ALEXANDRE GARCIA

BARROSO INSULTA A INTELIGÊNCIA DO BRASILEIRO E ATACA METADE DO PAÍS

“Derrotamos o bolsonarismo”: veja histórico de frases político-partidárias de Barroso

Luís Roberto Barroso no Congresso da UNE, em que falou na “derrota do bolsonarismo”.

Na quarta-feira, o ministro Luís Roberto Barroso foi de mangas arregaçadas, sem paletó, à abertura do 59.º Congresso da UNE, que é controlada pelo Partido Comunista do Brasil e seus afins. Estavam lá, também, o ministro da Justiça e a presidente do PT. Barroso fez um discurso que foi o assunto desta quinta em Brasília. Um discurso em que, ironicamente, ele disse que “só ditadura tem censura, tem presos políticos”. Pois na madrugada do mesmo dia foi encontrado desacordado, no chão da cela na Academia de Polícia, onde está preso, o coronel Naime, que era o comandante de Operações da PM em Brasília. Ele estava de folga; voltou quando soube dos acontecimentos de 8 de janeiro, assumiu o comando, foi ferido, atuou na proteção dos palácios, mas quando ele chegou já era tarde, e ele está preso há 50 dias sem saber o porquê; há quem diga que foi por causa de uma denúncia da ex-mulher dele, dizendo que ele iria fugir, ou coisa parecida. Então, foi mantido preso. Naime foi levado para o hospital, havia um armário em cima dele. Mas o ministro Barroso diz que não temos presos políticos.

Também na quinta, na Comissão de Segurança Pública do Senado, ouviu-se o depoimento de Gabriela Ritter, filha de um preso político e presidente da Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro. Ela representa o pessoal que está preso e indiciado. Naquela sessão, o líder da oposição, senador Rogério Marinho, disse que estão todos indiciados e viraram réus sem individualização da acusação, e que ele está esperando que a OAB tome providências. O restante da fala do ministro Barroso, que vai ser presidente do Supremo ainda neste ano, também repercutiu por lá. Barroso disse o seguinte para os estudantes – repito, de manga arregaçada e sem paletó: “Nós derrotamos a censura. Nós derrotamos a tortura. Nós derrotamos o bolsonarismo, para permitir a democracia, a manifestação livre de todas as pessoas”.

Parece que ele está com problema de memória atual e memória do passado. Ele tinha 17 anos quando Ernesto Geisel acabou com a censura, em 1975. Eu lembro disso porque cobri o fato para o Jornal do Brasil, que era o principal jornal do país. Depois, em seguida, acabou o AI-5, em 1978; Barroso tinha 20 anos, devia lembrar que ainda estava no governo Geisel, mas talvez ele não lembre. E também não lembra dos dias de hoje, porque ele fala em permitir a “manifestação livre de todas as pessoas”. O líder da oposição no Senado, ao se referir a isso, disse que nós estamos vivendo, sim, um tempo de relativização da democracia, da inviolabilidade de mandatos, da Constituição, dos direitos humanos, da ordem jurídica e dos valores, porque cancelam as pessoas que ousam desafiar isso.

Mas talvez o mais importante de tudo seja a manifestação do presidente do Senado, que é o homem que pode pautar pedidos como o que a oposição está preparando agora, de impeachment do ministro Barroso. Rodrigo Pacheco, referindo-se à fala de Barroso no congresso da UNE, afirmou que ele deveria refletir um pouco sobre o que disse, porque foi “inadequado”, “inoportuno” e “infeliz”. Uau! O ministro Barroso, tentando corrigir o que havia dito, explicou que respeita os 58 milhões de eleitores de Bolsonaro e que, ao falar sobre “derrotar o bolsonarismo”, ele quis se referir ao “extremismo golpista”. Quer dizer, piorou a situação. Ele está afirmando – sem expressar, mas está afirmando – que bolsonarismo é sinônimo de extremismo golpista. Ficou pior a emenda que o soneto. Isso foi algo muito importante.

* * *

Governadores respondem a Lula e dizem que escolas cívico-militares continuam

Outro evento importante do dia nos deu uma alegria enorme. Foi a manifestação dos governadores, dizendo que em seus estados não vão acabar com as escolas cívico-militares de jeito nenhum. Vai entrar pessoal da PM, pessoal do Corpo de Bombeiros – que, aliás, já está nessas escolas; não precisa muito, dois ou três já bastam. Porque com a disciplina e com a ordem, acabou o traficante na porta da escola, a escola está limpinha, não está depredada, não tem violência e, o melhor de tudo, a disciplina, que é a base para qualquer atividade humana ter êxito, está aumentando a produtividade e o aproveitamento dos alunos em todas as matérias.

Talvez essa decisão do governo federal, de acabar com o programa das escolas cívico-militares, tenha estimulado e despertado ainda mais a importância da disciplina, da ordem, do ensino de valores, da formação de cidadania nas escolas, coisas que deveriam ter origem na família, mas que a escola deve complementar.

DEU NO X

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

CONVERSAS DE ½ MINUTO (30) ‒ PELEJAS

MALA DE ROMANCES: O DIABO NUMA PELEJA

Mais conversas, hoje novamente só com cantadores, em livro que estou escrevendo (título da coluna). E já lembro que assim, como Pelejas, são conhecidos os grandes desafios entre cantadores famosos. Desde o século XIX, começando com os dois maiores daquela época, Romano Teixeira e o negro cativo (ele próprio assim se definia) Ignácio da Catingueira. Só para lembrar, cantadores cantam sempre acompanhados com suas violas. Menos o dito Ignácio da Catingueira e Fabião das Queimadas, que usavam pandeiros. E o Cego Aderaldo, já no século XX, com sua rabeca. Vamos às mais célebres, dessas Pelejas.

PELEJA de MANOEL RIACHÃO (de Araruna, Paraíba) com NÊGO (O Diabo, origem desconhecida). Nas primeiras cantorias, ainda nos tempos da escravidão, começaram a se ver negros cantando. Como um, conhecido como Diabo. Em peleja com Manoel Riachão, tema recorrente era a cor da pele. Seguem alguns versos, como prova.

R (Riachão) – Riachão disse eu não canto
Com negro desconhecido
Porque pode ser escravo
E andar aqui fugido
Isso é dar cauda a lambú
E entrada a negro enxerido

N (Negro) – Eu sou livre como vento
E minha linhagem é nobre
Sou um dos mais ilustrados
Que o sol nesse mundo cobre
Nasci dentro da grandeza
Não sai de raça pobre.

R – Não tenho superior
Sou filho da liberdade
E não conto a minha vida
Pois não há necessidade
Porque não sou foragido
Nem você autoridade.

N – Riachão amas a Deus
Sendo mal recompensado
Deus fez de Paulo um monarca
De Pedro simples soldado
Fez um com tanta saúde
Outro cego e aleijado.

Lourival Batista e Pinto de Monteiro

PINTO DO MONTEIRO (de Monteiro, Paraíba) e LOURIVAL BATISTA (Louro do Pajeú, de São José do Egito, Pernambuco), dois gênios. Em mais uma peleja, Pinto preparou armadilha para Louro

‒ Eu saí de Caicó
E fui bater em Tabira
De Tabira prá Penedo
De Penedo a Guarabira
Chegando lá eu comi
O mocotó de traíra.

Como traíra é peixe, Pinto jamais poderia ter comido seu mocotó. Então, certo de ter ganho a peleja, Louro respondeu

‒ Eu já vi muita mentira
De Adão até Aló
De Aló até Isac
De Isac até Jacó
Mas nunca houve quem visse
Traíra com mocotó.

Só para ver, desolado, Pinto cantar

‒ Pois eu vim de Caicó
E fui até Guarabira
Lá vi uma vaca velha
A quem chamavam Traíra
E agora você me diga
Se é verdade ou se é mentira.

Cego Aderaldo: Biografia

Cego Aderaldo

PELEJA DO CEGO ADERALDO (de Crato, Ceará) com ZÉ PRETINHO (de Tucum, Paraná). Mais famosa dessas Pelejas é a do referido Cego Aderaldo contra Zé Pretinho. Com o desafio já ganho, e para encerrar com brilho, o Cego tripudiou

Cego – Amigo José Pretinho
Eu não sei o que será
De você no fim da luta
Porque vencido já está
Quem a paca cara compra
Paca cara pagará

E o outro ficou sem entender esse trava-língua, piorando sua desgraça

Zé Pretinho – Cego, estou apertado
Que só um pinto no ovo
Estás cantando aprumado
E satisfazendo ao povo
Este seu lema de paca
Por favor cante de novo

A partir daí, foi um desassossego

Cego – Digo uma e digo dez
No cantar não tenho pompa
Presentemente não acho
Quem esse meu mapa rompa
Paca cara pagará
Quem a paca cara compra

Zé P. – Cego, teu peito é de aço
Foi bom ferreiro que fez
Pensei que o cego não tinha
No verso tal rapidez
Cego, se não for massada
Repita a paca outra vez

Cego – Arre com tanta pergunta
Deste negro capivara
Não há quem cuspa pra cima
Que não lhe caia na cara
– quem a paca cara compra
Pagará a paca cara

Zé P. – Agora cego me ouça
Cantarei a paca já
Tema assim é um borrego
No bico de um carcará
Quem a cara cara compra
Caca caca Cacará

Após o que Zé Pretinho colocou sua viola na bandeja (com o dinheiro dos ouvintes, um prêmio pra o vencedor), sinal de que reconheceu a derrota.

Patativa do Assaré (Repente) - Esquina Musical

Patativa do Assaré

PATATIVA DO ASSARÉ, cantador e cordelista (de Assaré, Ceará). Para encerrar, esse causo. A casa de Patativa ficava a 18 quilômetros da cidade de Assaré e ele precisava falar com o prefeito. Só que foi várias vezes à Prefeitura e o homem nunca estava. Por isso deixou, na sua mesa, esse recado

‒ Ainda que alguém me diga
Que viu o mudo falando
Um elefante dançando
No lombo de uma formiga.
Não me causará intriga
Escutarei com respeito
Não mentiu esse sujeito
Muito mais barbaridade
É haver numa cidade
Prefeitura sem prefeito.

Resultado, acabou preso. Na cela, encontrou gaiola com uma patativa – que é ave de belo canto. Então escreveu esses versos que ganharam o mundo

‒ Linda vizinha pequena
Temos o mesmo desgosto
Sofremos da mesma pena
Embora em sentido oposto

Meu sofrer e teu penar
Clamam a divina lei
Tu presa para cantar
E eu preso porque cantei.

DEU NO JORNAL

SE É BOM E FUNCIONA, ELES EXTINGUEM

O ministro da Educação, Camilo Santana, nunca fez uma visita oficial, como titular da pasta, a uma escola cívico-militar.

Na agenda oficial do ministro, há convescotes, agenda no exterior, cerimônias de inaugurações, mas zero visitas a um colégio com o modelo educacional que, na canetada, mandou encerrar para atender apelos de pelegos sindicais, como a turma do Sindicato dos Professores.

O desmonte é um ataque ao setor, que vê ainda a modernização do Ensino Médio em risco.

Dados do próprio MEC mostram que 85% da comunidade respondeu satisfatoriamente ao ambiente das escolas cívico-militares.

Houve queda de 82% em casos de violência física, 75% de redução em violência verbal e 82% de queda em casos de violência patrimonial.

As escolas cívico-militares conseguiram superar até a evasão escolar, o abandono caiu quase 80%. O modelo atende quase 120 mil alunos.

Alguns estados ignoraram o desmonte ordenado pelo MEC, garantiram o modelo os governadores do Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo.

* * *

Nada tenho a declarar.

Não quero começar o expediete da sexta-feira ficando puto.

Deixo os comentários a critério dos analistas fubânicos.

Na verdade, vou fazer só uma observação:

Puta que pariu !!!!!

Porra!!!!!

DEU NO JORNAL

DEVERIA COBRAR SÓ DE QUEM FEZ O “L”

O Governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por meio do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), pretende cobrar uma taxa de usuários de internet de todo o país para financiar a criação de uma agência para melhorar a governança do setor.

O ministro do GSI, general Marco Antonio Amaro dos Santos, detalhou a proposta de Política Nacional de Segurança Cibernética em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

Para financiar a proposta, com custo anual de quase R$ 600 milhões quando plenamente implementado, o órgão quer cobrar dos usuários uma taxa pelo uso da internet.

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

TEMPOS MODERNOS

Jesus e a mulher adúltera

Os tempos mudaram e a modernidade impera em todos os segmentos da sociedade: Político, religioso, social e familiar.

Mudaram, a começar pela liberdade que hoje a mulher desfruta, de poder estudar, votar, trabalhar e ser gente, sem ser mais qualificada profissionalmente como “do lar” ou “de prendas domésticas.” Essa qualificação significava que a mulher era a “administradora” da casa e da família, uma subalterna, que dependia do marido ou do pai, para comer, vestir e, finalmente, para viver. Não tocava no dinheiro deles.

Em Nova-Cruz (RN), pequena cidade do interior nordestino, onde nasci e me criei, estudei no Colégio Nossa Senhora do Carmo, da ordem Franciscana, onde se fazia uma oração antes de começarem as aulas, e se rezava o terço, diariamente, no mês de maio. O Colégio também ensinava civilidade, e o Hino Nacional era cantado todas as sextas- feiras, por freiras e alunos, havendo o hasteamento da Bandeira.

O colégio exigia farda completa e limpa, e sapato colegial preto, com meias brancas.

Só oferecia até o Curso Ginasial. Quem quisesse continuar os estudos teria que estudar na capital, o que nem todas as famílias podiam, financeiramente, oferecer aos filhos.

A mulher, nos tempos modernos, também é eleitora e pode participar do processo eleitoral como candidata, chegando até aos mais altos escalões do serviço público. Ela já chegou à presidência da República e aos ministérios, sem se privar de ser companheira do homem nem da convivência com os filhos, e sem abrir mão do sublime direito de ser mãe.

Hoje, a mulher estuda, se forma, trabalha no serviço público ou privado, faz mestrado e doutorado e outros cursos, dentro ou fora do País, se assim quiser e puder.

A mulher pode estar hoje onde ela bem quiser e fizer por merecer.

Casa e se separa se quiser, sem ser hostilizada ou discriminada, como décadas atrás acontecia. Se bem que o respeito entre o casal é condição “sine qua non”, para que as uniões sejam preservadas.

Desde o tempo de Cristo, a mulher sempre foi uma sofredora.

Ainda bem que a figura bíblica da adúltera não existe mais. Não é mais condenada à morte, em caso de adultério, por apedrejamento, como nos primórdios.

E foi o próprio Cristo que absolveu a mulher adúltera. Essa figura, bíblica ou profana, hoje não existe mais. Quem for justo, que atire a primeira pedra em quem pecou.

Recordando o sofrimento da mulher em épocas remotas.

* * *

(João, VIII, 112)

“Numa tarde, regressava Jesus do monte das Oliveiras, quando, em meio do caminho, com o sol a esconder-se, ao longe, no leito de fogo das montanhas, foi rodeado por um pequeno grupo de fariseus, que traziam de rastros, pálida e desgrenhada, uma pobre mulher que se debatia entre eles. Supondo confundir o rabino com a sua consulta inesperada, um escriba, de nome Baraquias, adiantou-se dois passos, e pediu, com fingida humildade:

– Mestre, esta mulher foi surpreendida a trair o esposo, a quem jurara fidelidade. A lei de Moisés determina que ela seja apedrejada, e morta pela multidão. Que devemos fazer?

Jesus, que lhe ouvira o coração antes de lhe escutar a palavra, baixou-se na areia da estrada, e pôs-se, com o dedo, a escrever.

– Mestre – tornou o fariseu, – esta mulher foi apanhada em flagrante, traindo o seu esposo. Devemos matá-la à pedrada, como estabelece a lei de Moisés?

Jesus, em silêncio, continuava a escrever sobre a areia, quando, de repente, erguendo-se, respondeu:

– Só o justo pode punir o pecador. Aquele, pois, que, dentre vós, nunca pecou, atire a primeira pedra!

A estas palavras, Baraquias desapareceu, e, com ele, um a um, aqueles que o acompanhavam, ficando no caminho, apenas Jesus e a pecadora.

Agradecida e assustada, ia a mísera mulher atirar-se de joelhos para beijar as sandálias do Mestre, quando o Rabino a deteve pelos braços, dizendo-lhe, severo:

– Nada me deves, mulher. Em verdade te digo, que as leis de meu Pai são mais implacáveis do que as leis de Moisés. Poupei-te a vida porque a própria morte não puniria a tua falta!

E, repelindo-a com a mão, suavemente:

– Anda; vai! A vergonha do teu crime, na tua velhice, será, na terra, o teu castigo.

E, baixando os olhos, continuou, sozinho, a caminho de Jerusalém.”

* * *

Pois bem. Nos dias de hoje, assistimos na mídia, a tentativa diária da destruição física e moral de homens e mulheres, praticada por vermes humanos que destilam ódio no coração, e cujo passado nebuloso esconde tenebrosos pecados morais e políticos que já cometeram, sem que tenham ainda acertado contas, definitivamente, com a justiça. Esses vermes querem ser mais rei do que a majestade, como diz o ditado popular.

Themis, a divindade grega por meio da qual a justiça é definida, no sentido moral, como o sentimento da verdade, da equidade e da humanidade colocado acima das paixões humanas, esta mulher de olhos vendados e com uma balança na mão, nos tempos modernos enxerga o que bem quer, e usa dois pesos, duas medidas. Sente-se mais importante do que o próprio Jesus Cristo.

Lamentavelmente, nos tempos modernos, o sentido da venda nos olhos de Themis e da balança que ela traz em uma das mãos foi desrespeitado.

“Dois pesos e duas medidas” é uma expressão popular, de origem bíblica, utilizada para indicar um ato injusto e desonesto, algo feito de forma parcial.

Está relacionada com situações iguais, mas tratadas de formas completamente diferentes, e seguindo critérios também diferentes, à mercê da vontade das pessoas que as executam.

No entanto, a expressão oficial é “dois pesos e duas medidas”, registrada inicialmente na bíblia sagrada, no livro de Deuteronômio (25:13-16), que deu origem ao uso da expressão:

“Não carregueis convosco dois pesos, um pesado e o outro leve, nem tenhais à mão duas medidas, uma longa e uma curta. Usai apenas um peso, um peso honesto e franco, e uma medida, uma medida honesta e franca, para que vivais longamente na terra que Deus vosso Senhor vos deu. Pesos desonestos e medidas desonestas são uma abominação para Deus vosso Senhor. (Bíblia, Deuteronômio 25:13-16)

Esta expressão é uma referência ao antigo sistema de medidas e pesagens, quando ainda não existia um método definitivo que padronizasse os pesos. Assim, cada pesagem e medida era feita de forma desigual, instituindo um roubo generalizado.”

Claro que, no âmbito jurídico, o ditado “dois pesos e duas medidas” não deveria ser aplicado.

Teoricamente, todos os cidadãos devem ser tratados da mesma forma perante a justiça.

DEU NO X

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

O VERÃO DA CHAINA

Praia da Avenida da Paz

No início do século XX o bairro de Bebedouro era o mais chique, o mais festeiro, o mais rico da cidade de Maceió. Muitas mansões, bonitos palacetes, colégios embelezando o bairro. (Infelizmente, recentemente, a fábrica BRASKEM afundou seis bairros à beira da Lagoa Mundaú, inclusive Bebedouro, por conta de uma descabida, ambiciosa mineração de Salgema na Lagoa Mundaú). Nos anos 1930 Bebedouro foi desbancado como bairro chique da cidade pela urbanização da praia da Avenida da Paz.

No final da 1ª Guerra Mundial (1914-1918), o prefeito de Maceió, Firmino Vasconcelos, comemorou o fim da guerra com uma festa na praia do Aterro e prometeu naquele local construir a Avenida da Paz. Terminada a obra em 1922, a burguesia, a classe média começou a construir bangalôs e casarões na Avenida da Paz, no bairro de Jaraguá e o bairro de Bebedouro foi desbancado. Nessa época apareceu a moda do “banho salgado”, que depois passou a ser chamado de banho de mar. A mulherada moderninha vestia maiô até o joelho e caía na água. O sucesso das mulheres era uma provocação entre os homens. Para alguns moradores mais antigos da cidade, o maiô até o joelho escandalizou; uma sem-vergonhice usar aqueles trajes indecentes. Vinham homens, velhos e meninos do interior apreciar as modernas senhoritas com maiô mostrando a batata das pernas. Causava reboliço entre os marmanjos. Nessa época também foram aparecendo os primeiros “tarados”.
O tempo foi passando e a mulherada diminuiu o tamanho do maiô, subindo à metade das coxas. Quanto mais reduzia o tamanho do maiô, mais aumentavam os discípulos de Onã na bela praia da Avenida.

Em meados da década de 1950 nós jovens éramos maloqueiros de praia. Nadávamos singrando a calmaria do mar. Pulávamos da cumeeira dos trapiches que se estendiam mar adentro, jogávamos futebol na areia dura, molhada, pescávamos nas jangadas, puxando rede. Entretanto, o que mais apreciávamos, o nosso esporte predileto, era ficar olhando, que nem jacaré, as belas mulheres que se estendiam deitadas na areia para pegar um bronzeado.

É próprio do homem o “voyeurismo”, o olhar, o apreciar os encantos da mulher. Alguns não se controlam, e praticam o onanismo nas mais esdrúxulas situações. Apanhados em flagrante são taxados de pervertidos. Naquela época, nós meninos com cara de santinho passávamos pelas rodas de conversa na praia com as moças descontraídas. Quando entravam na água, não havia quem segurasse.

Gaguinho era um mestre. Ele aproximava-se das moças, deitava de bruços, cavava uma cova adaptada a sua mão, e dava estímulo às suas fantasias. Certa vez, um amigo percebeu o Gaguinho em posição de trincheira perto de sua gostosa irmã. Ele foi se chegando por trás, devagar, de repente virou o Gaguinho que estava em vias da apoteose final. Levaram o “tarado” para a Delegacia de Jaraguá. Ficou preso e sumiu por um tempo da praia.

Certo verão ela apareceu! Foi o primeiro biquíni em Maceió. Uma bonita ruiva, dizia-se atriz, hóspede do Hotel Atlântico. Toda manhã descia à praia. Como se fosse uma liturgia, estendia uma toalha, enfiava o pau da barraca na areia, armava a sombrinha. Ainda em pé, descobria sua blusa devagar, como se tivesse preguiça, aparecia a parte superior do biquíni diminutamente cobrindo seus belos seios. Em seguida, como se fizesse um strip-tease, descia lentamente o short requebrando os quadris em movimentos harmoniosos, sensuais, até transpassá-lo por baixo dos pés. Finalmente levantava o short com o pé direito como se chutasse o vento, dobrava o short, a blusa, arrumava-os num monte junto à sombrinha. Deitava-se de bruços, deixando o sol acariciar suas pernas, seu dorso, sua bunda. Foi o maravilhoso espetáculo daquele verão. Os homens se deliciavam com o ritual sensual da musa dos cabelos de fogo.

A deusa amarrava sua cachorrinha de nome Chaina no pau da sombrinha. Às vezes a cachorrinha se soltava e corria pela praia para alegria da moçada que tentava alcançá-la. Capturada a pequenez, o sortudo se aproximava e entregava a cachorrinha à dona, recebendo os agradecimentos com um beijo na face. De perto o sortudo apreciava as penugens douradas das coxas da dona. Depois que a Chaina começou a frequentar a praia, o número de banhistas, principalmente homens, aumentou nos mares da Avenida da Paz. Foi a primeira atração turística de Maceió.

OBS – ESTA CRÔNICA ESTÁ INCLUÍDA NO LIVRO; “MACEIÓ, MINHA LINDA.” A SER LANÇADO NA BIENAL DO LIVRO DE ALAGOAS (11 A 20 AGOSTO)

DEU NO X

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