HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

Num batente um pirangueiro
Logo depois da oitava
Vomita um prato de fava
Na frente do bodegueiro.
Numa mesa um cachaceiro
Passa a mão numa menina
Chega a polícia e buzina
O venderão se aborrece;
De tudo isso acontece
No botequim da esquina.

Afogando o seu desgosto
Um tocador enche a cara
Enquanto o garçom prepara
Um peba pra tira-gosto
Um pinguço mela o rosto
Chupando uma tangerina
Disfarçada a cafetina
Sua menina oferece;
De tudo isso acontece
No botequim da esquina.

Um sujeito embriagado
Procurando confusão
Cospe no pé do balcão
Querendo beber fiado
Outro que vem do mercado
Chega fedendo a urina
Reclama da sua sina
Toma uma e adormece;
De tudo isso acontece
No botequim da esquina.

Um menino tange um gato
Que pula em cima da mesa
Outro pagando a despesa
Tirando a mosca de um prato
Um doido todo gaiato
Limpa a boca na cortina
Depois que a farra termina
Velhaco desaparece;
De tudo isso acontece
No botequim da esquina.

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