ALEXANDRE GARCIA

IMPOSTO SEM RETORNO: QUEM GOSTA DE PAGAR PARA SER MAL SERVIDO?

Vejam só: está faltando só esta quarta, quinta e sexta-feira — até às 23h59 — para entregar a declaração do Imposto de Renda. E consta que 10 milhões de pessoas ainda não entregaram. Isso significa, mais ou menos, que um em cada quatro contribuintes ainda não fez a entrega.

Por que será que isso acontece? Inclusive eu estou incluído nessa. Eu, enfim, estava em Portugal e não quis mexer nisso. Voltei, tive só duas semanas para fazer e continuo mexendo. 

Ontem, almocei com um reitor de uma universidade do Porto, e ele me disse que, lá em Portugal, é facílimo — não precisa perder tempo. Aqui, é muito complicado, principalmente se a gente acredita em investir em papéis que representam o capital de empresas brasileiras de capital aberto. Então o negócio já complica.

Mas, enfim, tem muita gente — muitos milhões — que relutam. É inconsciente isso: “Pra que eu vou dar dinheiro para o governo?” O governo vai gastar esse dinheiro? Vai aplicar em bons serviços públicos — de ensino, de saúde, de segurança pública, de justiça, por exemplo — ou está só gastando como um grande gastador? Esse é o problema.

A projeção que os bancos fazem — os bancos, que agora são inimigos, segundo José Dirceu… Os bancos e o agro. Numa mensagem ao PT, defendendo a candidatura que ele apoia para a presidência do partido, Dirceu disse que devemos escolher como inimigos a Faria Lima, os bancos, o setor financeiro e o agro — que seriam, segundo ele, os concentradores de riqueza. Imaginem só! Acho que o agro é quem põe comida na mesa, não é? E que garante, no nosso balanço de pagamentos e na balança comercial, um saldo bem positivo. Mas, enfim…

O que a gente está vendo é isso: mais imposto — imposto sobre operações financeiras. O crédito fica mais caro. Fica mais caro até fazer uma previdência complementar, com um imposto que vem para cobrir o déficit — que os bancos calculam em R$ 97 bilhões de gastos a mais.

* * *

Desvio premiado

Dito isso, vejam só: dentro de um banco estatal, a Caixa Econômica Federal — eu não sei se ainda é uma autarquia ou empresa pública, mas enfim… — a própria Caixa descobriu, e agora está nas mãos da Polícia Federal, da Polícia Civil de Brasília e de Goiás, um desvio de, no mínimo, R$ 11 milhões, feito por um funcionário dela. Isso foi feito via Pix, com o dinheiro sendo enviado para outras contas correntes e para empresas de apostas.

Olha a ironia: o maior banqueiro de apostas é a Caixa Econômica, que faz sorteios, etc. O nome disso é jogo — proibido pela Lei de Contravenções Penais. Jogos de azar são todos aqueles cujo resultado depende da sorte. Um jogo de futebol não é; de vôlei, não é; de tênis, não é — mas de loteria, é.

E está lá — só falta revogarem o artigo da Lei de Contravenções Penais. A Caixa é banqueira, mas foi vítima de empresas de apostas que estavam recebendo esses milhões desviados. Já saiu uma ordem judicial para sequestro de bens desse funcionário. Pena que a gente não fica sabendo o nome dele. Coitadinho… tem que ser protegido, mesmo depois de ter metido a mão!

Sequestro de bens, busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias, quebra de sigilo bancário — tudo isso.

* * *

Narrativa desfeita

Bom, e só pra encerrar: a Câmara aprovou o “Dia da Marielle”, 14 de março. Ainda bem que vai para o Senado. Eu não entendi. É uma espécie de sublimação — o Dr. Freud explica. Ficaram frustrados quando descobriram que o assassino, o mandante, não era quem eles pensavam. Era um apoiador de Lula — inclusive um deputado e um sujeito do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro. Ficaram frustrados.

Então veio essa sublimação para homenagear Marielle. Quando se faz homenagem a uma pessoa, é preciso saber o que essa pessoa fez para servir de modelo, de exemplo, para ser venerada naquele dia.

O projeto agora vai ao Senado. É de autoria do PSOL, e a relatora na Câmara foi a deputada Benedita da Silva.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

MULHER SABERES E OFÍCIO

 

Capa desta colunista

A mulher no seu trajeto
Marcou bem sua conduta
Abraçando profissões
Nunca fugiu da labuta
Porém muito consciente
Ela sempre é presente
Na base de cada luta.

Onde o progresso era lerdo
Laborava sua mão
Exercendo cada ofício
Usando a intuição
Mesmo sem ter faculdade
Serviu a sociedade
Sendo informal em ação.

Todo seu conhecimento
É dote matriarcal
Aprendeu fazer canteiro
Com erva medicinal
E lá nos tempos de então
Servia a população
Com plantas do seu quintal

Onde não havia médico
Raizeira sempre tinha
Mostrando conhecimento
E os saberes que detinha
Pra quem não tinha dinheiro
O remédio era caseiro
E não faltava mezinha.

Folhas para chás e emplastro
Era comum ter na feira
Como hortelã e mastruz
Arruda, malva e cidreira
Também raízes sortidas
Que eram sempre vendidas
Através da raizeira.

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DEU NO X

DEU NO JORNAL

A NOVA PERSEGUIÇÃO

Editorial Gazeta do Povo

Aos poucos, os últimos limiares que ainda separam o Brasil de um Estado totalitário vão se dissipando. Em vez de instituições e poderes independentes, harmonicamente convivendo sob a orientação da Constituição, o que se vê são ações despropositadas, que, supostamente com o intuito de proteger a democracia, avançam sobre o Estado de Direito. O mais recente capítulo dessa escalada autoritária é a abertura de um inquérito contra o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). A investigação busca apurar suposta coação e obstrução de Justiça, com base em uma representação formulada pelo líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias.

A acusação sustenta que Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, teria atuado nos Estados Unidos junto a empresários, congressistas e representantes da Casa Branca com o objetivo de sancionar autoridades brasileiras, especialmente integrantes da Suprema Corte, da Polícia Federal e da própria PGR. Como base para a investigação, a PGR apresenta entrevistas e postagens do deputado que, em sua avaliação, configurariam uma tentativa de intimidar autoridades públicas envolvidas na ação penal que tramita no Supremo contra seu pai, réu por suposta tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados ao episódio de 8 de janeiro de 2023.

Vale lembrar que a perseguição política a Eduardo Bolsonaro não é nova. Em fevereiro, parlamentares da base governista – entre eles o mesmo Lindbergh Farias – protocolaram pedido de investigação contra o deputado por “lesa-pátria” e “conspiração contra o governo brasileiro”, sugerindo, inclusive, a apreensão de seu passaporte. À época, Eduardo era cotado para presidir a Comissão de Relações Exteriores da Câmara. O desfecho é conhecido: em 18 de março, ele anunciou sua licença do mandato para permanecer temporariamente nos Estados Unidos; horas depois, Alexandre de Moraes arquivou o pedido petista.

Em ambos os episódios, o “crime” do deputado é o mesmo: denunciar no exterior a crescente erosão das liberdades democráticas no Brasil – como a censura cada vez mais corriqueira, o abandono do devido processo legal nos julgamentos relacionados ao 8 de janeiro, e a sistemática violação da imunidade parlamentar. A diferença agora é o sinal de que as denúncias brasileiras começam a sensibilizar autoridades internacionais. Na semana passada, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, declarou que há “grandes possibilidades” de o ministro Alexandre de Moraes vir a sofrer sanções sob a Lei Magnitsky, norma americana que pune violações graves de direitos humanos. Curiosamente – ou não – o inquérito contra Eduardo foi instaurado apenas quatro dias após essa declaração.

A atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior insere-se na tradição democrática de pedir socorro quando se considera que instituições nacionais parecem falhar em proteger os direitos fundamentais. Concorde-se ou não com a percepção do deputado, trata-se de uma tática totalmente legítima, amparada inclusive em tratados internacionais de direitos humanos; vítimas de regimes autoritários mundo afora sempre fizeram e continuam a fazer isso quando julgam que a pressão internacional pode contribuir para a normalização institucional de seus países. Outros parlamentares brasileiros têm feito o mesmo. A visita da Relatoria Especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) ao Brasil em fevereiro, quando diversas autoridades, vítimas de censura e especialistas foram ouvidos sobre as restrições às liberdades civis no país, por exemplo, aconteceu após parlamentares brasileiros exporem à OEA preocupação com a situação da liberdade de expressão no Brasil.

Buscar apoio internacional contra o que se considera arbitrariedades de um sistema de Justiça não é novidade no Brasil – e tampouco pode ser considerado crime. O próprio Partido dos Trabalhadores, hoje no poder, recorreu a essa prática. Em 2017, os advogados de Luiz Inácio Lula da Silva viajaram à Europa para dialogar com parlamentares britânicos e italianos, em uma tentativa de obter apoio internacional contra as decisões do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região. Estranhamente, à época, não se falou crime, nem tentativa de obstrução da Justiça.

O exercício da crítica e a exposição de possíveis violações às liberdades constitucionais, seja dentro do país ou internacionalmente, não podem continuar a ser tratados como ameaças – são expressões legítimas da democracia. Até hoje há brasileiros, jornalistas, influenciadores, comunicadores, empresários sendo investigados, alguns sofrendo sanções absurdas, apenas por fazerem o que fez Eduardo Bolsonaro: chamar a atenção sobre o que consideram ser abusos do Judiciário cometidos em nome da defesa da democracia. Se o Brasil não resgatar de forma urgente o equilíbrio entre os Poderes, o respeito irrestrito ao devido processo legal e à liberdade de expressão como pilares inegociáveis da convivência democrática, a lista desses “criminosos” só vai aumentar. Ignorar o absurdo do inquérito contra Eduardo Bolsonaro – que se parece muito mais com uma perseguição pura e simples do que com uma investigação – é aceitar que arbítrio tome o lugar da Justiça.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

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NOTÍCIA DE BANÂNIA: PRESIDENTA DESPACHANDO COM O MINISTRO