Arquivo diários:21 de maio de 2025
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
VOLTANDO À CASA – Padre Antônio Tomás de Sales
Passei um mês, um mês inteiro, fora
Do meu lar, sem ouvir meus passarinhos,
Sem ver o louro bando de amiguinhos
Que aí deixei! Cruel, longa demora!
Mas, afinal, eis-me de volta agora,
E na ânsia de ver os coitadinhos,
Que suspiram talvez por meus carinhos,
Fustigo o meu corcel, que o chão devora.
Avisto a casa além, dobro a tortura
Que dela me separa… Oh! que ventura
Eu sinto na alma ao ir-me aproximando!
Chego ao portal, puxo o ferrolho e entro,
E me recebem pela sala a dentro
Crianças rindo e pássaros cantando.

Padre Antônio Tomás de Sales, Acaraú-CE (1868-1941)
DEU NO X
CHEGA LOGO 2026!!!
Chega logo 2026 kkkkkkk pic.twitter.com/SMzxlOYngp
— Carlos Jordy (@carlosjordy) May 21, 2025
DEU NO X
ATROPELAMENTO
Genial. 👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻 pic.twitter.com/Ji4fhXASC2
— Nanibarbosa (@RosaneBonoro) May 20, 2025
ALEXANDRE GARCIA
APOSENTADO PAGA, O IRMÃO DO PRESIDENTE ESCAPA

Eu acho que todo mundo estranhou que esse Sindicato Nacional dos Aposentados e Idosos — em que o vice-presidente é o irmão do Lula — tenha ficado de fora. Pelo menos ele, o Frei Chico, deu uma entrevista dizendo que o sindicato dele está fora.
Então, o líder da oposição no Senado, o senador Rogério Marinho (PL-RN), entrou com um requerimento — uma representação — na Comissão de Ética Pública da Presidência da República para saber por que o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não incluiu esse sindicato na investigação. Ele quer que Rodrigues explique por que o sindicato, que recebeu milhões em repasses do governo via Previdência, está fora da apuração.
Fizeram um levantamento mostrando que, entre os descontos feitos a idosos fragilizados, pensionistas e aposentados, apenas 2% foram autorizados. Um escândalo grandioso. Por isso, a necessidade de uma CPI — até para separar essa falácia. Imaginem se Bolsonaro iria estimular isso para beneficiar sindicatos de esquerda, ou beneficiar o irmão do Lula. Ao contrário: ele editou uma medida provisória exigindo maior autenticação da vontade de quem autorizava o desconto.
* * *
Depoimento de 11 horas
Um outro assunto: mais dez viraram réus — entre eles, um general de quatro estrelas, de uma família com longa tradição no Exército, um agente da Polícia Federal e oito oficiais superiores. Dois ficaram de fora: o relator, ministro Alexandre de Moraes, deixou de fora o general Newton e o coronel Cleverson, alegando que não havia justa causa para torná-los réus. Segundo ele, o material enviado pela Procuradoria-Geral da República não era suficiente. Os outros ministros acompanharam o voto, e assim esses dez se tornaram réus.
Mas o que ainda repercute muito, inclusive entre juristas, é a situação do general Freire Gomes. Eles dizem que há algo estranho no caso dele, pois ele negou o conteúdo do inquérito da Polícia Federal. E algo interessante: ele depôs por 11 horas. Eu não sabia disso — nem o ministro Luiz Fux sabia. Levou um susto: “O quê? 11 horas de depoimento? Isso não é exatamente um depoimento, é um interrogatório.”
Freire Gomes agora negou, diante do ministro Moraes, que tenha dito as coisas que constam no inquérito. O ministro perguntou se ele estava mentindo. Ora, é difícil imaginar uma pessoa com quase 50 anos de profissão, aplicando o que aprendeu, se permitindo mentir. Ficou no ar.
Na hora, Freire Gomes pediu: “Então mostre meu depoimento, se há contradição no que estou dizendo agora.” E o ministro Moraes não mostrou.
Aliás, falando em mostrar — que tal as imagens do aeroporto de Roma, hein? Que tal se a gente visse todas? Não sei por que não conseguimos ver. Esses inquéritos são colocados sob sigilo, mas isso deveria ser público, porque caiu sobre uma família. Foi quase uma desgraça que caiu sobre aquela família.
* * *
Habemus mediação
E, por fim, queria lembrar aqui — imaginem só: o Papa Leão XIV está agindo mesmo. Já ofereceu o Vaticano para um encontro entre Zelensky, Putin e Trump. Putin está dizendo a Trump que está aberto a discutir um cessar-fogo. Há uma certa fumaça branca aí — embora estejam falando que tropas russas estão se mobilizando perto da fronteira com a Finlândia.
Uau! E olha que a Finlândia é boa de pontaria, como ficou provado na Segunda Guerra, quando os russos entraram por lá. Mas, enfim, sempre resta uma esperança. Esperança de paz, procurada pelo novo Papa. Eu estou muito esperançoso com esse Papa.
DEU NO X
DISCURSEIRA BANÂNICA
— Cris (@CrisLee99) May 20, 2025
HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE
NO BOTEQUIM DA ESQUINA
Num batente um pirangueiro
Logo depois da oitava
Vomita um prato de fava
Na frente do bodegueiro.
Numa mesa um cachaceiro
Passa a mão numa menina
Chega a polícia e buzina
O venderão se aborrece;
De tudo isso acontece
No botequim da esquina.
Afogando o seu desgosto
Um tocador enche a cara
Enquanto o garçom prepara
Um peba pra tira-gosto
Um pinguço mela o rosto
Chupando uma tangerina
Disfarçada a cafetina
Sua menina oferece;
De tudo isso acontece
No botequim da esquina.
Um sujeito embriagado
Procurando confusão
Cospe no pé do balcão
Querendo beber fiado
Outro que vem do mercado
Chega fedendo a urina
Reclama da sua sina
Toma uma e adormece;
De tudo isso acontece
No botequim da esquina.
Um menino tange um gato
Que pula em cima da mesa
Outro pagando a despesa
Tirando a mosca de um prato
Um doido todo gaiato
Limpa a boca na cortina
Depois que a farra termina
Velhaco desaparece;
De tudo isso acontece
No botequim da esquina.
DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!
SORTILÉGIO LUNAR
DEU NO JORNAL
EM BREVE CHEGARÁ A 13
DEU NO JORNAL
O RISCO DE MAIS UMA DÉCADA DE MÁ EDUCAÇÃO
Editorial Gazeta do Povo

O presidente Lula e o ministro da Educação, Camilo Santana
Até o final deste ano, o Congresso Nacional terá a responsabilidade de definir os rumos da educação brasileira para a próxima década, por meio da aprovação de um novo Plano Nacional de Educação (PNE). Trata-se de uma oportunidade crucial para enfrentar as persistentes deficiências do sistema educacional e reduzir o abismo que separa o Brasil de nações com melhores índices de aprendizado e colocar o país no caminho da excelência. Para tanto, será necessário um esforço firme e criterioso dos parlamentares, sobretudo diante da proposta encaminhada pelo governo federal, que está longe de priorizar a melhoria da qualidade do sistema nacional de ensino.
Nascida a partir do documento aprovado durante a última Conferência Nacional de Educação (Conae), realizada no final de janeiro do ano passado, em Brasília – evento marcado pela presença maciça de grupos ligados a movimentos sindicais e sociais e pelo cerceamento de vozes discordantes –, a proposta do governo Lula para o novo PNE é falha em muitos aspectos e está longe de contribuir para a melhoria da qualidade do ensino no país, priorizando interesses corporativistas e ideológicos em vez da melhoria da qualidade educacional no país.
Levantamento realizado pela Confederação Nacional das Associações de Pais de Alunos (Confenapais) identificou ao menos 99 pontos críticos na proposta original para o novo PNE, muitos deles caracterizados por formulações vagas, subjetivas e desconectadas de metas concretas. Um dos aspectos mais preocupantes é a previsão de aumento substancial dos investimentos públicos em educação – com a meta de alcançar 10% do PIB – sem que se apresentem critérios claros de eficácia ou mecanismos de vinculação desses recursos à melhoria da aprendizagem.
A crença de que a simples ampliação orçamentária resultará automaticamente em avanços educacionais é, no mínimo, ingênua. Gastar mais e mal não adianta – é puro desperdício de dinheiro público. Um PNE focado em melhorar a qualidade do ensino deve, necessariamente, atrelar os investimentos a ferramentas e critérios concretos para a avaliação do ensino – como os estabelecidos por avaliações internacionais de educação que medem a aprendizagem de estudantes em diversos países, como PISA, TERCE, LLECE e ERCE.
Outra fragilidade do novo PNE reside na centralização de competências no Ministério da Educação (MEC), em detrimento da autonomia das redes de ensino e dos próprios educadores. A proposta acena para a padronização de modelos já testados e fracassados, sem reconhecer a necessidade de soluções adaptadas às diversas realidades locais; e propõe a manutenção de práticas que desestimulam a excelência, como a aprovação automática e as falhas estruturais na alfabetização – tão profundas que hoje 30% da população brasileira é formada por analfabetos funcionais, incapazes de compreender ou interpretar um texto simples.
Além disso, o documento está recheado de referências ideológicas, favorecendo o acesso a recursos e políticas públicas a determinados grupos em detrimento de outros. Em várias das estratégias propostas, por exemplo, o texto do governo menciona prioridade a estudantes “negros, indígenas, quilombolas, do campo, das águas e das florestas”, numa espécie de segregação que compromete crianças pardas e brancas que também se encontram em vulnerabilidade socioeconômica. O teor ideológico também transparece na proposta do PNE com a inclusão de temáticas alheias à educação, os chamados “temas transversais”, como educação ambiental, direitos humanos e relações étnico-raciais já na educação infantil, tirando o foco de conteúdos e competências essenciais para o desenvolvimento cognitivo e a alfabetização.
Diante de tantas lacunas, caberá à Comissão Especial da Câmara dos Deputados criada para debater o tema examinar a proposta do PNE com rigor e responsabilidade. Embora o projeto tramite em regime de prioridade, com expectativa de apreciação no Senado ainda neste ano, a urgência não pode servir de pretexto para uma deliberação apressada ou superficial. O futuro da educação brasileira exige um debate à altura de sua importância.
Caso o Congresso opte por aprovar, sem alterações profundas, um plano que negligencia a qualidade do ensino, estará não apenas desperdiçando uma oportunidade histórica, mas também condenando o país a mais uma década de estagnação educacional – e, por consequência, de atraso social e econômico.

