ 20 bilhões.
* * *
O fato é o seguinte:
Rombo mesmo, bem arrombado, é o…
Ah… Deixa pra lá.
Furico não é assunto pra este domingo.
MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE
SILÊNCIO CONSTRANGEDOR
Uma das coisas mais interessantes de se observar é quando dados, ou fatos, desmentem certos discursos. Como analista de dados, eu acho fantástico o silêncio que se segue quando as contradições são expostas. Os exemplos se multiplicam, jogando na lona arroubos políticos. Já falei uma determinada ocasião sobre Paulo Maluf. Ele, por sua formação em engenharia, gostava de mensurar determinadas ações do governo, grande parte delas, pura fantasia.
Ciro Gomes faz isso, mas com um agravante: a única inteligência, imediatamente inferior à dele é a de Jesus Cristo. Agora, tem um momento que ele foi bastante lúcido: eleição de 2018, ele foi acusado de abandonar a candidatura de Haddad e ter viajado para Paris, transferindo votos dele para Bolsonaro. Isso foi dito largamente pelo PT e numa entrevista os jornalistas partiram para cima dele com esse argumento. Ele calou todos dizendo: “faça uma conta simples. Peque os votos que eu tive e some com os votos de Haddad. Bolsonaro teve 11 milhões de votos a mais. Como eu ia transferir votos que eu não tive?”. É isso: muitas vezes, basta uma conta simples para enterrar certos argumentos mentirosos.
Nos idos de 2012, a então presidente Dilma, recebeu do IBGE um pedido de apoio financeiro para ampliar a pesquisa de desemprego no Brasil, captando não apenas a região metropolitana das capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e Belém), mas cidades interioranas. O piloto da pesquisa apresentado, sinalizava uma taxa de desemprego bem maior do que a taxa oficial. A proposta foi enterrada, beirava o ano 2014 e havia uma eleição no meio do caminho. Com ou sem pesquisa, 13 milhões de brasileiros perderam o emprego em 2014.
É difícil manter um argumento quando há um reconhecimento externo, seja de que natureza for e aqui eu me refiro ao Nobel da Paz concedido, este ano, a Maria Corina Machado, opositora do regime de Maduro na Venezuela. Calaram-se os apoiadores declarados e ocultos de Maduro. Sabe-se que ele tem respaldo do Irã, da Rússia, de Cuba, da Coreia do Norte de algumas republiquetas miseráveis, incluindo Brasi. Circulou por aí um vídeo onde o secretário do comitê comunicou o prêmio e foi fantástico ouvi-la dizer: “oh! my God!”
A luta dessa jovem engenheira com mestrado em finanças é longa e árdua. Ano passado, ela teria todas as condições de ganhar a eleição contra Maduro, no entanto, o regime usou de todos os argumentos possíveis para inviabilizar sua participação no pleito. Ressalte-se que em 2014, seu mandato parlamentar foi cassado, ela foi proibida de deixar o país, sofreu toda a sorte de perseguição, mas nunca – não que eu me lembre – alguém ergueu sua voz para dizer que isso era arbitrariedade.
Os efeitos dessa escolha foram imediatos: Maduro fechou a embaixada na Noruega em nítida retaliação como se a Venezuela fosse algo com poder significativo de abalar a moral dos noruegueses. Nitidamente, a escolha de Maria Corina é uma sinalização que o mundo faz para todos os regimes autoritários, restritivos dos direitos democráticos e que transitam apenas em determinados lugares coniventes com sua prática. Putin e Maduro, por exemplo, não transitam livremente por diversos países por receio de prisão.
O prêmio reforça que a defesa da democracia, a transparência governamental, a participação do cidadão, mesmo quando a repressão é expressiva, é um instrumento de “resistência pacífica” e que se tornar reconhecido globalmente. De forma direta, esse prêmio para o povo venezuelano, citado por ela nas suas palavras de agradecimento, se transforma num símbolo a medida que unifica a oposição – que de certo modo é liderada ou inspirada por ela – a lutar mais intensamente, com melhores armas e de forma pacífica, a buscar a libertação do país de um regime injusto e desumano que ora se encontra sob ameaça da pressão dos Estados Unidos. Não custa lembrar que Ghandi fez a Inglaterra se retirar da Índia com a estratégia de não violência.
Maduro está “no mato sem cachorro”. O eco dessa premiação está ressoando em muitos lugares e até mesmo Secretário da ONU chegou a dizer que este prêmio “reflete as claras aspirações do povo da Venezuela por eleições livres e justas, por direitos civis e políticos e pelo império da lei”. Como se sabe, Maduro nunca apresentou publicamente o resultado das eleições, porque as atas eleitorais mostravam que ele teve pouco mais de 20% dos votos válidos. O presidente do Brasil chegou a solicitar publicamente que isso foi divulgado e o grande Maduro rebateu dizendo que na Venezuela o voto era impresso e no Brasil, não. Fez uma alusão as dúvidas que pairam sobre a eleição do presidente brasileiro.
Vi apelos de Maria Corina, inclusive para o presidente brasileiro, usar seu canal com Maduro e convencê-lo a sair de fininho. Até onde se sabe isso não foi e não será feito. Pelo contrário: o presidente brasileiro criticou as ações americanas no entorno da Venezuela, defendendo a tal soberania do país. O que se sabe: Maduro ofereceu petróleo a Trump e num evento recente ele falou: “no war, piece”. Agora é tarde, Maduro. Você vai cair de podre. Fuja porque sua cabeça está a prêmio e não é um Nobel.
DEU NO JORNAL
EXCELENTE IDÉIA! MELHOR AINDA SE ELE FOR JUNTO
WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO
HOMENAGEM
Edilene Oliveira, hoje doutora em Língua Portuguesa, foi minha professora no colégio Barros Correia, em Altinho-PE.
À Mestra, com carinho.
Era o ano de oitenta, ainda lembro, Professora Edilene lecionava,
Na primeira quinzena de dezembro
Quando o Ano Letivo terminava.
O Quadro Negro, que era azul, já recebia Letras brancas, desenhadas com esmero: Faça um texto em Prosa ou Poesia.
(Dez minutos é o tempo que espero!)
Fui catando, com capricho, cada rima,
A caneta entendeu, entrou no clima Preenchendo meu pequeno pergaminho
Terminei, corri lá com a professora,
Leu atenta e com voz aprovadora:
– Eis o novo Poeta do Altinho!
FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS
PENSAÇÕES SEMPRE OPORTUNAS
Certa manhã, em 2009, o Raymundo Espelho, um dos fundadores da Editora Correio Fraterno, São Bernardo do Campo, escarafunchando num dos sebos da cidade encontrou um texto muito raro, de altíssimo valor contemporâneo, editada em 1967 por um talentoso jovem pesquisador kardecista, sendo constituído o primeiro de uma série de inúmeros outros.
Mais de quarenta anos depois, o livro foi reeditado, causando uma imensa alegria num Movimento Espírita Brasileiro sempre atento a uma advertência do Codificador Allan Kardec: “Só é inabalável a fé que pode enfrentar a razão face a face em todas as épocas da humanidade”.
O livro reeditado muito oportunamente: OS PROCURADORES DE DEUS, Hermínio C. Miranda, 2ª. edição, São Bernardo do Campo SP, Editora Espírita Correio Fraterno, 2015, 240 p. Uma edição primorosa, composta de três partes: O Preparo da Terra, A Sementeira e A Colheita. Nelas, através de curtos 144 reflexões notáveis, Hermínio (1920-2013) oferece um papo cativante, uma série de balizamentos para todos os pensantes, independentemente de credos e convicções, sempre embasada numa advertência de Charles Péguy (1873-1914), notável poeta francês, ensaísta e editor, tornado católico romano após muitos anos de um inquieto agnosticismo, nunca sendo, entretanto, um cristão militante: “Aquele que não proclama a verdade quando a conhece, torna-se cúmplice de mentirosos e falsários.”
Do livro do Hermínio Mirando acima citado, extraí algumas das suas primorosas considerações, abaixo as expondo para conhecimento dos argutos leitores desta Besta Fubana sempre poderosa energia restauradora para os mais desesperançados e perplexos. Ei-las:
– “A posição do ser humano diante do problema da morte está condicionada ao seu grau de conhecimento. Basicamente três são, no meu entender, as atitudes filosóficas que a criatura humana pode assumir nesse caso: temor, indiferença e serenidade.”
– “O ser humano que procura respostas claras, diretas, objetiva às suas inquietações não se dá por satisfeito e atendido dentro das estreitezas do materialismo, como não se sente à vontade no acanhamento do dogmatismo religioso.”
– “Parece que não estava na intenção inicial dos teólogos criar o purgatório. Esse campo de concentração surgiu depois, quando estalou na cabeça de alguém que com apenas duas alternativas não se resolviam certas dificuldades.”
– “É inegável que há justificativas filosóficas para qualquer barbaridade que se cometa em nome de uma ideia. Hitler também tinha bem à mão seus filósofos da pureza racial.”
– “Seria imperfeita a lei de causa e efeito se as faltas que praticamos em prejuízo do nosso semelhante fossem canceladas, tornadas inexistente pelo simples procedimento catártico da confissão.”
– “A figura histórica de Maria tinha realmente de acender a imaginação dos homens. Não há filho, nem pai, nem mãe que não sinta a intensidade do seu drama, o seu silencioso desespero ante a inutilidade dos seus esforços para salvar aquele estranho filho das garras dos seus inimigos.”
– “As ideias são para serem discutidas e reexaminadas constantemente, à luz de novos conhecimentos e novas concepções, porque também elas às vezes envelhecem e morrem como as criaturas.”
E uma recomendação final, de muita valia, do saudoso Hermínio Miranda:
“Portanto, leitor, a decisão é sua, repito. Como dizem os ingleses: Take it or leave! (Tome-o ou deixe-o!). Leia e conclua ou não leia por comodismo, indiferença, temor… O problema é inteiramente seu. Uma coisa apenas desejo gravar no fundo do seu ser e nisso não posso deixar de ser o mais enfático possível: a prova provada da existência do espírito, na fase atual do nosso conhecimento, você obterá irrecusável e definitiva depois que morrer, embora agora apenas insisto: Compreensão é decorrência direta do grau de maturidade espiritual.”
Uma leitura do Miranda bem arretada de ótima para todos, gregos e troianos, azedos e doces, todos filhos do Criador do Todo!
PENINHA - DICA MUSICAL



