XICO COM X, BIZERRA COM I

A última vez que me vi eu estava meio desarrumado. Tinha acabado de chegar de Gravatá, cansado da viagem (afinal de contas faz tempo que fiz 20 anos), cabelos em desalinho, olheiras, dores espalhadas do cangote ao mocotó. Atribuir a culpa ao tempo não é apenas uma desculpa: o tempo, sim, é o árbitro da vida, juiz determinante de tudo o que acontece no nosso corpo, na nossa vida. Apenas isto. O tempo cumpre, sisudo e inflexível, sua missão administrando o relógio de areia, sua inexorável ampulheta. Um banho era a alternativa para a desejada reanimação de um homem baqueado. E assim foi, não sem antes dar uma bicada na cachacinha com caju na garrafa que meu parceiro/amigo Leninho de Bodocó me mandou lá das terras próximas ao Exu.

O DOUTOR RECOMENDOU

Por recomendação médica, sei que é salutar uma cachacinha antes do banho. Obediente que sou, assim procedi: enrolei a toalha no pescoço, eram 9 da manhã, fui ouvir o xará Buarque de Holanda e lá pras 5 da tarde chegou a hora de tomar meu banho. A garrafa estava quase seca. O doutor não pode reclamar: segui à risca sua orientação e bebi apenas antes do banho. Corpo são, cachaça longe, cheiro botado, homem refeito.

QUASE NOIVOS, CASAMENTO À VISTA …

Dia seguinte, recuperado – graças ao chuveiro e à água-benta ingerida, voltei a Gravatá, com muita saudade de minha pata-de-elefante, teimosa, que vive a cortejar o pé de manacá de minha mulher, florado à sua frente. Acho que, mais dia, menos dia, vai dar namoro. Se é que já não deu. Sei lá! O luar de Gravatá é parceiro do amor e alcoviteiro juramentado …

Um comentário em “VAI DAR NAMORO …

  1. E eu, pobre de mim, que não bebo álcool? Nunca bebi? E vou sempre a Gravatá. Como faço, depois de uma crônica dessa?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *