DEU NO JORNAL

A PROPAGANDA NO SAMBÓDROMO

Editorial Gazeta do Povo

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Trecho do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, em homenagem ao presidente Lula

Quem esteve no Sambódromo do Rio de Janeiro, ou assistiu pela televisão ou pela internet ao primeiro dia do desfile das escolas de samba do Grupo Especial, teve a oportunidade de conferir uma peça de propaganda destinada a exaltar um pré-candidato à presidência da República nas eleições deste ano: o presidente Lula, tema da homenagem prestada pela Acadêmicos de Niterói, recém-promovida à elite do carnaval carioca. Nos dias que antecederam o desfile, montado e executado com a ajuda de recursos públicos (mesmo que todas as outras escolas tenham recebido quantia semelhante, ao menos no que diz respeito ao governo federal), ações no TSE tentaram, sem sucesso, impedir a homenagem; depois do evento, a oposição já promete novas ações.

O desfile da Acadêmicos de Niterói, com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, teve de tudo, inclusive provocações a Jair Bolsonaro, retratado como o palhaço Bozo; a reciclagem da mentira sobre o “golpe” que tirou Dilma Rousseff da Presidência, com Michel Temer aparecendo como um ladrão de faixa presidencial; e o preconceito contra evangélicos e conservadores, ridicularizados em latas de conserva. Mas a essência da apresentação de domingo à noite foi a glorificação da biografia de Lula e o aquecimento para a campanha eleitoral deste ano.

A letra do samba tinha menções a um jingle clássico de campanha do petista (“olê, olê, olê, olá, Lula! Lula!”), a assuntos que farão parte da campanha eleitoral – como a “soberania” contra “tarifas e sanções” e a “comida na mesa do trabalhador” – e até mesmo ao número de urna do PT, ou seja, de Lula (“treze dias, treze noites”). Alas traziam a estrela símbolo do partido. O mestre da bateria e um dos intérpretes do samba-enredo “fizeram o L” diante das câmeras. Em um dado momento, o próprio Lula desceu até a Marquês de Sapucaí para confraternizar com integrantes da escola de samba, acompanhado pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes.

Por muito menos que isso – uma reunião com embaixadores, que nem sequer votam –, Jair Bolsonaro foi tornado inelegível por “abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação”. Se fosse possível confiar que o Tribunal Superior Eleitoral usaria os mesmos critérios para avaliar o desfile carnavalesco deste domingo, presenciado ao vivo por dezenas de milhares de pessoas e cuja transmissão foi assistida por milhões de brasileiros, a inelegibilidade de Lula já poderia ser dada como certa. Mas a corte eleitoral já mostrou que não é confiável.

Basta observar, por exemplo, a atitude da ministra Cármen Lúcia: em 2026 ela votou pela permissão ao desfile argumentando que proibi-lo constituiria censura prévia. Quatro anos antes, no entanto, a mesma Cármen Lúcia votou pela censura prévia ao documentário Quem mandou matar Jair Bolsonaro?, da produtora Brasil Paralelo, ao qual nenhum dos ministros havia assistido – enquanto, no caso da escola de samba, vídeos com o samba-enredo pululavam na internet muito antes do desfile. Algumas situações, ao que tudo indica, são mais excepcionalíssimas que outras.

A bem da verdade, se houvesse chance real de o TSE considerar o desfile de domingo como propaganda antecipada e abuso de poder, talvez a oposição nem tentasse impedi-lo, seguindo o conselho “nunca interrompa seu inimigo quando ele estiver cometendo um erro”, atribuído a Napoleão Bonaparte; e talvez o próprio Lula, mesmo sendo um mitômano inveterado, recusasse a homenagem, com medo da inelegibilidade, e a Acadêmicos de Niterói precisasse achar um outro assunto para levar ao Sambódromo. É por isso que, apesar do alerta de André Mendonça, uma eventual condenação seria uma grande surpresa – por mais que os motivos estejam aí, para o país inteiro ver.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

A PALAVRA DO EDITOR

O CARNAVAL TERMINA HOJE!

Neste último dia de Carnaval, relembro o Bloco da Besta Fubana, fundado em 2006, alegrando a folia do Recife, no Bairro de Casa Forte, onde um grande número de foliões nos acompanhava.

Na foto abaixo, eu apareço devidamente paramentado de Papa da Igreja Serteneja, ao lado do estandarte do bloco.

Muita alegria, muita animação, ao som da orquestra que nos acompanhava!

Saudades do tempo em que eu podia pular e fazer o passo, dançando um frevo rasgado!!! 

E já que falei daqueles bons tempos, fecho a postagem com um clássico do carnaval pernambucano, a magnífica composição Frevo da Saudade, da autoria de Nelson Ferreira e Aldemar Paiva.

Uma letra inspirada e comovente.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

ENREDO INCOMPLETO

A “homenagem” a Lula na Sapucaí é revisão histórica com verba pública, diz Deltan Dallagnol.

“Apagaram o pedalinho, o sítio, o triplex, mensalão, petrolão e até a prisão, mas a fantasia não muda a biografia”.

* * *

E o enredo não estava completo.

Faltou destacar as condenações em todas as instâncias.

Condenações por corrupção e lavagem de dinheiro.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSÉ ALVES FERREIRA – SÃO PAULO-SP

Olá!

Lula sambou.

Nos antigamente se dizia que alguém sambou no sentido de ter perdido algo, principalmente prestigio ou alguma coisa maior.

Agora, lula sambou ou foi sambado na avenida, aquela onde antes muitos queriam estar e, agora basta … pagar … ou melhor obrigar todos a contribuir com um óbolo – tomado a força de nossos impostos – para se reverenciar tão repugnante figura.

Sambou literalmente, mas almeja o sentido contrário…

E, lá vai o descondensado, evoluindo na avenida, como os antigos bicheiros patronos das “agremiações” faziam, mas, agora completamente a vontade…

Estava em seu ambiente, onde enganar, prometer e jamais cumprir é a tônica…dê migalhas, para se manter como algo que nunca foi.

Afinal, tudo é carnaval…

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SE EU FOSSE UM PADRE – Mário Quintana

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
– muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições…
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas.

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
… a um belo poema – ainda que de Deus se aparte –
um belo poema sempre leva a Deus!

Mário de Miranda Quintana, Alegrete-RS (1906-1994)