DEU NO X

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

UMA GRANDE HISTÓRIA

Essa é a história improvável de um menino que trocou sua infância pela aventura (quase insensata) de conquistar o mundo. Por saber, desde cedo, qual roteiro estava prometido para ele – o de escapar das entranhas do Brasil popular e profundo para ser um dos grandes personagens de seu país.

Em bem conhecido livro escrito há exatos 50 anos, Surveiller et punir, Michel Foucault dizia que ao ver riscos deixados na neve era capaz de saber os pesos e as habilidades dos esquiadores. Razão pela qual concluiu “A identidade é uma trajetória”. O que vale para o presente caso. Aqui, neste livro, se fala dos caminhos percorridos por João Carlos Paes Mendonça. O que faz lembrar o poeta do rio Guadalquivir, Don Antonio Machado Ruiz, em Proverbios y cantares:

“Caminhante, são tuas pegadas
O caminho e nada mais
Caminhante, não há caminho
Se faz o caminho ao andar”.

Falava de barcos sem nenhuma rota, nas águas em frente, só com “estrelas no mar” pelas quais se guiam os navegadores. Deixando, atrás de si, espumas que podem ser seguidas. Como uma estrada. Uma vereda. Um caminho. E lembro, pela proximidade nos temas, salve António Gedeão (na verdade Rómulo Vasco da Silva Carvalho) que, em Impressão digital, escreveu:

“Inútil seguir vizinhos
Querer ser depois ou antes
Cada um é seus caminhos
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São Gigantes”.

Uma bela definição, “cada um é seus caminhos”. O dos esquiadores na neve, de Foucault. O dos navegadores, no mar de Machado. Os que definem o personagem desse livro, a partir de Gedeão, ao mesmo tempo como Sancho e Quixote. O Escudeiro na compreensão de que, para sobreviver na atividade econômica, deveria jogar as regras do mercado. E fez isso bastante bem, não há dúvida, tanto que é hoje um dos mais importantes empresários do país. Mas foi também o Cavaleiro Andante, nas ações sociais, em que igualmente se destacou de maneira exponencial. Cumprindo, na vida, pelo menos três compromissos principais. A ver:

O primeiro compromisso é íntimo, com o ser correto numa dimensão ética. Razão pela qual sempre mereceu respeito de todos e cada um dos que cruzaram com ele, nesse mundão de meu Deus. Desde muito jovem, que já estava trabalhando na loja do pai quando todos em volta, na sua idade, ainda jogavam bolas de gude. E pensou generosamente, sempre, sem limites, cercas ou fronteiras.

O segundo compromisso é com o coletivo. Nos comentários econômicos que publica nos jornais, por exemplo, não se apontará um sequer em que tenha defendido interesses pessoais. Ou de suas empresas. São sempre temas ligados a algo mais amplo, o interesse público. Como o embate contra as desigualdades regionais. A falta de racionalidade no planejamento da ação governamental. Mais recentemente, a necessidade de desburocratizar o país. A preocupação com o futuro. E nunca em tom de frustração, de lamento, de perda, sentimentos hoje banalizados em nossas elites. Ao contrário, demonstrando sempre confiança no futuro. A mesma que teve quando saiu, sem sair, de Serra do Machado.

O terceiro compromisso, aquele que considera hoje mais relevante, é com o social. Em razão do que vai passar pela existência deixando marcas a perdurar. Ele, que veio de baixo e ascendeu pelo duro suor do rosto, sentia no coração que seu dever seria o de permitir que tantos jovens, como os que um dia foi, tivessem a chance concreta de ter inclusão social a partir de educação e ensino de ofícios. No sonho implausível de escrever seus próprios destinos. Uma missão, literalmente, redentora. E faz isso já por quase todo o Nordeste, como adiante se verá melhor nessas folhas.

Em Serra do Machado seu Zezinho, com rosto que parecia fazer parte da paisagem, apontou a casa de sua família dizendo “João nasceu aqui”; e confirmou, em seguida, “com 9 anos ele já tomava conta da loja do pai”. A imagem talvez seja uma chave para desvendar aquela trajetória que é sua identidade. Indicando que se pode partir, sem nunca partir realmente. Sua presença, naquela pequena cidade, era um resgate da infância que não teve. Um como que retorno às origens da família, aos sonhos e às memórias de um tempo sem volta. Um compromisso com crianças quase sem futuro. Provando que difícil nem é vir de um lugar perdido no mapa, como Serra do Machado, para ser cidadão do mundo. Difícil, mesmo, é vir de Serra do Machado e não esquecer disso. Sem se perder no caminhar.

Robert Frost (em Poemas completos) escreveu: “Alguns dizem que o mundo acaba em fogo/ Outros dizem que em gelo”. No seu caso, não é o mundo que finda, mas começa, com o fogo – o livro e a história adulta dele próprio. No tanto em que as chamas, ao destruir tudo que tinha construído até então, valem como um convite a começar de novo. Com ânimo redobrado. Com uma força que vem de dentro. E esse fogo haverá de perdurar em torno dele, para sempre, nas gerações que virão. A partir de seu exemplo.

No fundo, este livro revela uma trajetória nada comum, a de um homem incomum. Razão pela qual é com alegria e justiça que se vê agora, em livro, a saga majestosa de João Carlos Paes Mendonça.

*Prefácio para O grupo e a trajetória de JCPM, livro lançado nesta segunda (12/05/2025).

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

MUNDO LOUCO

Os loucos e os maus deveriam ser separados dos sãos, pois a loucura e a maldade contagiam.

O mundo bom que Deus criou foi invadido pela perversidade e a proporção de pessoas perversas cada vez mais supera o número de pessoas dignas e idôneas.

Isso de gostar de ver o próximo sofrendo injustiças e humilhações, deve ser herança maldita de uma família de marginais e degenerados. Dizem que os genes se transmitem durante catorze gerações.

Coisa mais ridícula, a onda de perseguição política que abertamente existe em nosso País, como se o sistema político fosse único e não pudesse haver oposição. Cidadãos de bem, que ostentam suas preferências políticas estão sendo encarcerados em prisões ou em casa, como pássaros cativos, até que adoeçam e morram na prisão ou sejam liberados para prisão domiciliar, com a humilhação de não poder se comunicar com correligionários amigos, e usando tornozeleira eletrônica.

O ódio e a inveja transformam seus adeptos em verdadeiros corvos agourentos, que respiram vingança e punem aqueles que não compactuam com as suas ideias, maltratando-os, humilhando-os, oprimindo-os e encarcerando-os como pássaros cativos, até que percam a saúde e a vida.

O poema “O Pássaro Cativo“, de Olavo Bilac , nos faz refletir sobre a natureza intrínseca da liberdade e a necessidade de se respeitar a natureza selvagem e indomável dos seres vivos.

O poema utiliza a figura do pássaro como um símbolo poderoso da busca incessante pela liberdade, mesmo diante de confortos materiais oferecidos em cativeiro. O poema começa com a descrição de um pássaro que é capturado e colocado em uma gaiola dourada. É uma crítica ao encarceramento de seres vivos.

Imaginem o sofrimento da ave encarcerada, cantando por não saber chorar.

No caso de seres humanos injustamente encarcerados, a dor que lhes invade a alma, ninguém pode imaginar, pois eles sentem-se obrigados a sufocá-la.

A sociedade de hoje, constituída de três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – acaba nos dando uma percepção falsa de que as coisas sempre foram assim. Entretanto, esse formato tríplice surgiu a partir da obra de Montesquieu, “Do Espírito das Leis“, publicada em 1748, na qual ele propõe esses três poderes. Mas a sociedade de Israel é muito mais antiga do que isso, e a estrutura sociopolítica que existia na época é profundamente diferente daquilo que hoje vemos. Dentro do conceito judaico, tanto as funções do Executivo como do Legislativo e do Judiciário estavam todas em um único local: o Templo de Jerusalém.

A sociedade da antiga Palestina era marcada pela importância da religião dentro do cenário cultural no qual viviam. O Templo era o centro de todas as discussões. A religião era o eixo maior que movia todas as questões da sociedade israelense daqueles tempos.

Naquela época, o modelo social propunha que todo o poder estivesse concentrado no Templo. Na visão dos judeus, os seus reis, os seus líderes ,em termos políticos, ocupavam esses cargos porque eram ungidos, abençoados pelo Sumo Sacerdote.

O Sumo Sacerdote, portanto, era quem dava a bênção para que aqueles homens exercessem o seu papel como líderes do povo, de tal sorte que o Poder Executivo tinha sujeição ao Templo de Jerusalém.

Era preciso obedecer aos ditames do Templo, para que o rei se mantivesse no poder, do contrário, cairia.

Não era admissível que um rei se colocasse criticando, contestando ou desobedecendo as ordens oriundas do Templo.

Nessa época, havia acentuado senso de justiça, o que significava preocupação com o outro, com o coletivo; não havia exploração, não se fazia nada para destruir a pessoa humana. Não se cultivava ódio nem raiva das pessoas.

Ter ódio e raiva, injustamente, de qualquer pessoa, é um claro sinal de perturbação mental.

Nos dias atuais, as redes sociais são usadas para destilar comentários maldosos, ofendendo, brigando com as pessoas que pensam de forma diferente, em algum aspecto da vida, envolvidos em inveja e ódio.

O bem que faz o mal não é o bem!

O PÁSSARO CATIVO – Olavo Bilac

Armas, num galho de árvore, o alçapão
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas cai na escravidão.
Dás-lhe então, por esplêndida morada,
Gaiola dourada;

Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos e tudo.
Por que é que, tendo tudo, há de ficar
O passarinho mudo,
Arrepiado e triste sem cantar?
É que, criança, os pássaros não falam.

Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer:

“Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que voar me viste;
Tenho água fresca num recanto escuro

Da selva em que nasci;
Da mata entre os verdores,
Tenho frutos e flores
Sem precisar de ti!

Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola,
De haver perdido aquilo que perdi…
Prefiro o ninho humilde construído

De folhas secas, plácido, escondido.
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pombas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde,
Entoar minhas tristíssimas cantigas!
Por que me prendes? Solta-me, covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade!
Não me roubes a minha liberdade…
Quero voar! Voar!

Estas cousas o pássaro diria,
Se pudesse falar,
E a tua alma, criança, tremeria,
Vendo tanta aflição,
E a tua mão tremenda lhe abriria
A porta da prisão…

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PENINHA - DICA MUSICAL

COMENTÁRIO DO LEITOR

DEU NO X

RODRIGO CONSTANTINO

JANJA ACHA QUE A CHINA CENSURA É POUCO!

Lula participa de jantar com Putin em Moscou

Lula chega ao jantar oferecido por Putin acompanhado de Janja

O constrangimento a que Janja submeteu o governo Lula na China revela como o PT é autoritário. No fundo, a primeira-dama disse que o Partido Comunista Chinês censura é pouco, e que deveria se esforçar mais para controlar o conteúdo da rede social Tik Tok. Lula tentou sair em defesa de sua mulher, mas a emenda ficou pior do que o soneto. E ficou aquele climão no governo e também com seus apoiadores na mídia.

Até mesmo o esquerdista André Trigueiro, da Globo News, ficou perplexo: “Não faz o menor sentido trazer alguém da China para regulamentar rede social, pela razão de que a China não permite liberdade de expressão, as redes sociais na China são todas controladas. Algumas redes sociais simplesmente não podem funcionar. E qual seria o aconselhamento que um representante do governo Xi Jiping poderia nos dar nesse sentido? Se for para fazer aqui o que se faz lá, haverá, digamos, a ditadura dos conteúdos compartilhados pelas redes sociais ao gosto do governante de ocasião. Não acho que seja um bom aconselhamento”.

Ou seja, até mesmo a turma da velha imprensa que aplaude o PL da Censura, de relatoria do comunista Orlando Silva, que pede mais controle (censura) nas redes sociais ao Congresso e que aplaude a perseguição suprema aos conservadores, até essa gente acha que Janja foi longe demais ao pedir ajuda aos chineses para controlar nossas redes sociais!

Não obstante, e como todo líder autoritário tem um séquito de bajuladores, a AGU do “Bessias” deu 24 horas para a Meta e o Tik Tok apagarem posts sobre a Janja. O que a AGU tem com isso ninguém sabe, ninguém entendeu. O jurista André Marsiglia comentou: “Independente do conteúdo das postagens, a AGU não tem legitimidade neste caso para questionar plataformas. A AGU serve para apoio jurídico do Estado, não do governo, e muito menos da Janja, que sequer possui cargo eletivo; A AGU mobilizar o Estado em favor dos interesses do governo ou de uma pessoa física, a meu ver, fere o princípio da impessoalidade (art.37 da CF) e pode responsabilizar os agentes públicos envolvidos; A AGU fez uma notificação extrajudicial. Tem o mesmo valor que enviar a alguém uma carta, não é uma ordem judicial. O prazo de 24 horas de uma notificação, bem como seus pedidos, não obrigam ou vinculam ninguém a nada”.

Ou seja, tudo fora das quatro linhas e para inglês ver – ou melhor, para Lula apreciar o empenho em proteger sua constrangedora esposa. Janja segue uma fábrica de gafes e de gastos exorbitantes. Mas Lula gosta, claro, e ninguém pode dizer que a primeira-dama destoa do próprio marido, ele mesmo o maior produtor de “deslizes” que existe.

O sonho de Lula era ser um ditador todo-poderoso que pudesse usar seu poder para destruir quem quer que ouse criticá-lo, ou sua mulher. Até o Globo escreveu um editorial dizendo: “Apreço de Lula pela democracia flutua segundo conveniência”. Para o jornal, o presidente “posa de democrata”, mas não teve constrangimento em ir a Moscou participar de desfile ao lado de ditadores.

Ora bolas! Como nada disso é novidade, como Lula bajula os piores tiranos há 40 anos, só podemos concluir que o Globo fingiu acreditar na pose de Lula, pois qualquer pessoa atenta já sabia desse seu apreço por ditaduras assassinas. O papelão da mídia é constrangedor. Quase tanto quanto as gafes da Janja…

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X