Quando em 1986 publiquei um livro em que constava a relação de 532 nomes de funcionários de uma empresa bancária, tive a ideia de algum dia relacionar os mais simplórios, pouco comuns e até espalhafatosos. Quase impróprios, digamos assim.
Alguns tipicamente estrangeiros, mas valeu.
Depois de iniciar a pesquisa descambei para outras denominações que não estavam ligadas à relação do Banco e resolvi reunir tudo isso numa crônica, justificando algumas situações.
Fui criando uma lista. E sempre que vejo alguma denominação “diferente” faço anotações. Chamam-me a atenção aqueles nomes que são esquisitos, excêntricos, extravagantes, heteróclitos ou mesmo ridículos. Em suma: pouco comuns.
Fui acrescentando, à medida do passar dos tempos, nomes de identidades oficiais de cada cidadão. Depois descambei e anotei até os que ouvi falar. Mesmo sem comprovação
Sabe-se que nos dias atuais, por lei, não são mais permitidos os registros em cartório de nomes estrambólicos, embora ainda constem nos livros das igrejas e representem pessoas que foram batizadas há mais de cinco décadas.
O certo é que mesmo proibidos fui encontrando e selecionando entre pessoas com mais de 50 anos, nomes que vieram a ser registrados, enquanto a lei ainda não existia.
Hoje fico pensando na grande responsabilidade dos pais ao batizarem seus filhos com nomes assim tão diferentes, porque o pobre terá que amargar essa diferença para toda a vida. Vejamos:
Adelblanda de Arruda Palhares
Adelzírio Neves Romano
Ali Kamel Moreira Barros
Alucinética Honorata do Rego
Aluízio Periquito de Oliveira
Américo Menezes Beltrão
Ana Cearina dos Santos Albuquerque Maranhão
Anélia Barbuda de Souza
Aprovinaldo Regente de Barros
Ariano Vilar Suassuna
Atanásio Francisco Barbosa
Austriclínio Borba Clemente
Ava Gina dos Santos
Abrilina Dilma da Silva Moura
Baden Powell da Silva
Benevaldo do Rego Cunha
Beroaldo Melo dos Anjos
Boaventura Bonfim
Bromélia de Jesus Marques Reis
Carlota Joaquina de Miranda Sales
Cicinato Dias de Miranda
Claudemário Nicácio Melo Ramos
Claudonir Luiz Manderico
Clidenor Ferreira da Silva
Corbiniano Lins
Deuteronômio Batista de Jesus
Dimitri Silva Neves
Dix-Sept Rosado Maia (número 17 em francês)
Dudanildo Sérgio de Melo
Dumriê Bezerra de Vasconcelos
Durango Kid de Paiva
Ederino Marques dos Reis
Edis Sakurai
Eleutério Proença de Gouvêa
Estephania Maria de Nazaré Moura Bezerra
Fagundes Varela da Silva
Florisbela Mercedes Borges
Florismelo Clemente de Barros
Florismundo Machado de Almeida
Flósculo José de Freitas Filho
Francis Hime de Melo Cunha
Gildécio Vasconcelos Selva
Garibaldi Quirino
Haviland Matheus Lopes
Helenina Haras Melo
Hermenegildo Soares Pinto.
Herven Feitosa de Lira
Ibanez Correia Primo
Ildenê Barros
Irvarlindo de Albuquerque Souza
Joacir de Medeiros Lopes
João de Deus Maria Gomes
João Pacífico Galvão
John Ford de Pedreiras
José Carloman Silva
Juvacatre Severino Souza
Kedma Barbosa Lira Magna Maria Viana
Lino Moreira da Silva Filho
Madilene Gomes Freire
Magnovaldo Severino de Souza
Manicobel Lages Regis
Maria Perpétua dos Anjos
Miguel Inocentado da Silva Cordeiro
Milvernes de Melo Lins
Mirocem de França Navarro
Neucatécio Normando Dias
Niagri de Carvalho Selva
Norivaldo Ferro da Silva
Numeriano Sales Lino
Pedro Iluminato de Medeiros
Phídias Galvão dos Santos
Querência de Nezinha Costa
Sandra Rosa Madalena
Sansão Sincaretto
Ufanildo Regente dos Ramos
Uneide Maia da Silva
Uynajá Jorge da Mata
Valeriano Augusto de Paiva
Vandevelde Marinho Neto
Vingt-un Rosado Maia
Walfridônio Cebola da Silva
Zanoni Mesquita Pimentel
Zylailton Neves Bria.
Ainda hoje me ufano de ter sido batizado com um nome tão simples, tendo papai escolhido tal identidade de um livro de Eça de Queiroz: “Os Maias”: Carlos Eduardo.








