DEU NO JORNAL

EDITORIAL DO ESTADÃO

Leandro Ruschel

Estadão, com pelo menos cinco anos de atraso, expõe o regime autoritário brasileiro

O editorial do Estadão finalmente escancara o estado de exceção vigente no Brasil, ao denunciar a perseguição política promovida pela Advocacia-Geral da União (AGU) contra parlamentares da oposição. Mas por que essa denúncia só veio agora?

Antes tarde do que nunca. Contudo, é fato que a direita brasileira enfrenta censura e perseguição policial desde 2020. Políticos, influenciadores, empresários e outras figuras públicas tiveram suas vozes silenciadas nas redes sociais, enquanto suas vidas foram devassadas por meio de buscas e apreensões e quebras de sigilo realizadas de forma arbitrária.

A justificativa? Essas pessoas haviam postado críticas ao Supremo nas redes. A “prova” de que operavam como uma “quadrilha”? Seguiam-se mutuamente nas plataformas digitais e discutiam temas similares.

Naquele momento, em vez de condenar a formação de uma polícia política — algo completamente incompatível com o Estado de Direito —, a imprensa, de modo geral, não apenas silenciou como apoiou ativamente as perseguições. O próprio Estadão foi pioneiro em criar uma lista negra de cidadãos alinhados à direita, prontamente utilizada pelo regime como guia de intimidação.

O ápice dessa repressão ocorreu durante o processo eleitoral de 2022, quando boa parte dos influenciadores de direita já estava bloqueada nas redes sociais. Aqueles que conseguiram permanecer ativos enfrentaram censura implacável, enquanto a esquerda usufruía de ampla liberdade de expressão. A disparidade ficou evidente: Lula pôde chamar Bolsonaro de “genocida” sob o pretexto da liberdade de expressão, enquanto Bolsonaro foi proibido de referir-se a Lula como “ladrão”, sob a justificativa de “propaganda eleitoral negativa”.

O absurdo foi ainda mais longe, com a censura preventiva de um documentário sobre a facada em Bolsonaro, bloqueado antes mesmo de sua exibição, com base apenas na suspeita de que pudesse apresentar uma narrativa desfavorável ao candidato Lula. Além disso, leis foram criadas ou reinterpretadas para ampliar os poderes de censura das cortes eleitorais.

O cenário se agravou após os episódios de 8 de janeiro. O vandalismo ocorrido serviu de justificativa para processos sumários e prisões arbitrárias, resultando em penas desproporcionais que ultrapassam 17 anos de reclusão. Um exemplo emblemático é o de uma cabeleireira, sem antecedentes criminais, que permanece há dois anos em prisão preventiva por ter escrito “Perdeu, mané” com batom em uma estátua. Agora, ela enfrenta a possibilidade de ser condenada a 17 anos de prisão sob a acusação de “tentativa de golpe de Estado”. Golpe de Estado com um batom? Enquanto isso, quase todos os responsáveis pelo saque ao país revelado pela Lava Jato desfrutam de plena liberdade.

A repressão tem sido marcada pelo desrespeito flagrante aos direitos fundamentais, especialmente o direito à defesa. Advogados relatam grandes dificuldades para acessar os autos dos processos. Na maioria das vezes, não há instâncias a recorrer, pois as investigações são conduzidas na última instância do Judiciário, centralizadas num único ministro. No caso dos réus do 8 de janeiro, sequer há a possibilidade de defesa presencial diante da corte. Os processos tramitam em formato digital, sem individualização das condutas. Para piorar, as figuras de vítima, polícia, juiz e procurador frequentemente se sobrepõem, dissolvendo as linhas de separação entre os papéis institucionais.

O objetivo é evidente: instaurar um clima de medo, silenciando qualquer oposição ao regime. E, infelizmente, tem funcionado. Hoje, quem no Brasil não teme expressar opiniões contrárias? Se nem mesmo os deputados têm seu direito à liberdade de expressão garantido, o que sobra para o restante de nós?

Em resumo, sob o pretexto de “proteger a democracia”, consolidou-se um regime autoritário. A questão que permanece é: até quando?

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DEU NO JORNAL

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LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

A SOLIDÃO E SUA PORTA – Carlos Pena Filho

Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
e quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha),

quando, pelo desuso da navalha
a barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha

a arquitetar na sombra a despedida
do mundo que te foi contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida

com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída:
entrar no acaso e amar o transitório.

Carlos Souto Pena Filho, Recife-PE, (1929-1960)

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JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

E A MACAÚBA… QUEM DIRIA!?

Não sei vocês. Mas, eu, quando moleque na faixa etária de 8 a 10 anos, tinha o costume de aproveitar as bandas da gilete Blue Blade, quebrada e usada pelos irmãos mais velhos para raspar as barbas, e me deliciava no difícil trabalho de cortar e comer a pouca polpa da macaúba.

É. É essa mesma “Acrocomia aculeata”, conhecida popularmente como “macaúba”, que, embora soltasse uma baba instigante, era largamente consumida pela meninada.

Fora do Ceará, pode ser encontrada com outros nomes, como macaíba, bocaiúva, coco-baboso (e aí, no Ceará, esse nome muda de figura e é conhecido como coco-babão, dado ao catolé), coco-de-espinho e até chiclete-pantaneiro.

Palmeira da macaúba carregada de frutos

Pois, eis que, a EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) acaba de oficializar após anos de pesquisas e testes, que a “macaúba” é mais uma opção para a produção do óleo diesel – e, ao que parece, por conta do pouco número de palmeiras no território brasileiro, vai passar a produzir mudas e orientar e incentivar o plantio desse novo diamante na incansável cadeia de produção de lubrificantes automotivos.

Para aqueles que ainda não conhecem a EMBRAPA, sugiro a leitura do livro “Sol da manhã”, que tem como autor JOSÉ IRINEU CABRAL, Economista, figura marcante como um dos responsáveis pela fundação dessa autarquia, que, nos dias atuais é reconhecida como a principal e mais importante empresa de pesquisas e implantação agropecuária do mundo.

Ali o leitor encontrará um compêndio informativo dos resultados das principais pesquisas e descobertas processadas no Brasil e utilizadas por agropecuaristas do mundo inteiro.

A Embrapa, vitoriosa e importante, acaba de completar 51 anos de existência e magníficos serviços prestação à nação brasileira e ao mundo.

Obra do “governo militar”. Obra da “ditadura militar”, como rotulam alguns adeptos da atual democracia vivida no Brasil.

Macaúba – o “coquinho” que vai produzir diesel

No Ceará, a macaúba é farta. Transportada em caçuás e surrões para os mercados e feiras, a macaúba nunca teve dias gloriosos. Sempre foi considerada uma fruta “desclassificada” ou preferida apenas pelos pobres.

Hoje, tanto quanto o babaçu, processada e beneficiada, a macaúba tem dezenas de utilidades como combustível e/ou alimento animal e humano.

Na guerra pela produção de lubrificantes e carbono verde, a macaúba chega como forte aliada e poderá, em breve, somar positivamente nos índices econômicos.

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