Berto, nosso guru lítero-poético-político-inspiracional:
Imagino que, a essa altura, você deve estar recebendo alguns livros que lhe enviei em primeira mão.
Para sua informação, e dos ilustres e prezados amigos do Jornal da Besta Fubana, o meu livro “Os Fuxicos do Senhor Engenheiro”, uma obra prima de baboseiragem esculhambosa sem valor algum, exceto para quem está na privada eliminando as opiniões jurídicas dos juízes e jornalistas brasileiros, pode ser adquiridos na própria Editora Lux de São Paulo, clicando no link:
R. Sim, meu caro amigo e colunista fubânico: já recebi alguns volumes do seu magnífico livro de crônicas, muitas delas publicadas na sua coluna aqui no JBF.
Nem preciso ressaltar nada, pois a comunidade fubânica já conhece seu estilo primoroso, com textos excelentes, cheio de passagens tocantes, irônicas, engraçadas, comoventes, cenas do dia-a-dia que mexem com a sensibilidade de quem lê.
E se passaram 33 anos o plano socialista ja esta em curso. O primeiro passo esta sendo implantado na reforma tributária centralizando os imposto!#ReformaDaFomeNaopic.twitter.com/GwE1y4f9Yf
— Pavão Misterious🇧🇷 (@misteriouspavao) July 5, 2023
Arthur Lira se reuniu com prefeitos nesta terça (4) para discutir a reforma tributária
O grande assunto é a reforma tributária. Apareceu de repente, mas na verdade não é tão de repente assim. Fala-se em reforma tributária, dizem, já faz uns 35 anos. Eu lembro que em 1993 vi uma reforma tributária pronta na revisão constitucional. Mas o PMDB não quis votar porque ela prejudicaria os municípios que voltariam a ser distritos se não tivessem autonomia financeira. Ainda hoje os prefeitos estão reclamando que as prefeituras e os municípios serão prejudicados com essa reforma.
É uma reforma em que as posições estão bem divididas. Junta ex-ministros da Fazenda como Guido Mantega e Maílson da Nóbrega, a favor, mas também separa Tarcísio de Freitas, favorável, e Jair Bolsonaro, contrário. E Tarcísio quer convencer o partido de Bolsonaro a ficar a favor. Os prefeitos são contrários, alguns governadores também, como Ronaldo Caiado, de Goiás; um grande empresário como Jorge Gerdau Johannpeter está a favor, assim como banqueiros e economistas conhecidos. De um lado dizem que essa reforma vai elevar a prosperidade; do outro, dizem que vai prejudicar o pobre, que a carga vai aumentar.
O que tem de ser discutido, enfim, é se a qualidade do serviço público prestado pelo Estado está de acordo com a quantidade do imposto que cobra. Questionar se o Estado não está inchado demais, vivendo à custa do contribuinte pobre, porque ele é quem paga mais imposto proporcionalmente ao que recebe. Essa é a grande questão, mas estão discutindo outras coisas. O presidente da República liberou, na quarta-feira, R$ 2,1 bilhões em emendas para conseguir voto nesta quinta. Eu não sei a que altura estão as coisas, porque eu gravei este comentário na noite de quarta, mas Arthur Lira queria votar nesta quinta.
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Lula insiste em defender ditador da Venezuela
O presidente do Brasil continua nessa posição teimosa em apoio à ditadura de Nicolás Maduro. Isso já teve consequência nas urnas – em Roraima, que recebe a primeira onda de refugiados venezuelanos, o PT não elegeu ninguém: nem governador, nem senador, nem deputados federais ou estaduais. Foi incrível. O presidente da Colômbia, país que mais recebe refugiados, é de esquerda e também acha que não está certo o regime da Venezuela. Mas o nosso presidente insiste, e inclusive está criando problemas no Mercosul, que ele agora está presidindo. O presidente do Uruguai não assinou a carta e pode até sair do Mercosul, fazendo um acordo comercial diretamente com a União Europeia, que tem a mesma posição contra a Venezuela. A União Europeia, esta semana, mostrou que o regime de Maduro está impedindo que uma candidata à presidência, María Corina Machado, seja elegível por 15 anos. Faz a mesma coisa com Henrique Capriles, que é outro pré-candidato. Ortega faz isso na Nicarágua, prendendo os candidatos.
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Presidente vai recuperar Unila para incentivar doutrinação de esquerda
Nesta quarta, Lula passou por Foz do Iguaçu para retomar a Universidade da Integração Latino-Americana, que está parada, e vocês vão saber o porquê. Lula lembrou que ele quer fazer uma universidade a exemplo da Universidade de Cuba, para receber estudantes do mundo inteiro. Quer receber estudantes da América Latina para fazer a catequese da esquerda lá. É por isso que estava tudo parado, e agora a Unila vai ser retomada.
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Associação de juízes quer facilitar a vida dos parentes
O Estadão lembrou, em editorial, que a Associação de Magistrados Brasileiros quer derrubar um artigo do Código de Processo Civil, inserido em 2015, que proíbe que o juiz não se julgue impedido em processos que vêm de escritórios de advocacia de seu “cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau”. Mas é claro que ele não pode julgar! Como é que o juiz vai analisar uma causa que vem do escritório de um parente? Mas a Associação de Magistrados Brasileiros quer derrubar a regra; será que está mal-intencionada? O julgamento no Supremo está em 2 a 1 pela constitucionalidade da lei. Aliás, não é só constitucionalidade, é moralidade dessa lei. Um ministro já está querendo derrubar a lei: Gilmar Mendes já votou contra. É o que vemos aqui em Brasília, a parentada de juízes e ministros está por aí, conhecemos muitos aqui em Brasília, inclusive com empregos cruzados, muitas vezes em tribunais: “você emprega a minha parente, que eu emprego a sua aqui”. A gente tem de ficar de olho nisso, porque eles todos são servidores do público e precisam agir, como a Constituição diz no artigo 37, guiados pela moralidade.
Caríssimo amigo Berto, boa noite. É sempre um prazer imenso poder interagir nesse ambiente sagrado do JBF.
Gostaria que o caro amigo fosse o portador meu mais caloroso abraço aos fubânicos e fubânicas de todo o Brasil.
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UMA ODE À HIPOCRISIA
Entre os dias 29 de junho e 02 de julho de 2023, o centro-sul do continente americano voltou a ser assombrado por mais uma edição do Foro de São Paulo. A vigésima sexta. Novamente, pessoas sem muito o que fazer, ou com pouca vontade de trabalhar, reuniram-se em Brasília para deliberarem sobre a pauta de sempre: amaldiçoar o capitalismo, chamar “us estadunidense” pra porrada, exercitar as mais exóticas manifestações de democracia e lamber as botas da mais fina casta de líderes dedicados à tarefa de eternizar por estas bandas a miséria e o atraso.
Sobre o subdesenvolvimento, a sanha persecutória e a corrupção que devastam a América Latina e escravizam – e matam -, os latinos-americanos, condenaram apenas o governo de El Salvador, identificado por eles como de direita.
A respeito do rastro de sangue e perseguição deixado por Cuba ao longo de mais de meio século e Venezuela e Nicarágua mais recentemente, reinou o mais sepulcral, cúmplice e vergonhoso silêncio. Em seus cérebros atrofiados pela ideologia, governos como os dessas três nações são exemplos de democracia. O mais aterrador é saber que nesse coletivo desvairado, há até os que cultuam essa heresia como absoluta e irrevogável!
Cada vez que o foro de São Paulo se reúne, a democracia sangra e a jornada ao centro do autoritarismo prospera!
Creio que estimulado pelo evento que durante quatro dias tornou a atmosfera política dos brasilienses mais poluída do que costumeiramente é, viajei no tempo e me vieram à lembrança flashes de um texto que escrevi, já se vão quase doze anos, sobre os dias 3 e 4 de dezembro de 2011, datas contempladas por episódios envolvendo universos distintos, mas intimamente ligados pelas causas e efeitos que os revestiam. Um pelo viés insólito. Outro pela dramaticidade implícita.
No dia 3, um sábado, recepcionada por Hugo Chavéz, sob o patrocínio da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos, a CELAC, mais nova sigla criada para aterrorizar o centro-sul do continente americano, reuniu-se em Caracas a nata da democracia imposta à América Latina e ao Caribe. Desfilaram sob os holofotes da imprensa capitalista a ser calada – e foi -, democratas da estirpe dos Castros, dos Maduros, dos Morales, dos Correas, dos Ortegas, dos Kirschners, das Rousseffs entre outros não menos perversos.
Aquele ajuntamento de tiranetes, cada um deles sonhando com um país particular só para si, com uma imprensa companheira, com a população submetida ao circo e a oposição à bala, vetou por unanimidade o ingresso dos Estados Unidos e do Canadá na entidade. Decididos a garantir que a injustiça não prosperasse no continente, negaram-se a macular a castidade democrática da CELAC e, por extensão, do Foro, com a presença de representantes dos regimes autoritários que sempre afligiu aquelas duas nações do norte. Não posso afirmar se foi essa a decisão mais importante da reunião, mas, considerando-se o histórico dos envolvidos, não seria desonesto presumir que foi a mais comemorada.
Em nome de alguns brasileiros, Dilma Rousseff assinou o documento que oficializou aquela empulhação cujo texto ridicularizou nossa inteligência e desdenhou da fome que sempre castigou os povos do Centro, do Sul e do Caribe. Representando uma das “democracias” mais sólidas e evoluídas do planeta, ninguém menos que Raul Castro, o presidente cubano de então, foi um dos primeiros a chancelar a farsa.
No dia 4, domingo, arrebatada pela emoção dos indignados, uma massa representativa de brasileiros acompanhou um drama que se desenrolou em algum lugar do Maranhão, protagonizado pelo apresentador de televisão Gugu Liberato e por uma família de oito pessoas que sobrevivia em condições sub-humanas. O grupo de brasileiras era representado por Maria, a mãe, precocemente envelhecida pela miséria e por Raimunda, a filha, uma adolescente de olhos tristes que não ousava encarar o interlocutor famoso. A vergonha, que não deveria ser sua, a impedia.
Morando com as sete filhas num casebre de pau-a-pique que corria o risco de desmoronar a qualquer momento, aquela brasileira corajosa sobrevivia com o auxílio-doença de uma de suas meninas. Já não aguentava quebrar coco para prover o sustento da família. Sem acesso à rede de esgoto e com a fossa séptica saturada, usavam a mata no fundo do quintal como privada e tinham no poço imundo ao lado da palhoça a única possibilidade de saciar a sede. Nunca se soube se a água era própria para consumo humano.
Apesar do cotidiano cruel, milhares de Marias e Raimundas que sobrevivem agarradas à esperança de que algum dia haverá de surgir um outro gugu para redimi-las, teimam em resistir a essa realidade devastadora esparramada desde sempre por esse brasilzão de meu Deus. Valentes por natureza, amparam-se na dignidade nativa que lhes permite enfrentar o flagelo cotidiano que as martitiza e é ignorado pelo socialismo pos-moderno ovacionado por militantes profissionais em foros e reuniões e praticado, com todas as suas consequências, via de regra humilhantes e dolorosas, por governos predadores e corruptos que têm na fome, que alicia e mata, e no subdesenvolvimento, que escraviza e degenera, a certeza da perpetuação da supremacia hegemônica.
Na verdade, de diferente entre a reunião da CELAC celebrada em Caracas em 2011 e o 26.º Foro de São Paulo realizado em Brasília em 2023, restaram apenas as ausências de Hugo Chaves e Fidel Castro, ambas pelo mesmo motivo. No mais, a mesmice vã e cansativa da arenga socialista torna cada vez mais difícil acreditar que algum dia suas lideranças vão deixar de lado o sonho do poder absoluto que os move e dispensar um pouco, por menor que seja, de atenção e respeito à agonia lenta e dolorosa das marias e raimundas, pouco importando se brasileiras, bolivianas, cubanas, venezuelanas, argentinas. Todas são produtos de um subcontinente macabro, subtraído por megaditadores e vilipendiado por subpresidentes.
Continuo a não chorar por ti, América Latina. E chorarei menos ainda depois de mais uma reunião, agora em Brasília, na qual embusteiros vocacionados para a hipocrisia recitaram versos em louvor à democracia que desprezam. Não serás digna de uma única lágrima minha enquanto deres guarida a caudilhos e tiranos. Se não o teu povo, quem será por ti alatrinada América?