DEU NO X

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JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

1969 = 2025

Eu tenho recebido de alguns amigos a foto do calendário no ano de 1969. Esses amigos ficam espantados porque o referido período é igual ao ano de 2025.

Sinceramente eu não entendo o espanto. Porque embora a coisa não seja tão simples, porém, não possui nada de extraordinária no fato de 1969 ter as mesmas combinações de data-dias de 2025. Isso também se deu em 1975, por exemplo, bem como em tantos outros anos.

O Calendário Gregoriano se repete em ciclos por causa da combinação de dois fatores, que são o Ano Solar (o tempo que a Terra leva para dar a volta no Sol, também chamada de Translação) e a divisão desse ano em dias (volta da Terra no próprio eixo, ou seja, a Rotação).

Então. O Calendário Gregoriano divide o ano em 365 ou 366 dias nos anos bissextos (porque o dia não tem 24 horas exatas).

Sem contar que também de tempos em tempos há um ajustes no ano solar – que também não é exato – e ajuste no próprio Calendário Gregoriano (isso a cada 400 anos).

Mas, enfim, nós podemos perceber a Matemática e seu processo cartesiano nos anos iguais a 2025, para que o calendário não entre em parafuso.

Andei pesquisando o Calendário Gregoriano na Internet e vi as seguintes “coincidências” com o ano em curso:

Em 1902, 1913, 1919, 1925, 1936, 1947, 1958, 1969, 1975, 1986 e 1997 no século XX.

E em 2003, 2009, 2014, 2025, 2031, 2036, 2047, 2053, 2059, 2065, 2071, 2082, 2088 e 2099 no século atual.

Bom. Eu percebi que há períodos de seis em seis anos, alternados com onze e onze anos, para as repetições de data-dias.

Eu não entendi a lógica, embora tenha falado do processo cartesiano.

Mas, eu aposto, que há de aparecer algum leitor fubânico com uma resposta.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

A “LIGA DOS CUMPANHÊRU”

Luís Ernesto Lacombe

O policial civil que interpelou a jornalista da Globo News Natuza Nery foi previamente condenado. O que vão decidir agora, ao que tudo indica, é por quais crimes… Injúria, calúnia, difamação, agressão física, ameaça, abolição violenta do Estado Democrático, golpe de Estado… Arcênio Scribone Júnior já foi afastado de suas atividades operacionais. Enquadrado como “bolsonarista” e inimigo do Supremo Tribunal Federal, ele pode até ser incluído nos inquéritos ilegais do STF. Vai sobrar para a polícia, de um modo geral… Vai sobrar para todo mundo… Vão dizer que as redes sociais precisam ser “reguladas” e que o Estado deve continuar atuando contra a liberdade de expressão.

Preciso deixar claro que não defendo nenhum tipo de agressão, de ataque verdadeiro a ninguém. A questão é que ainda é muito cedo para saber o que realmente houve entre a jornalista e o policial num supermercado de São Paulo no penúltimo dia de 2024. As imagens do circuito interno de câmeras ainda não foram divulgadas (e talvez nunca sejam, se a história envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no aeroporto de Roma servir como modelo). As possíveis testemunhas também não foram ouvidas. Por enquanto, temos a palavra da jornalista contra a palavra do policial. Natuza diz que ouviu dele que ela e a emissora para a qual trabalha deveriam ser aniquiladas. Arcênio afirma que não praticou nenhuma infração penal, que não fez ameaças, apenas uma crítica ao trabalho da jornalista.

O problema maior é que o caso imediatamente mobilizou o ministro do Supremo Gilmar Mendes e o advogado-geral da União, Jorge Messias, que pediu “uma ação rápida das autoridades para investigar e responsabilizar o agressor”. Contra os opositores da aliança STF-PT tudo deve ser mesmo rápido. Ordenamento jurídico, devido processo legal, direito ao contraditório, ampla defesa, isso tudo pode ser ignorado. Messias, que teoricamente defende a União, não pediu diretamente uma investigação sobre o caso em si, mas sobre o policial, que ele já trata de antemão por “agressor”. E, como as redes sociais ainda não estão totalmente censuradas, há nelas uma série de críticas ao advogado-geral da União e a Gilmar Mendes. Uma conta no X disse que o movimento dos dois confirma a existência de uma “liga dos cumpanhêru”, cujo lema é “mexeu com um, mexeu com todos”.

Gilmar Mendes, que nem deveria usar redes sociais, que deveria se manifestar apenas nos autos, usou o X para dar pitaco sobre o caso e foi chamado por usuários da rede de “comentarista político”, “influenciador digital”, “blogueiro”… O ministro escreveu o seguinte: “O ataque sofrido por Natuza Nery, em razão do simples exercício diário de seu ofício, exige pronta resposta do poder público, em especial dos órgãos de persecução penal. É de nossa manutenção na pauta civilizatória que estamos a tratar. As democracias dependem do jornalismo profissional; sem ele, não há liberdade de informação e, por conseguinte, liberdade de expressão”. Como resposta à publicação, muita gente lembrou também o caso de 2018 em que Gilmar mandou um repórter enfiar uma pergunta em determinado lugar…

O procurador de Justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro Marcelo Rocha Monteiro explicou muito bem: “Não cabe a ministro do Supremo ultrapassar sua competência constitucional para provocar a atuação do órgão independente de persecução penal, sobre o qual não deveria ter nenhuma ascendência à luz da própria Constituição Federal. O bom direito diz que ocorre excesso passível de caracterização de abuso de poder quando o agente público atua fora de sua estrita competência legal”. Agindo dessa forma, um ministro do Supremo se traveste de agente político e, enquanto medidas legais não são tomadas contra esse tipo de comportamento, ele deveria, no mínimo, aceitar o que faz parte desse jogo: as críticas. E isso vale também para jornalistas que se entregam alucinadamente à militância política.

Outra questão que precisa ser colocada: não houve apenas uma agressão verbal de Gilmar Mendes a um jornalista em 2018… No ano seguinte, o STF censurou o portal O Antagonista e a revista Crusoé, por conta de uma reportagem sobre “o amigo do amigo de meu pai” – no caso, o ministro Dias Toffoli –, baseada em depoimento de Marcelo Odebrecht. E a censura contra jornalistas e veículos de imprensa, principalmente os independentes, só aumentou. Muita gente que não faz parte da “liga dos cumpanhêru” passou a ser perseguida, foi incluída em inquéritos ilegais, teve redes sociais e canais em plataformas de vídeos banidos, passaportes cancelados, contas bancárias bloqueadas. Muitos tiveram de deixar o Brasil. Para esses, não há garantia do exercício profissional, liberdade de expressão, “pauta civilizatória”…

Ou seja, aos jornalistas da tal “liga” querem garantir a tal “liberdade de expressão absoluta”. Eles podem dizer o que quiserem, mesmo que sem base nos fatos, no mundo real. Podem afirmar que o STF “salvou a democracia”, que Lula não foi condenado em três instâncias e libertado da cadeia numa manobra imunda, que manifestação que termina em quebra-quebra pode ser chamada de “tentativa de golpe de Estado”, quando interessa aos poderosos… E que se cuidem os jornalistas sérios, que ainda não foram “aniquilados” e fazem críticas fundamentadas e ponderadas à aliança STF-PT. No seu encalço estarão o Supremo e a AGU, que, com Lula de novo na Presidência, tem processado por crime de injúria muitos profissionais da imprensa, esses que sabem muito bem que o único regime em que não há espaço para críticas e questionamentos é a ditadura.

DEU NO X

SE ESTÁ NO DATAFOLHA, ENTÃO DEVE SER MAIOR…

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

LULA 3, O GOVERNO DOS RECORDES

Adriano Gianturco

Recordes de Lula

Nunca antes na história desse país um governo bateu tantos recordes. Pena que são todos negativos

O fim de um ano e início de outro é momento de retrospectivas. Aqui, faremos um balanço de 2024 focando nos recordes de Lula 3, e também de alguns outros resultados que, mesmo sem bater recordes, ficaram acima da média – para o mal, claro.

O governo Lula 3 bateu o recorde de rombo nas empresas estatais: o buraco de R$ 7,4 bilhões é o maior desde que a série histórica começou a ser calculada em 2002. Vale relembrar que Salim Mattar, quando foi secretário de desestatização, fez uma pesquisa para descobrir em quantas empresas a União (sem contar estados e municípios) tem propriedade ou participação (porque nem isso se sabia ao certo), e chegou ao número de 637, outro recorde mundial.

Uma das bases eleitorais desse governo é a casta burocrática, que viu seu salário aumentar de forma exponencial nos primeiros dois governos Lula, diferenciando-se muito dos salários pagos no setor privado. Depois de uma parada, quando o ministro Paulo Guedes bloqueou novos concursos, Lula não decepcionou e voltou a gastar mais com os empregados estatais: R$ 382,2 bilhões, recorde desde quando a série histórica começou a ser calculada em 2008.

Obviamente, tudo isso gerou um terceiro rombo, o maior de todos: o rombo das contas públicas, que atinge o valor de R$ 1,1 trilhão, outro recorde desde que a série histórica começou a ser calculada.

Pobre Lula; tamanho buraco deve ter ocorrido porque a economia vai mal e a arrecadação de impostos está caindo… só que não! O PIB está aumentando e a arrecadação também: subiu quase 10 ponto porcentuais acima da inflação, outro recorde!

Some-se tudo isso a outros fatores micro e macroeconômicos (inadimplência, produtividade, déficit, dívida pública) e a fatores políticos (ingerência no Banco Central, alinhamento internacional), e o resultado é a maior fuga de capital estrangeiro desde 2016 (quando começaram a calcular a série histórica): US$ 32,4 bilhões. Tudo isso leva ao sexto e ao sétimo recordes desse governo: a alta do dólar, que bateu R$ 6,26 antes de recuar só um pouquinho. Foi a maior cotação da história, senhores! E sejamos claros: não é tanto o dólar que sobe, é mais o real que cai. Sim, em 2024 o dólar se valorizou, mas o real se desvalorizou muito mais a ponto de ter sido a moeda que mais recuou em 2024, entre as mais negociadas mundialmente.

Essa fantástica performance não ocorre só na área econômica. A área do meio ambiente, tão presente no discurso de governos de esquerda, viu um recorde de queimadas dos últimos 14 anos – lembrando que os recordes precedentes também são de quando Marina Silva era ministra (2003-2008). Relacionado a este, vimos também o recorde de omissão e silêncio de artistas nacionais e globais!

Tivemos também recorde nas mortes por dengue, desde quando a série histórica começou a ser calculada: cerca de 6 mil pessoas. Mas isso não é genocídio, claro. E nem contamos aqui os recordes de 2023: o maior número de feminicídios desde 2015 e o recorde de mortes infantis indígenas, com 1.040 óbitos, aumento de 24% em relação ao ano anterior.

Recordes positivos? Não encontramos.

Algumas dessas marcas (mortes por dengue, fuga de capital estrangeiro, rombo das contas públicas, rombo nas estatais, rombo com o funcionalismo) são as maiores em determinado período de tempo porque as medições – e, consequentemente, as séries históricas – começaram poucos anos ou décadas atrás; se elas tivessem começado antes, o resultado poderia ser ainda pior. Veja-se a desvalorização do real e a arrecadação de impostos, que são recordes realmente históricos.

Que não se diga que esse governo não entregou resultados excepcionais: chegamos a nove recordes em 2024! Se esse for o governo que mais bateu recordes, isso por si só já levaria ao décimo recorde. Ainda temos dois anos promissores pela frente, vêm mais recordes por aí. Lula 3 está mesmo levando a sério o “nunca antes na história desse país”!

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SOMBRA – Florbela Espanca

De olheiras roxas, roxas, quase pretas,
De olhos límpidos, doces, languescentes,
Lagos em calma, pálidos, dormentes
Onde se debruçassem violetas…

De mãos esguias, finas hastes quietas,
Que o vento não baloiça em noites quentes…
Nocturno de Chopin… risos dolentes…
Versos tristes em sonhos de Poetas…

Beijo doce de aromas perturbantes…
Rosal bendito que dá rosas… Dantes
Esta era Eu e Eu era a Idolatrada!…

Ah, cinzas mortas! Ah, luz que se apaga!
Vou sendo, em ti, agora, a sombra vaga
D’alguém que dobra a curva duma estrada…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)