CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

DR. VALDEMAR VIVE!

Decorridos mais de 70 anos que nos vimos pela primeira vez, no auditório do Teatro do Atlético Clube de Amadores, Dr. Valdemar de Oliveira permanece vivo em minhas melhores lembranças.

Eram 9h da manhã, do dia 15 de julho de 1953, quando muitas pessoas se aglomeraram no Aeroporto Militar do Ibura, no Recife, a fim de ver a partida do voo fretado que levaria a equipe do Teatro de Amadores de Pernambuco ao Rio.

Na pista, o Douglas DC-3 – PTA – (Papa Tango América) da Aerovias Brasil, de pescoço levantado, demonstrando altivez – em posição bem diferente das aeronaves de hoje, que podem ficar paradas na horizontal.

No Plano de Vôo: Recife-Rio de Janeiro, com parada para almoço em Salvador.

Eu tinha apenas 15 anos e me preparava para o que se assemelhava a uma grande aventura. Ficar longe de meus pais pela primeira vez; voar, que sempre fora meu desejo de criança e me apresentar como autêntico artista de Teatro, em palco da Capital da República, o Teatro Regina. Uma consagração!

Logo estávamos subindo a escada do avião e ocupando nossos lugares. Surge a primeira surpresa: os assentos inclinados. Distinta moça da companhia aérea distribui chumaços de algodão e me explica que servem para diminuir o ruído dos motores.

Ouve-se um estampido e pela janela vi fumaça saindo de um dos motores. Fiquei apreensivo, mas logo calmo, pois, Dr. Valdemar me explicou o porquê.

O Douglas taxia, acelera e vai levantando vôo calmamente. Começo a ver as casas ficando lá embaixo bem pequenininhas e as pessoas se tornam apenas pontos na paisagem.

O bicho toma o rumo do Atlântico, altaneiro, mas voaria sempre por baixo das nuvens, nos permitindo ver um espetáculo surpreendente, dos rios, montanhas, cidades e aeroportos.

Depois de poucas horas, pousamos em Salvador para o almoço. Pareceu-me um daqueles que oferecíamos aos visitantes americanos, em Boa Viagem, galegos ligados ao City Bank, meu local de trabalho.

Um banquete onde se acomodaram cerca de 25 pessoas. Nas mesas as bandeirolas da Aerovias Brasil para marcar os lugares.

Novamente no ar, mais uma aula com o professor Valdemar. Sobrevoavamos o estado do Rio de Janeiro,a cidade de Campos do Goitacazes, quando vi quadros de terra como se fossem pintados no chão.

Avião bimotor da FAB, modelo semelhante à aeronave em que este colunista voou

Fui à poltrona dele e perguntei o que era. Calmamente levantou-se, veio para a janela do meu lado e explicou que eram campos cultivados.Cena que jamais esquecerei.

Cerca de quatro horas depois de nossa partida do Ibura, sobrevoavamos as águas da Baia de Guanabara até desembarcar no Aeroporto Santos Dumont.

A partir daquele instante pude transpor os limites do sonho que hoje se transformou no mundo submerso de minhas saudades.

O Teatro de Amadores, meus colegas de cenas na peça “Sangue Velho”, D. Diná e Dr. Valdemar, o “Tio Velho”, personagem que era meu “pai de criação” na peça lançada no Teatro Regina, se tornaram pessoas inesquecíveis.

Sobretudo Dr. Valdemar, que permanece em minha mente, como o título que os médicos da Sobrames deram à homenagem post-morten representada pelo livro titulado: “Valdemar Vivo”.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

UM SODALÍCIO DE VERDADE

De início é preciso relembrar que a palavra sodalício é originária do latim – sodalicium – e que segundo os dicionários é local de convivência, camaradagem, onde se tem companhias agradáveis, se aprende e se faz amizades duradouras.

E para autenticar que este jornal é verdadeiramente uma gazeta escrotíssima, porém instrumento patriótico capaz de combater incessantemente políticos de má índole, começamos pelo cabeçalho – que tecnicamente chamamos de: Expediente – mas aqui se trata do identificatório pessoal curricular do Editor Luiz Berto Filho:

Trata-se de um cabra sério – quando está dormindo – mas se apresenta, no cotidiano, como um especialista em generalidades, “peruador” sem compromisso – a não ser quando tem que levar o filhote João à escola, pois sendo aposentado, assume, com o peito em festa e a boca a gargalhar, a missão de “transportador escolar”, aliviando as tarefas de sua dedicadíssima esposa, Aline.

Diz-se, ainda, dono de currículo “esculhambatício” e sem qualquer evidência digna de aplauso, pois se sente azeitador juramentado do eixo do sol, gosta de ensacar fumaça, inspirou uma tal “presidenta” nas várias modalidades de ensacamento automático, há anos gosta de ser fiscal de feiras e se considera renomado ex-cachacista.

Agora vamos tirar a curiosidade de muitos leitores sobre o título deste periódico: “Jornal da Besta Fubana”. Isto é lá título de jornal?!

Já li “A Mutreta”, “O Azucrinador”, !O Sombra” e até um escrotíssimo, editado pelo Sindicato dos Bancários: “A Tocha”, cujo slogan publicitário era: O que os outros jornais não veiculam A Tocha traz.

No interior do Brasil, existia uma lenda sobre a Besta Fera, uma espécie de aberração que punia os cristãos em atitudes de heresia. Alguns passaram chamar essas pessoas de Bestas Humanas, o próprio Satanás dos Infernos.

E como nosso fundador, Luiz Berto é cheio de invencionices – veja-se, a propósito, seu livro “Memorial do Mundo Novo” – e ao agrupar intelectuais para compor um jornal diário, uma especie de “gazeta vale tudo” – sendo já autor de premiadíssimo livro: “O Romance da Besta Fubana”, a gazeta tomou este nome.

Mas, entrevistando-o sobre isso, fiquei sabendo que esse nome ele aprendeu com sua avó – D. Menininha – braba que só a peste e quando Berto fazia uma trela ela gritava:

– Esse menino tá com a Besta Fubana no couro!

Por isso – disse-me Berto – desconfio que essa referência tem alguma relação com a “Besta Fera”, pois eu escutava muito os matutos falarem isso nos tempos de minha saudosa infância em Palmares.

E assim, quando resolvi criar um blog diário o título já estava pronto. Mas antes já existia meu livro: “O Romance da Besta Fubana”, premiadíssimo, tanto que fui lançá-lo na Academia Brasileira de Letras; fui receber outro prêmio em São Paulo, na União Brasileira de Escritores e até entrou na lista dos mais vendidos, em vários estados do Brasil.

Na sequência veio também o Bloco da Besta Fubana, que saia aqui no Recife, concentrando-se os carnavalescos na Praça de Casa Forte, em frente ao Bar Largura, muito conhecido; ali naquela rua que passa nos fundos da praça.

O jornal, mesmo com esse nome doido, já me deu inúmeras alegrias porque foi citado por grandes nomes da Imprensa brasileira – por exemplo: Augusto Nunes, então diretor e colunista da revista Veja, que reproduzia textos que o jornal publicava.

Isso alargou a penetração do blog, que passou a ter leitores em vários pontos do País. Recebemos muitos comentários do exterior, além de gozar do privilégio de ter colunistas de talento nas áreas da ciência, artes, letras e humorismo… e do escrotismo, pensei eu.

Sobretudo se trata de mídia atuante, como sendo uma tribuna de grande valor na defesa dos valores mais legítimos do povo brasileiro. Baixamos o cacete nos malfeitores da Nação, sem pena!

Sem falar em nossa equipe que diariamente publica as mais notáveis irreverências, vale aproveitar a deixa para ilustrar esta crônica com alguns comentários de Luiz Berto, para nós históricos:

Nos tempos em que era uma publicação séria, a revista Veja tinha dois grandes nomes entre os seus colunistas Ricardo Setti e Augusto Nunes.

Naquela época, tempos da primeira fase do JBF, os dois descobriram a existência desta gazeta escrota e, de vez em quando, citavam e indicavam matérias nossas em suas colunas naquela revista.

Clique aqui e veja uma postagem de Augusto Nunes na Veja, feita em março de 2015.

E pelos fatos ligados ao Editor e suas obras, vê-se que o Jornal da Besta Fubana é obra escrotificada, mas que só cheira, caracterizando-se como um blog que atrai as pessoas, forma grupos e constroi amizades.

E eu, ainda na categoria de leitor com sequelas da vacina escrotificante, acabei sendo aproveitado, a fim de brilhar com os demais astros do jornalismo patriótico brasileiro nesse jornal que na verdade é um sodalício de verdade!

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

UM MARCO DE AMIZADE

Já se disse que o ser humano por sua natureza gregária, pelo sentido irrefreável de aproximação entre si parece ter sido destinado à vivência em congregações.

Em momento algum deixamos de ampliar os limites da família, procurando preservar o espírito associativo.

Jamais deixamos de ter nossas vistas voltadas para a interação social, esportiva, cultural, assistencial e até espiritual e isto foi o motivo da criação de tantas associações.

E em meio a esses grupos que se formaram sob a aproximação através deste jornal – que na verdade é um sodalício de intelectuais – criamos amizades com raízes profundas e sólidas, que se têm prolongado até o final dos tempos de cada um de nós.

Sobre esta influência do JBF em nossas vidas, está na prancheta uma crônica para os próximos dias.

Dessa convivência com a turma do jornal conheci (e me foi permitida a aproximação de perto, bem ao estilo familiar), Luiz Berto Filho, nosso “Comandante em Chefe”, por quem já desfruto de amizade intensa, inclusive com Aline e João.

Mas, outros amigos surgiram à distância. Gente que nem conheço a não ser pelas mensagens que trocamos, a semelhança das ideias e dos ideais.

Fui encontrar em Phillippe por exemplo, pernambucano que se radicou no Rio de Janeiro, um dos leitores que até fazem minhas revisões; em São Paulo, já coloquei Zanete no pódio dos meus melhores amigos; em Fortaleza o Dr. Boaventura Bonfim foi homenageado com uma de minhas crônicas e pelo Recife vários outros me dão a honra de serem considerados amigos e que irei comentar em outra oportunidade.

Já formamos, assim, “A Família JBF”.

E em respeito aos anônimos que comentam meus escritos nestas folhas, escolhi um para dele falar: Marco Aurélio Pires Caminha.

Ele não perde uma só publicação sem emitir comentários, o que muito me anima, pois – como diria Nilo Pereira: As opiniões dos leitores ou uma simples referência se constitui a remuneração pelo nosso trabalho.

E, se o comentário do leitor é para nós animador, mais ainda deve sentir-se ele ao se tornar personagem de uma crônica, como já o fiz com o Desembargador Boaventura Bonfim, meu novo fraterno amigo, de Fortaleza.

E como o título desta Coluna, é “Crônicas Cheias de Graça”, homenageio o leitor Marco Aurélio com estas notas, contando um fato que parece um “causo”, e fará parte de sua autobiografia, ainda nem alinhavada, embora, devo lembrá-lo que tal escrito será um patrimônio imaterial para seus descendentes.

Ouvi de Luiz Carlos – nosso amigo comum – uma mutreta de seus colegas de trabalho pra lhe pregar uma peça, semanas antes de seu casamento com a bela Consuelo (aliás, a única mulher com quem ele se consorciou até hoje), coisa rara em nossos dias.

Aproxima-se o momento histórico. Aquela inquietude natural. O “bafafá” dos preparativos: confirmar a decoração da igreja, apressar o alfaiate que confeccionava o terno, lembrar a costureira de detalhes do vestido da noiva, coquetel e os acertos finais para a Lua de Mel.

Cabeça do noivo a mil.

Trabalhando no setor de Folha de Pagamento, tinha amizade com todos, sobretudo porque tirava do sufoco muita gente que precisava; até carregava uns para proctologistas e até benzedeiras.

Diagnosticado com profunda revolta face aos boatos que corriam solto, denunciando que ele namorava com uma velha jornaleira que o chamava de “Meu Lindo”, sabia que estava próximo de se livrar de tudo aquilo, ao casar-se.

A escolha do presente de casamento foi a própria mutreta pra lhe pregar uma boa peça.

Como eram funcionários de um Banco, conseguiram na Tesouraria o valor de Cr$ 1.000,00 em notas de 1 Cruzeiro. Como na época mil cruzeiros era dinheiro pra danado, imagine-se em “tijolos” de Cr$ 1,00 (um cruzeiro) que volume!

Na véspera, tendo a temperatura emocional subido mais ainda, o encarregado da entrega foi fazê-lo na casa da noiva e no momento fatídico recomendou que ela só abrisse a pesada caixa embrulhada com papel-presente, quando o noivo chegasse, porque se não estivesse bem ao gosto do casal a “Comissão Presenteante” poderia trocar.

Quando abriram foi aquela risadaria. Depois da Lua de Mel, ao retornar das férias, segredou ao “Entregante” que o valor que lhe foi presenteado muito ajudou nas despesas casamentícias.

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TARZAN – MITO DA INFÂNCIA

Johnny Weissmuler, o Tarzan

Há momentos da infância que de tempos em tempos povoam nossos instantes na fase adulta, os quais expressam épocas bastantes distintas.

De fato não posso comparar as maravilhosas histórias cinematográficas protagonizadas pelo astro Johnny Weissmuler, o inesquecível Tarzan, que protagonizou o personagem do escritor norte-coreano Edgar Rice Burroughs, criado em 1912.

Para os meninotes de minha época, Tarzan era o máximo e não posso nem compará-lo com os filmes de Indiana Jones ou os notáveis jogos que diariamente surgem hoje nas telinhas dos smartphones, através dos quais as crianças ficam fascinadas.

Tarzan era um personagem que durante mais de 10 anos, (de 1932 a 1948), dominou minha imaginação, quando – aparecia nas telas do Cinema Eldorado, aos domingos.

O menino criado nas matas se tornou, pela força do imaginário, o Rei das Selvas. Pegava os jacarés “na tora”, chamava todos os animais com seu grito característico, tinha u’a macaca que era seu guarda-costas, uma linda companheira – Jane – e o filho Boy.

Mas, depois de 1948 começaram a aparecer os substitutos de John Weissmuler – um tal de Lex Barker – que tirou todo o encanto do personagem que nos acostumamos a apreciar.

Johnny, era um ex-campeão olímpico de natação, homem alto, fisionomia de expressão máscula, que imprimia entusiasmo às crianças.

Ainda hoje tenho saudades do Tarzan que falsamente interpretei, quando dava mergulhos no Capibaribe, depois de uivar como o Rei das Selvas, mito de minha infância.

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GRAVADO NAS ESTRELAS

Otacílio Venâncio

Nós, historiadores, sempre executamos trabalhos de pesquisa e redação para publicar livros, com vistas a uma realização pessoal pois desejamos integrar fatos e personagens à História do País.

Biografar pessoas foi tarefa para a qual me venho empenhando profissionalmente há mais de 40 anos, sempre com a certeza de que vou complementar pedaços importantes de circunstâncias históricas ligadas à minha cidade, o Recife.

Vendo um vídeo sobre uma canção composta por Arnaldo Black e Carlos Rennó para a cantora Tetê Espínola, vídeo que está no final desta postagem e que “estourou” nos anos 80 e há poucos dias, “do nada”, voltou às paradas – Estava escrito nas estrelas – lembrei-me de comentar.

Refiro-me ao sucesso de um dos meus livros, publicado em 2009, a biografia do amigo Otacílio Venâncio.

Que há um bom tempo teve seu valor quase triplicado numa loja virtual, onde com frequência faço compras.

Arnaldo, Tetê e Rennó

Durantes anos, a partir de 1994, promovi a personagens históricos:

O cantor Claudionor Germano, o compositor Capiba, o médico Francisco Simões, o industrial Luiz Ignácio Pessoa de Melo, o vereador Biai, o industrial Pedro Moura Jr., o desportista Pedro Bezerra Cavalcanti, o comerciante Miguel Medeiros Filho, o advogado José David Gil Rodrigues, o padre João Carlos Ribeiro Rodrigues, o contabilista Manuel de Freitas Cavalcanti e outros, que formam uma lista com 32 pessoas, nomes que dessa forma, se tornaram ainda mais relevantes na História de Pernambuco.

Desde 1958 fiz amizade com Otacílio Venâncio, personagem que se tornou ícone na sociedade pernambucana, exercendo cargos de Diretor Social e Presidente de vários clubes de Pernambuco, dentre eles o Náutico, a AABB, o Português e o Internacional, durante mais de 30 anos.

Foi uma biografia que fiz com o gosto de quem retrata um irmão, porque sempre fomos muito próximos. Durante as pesquisas e entrevistas que obtive com várias pessoas, vivi novos momentos adoráveis, porque só ouvi elogios a ele, pessoa que sempre se dedicou a ajudar os outros.

Dentre os fatos incomuns que ressaltam sua personalidade temos a estreia de sua biografia. Quando estávamos na fase de planejamento da festa ele decidiu doar o livro aos 215 convidados que comparecessem à Noite de Autógrafos memorável, ocorrida no Salão Nobre do Clube Internacional do Recife, em outubro de 2009.

Há poucos dias, procurando um livro para comprar, através da Estante Virtual, encontrei sua biografia ao preço de R$ 134,32, o que para o autor foi um espanto, sobremodo por ser considerado “livro raro”.

Diante do fato, autenticando que tal livro permanece mais valorizado do que o preço original de venda nas livrarias, para um volume com 386 páginas, na época: R$ 50,00, me lembrei de uma frase dele, durante uma das entrevistas:

– Carlos Eduardo, este livro vai ficar gravado nas estrelas!

A interpretação de Tetê:

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UM BRIGADEIRO DE VERDADE

Marechal do Ar Eduardo Gomes

Seguindo a rota das inclinações políticas de meu pai, posso refletir sobre aquele Ontem, quando havia homens de valor se apresentando para exercer atividades políticas, através do voto. Pessoas em que se votava, cientes de que trabalhariam pela pátria com honradez e competência.

Quando eu já havia atingido a juventude, fui com meu velho ao Aeroporto Internacional do Ibura, no Recife, receber o Major-brigadeiro Eduardo Gomes, militar de indiscutível qualificação administrativa e moral, ex-comandante do II COMAR, um dos fundadores do Correio Aéreo Nacional e líder da UDN – União Democrática Nacional.

O Brigadeiro, como se tornou mais conhecido, fora duas vezes Ministro da Aeronáutica, na era Vargas e retornava a Pernambuco em campanha política, pois se candidatara à Presidência da República.

Sua campanha no Sul teve um toque de classe. Senhoras da alta sociedade carioca, esposas dos seus eleitores, criaram um tipo de docinho para vender e amealhar fundos, a fim de suportar as despesas de propaganda.

Brigadeiro, o docinho famoso

Naqueles anos as campanhas eram custeadas pelos próprios eleitores.

Como era uma novidade, passaram tais guloseimas a serem conhecidas com o nome de “Brigadeiro”, marca que permanece até os nossos dias, sendo indispensáveis em festinhas infantis.

O entusiasmo por Eduardo Gomes era tão significativo que, sendo Pernambuco um dos estados que mais vibração despertava, aqui se juntaram vários coronéis da antiga “Guarda Nacional” – os célebres mandachuvas latifundiários do Agreste e do Sertão – em sua maioria bem aquinhoados, que apoiaram a iniciativa.

Antes da chegada do avião de carreira, o Coronel Veremundo Soares e vários correligionários se juntaram diante de uma automóvel marca Chevrolet, novíssimo, e tiraram fotografias.

Ao pisar novamente no solo do Recife, onde havia trabalhado por vários anos, foi saudado com entusiasmado discurso de Veremundo, ofertando-lhe o veículo para a campanha.

Depois do breve discurso em que agradeceu discretamente, deu ordens para que após a campanha se mandasse pintar o carro e integrá-lo ao COMAR.

Três meses depois o Diário de Pernambuco publicou reportagem com uma foto, mostrando o “Cheba” da cor de “burro quando foge”, devidamente emplacado com chapa branca, indicativa de patrimônio nacional.

Brigadeiro manda incorporar Chevrolet ao patrimônio da Aeronáutica.

Eduardo Gomes, que anos mais tarde foi promovido a Marechal do Ar, não venceu a eleição, mas deixou um exemplo de moralidade. Em 1975 recebeu a Medalha São Silvestre, único militar latino-americano condecorado pelo Vaticano. Com sua morte, muitos anos depois, tornou-se Patrono da Aeronáutica.

De fato, hoje não se faz mais Brigadeiros como antigamente: um Brigadeiro de verdade!

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MINHA IMAGEM DE JESUS

Estátua de Jesus, em Salt Lak City

Nestas notas saliento que embora caracterizado pela mesma titulação – Crônicas Cheias de Graça – manterei o foco, no tema religioso, não no pitoresco, como costumo fazer.

Ainda não escrevi sobre minhas viagens através das terras Norte-americanas, porque preciso ter tempo para juntar muitas notas pois pretendo escrever um livro a respeito.

Aqui me refiro às imagens de Jesus. Uma que me apavorou, outra que me encantou.

Quando aos sete anos vi uma procissão do “Senhor Morto”, quando u’a multidão de católicos saia da Igreja Matriz da Boa Vista, aqui no Recife, e o andor passou bem pertinho de onde eu estava com minhas tias, me apavorei.

Ao ver a figura de Jesus Cristo todo ensanguentado, fechei bem os olhos e apertei as mãos de tia Laura. Em seguida comecei a gritar, apavorado, pedindo para ir para casa, pensando que os bandidos que haviam feito aquelas maldades com o crucificado poderiam vir também nos atacar.

Durante todos os anos de minha vida jamais apreciei as imagens de Jesus ensanguentado. Fiquei traumatizado.

Mais adiante, já adulto, fiz minhas orações diárias diante de uma imagem da Santa Terezinha do Menino Jesus, de quem sou devoto. Continuei a sofrer o trauma da imagem de Jesus ensanguentado.

Somente setenta anos depois, ao visitar a cidade de Salt Lake City, capital do estado de Utah, nos Estados Unidos, para onde fui levado por Eliane e Jack Lawrence, um casal de amigos, pude apreciar a imagem que me pareceu a mais real do Nazareno.

Estávamos na Roma dos Mórmons. Sede mundial da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, localizada no centro da cidade. Fomos visitar o Templo e a primeira grande surpresa foi ficar diante da imagem de Jesus Cristo, num pedestal, coberto por um manto sagrado e de braços abertos como forma de dar Boas Vindas aos visitantes.

A Praça do Templo tornou-se a atração turística número um em Utah e atrai milhões de visitantes todos os anos. Ali fomos encontrar o lar do Coro do Tabernáculo Mórmon e dois centros para dar assistência aos visitantes.

Na mesma área, visitamos os edifícios do Memorial Joseph Smith, os escritórios da Igreja, a Administração e o edifício da Sociedade de Socorro. Todos os demais prédios são usados para os escritórios dos departamentos da Igreja e da liderança geral.

Ao norte da Praça do Templo está o Centro de Conferências — um auditório com 21.000 lugares, um dos maiores do mundo. Ele é usado para as reuniões semianuais, assim como transmissões frequentes de conferências em circuito fechado para grupos de membros específicos em diferentes partes do mundo.

Outra grande emoção foi visitar a Biblioteca de História da Família — a maior instalação genealógica do mundo — e o Museu de História e Arte da Igreja. Ali fomos recebidos por voluntários e fiz questão de doar um dos meus livros, percorrer todas as instalações, além de deixar as os registros sobre nossa família residente no Brasil, para completar a genealogia, uma vez que alguns dos meus descendentes são mórmons e residem na América.

Em outra viagem, quando visitei Phoenix, no Arizona, fui levado por minha neta Maria Eduarda, a conhecer o tempo na cidade de Mesa, onde recebi fotografias de Jesus Cristo, em várias situações.

Naqueles momentos jamais pensei no Nazareno como um personagem vencido, castigado; com o corpo sangrando, como se um bandido causador de danos à sociedade do seu tempo.

Fixei na mente, para sempre, a imagem do Jesus Cristo Homem Salvador.

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TRANSITORIEDADE DE INSTANTES

Durante uma recepção no Palácio do Campo das Princesas, há um bocado de tempo, fui apresentado ao Dr. Ronaldo Cunha  Lima.

Nosso Padrinho de Apresentação, Mota Menezes, arquiteto e historiador, aproveitou para dizer que conhecer um poeta sonetista era uma dádiva divina, quanto mais sendo político, advogado e administrador público.

A conversa fluiu e ficamos sabendo que tínhamos nascido no mesmo ano de 1936, quase no mesmo mês: ele em 18 de março e eu 18 de junho. A coincidência nos fortaleceu a camaradagem.

Ronaldo soltou logo um daqueles seus sorrisos tradicionais, e para inaugurar a entrevista casual, emendou com uma filosofia de Vinícius de Morais:

“A amizade é um sentimento maior do que o amor porque permite que o objeto dela se divida com outros afetos.”

Desejei entrevistá-lo, visto que era meu ofício e ali estava em missão do Diário de Pernambuco, numa noite de gala, cujo salão estava com muitas pessoas importantes.

Eu estava na missão de repórter, mas, para ser ético, apelei para um artifício: a ajuda de um paraibano que estava com ele, o Elpídio Jr., que fez a foto desta crônica.

O poeta, sempre ocupado, apertando mãos das muitas pessoas que chegavam perto do nosso grupo, me levou a entrevistar o fotógrafo, sobre a trajetória política, de quem ele parecia conhecer bem.

Fale-me sobre o homem-político, solicitei.

Governador da Paraíba, Senador, Deputado Federal, Vereador, Prefeito de Campina Grande e Deputado Estadual por dois mandatos. A partir de 1969, deixou temporariamente a política e foi advogar em São Paulo. Ao retornar, elegeu-se novamente Prefeito de Campina Grande.

Qual o momento interessante que ele viveu ou a poesia que eu poderia abrir minha reportagem?

São tantas, meu amigo que é difícil pautar, mas posso citar suas frases mais notáveis:

“Minha vida tem a transparência dos cristais.

Tenho como fórmula viver a vida pelos olhos da alma e pela janela do coração

A fé é uma fonte que se alimenta do eterno. Nela os homens se revigoram para a travessia das solidões e dos desertos da vida.

A vida é uma eternidade de sonhos na transitoriedade dos instantes.

Entre nós, as mãos dadas são tão dadas que não são notadas que são duas.

Entre nós, as palavras são tão poucas que nossas bocas só dizem duas: Meu amor!

Quando uma das duas vezes em que foi Prefeito de Campina Grande, mandou fixar um verso:

Campina Grande, sorrindo,
abre as portas da cidade.
Ao chegar seja bem-vindo
e ao partir leve saudade.

Guardei um recorte de jornal com esta interessante historieta, fato que terminou sem um único arranhão no piloto e passageiros:

“Anoitecendo. Ronaldo, os políticos Humberto Lucena e Antônio Mariz estão num pequeno avião rumo a Cajazeiras. Em certo momento o piloto anuncia falha nos instrumentos da aeronave. Teria que fazer um pouso forçado num descampado. Ronaldo cai na gargalhada.

O Senador Humberto Lucena reclama:

– Deixe de histerismo Ronaldo. Nós vamos cair e você fica rindo dessa maneira!

E ele respondeu:

– Eu só estou rindo porque imagino as manchetes dos jornais da Paraíba, de amanhã: “Cai avião e só Ronaldo escapa!”

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

ARTISTAS DO RÁDIO

Equipe de artistas da PRA-8, em 1947

Sentados: Dorinha Peixoto, Ziul Matos, (cujo nome era Luiz Campos) Dantas de Mesquita, Abílio de Castro e Mercedes del Prado. De pé: Fernando Castelão, Rildo Uchoa, Oswaldo Silva, Hélio Peixoto e Tavares Maciel, todos do “cast” da Rádio Clube de Pernambuco. Foto no “Palácio do Rádio”, em 1946.

O programa de Rádio brasileiro mais conhecido nos anos 1950 foi o “Repórter Esso”, noticiário que cobrindo boa parte do País dava incomum prestígio às várias emissoras que o transmitiram por quase 30 anos.

Os jornalistas e locutores eram considerados artistas e suas fotos podiam ser encontradas nos jornais, na “Revista do Rádio” e nas famosas Estampas dos Sabonetes “Eucalol”.

Em 1948, quando eu tinha uns 10 anos, fui seduzido pelos vários programas da PRA-8 – Rádio Clube de Pernambuco, único meio de comunicação sonora de massa que se sintonizava no Recife. Por isso me empolgava ouvir aquelas vozes maravilhosas. Era um alumbramento!

Linguajares límpidos e sem erros de gramática eram ouvidos tanto nos noticiários, quanto nas radionovelas, ou anunciando as músicas e propagandas:

Pílulas de Vida do Dr. Ross:
pequeninas, mas resolvem.

No frio ou no calor “Chica Boa” é um amor.

Licor de Cacau Xavier: incomparável.

Aqui quem fala é Seu Kilowatt, o criado elétrico.

Naquele tempo se destacavam em Pernambuco as vozes de José Renato, Abílio de Castro e Fernando Castelão.

Se acaso sintonizássemos as Ondas Curtas, a fim de localizar as demais emissoras do Brasil e do exterior, era maior a vibração, porque se ouviam os locutores brasileiros que atuavam no exterior, dentre eles Aymberê e Luiz Jatobá, ambos da BBC de Londres.

Passei a ter o desejo de ser locutor de rádio. Vivia anunciando os programas da época como se ao microfone estivesse. Parecia um “peãozinho doido” andando por dentro de casa, com a boca próxima a uma lata de leite, para ter a impressão de que era um microfone. Várias vezes mamãe me ouviu falando no banheiro, local em que havia boa ressonância:

E agora vamos ouvir a “Crônica do Meio Dia”, escrita por Xavier Maranhão, na voz de Abílio de Castro.

PRA-8 – Rádio Clube de Pernambuco, Brasil, falando diretamente do Palácio do Rádio Oscar Moreira Pinto.

Amadurecendo, entendi que para ser um locutor primoroso era preciso ter voz de homem e não de menino, dominar bem o vernáculo, pronunciar com perfeição todas as palavras, não deixar transparecer sotaques de diferentes regiões. Para isso se exigia, também, a arcada dentária perfeita, mas eu era bastante dentuço, além disso, fanhoso. Por isso, adeus locução!

Por imposição do destino me dediquei à escrita em jornais, porém nunca deixei de admirar a locução dos grandes noticiaristas que passaram pelo Rádio pernambucano.

Recordo, para conhecimento das gerações atuais, os grandes locutores, apresentadores e atores das novelas do nosso Rádio, imortalizados por sua dicção perfeita, já a partir dos anos de 1960:

Abílio de Castro, Geraldo Liberal, Dantas de Mesquita, Fernando Castelão, Fernando Ramos, José Renato, Barbosa Filho, Aldemar Paiva, Ziul Matos, Samir Habou Hana, Paulo Duarte, Paulo Fernando Távora, Tavares Maciel, José Santa Cruz (recentemente falecido), Geraldo Freyre e Edson de Almeida, este, o locutor que durante 12 anos foi o responsável pela apresentação do “Repórter Esso”, o noticioso de maior audiência em Pernambuco.

A partir dos anos 1970 as emissoras do Recife passaram a oferecer mais jornalismo, esportes e prestação de serviços, ficando com as televisões os espetáculos de auditório, novelas, etc.

Foi o tempo em que apareceram as FM’s, e assim as emissoras de broadcasting tiveram que ser totalmente reformuladas. Em consequência, os melhores apresentadores do rádio foram saindo para a Televisão, dentre eles Fernando Castelão que batia todos os ibopes com o seu “Você faz o show”, no horário nobre dos domingos.

A partir de 1948, quando foi inaugurada a PRL-6, Rádio Jornal do Commércio, surgiram os incomparáveis: Etiene Rodrigues e Aluízio Pimentel, que concluiu sua carreira como locutor noticiarista na TV Globo.

Não realizei meu desejo de criança que seria o de me tornar locutor de Rádio, porém, aprendi a escrever notícias breves – como se fosse para o Repórter Esso – e hoje administro um grupo de comunicação, via WhatsApp, que denominei “Correspondentes Unidos”, interligando pessoas de vários lugares do País e até do estrangeiro.

Recordo, assim, o proveitoso estágio de Jornalismo na PRL-6, a Rádio Jornal do Commercio, onde recebi aulas para aprender a escrever, no padrão exclusivo exigido para o “Repórter Esso”, o mais famoso noticiário de todos aqueles tempos, no Brasil.

Assim os prefixos de radio jornalismo que eu vivia imitando na casa de meus pais, feito um doidinho, tiveram grande influência em minha trajetória, através das notícias escritas. E nunca deixei de entender que os locutores eram também artistas do Rádio.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

HISTÓRIAS DE PERNAMBUCO

Conselheiro Rosa e Silva

Durante a campanha para a eleição de Dantas Barreto contra Rosa e Silva, em Pernambuco, a coisa foi terrível, pois envolveu o então brioso Exército Nacional e sua Força Auxiliar, a Brigada Militar. Isso nos dias atuais seria espantoso.

Segundo notas da historiadora Dilva Frazão o Exército dava cobertura a Dantas Barreto e a polícia estadual era fiel a Rosa e Silva. A bala cantava solta na Capital e no interior, entrando na briga os “Coronéis Civis” que dominavam as maiores cidades do agreste e do sertão.

A fase do Coronelismo se iniciou com a criação da Guarda Nacional, quando os latifundiários aliados ao governo central recebiam o título de Coronel, para que exercessem o domínio em sua região.

Mas tudo isso não foi nada. O pior viria depois.

Se o valoroso soldado Dantas Barreto pudesse ver o que aconteceu no Recife para modernizar a cidade e homenagear sua memória, dando-lhe o nome de avenida e edificando um busto de sua figura emblemática, ficaria triste.

Constataria o tremendo “quebra-quebra” de velhos monumentos, que ocorreu, a fim de abrir os caminhos para o projeto de uma das mais importantes artérias do Centro da Capital: a Avenida Dantas Barreto. E certamente ficaria entristecido

Voltemos ao ano de 1940. Lá vem o jornalista Mário Melo com suas ferrenhas críticas, para evitar que o Recife continuasse a se deteriorar ainda mais na sua feição de cidade europeia, como se já não bastasse a demolição da Igreja do Corpo Santo, a fim de modernizar o porto.

Para se remodelar uma cidade velha – bem o sabemos – é necessário se deslocar algumas partes, mas no Recife não se poupou nem os templos históricos.

A marreta começou a cantar em 1952, quando para abrir o trecho da Praça da República até a Avenida Guararapes (na época ainda denominada Av. 10 de Novembro), excluiu-se primeiramente, o Pátio do Paraíso, fazendo-se desaparecer, inclusive, a Igreja do Paraíso.

Tendo a denominação antiga de Praça Barão de Lucena, derrubou-se o primeiro templo católico – a igreja – de comum acordo: Prefeitura e autoridades eclesiásticas locais – tudo para se iniciar o projeto da nova avenida.

Mas não seria esta a única demolição de templo católico na área central da cidade. Anos mais tarde viria a ser derrubado um símbolo da História da Escravidão: a Igreja dos Martírios, que fora destinada aos cidadãos pardos e pretos.

O templo foi demolido, “na marra”, em 1972, após haver motivado terrível briga entre o jornalista Mário Melo, o Prefeito Augusto Lucena e o SPHAN, demolição que ocorreu durante u’a madrugada, por máquinas de grande porte.

De prefeito em prefeito foi-se quebrando tudo quanto era edificação com o objeto de ser criada uma artéria cujo traçado se iniciava na Praça da República e se prolongaria até a Ponte de Afogados. Rasga-se-ia, em linha reta, a parte mais central da Capital: os bairros de Santo Antônio e São José até a ponte que liga esses bairros com Afogados.

Permaneceram apenas as Igrejas de Santo Antônio, a Nossa Senhora do Carmo e a Matriz de São José, esta um pouco fora do perímetro da futura avenida.

O projeto ficou empacado na Praça Sérgio Loreto; mas demoliu-se bom pedaço residencial do bairro de São José até a parte do lado esquerdo da Rua Imperial.

E depois dessa quebradeira a avenida não foi concluida. Hoje serve apenas para terminais de ônibus, ali ocorreu a construção de um monstrengo chamado “Camelódromo” e serve para desfiles de agremiações carnavalescas.

Voltemos à época em que a “Revolução de 1911” se iniciou.

Prevendo que não seria moleza ganhar uma eleição tão acidentada, onde as balas sibilaram e o Governo da Situação proibira comícios no interior, inclusive em Bom Conselho, Dantas Barreto sentiria o gosto ruim da vitória antes mesmo da posse. Ganhou de goleada e Pernambuco todo vibrou com a derrocada de Rosa e Silva.

O primeiro fato que causou grande apreensão, face à covardia do gesto, foi o despejo da Academia Pernambucana de Letras que funcionava no mesmo prédio do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano, extirpado de sua sede na Praça Major Codeceira, 27 (atual Praça Joaquim Nabuco), lançando-se todos os móveis e arquivos na rua, durante u’a madrugada, dias antes do general diplomar-se governador.

O fato foi realizado por agentes públicos que cumpriram ordens do Prefeito Arquimedes de Oliveira, durante u’a madrugada, a mando do governador rosista, Herculano Bandeira, sob a justificativa de que a Prefeitura precisava do local.

Ultrajava-se, assim, a Lei Provincial nº1.430, de maio de 1879, que doara o imóvel àquelas instituições, realizando-se ato de puro vandalismo praticado por funcionários da Prefeitura. Certamente mero despeito, porque o governador eleito era membro da Academia Brasileira de Letras, Cadeira nº 27.

Obtive parte destas notas, de assentamentos de Dilva Frazão, Fátima Quintas e do excelente livro de João Alfredo dos Anjos: “A Revolução Pernambucana de 1911”.

Finalizo estas lembranças publicando breve prosa com um taxista que me indagou:

– Eu gostaria muito de saber quem foi essa tal de Rosa e Silva, porque se trata de uma rua em que frequentemente fico engarrafado.

Deixei claro que se tratava de um homem e não de u’a mulher. Foi ilustre personagem de nossa História, que além de ter sido senador e Vice-presidente da República, foi Conselheiro do Império e influenciou a governança do Estado durante quase 20 anos, período conhecido como o tempo da “Oligarquia Rosista”.

Em favor da História maior do nosso torrão não se pode esquecer pequenos fatos periféricos ocorridos à margem dos maiores acontecimentos, porque todos fazem parte das Histórias de Pernambuco.