SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

VIVA MARCOS VILAÇA!!!

Como reverenciar um homem como Marcos Vilaça?, eis a questão. Talvez não com arrogância, por exemplo indicando ter sido professor em muitos centros, com destaque para a Faculdade de Direito do Recife.

• Nem ter feito conferências em numerosas universidades, no mundo inteiro, de Moçambique a Helsinki.

• Nem ter sido Ministro do Tribunal de Contas da União, em que foi presidente.

• Nem referindo suas 182 condecorações e medalhas, incluindo todas as mais expressivas no Brasil, além de uma dezena de honrarias estrangeiros.

• Nem, por fim, indicado seus 76 livros publicados. Entre os quais cito Em Torno da Sociologia do Caminhão – quando, pela primeira vez, se estabeleceram as implicações sociológicas das migrações no Brasil. Coronel, Coronéis, quando traçou perfil dos interiores de nosso país; num tempo em que a política, tão diferente de hoje, ainda se fazia com engenho e arte. E Itinerário da Corte, pela honra de ter escrito seu prefácio. Sem esquecer os 15 livros publicados no estrangeiro – em português (de Portugal), alemão, espanhol, francês, inglês e italiano.

• Com tantos inacreditáveis títulos, e em palavras de Manuel de Barros (O Livro sobre Nada), “Há histórias tão verdadeiras que às vezes parecem que são inventadas”.

Dizendo isso, e quando nos deixa, prefiro começar pelo começo.

• Marcos Vilaça nasceu em Limoeiro e em Nazaré da Mata, ao mesmo tempo, isso não se discute. Prova de que já pode ser considerado uma espécie de Deus, por ter o dom da ubiquidade. O de estar em dois lugares, ou mais, ao mesmo tempo. Faltando só descobrir a palavra para dizer o que ele é. Talvez Nazareiro. Ou Limomata. Ou coisa parecida.

• Consta que Vilaça falou das duas cidades, e de sua companheira de antes e depois da eternidade, a Ledo Ivo. Dizendo assim: “Amar cidades, várias./ Amar mulheres, só uma”. Maria do Carmo, claro. Mas Ledo se atrapalhou e escreveu (em Recife): “Amar mulheres, várias./ Amar cidades, só uma, Recife”. Acontece.

• Marcos era filho de dona Evalda. Uma dama letrada e ilustre que gostava de usar, quando podia (e era quase sempre), a palavra pletórico. Sem restrições. E muito corretamente. Que de dona Evalda se pode dizer, sem medo de errar, ser mesmo pletórica em tudo.

• E filho do professor Antônio Vilaça. Conta-se que ele, então seminarista, acabou vizinho de dona Evalda em Limoeiro. “O pecado mora ao lado”, como na peça de George Axelrod. Ela jovem, bela, e muito interessada no conversar dele. Dando-se que o professor desistiu ligeiro das vocações religiosas. Trocando a contemplação celeste por uma vida terrena plena. De virtudes e pecados. Muitas e poucos. Entre estes, o de falsificar whisky. Trocando os líquidos (vi com os próprios olhos, como fazia). O que lhe permitia saborear malte escocês transladado para garrafas de Drurys; enquanto seus convidados, coitados, aceitavam as ofertas de Johnnie Walker, em garrafas antes vazias, e agora cheias do líquido nacional. As aparências enganam.

• Já no batismo, seus pais fizeram questão de afirmar o caráter do filho. Marcos Vinicius Rodrigues, como se vê no próprio nome, é um homem plural. E Vilaça, também se vê no nome, é singular. Plural e singular, pois. Múltiplo.

• Vilaça teve, nessa vida, uma trajetória improvável. Que começou nos interiores de nosso Brasil, popular e profundo, para findar em louros acadêmicos. Na Academia Pernambucana de Letras. Na Academia Brasileira de Letras, também. A do fardão majestático. Conta-se até que um taxista, conduzindo Aurélio Buarque de Holanda todo paramentado, não se conteve e perguntou: “Sois Rei?”. Sem esquecer a Academia Portuguesa de Letras. Somos confrades em todas elas; o que, para mim, é um (grande) prêmio.

• Lembro de bilhete que lhe mandei num aniversário do passado:

‒ Vilaça amigo
Ouve o que digo
Tô com saudade
Da mocidade
Da vida rude
Da juventude
Da vida boa
De andar à toa
E da maçada
De fazer nada
Com a indolência
A impertinência
A competência
E a experiência
Dos desenganos
Dos verdes anos.

• Agora findaram seus anos, todos; aqueles do passado, verdes; e os mais recentes, maduros, também. O coração dói, na memória do amigo querido. Saudades dele. Viva Vilaça!!!. E boa maneira de fazer isso é lembrar versos de Mia Couto (em Incertidão de Óbito),

“A vida
É um prematuro sonho.

Só morre
Quem nunca viveu”.

DEU NO X

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O SOM DO VENTO E A CLARIDADE NOTURNA

O céu e a claridade noturna

Gosto de ouvir o vento – ele transmite um inconfundível som da quietude, que nos conforta, quando nos encontra em Paz.

Gosto tanto de ouvir o vento – ainda que ele faça o barulho catastrófico da destruição, mostrando o seu poder de fogo (ops! – de força) – que me ponho a respeita-lo, para melhor perceber todas as suas notas musicais.

O fá, o ré, o mi e até o sol, na construção da partitura do vento – que nos embevece, chega e sai, tão suavemente, que nos transporta em voos sem asas de um êxtase para outro.

O som do vento é belo!

Tem cores tão fortes quanto o arco-íris que a Natureza Divina nos mostra no seu mural celestial.

Ouço o vento tanto quanto vejo o mar composto por águas invisíveis, que evaporam até com o mais tênue açoite – do vento!

Dia desses fui ao campo, e chegando lá, sentei no chão. Sentei, fechei os olhos e comecei a ouvir a Orquestra Sinfônica da Ventania Celestial, nota por nota, acorde por acorde, passagem por passagem que transformaram o momento numa verdadeira ópera – Divina, no Teatro Espetacular da Vida.

E, veja, escutei a bela ópera, gratuitamente!

Pagando apenas com as moedas do meu tempo e da minha Paz.

Eu escuto o vento, em todos os seus mais de 50 tons!

Tem posição “top” – para usar o americanismo da linguagem brasileira – no meu “ranking” de preferências, a noite.

A noite é o único momento das 24 horas que me permite ver a nitidez das estrelas. É na noite que vejo a beleza que não consigo ver durante o dia – porque a beleza noturna é invisível na claridade do dia.

É só durante a noite, que a claridade do dia vai embora, se preparando para voltar no amanhecer seguinte. Sem descanso. Continuadamente!

Certa noite contemplei o céu.

O céu da noite – e achei que, de noite, podia olhar melhor para Deus – tem um “que” de nobreza poética; permite o aconchego ao vento ou debaixo de lençóis.

A noite é abusivamente permissível, ainda que redundante.

Boa noite!

COMENTÁRIO DO LEITOR

TEM QUE SER MUITA

Comentário sobre a postagem O DESMANTELO CONTINUA

Deco:

Pois é, diz o ditado que “A desgraça vem sem ser chamada.”

No Brasil do PT, pelo contrário, ela vem sendo chamada, tendo em vista que não é só os Correios que o PT quer falido, mas outras estatais e empresas que o governo tem participação.

Tanto é que está de volta Guido Mantega no Conselho Fiscal da Eletrobras, bem como no Conselho de Administração da mesma Eletrobras Nelson Hubner, que já foi diretor da Aneel, Maurício Tomalsquim, que é diretor da Petrobras.

E, para completar, Silas Rondeau, que já foi ministro de Minas e Energia do governo PT.

Desgraça pouca é bobagem!

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

A CASA DA SAUDADE

Hoje faz sessenta dias que a minha mãe, Enedina Maurício, foi chamada à presença d’O Criador.

Muitas lembranças do seu amor e das suas lições que irei carregar pelo resto da minha vida, certo de que tudo o que ela plantou nesta vida terrena, será colhido em sua nova morada onde descansam os eleitos filhos do Pai eterno.

Observei, nos dias em que fiquei na sua casa, o vazio deixado no espaço onde ela residiu por mais de quarenta anos.

Entrei e não ouvi mais
Sua voz me abençoar,
Parei e pus-me a rezar:
– Jesus Cristo, dê-lhe a paz!
Revi num dos castiçais
Um terço que ela ganhou
E devotamente deixou
Perto da Imaculada.
A saudade fez morada
Na casa em que mãe morou.

Não consegui escrever outras estrofes sobre o tema e aproveitei os dois últimos versos para formar o mote.

Agradeço aqui ao radialista Orlando Camboim, que apresentou este mote aos poetas, agradeço aos amigos Cabal Abrantes e Novo Abrantes, que gentilmente, filmaram este momento, agradeço à dupla de poetas repentistas Diomedes Mariano e André Santos, que deram um brilho especial ao tema apresentado, meus agradecimentos também aos proprietários do Restaurante Ôxe, na orla de Manaíra, pelo espaço cedido aos maiores representantes da nossa poesia popular nordestina.

DEU NO X

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

LEITURAS PROVEITOSAS

Numa das minhas caminhadas esporádicas, cumprida na magnífica área de lazer construída pela gestão do prefeito João Campos nos terrenos do antigo Hospital Ulysses Pernambucano, na Tamarineira, encontrei o João Silvino da Conceição picniqueando com a mulher e três netas. Após os olás e abraços, indaguei do Silvino como andavam suas atividades e ele me disse que, nos primeiros meses deste ano tinha se dedicado a leituras bastante proveitosas, distanciadas vacinalmente dos programas merdálicos da televisão, também desistindo de assistir as futebostalizações da seleção brasileira, hoje já liberta das idiotices táticas do treinador Dumerval, que recentemente levou um pontapé demissionário na bunda.

Curioso, perguntei quais teriam sido tais leituras. E o Silvino me mostrou seu caderno de notas, onde estavam algumas observações, abaixo transcritas com a devida permissão dele, apenas corrigidas algumas mínimas distrações de concordância e de ortografia:

“Preocupa-me bastante o atual IMP – índice Médio Pensante da sociedade brasileira, hoje muito anestesiada por um irritante IEH Individualismo Exibicionista Hedonista, quase exclusivamente bundolátrico, nada reflexivo, como se os amanhãs futuros dos quatro cantos do país fossem edificados com mínimas leituras reflexivas e muitas enfiâncias irresponsáveis, sem um mínimo compromisso com as lições emanadas do Alto e disseminadas pelos notáveis da história do mundo.

Nos últimos tempos, temos nos orientado com leituras que favorecem históricas binoculizações analíticas das conjunturas próximas nacionais, principalmente as direcionadas para as eleições de 2026, quando o eleitorado brasileiro, menos manada e mais cidadanizado, buscará renovar as atuais estruturas políticas do país, hoje majoritariamente dominadas por sectários, populista, fundamentalistas, ruminantes e cretinos oportunistas, todos amplamente desvinculados de um alerta profético do célebre economista sueco Gunnar Myrdal: O pior subdesenvolvimento é o mental.

As principais leituras rabiscativas por mim efetivadas foram:

– UMA HISTÓRIA DESCOMPLICADA DA FILOSOFIA, Fernando Savater, São Paulo, Editora Planeta do Brasil, 2015, 264 p. O autor, um aplaudido intelectual espanhol, demonstra um modo peculiar de ensinar uma disciplina tida e havida como espinhosa pelos ruminantes bípedes que apenas sentem prazer em relinchar e exibir-se da cintura para baixo e de pernas acopladas. Sem jargões, Savater muito contribui para uma consistente BPCC – Base Preliminar Cognitiva Criativa.

– 50 GRANDES IDEIAS DA HUMANIDADE QUE VOCÊ PRECISA CONHECER, Bem Dupré, São Paulo, Editora Planeta do Brasil, 2018, 215 p. Ideias básicas, explicitadas em seis áreas: Filosofia, Religião, Política, Economia, Arte e Ciência. Excelente leitura para grupos familiares que buscam novos comportamentos, fortalecendo crenças e defenestrando mitos que abestalham e mumificam mentes e corações.

– FILOSOFIA AO PÉ DO OUVIDO: FELICIDADE, ÉTICA, AMIZADE E OUTROS TEMAS, Clóvis de Barros Filho e Ilan Brenman, Campinas SP, Editora Papirus 7 Mares, 2024, 220 p. Papos inteligentes que desabestalham gregos e troianos, fortificando enxergâncias racionalizantes, antes apenas utilizadas por profissionais solidamente adentrados em Ciências Humanas.

– A PROVA DA VIDA ALÉM DA VIDA, Raymond Moody e Paul Perry, São Paulo, Editora Planeta do Brasil, 2025, 240 p. Respostas definitivas para as questões mais intrigantes da humanidade, favorecendo compreensões definitivas para todos aqueles que desconheciam a existências de provas concretas sobre o assunto.

No mais, é continuar seguindo adiante, sem nostalgias nem remorsos, buscando sempre fazer novas horas, sem jamais querer retroceder.