XICO COM X, BIZERRA COM I

O INADIÁVEL CARINHO DE UM NETO

É inerente ao ser humano o comodismo de adiar. Mas algumas coisas não devem ser adiadas e não há quem me faça adiá-las: alegrias, sorrisos, abraços, por exemplo, não podem ficar para depois. Muito menos guardados, a não ser no lado de dentro do peito.

NO ADIAR, SOU MESTRE

Eu sou Mestre em adiamentos. Quantas vezes já adiei a ida ao médico porque a dor diminuiu. Outras vezes tantas deixei para outro dia a visita à farmácia para comprar aquele medicamento receitado pela dermatologista. O deixar de fumar adiei diversas vezes, quase tantas quanto posterguei o início daquele regime que só fazia ressaltar em mim o maldito ‘efeito sanfona’. No dia de aparar a barba eu sempre encontro razões e motivos para deixar para o dia seguinte. Outro adiamento que se repete ano após ano é o de dar início a declaração do imposto de renda: juntar a papelada, buscar a calculadora e começar a sessão de tortura. Normalmente fica para a última semana antes do prazo fatal. Fazer o que? O leão é voraz e não aceita desculpas.

BEIJO, SORRISO E ABRAÇO

Agora tem uma coisa que nunca adio: o encontro com três menininhos lindos que me chamam de Vovô. Aí para encontrá-los eu deixo para trás até o jogo do Sport que está passando na TV. Um beijo de Bê, um sorriso de Vini e um abraço de Léo valem mais que um gol de Wagner Love ou uma taça a duras penas conquistada. Muito mais. Troféu sem comparação.

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FAZER POESIA NÃO É SER POETA ou ESSE TAL DE GPT

Com a luxuosa ilustração de Thiago Lucas, esse sim, um gênio do Jornal do Commercio de Recife

A moda agora é discutir o progresso tecnológico com o advento do chat GPT 4.0, ‘gênio’ da criatividade literária, poética, fotográfica, científica e até musical. Basta que lhe sejam oferecidas algumas informações e o tal do chat desenvolverá teses científicas, escreverá crônicas e novelas, fará poesia e comporá músicas. A um simples toque. Talvez ultrapassado, preocupo-me muito mais com o retrocesso da inteligência natural do que com o avanço da inteligência artificial.

E OS ABRAÇOS?

Com a máquina assumindo nosso lugar acabar-se-ão os abraços, os afagos, os carinhos? Deus me defenda de receber um cafuné de um note book ou um beijo de um computador. Lembro do meu tempo de menino, rapazola, recorrendo ao Caldas Aulete e à Enciclopédia Britânica para fazer tarefas escolares. Hoje não, tudo está à mão, sobre a mesa, numa tela feia e fria. Sem contar as centenas de ‘influenciadores’ inventados pela grande mídia das redes sociais. No tempo do eu menino meus grandes influenciadores eram meu pai e meu avô, que me davam exemplos de correção na vida.

SUBMUNDO DO BBB

Hoje, qualquer Gil do Vigor ou Juliette, saídos do submundo de um tal de BBB, escrevendo saudade com cê cedilha, faturam milhões às custas de outros tão inúteis quanto eles, uns um pouco mais idiotas, outros um pouco mais imbecis. Modestamente, vou seguir escrevendo minhas besteiragens, fazendo poesia e música sem recorrer ao Satanás virtual que se achegou, certo de que continuarei Poeta, o que esse GPT jamais será: no máximo, fará ‘poesia’, sem o sentimento humano, sem coração, sem a ternura e a bem-querença que os parafusos e chips desconhecem. Será sempre apenas uma máquina. Sabida, talvez, insensível, com certeza.

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VAI DAR NAMORO …

A última vez que me vi eu estava meio desarrumado. Tinha acabado de chegar de Gravatá, cansado da viagem (afinal de contas faz tempo que fiz 20 anos), cabelos em desalinho, olheiras, dores espalhadas do cangote ao mocotó. Atribuir a culpa ao tempo não é apenas uma desculpa: o tempo, sim, é o árbitro da vida, juiz determinante de tudo o que acontece no nosso corpo, na nossa vida. Apenas isto. O tempo cumpre, sisudo e inflexível, sua missão administrando o relógio de areia, sua inexorável ampulheta. Um banho era a alternativa para a desejada reanimação de um homem baqueado. E assim foi, não sem antes dar uma bicada na cachacinha com caju na garrafa que meu parceiro/amigo Leninho de Bodocó me mandou lá das terras próximas ao Exu.

O DOUTOR RECOMENDOU

Por recomendação médica, sei que é salutar uma cachacinha antes do banho. Obediente que sou, assim procedi: enrolei a toalha no pescoço, eram 9 da manhã, fui ouvir o xará Buarque de Holanda e lá pras 5 da tarde chegou a hora de tomar meu banho. A garrafa estava quase seca. O doutor não pode reclamar: segui à risca sua orientação e bebi apenas antes do banho. Corpo são, cachaça longe, cheiro botado, homem refeito.

QUASE NOIVOS, CASAMENTO À VISTA …

Dia seguinte, recuperado – graças ao chuveiro e à água-benta ingerida, voltei a Gravatá, com muita saudade de minha pata-de-elefante, teimosa, que vive a cortejar o pé de manacá de minha mulher, florado à sua frente. Acho que, mais dia, menos dia, vai dar namoro. Se é que já não deu. Sei lá! O luar de Gravatá é parceiro do amor e alcoviteiro juramentado …

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MAGAREFE ou SANTA CRUZ?

Por falta de coisa melhor a fazer perdi um pouco do meu tempo assistindo Santa Cruz e Íbis, pela TV. Lembrei-me dos clássicos cratenses: o SPORT DO CRATO tinha Chico Curto, Pangaré e Fruta Pão. Anduiá era o craque do MAGAREFE. Era o Fla x Flu do Cariri cearense quando os dois times se encontravam. Naquele tempo jogador de futebol era apenas jogador de futebol. Não tinham tatuagens nem cabelos descoloridos. Ganhavam pouco ou quase nada e o amor ao esporte era a pílula incentivadora dos atletas.

BOATES EUROPÉIAS

Quase todos morreram pobres, alguns nas calçadas dos cabarés cratenses, sem que se tenha notícias de estupros por eles praticados em boates luxuosas da Europa. Outros, após aposentadoria nos campos de futebol, tentaram, sem sucesso, a via artística cantando nos bares e boates da ‘zona’. Bons tempos em que cada gol era comemorado com alegria por todos nós, à época adolescentes, sonhando um dia ser um deles. Mesmo com a poeira subindo no campo de terra batida do Seminário, suficiente para abastecer de impurezas todos os nossos jovens pulmões, sonhávamos com a bola. A vida e o destino não permitiram fazer do sonho uma verdade: nunca vestimos aquelas camisas. Restou a saudade, abraçada com a lembrança dos craques de então.

CAMPEONATO DE PELADAS

No jogo daqui deu pena ver o tricolor do Arruda. Não torço para que o Santinha dispute um campeonato de peladas contra Buchudinhos de Areias ou o Papudinhos do Curado, mas tanto o SPORT DO CRATO como o MAGAREFE daquela época eram melhores que o Santa Cruz de hoje. Dava gosto vê-los jogar, apenas por amor ao ofício. E sem ninguém fora do campo atrapalhando.

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UM ESTÚDIO, MIL SORRISOS

Adoro um estúdio de música. Encontrar-me nesse ambiente com arranjadores, músicos de altíssima qualidade e técnico de gravação da melhor estirpe emociona-me. Mal comparando, ou comparando bem, é tão prazeroso quanto o melhor dos manjares, quando a fome aperta ou a uma boa cama, quando se é assediado pelo maior dos sonos. Aliado ao prazer implícito de estar nesse ambiente musical, deparei-me com a agradável tarefa a mim atribuída por amigo querido, morador do meu peito, de produzir musicalmente uma música de sua autoria, dando-me liberdade e autonomia de fazê-lo, da escolha dos músicos à concepção do arranjo, tarefa que confiei a um outro amigo dileto.

Senti-me o próprio Produtor ‘tampa de crush’. Diante de tamanha liberdade, providenciei o casamento inédito de um violoncelo com a sanfona numa ciranda, com o piano na base e o baixo fazendo a devida marcação. Além disso, a indispensável participação percussiva, que deve estar contida numa cantiga à beira do mar. Depois disso tudo, de algumas horas de estúdio e de vais-e-vens próprios de uma produção musical, eis que chegamos ao resultado final: uma bela ciranda, magistralmente interpretada por uma grande cantora da cena local, resultado que, por dever de ofício e em homenagem aos participantes, registro os participantes:

MÚSICA: GOSTO DE SAL; Autores: Paulo Carvalho e Cristiane Quintas; Arranjo e Piano: George Aragão; Músicos: Fabiano Menezes, Luizinho de Serra, Caca Barreto, Samuka; Voz: Leda Dias. Gravado, Mixado e Masterizado no Estúdio Gusdel por Délbert Lins.

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Todos os Livros e a maioria dos Discos de autoria de XICO BIZERRA estão à disposição para compra através do email xicobizerra@forroboxote.com.br. Quem preferir, grande parte dos CDs está disponível nas plataformas digitais. 

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SONHOS BONS DE SONHAR

Fernando Pessoa tinha em si todos os sonhos do mundo. Eu, não os tenho. Sonho alguns, apenas. Anteontem sonhei com meu pai. Ontem, com minha mãe. Esta noite, com Gina, irmã mais velha, que me deixou azunhado o rosto apenas por não lhe ter permitido andar no meu velocípede. Por que será que tenho sonhado tanto com gente querida que já se foi? A que se deve essa recorrência temática do sonhar? Estariam a convidar-me à indesejada viagem? Ou seria, de minha parte, um desejo inconsciente do reencontro? (Freud, onde estás?). Por favor, esperem um pouco. Ainda preciso levar Bernardo para conhecer a Ilha do Retiro, ouvir Vinícius zuadando o mundo com sua bateria e deliciar-me com Leonardo cantarolando, em alto e bom som, uma cantiga do avô. Tenham paciência. É cedo. Deixem a vida cuidar de seu curso, como se rio fosse. De preferência, lentamente, sem qualquer pressa, aguando com boa água seu leito e margens. Os bons rios assim o fazem. Sei que o outro lado, a julgar pelos que lá estão morando, deve ser muito bom, mas, por enquanto, dou preferência ao balanço bom de minha redinha, do lado de cá. No tempo certo a gente se encontra.

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PEQUENAS COISAS DE QUE NÃO GOSTO

O amor e a bem-querença são temas recorrentes em meus escritos e músicas. Muito bom falar do que se aprecia.

Mas perguntaram-me, dia desses, do que não gosto e nem precisei pensar muito para responder. Além das obviedades que, certamente, ninguém gosta, como, por exemplo, o ficar doente, a má companhia, a falsidade de ‘amigos’, o fazer ou receber o mal, o inescrupuloso político, o assistir nosso time ser goleado pelo maior rival, outros itens fazem parte do meu acervo pessoal do não-gostar. Por exemplo:

– Pimentão, amarelo, vermelho ou verde, não importa a cor: detesto-os. Conseguem a proeza de estragar o meu ‘de-comer’, contaminando com aquele gostinho chato qualquer que seja a comida. Outros temperos deixam muito mais feliz o meu paladar;

– Gavetas abertas: elas foram feitas para viverem fechadas, por conterem, muitas vezes, segredos e confissões privativos de quem lá os guardou. Fecho-as sempre que as encontro escancaradas. Para viverem fechadas foram concebidas;

– Portas e Janelas fechadas: ao contrário das gavetas, abertas deveriam sempre estar para receber gente e para que se retirem os indesejados. Além do que, janelas e portas fechadas são sinônimo de calor e mal-estar. Se abertas estão, pode adentar uma pessoa que aguardamos, uma fresca brisa ou até um passarinho cantador para nos alegrar;

– Números ímpares: prefiro os pares, a exemplo das pessoas. Nada pior que uma pessoa solitária, sem par, como o 1, o 3, o 5 … Sou daqueles que gostam dos pares, juntos, sempre acompanhados. Meu número preferido é o 2, talvez pelo 2 pra lá, 2 pra cá que os passos de um bolero sugerem;

Poderia ainda elencar mais algumas coisas que não me deixam feliz. Para não deixar vocês infelizes, paro por aqui. Depois, talvez, continue.

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MANOEL FRANCISCO DOS SANTOS, ou simplesmente GARRINCHA

Conversando com Bernardo, meu neto, 9 anos, lembrei de quando era criança, menor que ele, idos de 1958, copa da Suécia. Meu pai andava comigo pelas ruas do Crato e, ao encontrar amigos, pedia que eu recitasse a escalação da Seleção Brasileira que havia disputado e ganho, um mês antes, a Copa do Mundo de Futebol. E lá ia eu, misto de orgulho e vaidade: Gilmar dos Santos Neves, Djalma dos Santos, Hideraldo Luiz Bellini até Edson Arantes do Nascimento e, finalmente, Mário Jorge Lobo Zagalo, o ponta esquerda, número 11 (naquela época ainda existia o ponteiro esquerdo nos times). Sabia de cor o nome completo de todos os titulares da ‘canarinha’. Nesta última Copa contei a Bernardo este fato e sabendo ele mais que eu sobre times, seleções e jogadores, perguntou-me, curioso: – Vô, e a seleção atual, você sabe o nome dos jogadores? Não sei, respondi-lhe e, para ser sincero, nem me interessa saber os nomes, ou apelidos desses ostentadores exibicionistas, tatuados do pescoço ao mocotó, cabelos descoloridos, que vestem a ‘amarelinha’ da seleção. Causam-lhe preocupação, muito mais que qualquer outra coisa, seus interesses pessoais. Ao lixo a causa maior que deveria ser a defesa, com bravura, das cores de nosso País. Não disse isso a Bernardo: não seria justo decepcioná-lo, ele que está empolgadíssimo com o futebol brasileiro e sonhando ser goleiro. Eu preferia vê-lo médico. Ou advogado. Engenheiro, quem sabe? Aliás, melhor pensando, eu preferia vê-lo feliz, praticando o bem, qualquer que seja a profissão por ele escolhida. Apenas deu-me saudade dos tempos de Manoel Francisco dos Santos, sem tatuagens, jogando por amor, encantando a todos como fazem os passarinhos iguais a ele, ariscos, de drible fácil, difíceis de serem caçados …

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O MEU PARAÍSO E O PARAISO DE ADÃO

Sem nada a fazer e com a mão sob o queixo em um dia de sol pouco – mas nem por isso menos belo, resolvi ligar para Adão. Sem uma das costelas, ele continuava no Paraíso, à sombra de uma frondosa tamarineira (pés de maçã, por aquelas bandas, o síndico de barbas brancas e longas mandou arrancar, disse-me ele).

Eva não estava: tinha ido buscar Caim, Abel e Seth no Grupo Escolar. Fora convocada pela diretora por conta de constantes brigas entre os dois irmãos mais velhos.

Na conversa com Adão, falei-lhe de nossas praias, dos belos e altos coqueiros, dos montes e vales e principalmente de nossos rios, Capibaribe e Beberibe, que se unem para formar o Atlântico. Comentei sobre a alva estrela que fulge e não finda quando não está o sol iluminando o infinito, fazendo a glória da Terra brilhar!

Ele a tudo ouvia, calado. Acho que avaliava o quanto aqui era melhor que aquele paraíso dele, sem graça, monótono, povoado por serpentes. Devia estar imaginando o quanto fora enganado quando lhe disseram ser ali o Paraíso.

Fez-se então o calar. Nada além do mais profundo e sepulcral silêncio, só quebrado depois de persistentes e intermináveis dez segundos, quando Adão indagou:

– Só belezas naturais? E os heróis do seu lugar?

Calei, enxuguei a lágrima que teimava em adubar o chão, e falei-lhe de nossos bravos guerreiros. Contei-lhe da valentia de muitos, dentre eles Frei Caneca, Vigário Tenório, Domingos José Martins, Cruz Cabugá e Barros Lima, o Leão Coroado. Tantos heróis para louvar e ele, deu-me dó, a registrar um herói apenas e, ainda assim, que deixou de sê-lo quando um dia o expulsou de casa apenas por não ter resistido ao sabor de uma maçã vermelha.

Ao fundo, escutava-se Evocação, de Nélson Ferreira. Desliguei o som: lembrei que no Paraíso de Adão não existia Frevo e não era do meu feitio humilhar os semelhantes.

A certa altura da conversa, Adão pediu licença para desligar o telefone pois precisava atender ao enfermeiro que chegara para aplicar-lhe o soro antiofídico que lhe fora receitado pelo médico do SUS celestial.

A conversa durou pouco mais de meia hora, mas custou quase nada: afinal, ligações locais, de paraíso para paraíso, hoje são quase de graça.

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(O presente texto compõe o livro OLÁ, COMO VAI?, deste colunista, no aguardo de uma Editora interessada na publicação. Alguém sugere?).

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ÓCULOS DE GRAU

Não mais que meia centena de real por cada par. Era quanto Xico pagava por eles em uma das várias farmácias ao redor de sua casa. Comprava-os aos montes. Um, para cada cômodo da casa. Assim é que tinha óculos na sala, no escritório, na varanda, no banheiro e até na cozinha, além dos que sempre carregava pendurado ao pescoço e no console do carro. Nada como ser previdente. Mantinha também um estoque para quando um deles quebrasse. De tudo lia, de outdoors a classificados de jornais. Tudo que lhe caísse às mãos, tivesse letras, seria objeto de leitura.

Xico nunca havia visitado o consultório de um oftalmologista, contrariando os conselhos de sua mulher que insistia que o fizesse. Afinal de contas, um olho poderia ter uma necessidade diferente do outro e aqueles de farmácia tinham o mesmo grau nas duas lentes – dizia ela. Seu método pragmático de escolha consistia em, na farmácia, experimentar os exemplares à venda, pedir uma bula com a menor das letras e, conseguindo lê-las, já seguir para o Caixa. Certo dia, não mais resistindo aos insistentes apelos de sua ‘dona’, foi ao médico aferir sua deficiência visual. Para surpresa de todos, menos dele, Xico teve confirmado os graus de que necessitava para exercer seu hobby de leitura: 3,5 em cada olho, por igual. Exatamente os que ele estava a usar.

Na volta para casa, como que referendando a confirmação médica, deu uma paradinha na farmácia e comprou 5 unidades de óculos expostos à venda: todos com 3,5 em cada lente. Afinal de contas, custa apenas 50 prevenir-se e cuidar da vista.

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