Ao ler sobre acadêmicos e fardões, em notas contidas numa crônica de Ariano Suassuna, lembrei-me de um fato singular.
Ao receber uma ata para revisar, membro de uma confraria de letrados assinalou a necessidade apenas de completar com um simples circunflexo, a palavra “Antônio”, que várias vezes ali estava citada.
E lhe respondeu:
– Diante de tamanha magnitude redacional contida em ata tão bem escrita, quem sou eu – reles escriba – para me dirigir ao insigne mestre do Direito, membro-mor de nossa Academia, alertando-o que o “sistema corretor do computador” está lembrando que: “Antônio tem circunflexo”. Deus me defenda!…
O presidente da não referida Academia, considerado excelente dominador do vernáculo pátrio, ao receber o que lhe pareceu um “insulto ortográfico” contido na ata em revisão, que assinalava a necessidade de acrescentar um circunflexo nos nomes de Antônio, ali várias vezes citado, devolveu esta lapada:
– Qual dos Antonios? Dos que conheço, Antônio Pacheco Feitosa tem circunflexo, mas Antonio Porfírio da Silva não tem. São nomes próprios e o acento depende do tabelião que lavrou as notas do Registro Civil de cada um deles.
Agora lascou-me!… pensou o revisor, devolvendo o petardo:
– Terei que indagar junto aos “proprietários” dos nomes. Porém, tenho a certeza de que Antônio, com ou sem circunflexo, é Antônio, tanto aqui quanto na Baixa da Égua.