SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

VAIDADE – Florbela Espanca

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo…
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho… E não sou nada!…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

DEU NO X

DEU NO JORNAL

O CASAL GASTADOR TÁ AVUANDO DE NOVO

O presidente Lula começou mais um tour internacional com tudo custeado pelo pagador de impostos.

Os destinos: Rússia e China.

A primeira-dama Janja foi bem antes do maridão, também na faixa.

* * *

Nem entendi esse “também na faixa”, contido na nota aí de cima…

Talvez o redator tivesse querendo dizer que a primeira-cuidadora também vai com a faixa presidencial.

Eu acho que é isso.

DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

PAÍS DO FUTURO

Comentário sobre a postagem O POVO E O PODER

DECO:

O Brasil é o país do futuro, mas infelizmente vai continuar sendo por muito e muito tempo, pois o bonde do desenvolvimento econômico o Brasil não pegou.

Ou seja, dormiu no ponto!

A China bem mais distante dos EUA que o Brasil, e com um sistema político comunista/socialista soube aproveitar o “bonde do desenvolvimento”, grudando nos EUA, aproveitando as oportunidades que o capitalismo sempre ofereceu.

Resumo da ópera:

O Brasil tido como capitalista vem praticando muito mais o ” modelo econômico comunista”, crescendo em voos de galinha, já a China comunista se apoderou do “modelo econômico capitalista” e hoje é a segunda potência econômica mundial, tendo um crescimento econômico constante há bastante tempo e de dar inveja.

Enquanto isto, o Brasil continua sendo um mero observador e espectador num mundo dominado por EUA e China.

E como diz um provérbio Chinês:

“Todas as lindas flores e os suculentos frutos do futuro dependem das sementes plantadas hoje”.

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

A NATUREZA DO GOVERNO LULA É REPETIR OS ERROS DO PASSADO

A bancada do PDT na Câmara é composta por 17 deputados. Decidiu, por unanimidade, segundo o líder da legenda, que o partido não fará mais parte da base do governo. Deixa a base após o seu presidente honorário, Carlos Lupi, ter pedido demissão — ou ter sido demitido — do ministério. Lula insiste. Ele já havia feito algo semelhante em seu outro governo pelo PT.

Era esse o desejo óbvio de quem elegeu Lula presidente. Não poderia ser diferente. Seria contrariar a natureza, não é? Lula foi condenado, depois descondenado. Houve grandes escândalos nas estatais. Já havia escândalos no contracheque, nos descontos em folha dos aposentados. Claro que tudo se repetiria. É óbvio. Faz parte da natureza. E então aconteceu de novo.

Está confirmado que Lula tirou a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, e nomeou outra ministra que já havia trabalhado em governos petistas. Mas isso faz pouca diferença. Hoje, quase ninguém se lembra dos nomes dos ministros. Lembramos mais os nomes dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal do que os da seleção brasileira — ou, talvez, do time de futebol preferido de cada um. Os onze do Supremo viraram figuras públicas, como disse o ministro Alexandre de Moraes: “parecem estar na Revista Caras”. Dão entrevistas, fazem declarações, riem durante os julgamentos.

* * *

Processo eleitoral: dúvidas antigas, métodos intocáveis

Enfim, é o novo Supremo. O ministro Gilmar Mendes, por exemplo, já antecipou o voto dele para condenar o general Braga Netto, que está preso. Ele foi à Espanha, participou de um evento e declarou que Braga Netto, quando era ministro, solicitava informações ao Tribunal Superior Eleitoral com a justificativa de entender a apuração, mas que, na verdade, estaria preparando uma espécie de dossiê para contestar o resultado das eleições.

Só que, como já mencionei, contestar o resultado das eleições não é crime. Se fosse, Brizola, Roberto Requião e o próprio Lula já teriam sido condenados. Mas, se quem contesta é Bolsonaro, então ele fica inelegível. Foi o que aconteceu: ele chamou embaixadores para expor suas preocupações com o processo eleitoral — que, aliás, permanece o mesmo.

Teremos eleições no ano que vem para presidente da República, governadores, deputados estaduais e federais, e senadores. E o método de apuração continua igual. Você sabe como o seu voto é apurado? Eu, sinceramente, não tenho a menor ideia. O PSDB tentou auditar o sistema, passou meses tentando e não conseguiu. Declarou que o processo não era auditável.

Por isso mesmo, esse sistema foi banido na Alemanha pela Justiça, sob a alegação de que o eleitor precisa compreender como o voto é contado.

* * *

Lula em Moscou, e os heróis brasileiros esquecidos

Enquanto isso, o presidente Lula está desembarcando em Moscou para comemorar a vitória do exército soviético sobre os alemães. Lá, a data é celebrada no dia 9 de maio, por causa do fuso horário. No restante do Ocidente, é comemorada no dia 8. O que muitos questionam é: por que Lula não celebra a vitória dos brasileiros na manhã do dia 8 e, depois, embarca para Moscou, caso queira festejar com os soviéticos?

Nós também vencemos a guerra. Fomos importantes no esforço de guerra. Na produção da borracha, milhares de nordestinos morreram. Nos navios afundados, morreram milhares de brasileiros. E quase meio milhar de soldados brasileiros perderam a vida na luta na Itália, entre os combatentes do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira.

Temos, sim, o que lembrar, o que celebrar — e o que chorar.

No Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, estão sepultados 478 soldados brasileiros. Há ainda um túmulo no Cemitério de Pistoia, na Itália. Mas, até onde se sabe, nem Lula nem Dilma — em seus governos pelo PT — estiveram lá para prestar homenagem. E foi graças a esses militares, que combateram o nazifascismo, que, ao voltarem ao Brasil, encontraram uma ditadura e derrubaram o ditador Getúlio Vargas.

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

PIRIRI NO CARIRI

Eu vou contar uma história
Que se deu no cariri
Fui comer um mungunzá
Deus do céu, como sofri
A linguiça apimentada
Me deixou agoniada
E acabou em piriri.

Quando eu adentrei no carro
Senti meu anel piscar
A tripa engolindo a outra
Minha barriga a roncar
Eu sofrendo no sufoco
Pra segurar o brioco
Até em casa chegar.

O vuco vuco no rabo
Aumentava de pressão
Eu me benzia e rezava
Pedindo a Deus proteção
Rezei a Salve Rainha
Me retorcendo todinha
E o diabo do cu na mão.

Deu vontade de peidar
Porém eu não me arisquei
Com as pregas ajustadas
Dessa vez eu segurei
Se vem peido acompanhado
Eu deixo o carro cagado
De medo me arrepiei.

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DEU NO JORNAL

OS RISCOS DE UM NOVO CÓDIGO CIVIL

Editorial Gazeta do Povo

Pacheco

Evento de lançamento do livro organizado por Rodrigo Pacheco sobre o novo Código Civil

Sem alarde, uma reforma sem precedentes do Código Civil brasileiro está em tramitação no Senado Federal. Trata-se do Projeto de Lei 4/2025, de autoria do senador Rodrigo Pacheco, ex-presidente da casa. Apresentado por seus defensores como uma mera “modernização” do Código em vigor desde 2003, o texto propõe alterações em 897 artigos e a inclusão de outros 300 dispositivos, modificando de forma radical – e para pior – o atual Código Civil, com propostas que refletem tendências ideológicas pouco consensuais em relação à família, relações contratuais, direito do consumidor, liberdade de expressão e outros temas.

Como já afirmamos em outras ocasiões, não é o momento adequado para uma discussão de tal magnitude – há muitos outros temas mais urgentes que deveriam ocupar a atenção dos senadores – e tampouco há necessidade dessa reforma. Ao contrário do que afirma a justificativa do projeto, o Código Civil continua atual e plenamente apto a lidar com os desafios contemporâneos. E ainda que se entendesse necessária uma reforma – o que não é o caso –, ela jamais poderia ocorrer de maneira apressada ou restrita, como foi o caso do PL 4/2025.

Todas as proposições do projeto têm origem no trabalho de uma comissão de juristas convocada por Pacheco em 2023 para reformar o Código Civil. Enquanto em diversas democracias legisladores dedicam anos de debates com a sociedade civil até alcançar um texto maduro e equilibrado, os juristas indicados por Pacheco elaboraram, em poucos meses e praticamente de forma isolada, uma proposta de novo Código que agora será avaliada pelo Senado.

Entre tantos pontos perigosos, podemos citar, no campo da família, por exemplo, a substituição das expressões “homem e mulher” por “duas pessoas” ao definir casamento e união estável, o que consolidaria na legislação a ideia de que a diferença biológica entre os sexos é irrelevante para a formação da família, o que pode impactar desde políticas públicas até currículos escolares, além de apagar qualquer referência legal à complementaridade entre homem e mulher. O texto quer interferir até na regulação das redes sociais, ao propor a revogação do artigo 19 do Marco Civil da Internet, que garante que as plataformas digitais só podem ser responsabilizadas por conteúdos postados por terceiros caso não cumpram ordem judicial pedindo para removê-los.

Repleto de expressões vagas e indeterminadas, como “todas as suas dimensões”, “aspectos que lhe sejam inerentes” ou “comportamentos e escolhas que as distingam das demais”, o texto é, em muitos trechos, nebuloso, tornando a norma excessivamente sujeita a interpretações ideológicas e voláteis. Qualquer legislação deve primar pela clareza e pela objetividade. No entanto, o projeto caminha na direção oposta, ampliando perigosamente o risco de judicialização e fomentando o ativismo judicial em múltiplas áreas.

Afirma-se, em sua defesa, que o projeto apenas consolida entendimentos jurisprudenciais já existentes. Mas isso é inverter a lógica do Estado de Direito. A jurisprudência resulta da aplicação da lei – não pode substituí-la. Transformar decisões fragmentadas e, muitas vezes, contraditórias em norma positiva é institucionalizar a confusão e transferir ao Judiciário um poder que não lhe pertence. O papel do Legislativo é produzir leis claras e legítimas, sob o crivo democrático, e não endossar soluções casuísticas que comprometem a estabilidade do ordenamento jurídico.

Nesse contexto, causa perplexidade que ainda haja quem defenda o texto. Em abril, por ocasião do lançamento do livro A Reforma do Código Civil: Artigos sobre a atualização da Lei nº 10.406/2002, organizado por Pacheco e reunindo textos dos juristas responsáveis pela proposta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil–AP), elogiou efusivamente o trabalho. “Tenho certeza absoluta de que muito engrandecerá o arcabouço legislativo brasileiro o trabalho feito por Vossa Excelência nesta comissão, ladeado com juristas, com profissionais da Justiça brasileira, para construirmos a modernização do Código de Processo Civil”, afirmou. O evento contou com a presença de ministros do Supremo Tribunal Federal, aliados do governo Lula, presidentes do Senado e da Câmara e representantes da elite jurídica nacional.

Não é hora de refundar o Código Civil. Não houve demanda de advogados, professores ou da sociedade civil nem pressão institucional para uma reforma tão ampla como a pretendida por Pacheco. Não faz qualquer sentido substituir um edifício jurídico sólido por uma colcha de retalhos ideológica como é o texto do novo Código Civil. Essa é uma discussão que não pode prosperar no Congresso, para o bem do Brasil.