PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

De olheiras roxas, roxas, quase pretas,
De olhos límpidos, doces, languescentes,
Lagos em calma, pálidos, dormentes
Onde se debruçassem violetas…

De mãos esguias, finas hastes quietas,
Que o vento não baloiça em noites quentes…
Nocturno de Chopin… risos dolentes…
Versos tristes em sonhos de Poetas…

Beijo doce de aromas perturbantes…
Rosal bendito que dá rosas… Dantes
Esta era Eu e Eu era a Idolatrada!…

Ah, cinzas mortas! Ah, luz que se apaga!
Vou sendo, em ti, agora, a sombra vaga
D’alguém que dobra a curva duma estrada…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

Um comentário em “SOMBRA – Florbela Espanca

  1. Florbela se descreve em versos.

    Vivia a noite, olheiras de quem não dormia adequadamente.

    Sonhava com lagos calmos, ao som de Noturno de Chopin, linda música inspiradora de Van Gogh (procurem e ouçam a música para entender o que eu falo).

    A dobra da curva da estrada da vida, dia em que todos chegaremos.

    O que teremos a mostrar ao Divino neste dia?

    Florbela, do jeito dela, honrou seus talentos.

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