CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MIGUEL ANTUNES ZAGO – ARAGUARI-MG

A Argentina ao lado está dando certo porque expulsou a esquerda do poder.

O Brasil que votou na esquerda está indo NOVAMENTE pro buraco.

Santa Catarina dá certo porque não vota na esquerda.

Todo país que tem administração liberal de direita dá certo.

Todo Estado brasileiro administrado por uma direita liberal como Santa Catarina dá certo.

Pessoas que votam na esquerda votam na própria ignorância histórica e no próprio suicidio coletivo.

COMENTÁRIO DO LEITOR

LEITOR FIEL

Comentário sobre a postagem QUASE MORTA

João Bosco:

Boa Tarde!

Fiquei surpreso e agradecido por ver a foto de minha cidade Unai-MG estampada nesta gazeta escrota que eu adoro ler todos os dias.

Sempre que ligo o computador pela primeira vez no dia, procuro esta revista.

Quando acontece de estar sem atualização por falta de internet e o editor nos comunica, perco o resto de meu dia e não convém expressar aqui o que penso da operadora vivo.

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DEU NO X

DEU NO JORNAL

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A PRAIA DE TAMBAÚ

Não sei quem é o autor da frase: “A propaganda é a alma do negócio”. Mas, sei que escuto isso há muito tempo e é, como dizia minha Avó, “antes do cão ser menino”!

Moro no Maranhão há 38 anos. Conheço alguns municípios, por força do trabalho, mas não conheço a fundo.

Pois, sem que seja coisa consciente por parte do governo maranhense (os governantes só pensam e agem politicamente – aliás, a má política), no município de Barreirinhas tem sido divulgada e destacada a beleza que é, realmente, “Os lençóis maranhenses” – um presente da Natureza, que poderia render mais para o Estado, se fosse em outro lugar com visão melhor e mais profissional.

E aonde quero chegar?

Pois, no extremo norte do Estado existe um município com o nome de Porto Rico, com “lençóis” muito mais bonitos e privilegiados pela Natureza, que os “lençóis de Barreirinhas”. Quem quiser comprovar, visite os dois lugares e tire suas conclusões.

A diferença, é que, realmente, a propaganda é a alma do negócio.

O belo, a culinária e o atendimento

Lembro bem que, em atividade jornalística, me desloquei de São Luís para João Pessoa. Faz tempo. Fiquei hospedado num hotel que imagino não ter sido alcançado pela classificação das estrelas. Hotel simples, com tudo simples – inclusive o atendimento.

O evento que fui designado para cobrir, foi um Campeonato Brasileiro de Natação que aconteceu num clube social de nome Cabo Branco. O hotel onde fiquei hospedado (na realidade, era quase uma pousada, pois servia apenas dormida, banho e café da manhã) fica a alguns metros da praia de Tambaú – onde funciona há alguns anos, o conhecidíssimo Hotel Tambaú, esse alcançado pela classificação estelar, com quatro ou cinco estrelas.

Alcatra bovina feita carne de sol acompanhada de macaxeira cozida e queijo de coalho assado

A noite era uma criança. No pequeno hotel, os professores que acompanhavam a delegação não queriam sair e deixar os jovens atletas “largados”, pois a competição era importante para uma classificação futura. Assim, por três noites (antes de regressar) saí sozinho. Caminhava pelo calçadão da praia de Tambaú. Cansado, sentava e forrava o estômago.

Prato pedido: carne de sol feita de alcatra bovina, frita na banha suína, macaxeira cozida e generosos pedaços de queijo de coalho assado. Só comi coisa igual, quando visitei Luiz Berto no Apipucos, que nos serviu fava rajada com o pernil de um animal que não lembro mais. Até hoje lembro da fava, e fico agradecido a Dona Aline.

Pois, o turismo paraibano faz propaganda de Tambaú, mas não faz da culinária, tanto quanto o turismo baiano faz do acarajé. A comida, comi num boteco caindo os pedaços nas proximidades de Tambaú – atendimento de primeira e qualidade da comida idem.

Caranguejo Uçá cevado

No dia seguinte, um sábado, mais uma excelente surpresa: parte da delegação almoçou no Clube Cabo Branco, enquanto preferi comer algo diferente na orla marítima. Mesmo calçadão da praia, mas, agora, em quiosques mais estilizados.

Morando no Maranhão, aprendi com a cultura local, que, “caranguejo gordo”, só nos meses sem a letra “R” (maio, junho, julho e agosto). E aquele evento em João Pessoa não aconteceu em nenhum mês desses citados.

Antes de sentar para fazer o pedido do que comeria, achei estranho um tanque de cerâmica num quiosque de madeira, e fui conferir. Vi caranguejos, limpos e se alimentando. O atendente me disse que eram “caranguejos cevados”. Mandei preparar, enquanto me deliciava com a brisa do mar, sorvendo uma cerveja gelada e escutando Zé Ramalho.

Pois, só havia comido com tanta gula e prazer, quando comi a carne de sol na noite anterior e, repito, quando comi fava rajada em Apipucos, na casa do Berto. No Apipucos, em vez de Zé Ramalho, ouvi e assisti Jessier Quirino e Salvador. Diferentes, e ao mesmo tempo parecidos.

Foi a partir daí que me convenci: a propaganda é a alma do negócio.

DEU NO X

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

APENAS PARA ENGANAR

O lado bom da internet é a sua capacidade de recuperar fatos antigos, registrados em filmes, jornais ou televisão. Isso nos permite identificar o tanto de baboseiras que são proferidas como verdades absolutas e que acabam criando adeptos. Em cada segmento profissional, a gente uma figura de destaque. O caso de Miriam Leitão, por exemplo, é algo de natureza perdida. Coloca aí mais uma três ou quatro encarnações para ver se ela consegue evoluir para reino hominal. Tenhamos fé.

Na cultura é difícil escolher um apenas, mas talvez Daniela Mercury seja o expoente maior dessa representatividade imbecil. No passado, gravou um hit que vendeu um milhão de cópias e a colocou numa posição de destaque, inclusive sendo tratada como “rainha do axé”. O segundo disco vendeu 250 mil cópias e o terceiro não passou de 100 mil. Ninguém se lembrava que ela existia mais, até voltar à mídia, não ao sucesso, por conta de uma relação homoafetiva.

Depois vem os seres inanimados como Felipe Neto. São velas de embarcações levadas pelo vento que as dirigem para qualquer direção que seja condizente com seus interesses financeiros. Felipe Neto criticou a roubalheira do PT, de Lula e de companhia bela, mas em 2022 esqueceu tudo que disse para apoiar o cara que ele chamava de ladrão. Chamou os eleitores contrários de tudo que não prestava e quando perdeu alguns milhões de Reais, adotou um discurso de paz, de perdão etc.

No campo político, eu acredito que o maior exemplar de imbecilidade atende pelo nome de Embeciro Gomes. Não passa de um pulha, mas fala com a postura de quem sabe muito, ou seja, de que é a única pessoa no mundo com inteligência. A humanidade, diante de Embeciro, tem apenas instinto. Em todo canto diz que prefeito de uma grande cidade, governou o estado com 8º maior PIB, que foi ministro da fazenda etc. mas, não diz, por exemplo, que 60% dos municípios do Ceará são classificados como de extrema pobreza. Fala do tempo como ministro, como se sua atuação fosse a coisa mais importante da face da Terra.

Embeciro assumiu a pasta porque Rubens Ricupero foi pego pelas parabólicas. Numa entrevista a Carlos Monfort ele disse que estava fazendo as coisas no sentido de eleger FHC. Assim, no dia 08 de setembro de 1994, ele assumiu e ficou até janeiro de 1995 quando foi substituído por Pedro Malan. O que ele fez? Eliminou o imposto de importação de 445 itens e com isso houve um aumento das importações desequilibrando a balança comercial. Ele costuma dizer que na sua gestão a dívida era US$ 1,7 bilhão (dados do Banco Central mostram que era, de fato, US$ 1,689 bilhão) e quando saiu a dívida passou para US$ 33,6 bilhões.

Pense comigo: a gente tinha uma moeda valorizada nesse período. O Plano Real tinha sido implantado em 01 de julho de 1994, logo, estávamos, ainda, num processo de transição e havia, nitidamente, uma pressão sobre consumo porque o poder aquisitivo das pessoas cresceu. Daí, quando Embeciro reduziu a alíquota de importação desses produtos, as importações aumentaram e as exportações, não. O Real estava valorizado. A paridade era US$ 1,00 = R$ 1,23 e com isso não havia muito incentivo às exportações. Vamos para o resultado: exportações líquidas é diferença entre o que um país exporta e o que ele importa. Entenderam?

O resultado é simples: como não tivemos capacidade de exportar, por conta da valorização do Real, e tivemos um aumento grosseiro nas importações, o saldo da balança comercial gerou um déficit de US$ 5,09 bilhões (dados do banco central). As contas públicas, ao longo do governo FHC, acabaram atingindo um déficit de US$ 30 bilhões, no entanto, isso começou com Embeciro porque antes deles havia um superavit de US$ 3,4 bilhões. Então, essencialmente, nenhuma contribuição significativa para a economia brasileira.

Recentemente, eu recebi um vídeo encaminhado por um aluno perguntando minha opinião. Era uma entrevista de Embeciro criticando, dentre outras coisas, as operações de swap cambial, o aumento da dívida por conta dos juros, atribuindo isso, inclusive ao fato da taxa de juros ser pré-fixada. Primeira coisa eu duvido que se ele fosse presidente da república ou do banco central ele tivesse coragem de acabar com as operações de swap cambial. É certo que o banco central assume o risco das variações cambiais, no entanto, estas operações desempenham um papel importante no equilíbrio da moeda estrangeira.

Sobre a taxa ser pré-fixada causar danos, é preciso entender o seguinte: se a gente faz um CDB de R$ 100,00 por um prazo de 60 dias, uma taxa pré-fixada de 8% ao ano, o valor líquido corresponde a uma rentabilidade de 6,16%, 4,75% ao ano, o ganho real do investidor será de 0,79% ao ano. Depois você fica sem saber por que o país não tem poupança. Agora, pegue a rentabilidade de um CDB pós-fixado. Com a SELIC em 12,25% ao ano, a rentabilidade de um título desse supera os 10% ao ano. Então, antes de falar merda, seria importante comparar a rentabilidade das aplicações.

Para finalizar, Embeciro fez duras críticas ao presidente do banco central, inclusive chegou a destacar pontos da lei 179/2021 que elenca os casos nos quais o presidente do banco central pode ser demitido. Ele destaca um: desempenho insuficiente. Caramba! Só pode ser imbecilidade. Campos Neto foi eleito em 2020 como o melhor presidente de banco central do mundo (Guedes foi eleito o melhor ministro da economia). Depois o cara foi eleito como o melhor presidente de banco central da América Latina, por duas ocasiões. Depois vem Embeciro, que não tem nenhuma contribuição para a economia, dizer que o cara poderia ser demitido por desempenho insuficiente.

Faça assim: entra na internet e procura um vídeo de Embeciro dizendo que a taxa de juros foi reduzida no governo Bolsonaro. Para quem não lembra, tivemos juros reais negativos, porque a taxa de juros chegou a 2% ao ano. O presidente do banco central era Campos Neto, mas Embeciro não diz um minuto sequer que houve redução da dívida no governo passado. Eu não gosto desse cara por um motivo simples: é um reles aproveitador que pensa que sabe das coisas, mas nem o partido dele o queria como candidato.

O resumo que faço dessa criatura é assim: passou a vida toda babando Lula. A pedido de Lula transferiu o domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo sob a promessa de ser candidato ao governo paulista com o apoio do PT. O PT apoiou Mercadante e ele voltou para o Ceará. Ganhou o ministério das cidades e não fez porra nenhuma. Em 2010, colocou seu nome como candidato a presidente pelo PSB e foi sufocado por Eduardo Campos que era aliado de Lula. Em 2018, fez de tudo para ter apoio do PT contra Bolsonaro, chegou a dizer que se fosse eleito daria indulto a Lula, mas teve 6% dos votos. Em 2022, o PDT do Rio colocou foto de Lula no diretório e os candidatos a deputados não queriam que ele concorresse para não faltar dinheiro para suas campanhas. Votou em Lula no segundo turno, seu partido dá sustentação ao governo atual e o cara, agora, vendo Lula sangrar, quer se colocar como salvador do mundo. Foda-se.

DEU NO JORNAL

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Eunice Paiva

Maria Lucrécia Eunice Fracciolla Paiva nasceu em São Paulo, SP, em 7/11/1929. Advogada e um dos símbolos da luta contra a ditadura militar no Brasil. Destacou-se pelo empenho na denúncia e busca dos desaparecidos políticos, incluindo seu marido, o deputado federal Rubens Paiva. A gravidade do caso e o sentimento evocado contribuíram para obnubilar sua contribuição na defesa legal dos direitos dos povos indígenas.

Cresceu no bairro do Brás numa comunidade de imigrantes italianos e pouco depois se mudou para o bairro de Higienópolis, onde se formou no curso de Letras, na Universidade Mackenzie, aos 18 anos, com fluência nas línguas inglesa e francesa. Aos 23 anos casou-se com Rubens Beirodt Paiva; tiveram 5 filhos e era amiga de alguns escritores, como Lygia Fagundes Telles, Antonio Calado e Haroldo de Campos.

No ano de 1971, com o Brasil em pleno regime ditatorial, seu marido, na condição de deputado federal, foi sequestrado, torturado e assassinado pela ditadura. Os militares foram até sua casa e levaram-no junto com ela e a filha de 15 anos. A menina ficou presa por um dia e ela ficou presa 12 dias passando por interrogatórios, enquanto o marido já devia estar morto. Aqui começa sua luta para descobrir o que ocorreu com o marido desaparecido. Em recente decisão (dezembro de 2024) o ministro do STF Flávio Dino, decidiu que a Lei da Anistia não pode valer para casos de ocultação de cadáver. Trata-se de uma conquista na luta por justiça aos desaparecidos durante o regime militar (1964-1985) e pelo fortalecimento do Estado Democrático de Direito no País.

Ciente da tarefa que iniciava, ingressou, de novo, na Unversidade Mackenzie, afim de tornar-se advogada. Formou-se em 1977, aos 47 anos, e passou a liderar campanhas para abertura de arquivos sobre vítimas da ditadura, mesmo correndo riscos. Mais tarde ficou comprovado que ela e os filhos foram vigiados pelos militares de 1971 a 1984. Sua trajetória, junto com outras duas viúvas de presos políticos, foram contadas no documentário Eunice, Clarice (Vladimir Herzog), Thereza (Manuel Fiel Filho) lançado em 1978 por Joatan Berbel.

Sua luta resultou na promulgação da Lei 9.140/95, que reconhece como mortas as pessoas desaparecidas devido a sua partipação em atividades políticas. No ano seguinte, 25 anos depois, ela conseguiu em 1996 que o Estado emitisse o atestado de óbito de seu marido, mesmo não encontrando o corpo. Sua dedicação à causa indígena resultou na publicação, junto com Manuela Carneiro da Cunha, do livro O Estado contra o índio, em 1985. Pouco depois, em 1987, fundou o IAMA-Instituto de Antropologia e Meio Ambiente, uma ong que atuou na defesa e autonomia dos povos indígenas.

Em 1988, foi consultora da Assembleia Nacional Constituinte, que promulgou a Constituição Federal Brasileira. Em fins da década de 1980, atuou no Conselho Consultivo da Fundação Mata Virgem, uma fundação criada pelo músico Sting, para lutar pela demarcação da terra dos índios Kayapó, no Xingu. Seu filho, o escritor Marcelo Rubens Paiva, conta que “A minha mãe tinha uma vida incrível, porque ela ficou viúva aos 41 anos, com cinco filhos, se formou em direito e virou uma militante muito intensa com relação à anistia, redemocratização, Diretas-Já, Constituinte. Ela começou com o direito de família, mas depois se especializou em direito indígena. Ela era uma das pouquíssimas especialistas em demarcações de terras indígenas e passou a ser requisitada”.

Em 2015, Marcelo publicou o romance autobiográfico Ainda estou aqui, contando a história de sua mãe e entrou na lista dos melhores livros do ano. Foi também indicado aos prêmios “Oceano” e “Governador do Estado” e obteve o 3º lugar no Prêmio Jabuti. Em 2024 foi adaptado para o cinema por Walter Salles e ganhou o prêmio de melhor roteiro no Festival de Veneza e foi escolhido para representar o Brasil no Oscar de 2025, na categoria de melhor filme internacional. No âmbito interno, o filme obteve um dos maiores recordes de bilheteria. Em 5/4/2024, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo outorgou o “Colar de Honra ao Mérito Legislativo” às 3 mulheres que simbolizam a luta contra a ditadura: Clarice Herzog; Ana Dias e, postumamente, Eunice Paiva.

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