CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

HISTÓRIAS DE PERNAMBUCO

Conselheiro Rosa e Silva

Durante a campanha para a eleição de Dantas Barreto contra Rosa e Silva, em Pernambuco, a coisa foi terrível, pois envolveu o então brioso Exército Nacional e sua Força Auxiliar, a Brigada Militar. Isso nos dias atuais seria espantoso.

Segundo notas da historiadora Dilva Frazão o Exército dava cobertura a Dantas Barreto e a polícia estadual era fiel a Rosa e Silva. A bala cantava solta na Capital e no interior, entrando na briga os “Coronéis Civis” que dominavam as maiores cidades do agreste e do sertão.

A fase do Coronelismo se iniciou com a criação da Guarda Nacional, quando os latifundiários aliados ao governo central recebiam o título de Coronel, para que exercessem o domínio em sua região.

Mas tudo isso não foi nada. O pior viria depois.

Se o valoroso soldado Dantas Barreto pudesse ver o que aconteceu no Recife para modernizar a cidade e homenagear sua memória, dando-lhe o nome de avenida e edificando um busto de sua figura emblemática, ficaria triste.

Constataria o tremendo “quebra-quebra” de velhos monumentos, que ocorreu, a fim de abrir os caminhos para o projeto de uma das mais importantes artérias do Centro da Capital: a Avenida Dantas Barreto. E certamente ficaria entristecido

Voltemos ao ano de 1940. Lá vem o jornalista Mário Melo com suas ferrenhas críticas, para evitar que o Recife continuasse a se deteriorar ainda mais na sua feição de cidade europeia, como se já não bastasse a demolição da Igreja do Corpo Santo, a fim de modernizar o porto.

Para se remodelar uma cidade velha – bem o sabemos – é necessário se deslocar algumas partes, mas no Recife não se poupou nem os templos históricos.

A marreta começou a cantar em 1952, quando para abrir o trecho da Praça da República até a Avenida Guararapes (na época ainda denominada Av. 10 de Novembro), excluiu-se primeiramente, o Pátio do Paraíso, fazendo-se desaparecer, inclusive, a Igreja do Paraíso.

Tendo a denominação antiga de Praça Barão de Lucena, derrubou-se o primeiro templo católico – a igreja – de comum acordo: Prefeitura e autoridades eclesiásticas locais – tudo para se iniciar o projeto da nova avenida.

Mas não seria esta a única demolição de templo católico na área central da cidade. Anos mais tarde viria a ser derrubado um símbolo da História da Escravidão: a Igreja dos Martírios, que fora destinada aos cidadãos pardos e pretos.

O templo foi demolido, “na marra”, em 1972, após haver motivado terrível briga entre o jornalista Mário Melo, o Prefeito Augusto Lucena e o SPHAN, demolição que ocorreu durante u’a madrugada, por máquinas de grande porte.

De prefeito em prefeito foi-se quebrando tudo quanto era edificação com o objeto de ser criada uma artéria cujo traçado se iniciava na Praça da República e se prolongaria até a Ponte de Afogados. Rasga-se-ia, em linha reta, a parte mais central da Capital: os bairros de Santo Antônio e São José até a ponte que liga esses bairros com Afogados.

Permaneceram apenas as Igrejas de Santo Antônio, a Nossa Senhora do Carmo e a Matriz de São José, esta um pouco fora do perímetro da futura avenida.

O projeto ficou empacado na Praça Sérgio Loreto; mas demoliu-se bom pedaço residencial do bairro de São José até a parte do lado esquerdo da Rua Imperial.

E depois dessa quebradeira a avenida não foi concluida. Hoje serve apenas para terminais de ônibus, ali ocorreu a construção de um monstrengo chamado “Camelódromo” e serve para desfiles de agremiações carnavalescas.

Voltemos à época em que a “Revolução de 1911” se iniciou.

Prevendo que não seria moleza ganhar uma eleição tão acidentada, onde as balas sibilaram e o Governo da Situação proibira comícios no interior, inclusive em Bom Conselho, Dantas Barreto sentiria o gosto ruim da vitória antes mesmo da posse. Ganhou de goleada e Pernambuco todo vibrou com a derrocada de Rosa e Silva.

O primeiro fato que causou grande apreensão, face à covardia do gesto, foi o despejo da Academia Pernambucana de Letras que funcionava no mesmo prédio do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano, extirpado de sua sede na Praça Major Codeceira, 27 (atual Praça Joaquim Nabuco), lançando-se todos os móveis e arquivos na rua, durante u’a madrugada, dias antes do general diplomar-se governador.

O fato foi realizado por agentes públicos que cumpriram ordens do Prefeito Arquimedes de Oliveira, durante u’a madrugada, a mando do governador rosista, Herculano Bandeira, sob a justificativa de que a Prefeitura precisava do local.

Ultrajava-se, assim, a Lei Provincial nº1.430, de maio de 1879, que doara o imóvel àquelas instituições, realizando-se ato de puro vandalismo praticado por funcionários da Prefeitura. Certamente mero despeito, porque o governador eleito era membro da Academia Brasileira de Letras, Cadeira nº 27.

Obtive parte destas notas, de assentamentos de Dilva Frazão, Fátima Quintas e do excelente livro de João Alfredo dos Anjos: “A Revolução Pernambucana de 1911”.

Finalizo estas lembranças publicando breve prosa com um taxista que me indagou:

– Eu gostaria muito de saber quem foi essa tal de Rosa e Silva, porque se trata de uma rua em que frequentemente fico engarrafado.

Deixei claro que se tratava de um homem e não de u’a mulher. Foi ilustre personagem de nossa História, que além de ter sido senador e Vice-presidente da República, foi Conselheiro do Império e influenciou a governança do Estado durante quase 20 anos, período conhecido como o tempo da “Oligarquia Rosista”.

Em favor da História maior do nosso torrão não se pode esquecer pequenos fatos periféricos ocorridos à margem dos maiores acontecimentos, porque todos fazem parte das Histórias de Pernambuco.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

A EPOPÉIA DANTISTA

Meu avô era um estrategista político e aproveitava até um arranhão de bala no braço esquerdo para render votos.

Mas o tiro foi apontado para o coração. Teve sorte.

Depois de uma revolução armada, recolhidos os destroços e avaliados os danos, historiadores saem à procura dos pequenos acontecimentos que fizeram parte da vitória, da derrota e das tragédias que ficaram anônimas no teatro dos acontecimentos.

Quem chega ao começo da Avenida Dantas Barreto, no Recife, e se depara com o busto do Marechal Emygdio Dantas Barreto, mal pode imaginar as histórias que fazem parte da vida do menino nascido no povoado de Papacaça, (nome que nos tempo remotos teria se chamado Capa-caça), atual município de Bom Conselho.

Mas, antes de me referir ao menino que se alistou no “Batalhão 34 Descalço”, ainda com 15 anos, como um dos chamados Voluntários da Pátria, a fim de defender o Brasil durante a Guerra do Paraguai, passo à uma pequena parte da história, a qual envolve meu avô paterno.

João Pacífico Ferreira dos Santos, fez parte da Campanha Dantista que derrubou a oligarquia de Rosa e Silva (Francisco de Assis da Rosa e Silva) e hoje a família tem a honra de ver sua memória perpetuada com nome de uma das artérias do bairro do Paissandu: a Rua Pacífico dos Santos.

Num dos seus discursos mais inflamados, proferidos da varanda do Diário de Pernambuco – quando advogado e jornalista – estimulando o povo a derrubar o governo que já se perpetuava há quase 20 anos, sofreu um atentado à bala, ao pronunciar a frase final de sua oração:

O homem que vende seu voto é capaz de negociar a honra da própria esposa e queridas filhas.

Naquele momento de muitas palmas e vibração ocorre a tragédia. Ouve-se o estampido. A bala da espingarda raspou-lhe o braço esquerdo e logo se iniciou infernal tumulto.

Meu avô, que com Joaquim Nabuco e tantos outros estudantes de Direito havia participado ativamente da derrubada da escravatura em Pernambuco, proferindo discursos no Teatro Santa Izabel e assinando artigos nos jornais, tombara ensanguentado. Mais de susto do que de sangue, segundo os opositores.

O que sei, sobre pequenos acontecimentos dessa Campanha, foram episódios pitorescos presenciados por meu pai. Companheiros levaram o doente, já medicado, até sua casa, na Rua do Serigado, em São José, onde através de D. Conceição – minha avó – recebeu cuidados e carinhos da família, além de uma dezena de escrachos pela participação em política, coisa que ela não apreciava.

No dia seguinte apareceu o médico, Dr. Aborígenes Melo, contratado pelo General Dantas Barreto, para ver o “estrago” no cidadão e recomendou apenas trocar o curativo e evitar esforços físicos. Logo cedo, após os jornais noticiarem, começou a fila para as visitas ao “mártir”.

No tempo em que o Recife era uma cidade bucólica, u’a manchete de jornal anunciando a “desgraceira”, seria o suficiente para a residência do vitimado permanecer cheia de vizinhos, parentes, amigos e correligionários:

ATENTADO NA CAMPANHA
JORNALISTA PACÍFICO DOS SANTOS ALVEJADO
DURANTE COMÍCIO PRÓ-DANTAS BARRETO.

João Pacífico recebeu de seus contratantes a autorização para licenciar-se por uma semana.

Decorridos três dias do nefasto acontecimento e vendo que meu avô já estaria em condições de retornar às atividades profissionais, D. Conceição exclamou carinhosamente:

– Pacífico, o “dodói” já sarou, meu filho. Pode voltar ao trabalho!

E eis que o veterano estrategista político retrucou:

– Minha filha, esse tiro e seus efeitos, ainda podem valer muitos votos! Enquanto eu estiver convalescendo em casa e recebendo visitas, irei captar simpatias e eleitores indecisos!

No final da contenda, Dantas Barreto ganhou as eleições com os votos da “poeira”, o povo simples das ruas e do Interior, que já não suportavam mais a oligarquia de Rosa e Silva. Mas, para isso, foi preciso se empreender encarniçada luta eleitoral, que alguns chamaram de: Epopéia Dantista.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

RIO – CIDADE DOS ENCANTOS

Falar sobre o Rio de Janeiro enfocando o prisma do ineditismo é muito difícil, porque esse tema já foi abordado em centenas de produções, tanto na literatura, em filmes em palestras, quanto em vozes e pautas musicais.

Para se escrever sobre uma cidade tão embelezada por terra, céu, mar e montanhas me sugeriram relembrar momentos especiais, narrando fatos singulares de nossas próprias vidas. E muitos assim já o fizeram.

A cidade tem uma espécie de invisível imã que atrai as pessoas. E não é só a cidade, é igualmente o povo, sendo este o atrativo mais forte.

Conheci o Rio quando era a capital do Brasil. Eu contava 14 anos; exatamente a época em que tudo comigo acontecia pela primeira vez.

Utilizei as primeiras férias como funcionário do então City Bank, quando era “office-boy”; fiz estreia nos ares quando voei num Douglas DC-3 da Aerovias Brasil e conheci o primeiro aeroporto comercial: o Santos Dumont.

Conheci a primeira hospedaria de luxo: o Grande Hotel OK, na Rua Senador Dantas. Naveguei pela primeira vez na Barca da Cantareira, durante um passeio que fiz a Niterói.

Apresentei-me como ator no Teatro Regina, durante a primeira excursão que fiz com o Teatro de Amadores de Pernambuco.

E como tantos visitantes que naquela cidade aportavam, fui conhecendo o Pão de Açúcar, o Cristo do Corcovado, as barcas de Niterói, a Vista Chinesa e o Palácio Monroe. Encantei-me com as pequenas lojas da Rua da Quitanda.

De volta, papai solicitou minhas impressões sobre a Capital do Brasil e ficamos horas conversando:

– Uma cidade enorme, meu pai! Muitos carros pelas ruas e outros tantos ficam guardados nos prédios porque não há vagas para todos. Muita gente possui telefones. Há muitas mulheres desquitadas e outras recasadas.

Há ônibus interbairros; as pessoas vão ao comércio e aos Bancos de short e chinelos, ou seja, sem roupas formais. Encantei-me com as notáveis lojas-de-departamentos: Sears, Americanas e a Mesbla.

E como tudo havia sido alumbramento a “Cidade Maravilhosa” permaneceria por muito tempo em meus pensamentos, como se ali eu tivesse nascido.

Na escola, na volta, o Prof. Miguel Jasseli me encabulou quando me fez proferir comentários para os alunos, sobre as maravilhas que vi durante a viagem. Foi minha primeira conferência.

Adotar o Rio de Janeiro para sempre, portanto, não foi difícil porque muitos parentes meus já haviam se estabelecido naquele lugar e nos anos que se seguiram, voltei muitas vezes.

A principal característica do Rio, naqueles anos, era a maneira das pessoas acolherem os visitantes. Isto foi o mais encantador. Ao correr dos anos senti que permanecendo fascinando, adotei a cidade como aquela que eu amava tanto quanto o meu bucólico Recife.

Decorridos mais de 70 anos desse alumbramento o Rio não perde para ninguém e continua a ser: “A cidade dos meus encantos”.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

HENRIQUE PONGETTI – MARCA INDELÉVEL

Meu tio Paulo Afonso Lins dos Santos residia no bairro do Prado, no Recife, e sendo intelectual, atraia pessoas cultas para boas conversas no alpendre de sua casa, aos sábados.

Num desses encontros, lá pelos meses de 1952, quando eu tinha 16 anos, presenteou-me com a 1ª. edição da Revista “Manchete, de Adolpho Bloch. Era uma publicação que aparecia para concorrer com “O Cruzeiro”, de Assis Chateaubriand, publicação que logo se tornou a 2ª. do País.

Do plantel da Redação de Manchete estavam os intelectuais: Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Manuel Bandeira, Paulo Mendes Campos, Henrique Pongetti, Fernando Sabino, David Nasser, Nelson Rodrigues, entre outros.

O estilo de Pongetti logo me empolgou e, por isso, passei a ser leitor permanente de “Manchete”, sobremodo porque tio Paulo me emprestava os volumes lidos, pois estava formando uma coleção daquelas revistas.

Não tive o privilégio de conhecer o autor, mas segui seu estilo de crônicas, que comentavam temas da cidade do Rio de Janeiro. O cronista chamava a atenção por seus notáveis títulos:

“O rio que mora no mar.”

Não poderia descrever melhor sobre uma cidade que morava à beira mar. E sabendo-se que o próprio mar que lhe cerca à a extensão de sua área territorial; logo, também é o mar. Então muito própria foi a frase: O rio que mora no mar.

Em uma descrição em que enfocava determinado assunto saiu com esta:

“O Jogo do Bicho se enraizou na alma popular.”

Nem precisa comentar, porque aí estão as “Telecenas”, o “Baú da Felicidade” e vários outros sorteios que fazemos por via eletrônica.

Antes de ingressar nas páginas da Manchete, Pongetti tinha uma coluna permanente no jornal “O Globo”: “Show da Cidade”. Numa entrevista afirmou que o Rio de Janeiro e sua vida mundana eram verdadeiramente um show.

Assim, passei a estudar cada crônica e botar minha imaginação para funcionar, procurando títulos expressivos a fim de atrair o leitor; e lá adiante, no texto, focar uma frase qualquer capaz de lhe despertar atenção.

Notas do pesquisador Bruno Leal de Carvalhio informam que Henrique Feltrini Pongetti nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 18 de janeiro de 1898. Intelectual completo, foi dramaturgo, cronista, roteirista de Cinema e jornalista. Escreveu a peça teatral “Baile de Máscaras“, juntamente com o amigo escritor e jornalista Luis Martins.

Recebeu da Academia Brasileira de Letras o título de: “Príncipe dos Cronistas Brasileiros”. Faleceu no Rio de Janeiro, aos 81 anos, em 09 de setembro de 1979.

Pongetti deixou para mim – como leitor anônimo – uma herança: a marca indelével de ter aprendido a escrever me aproximando do seu notável estilo de cronicar.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

MALDITA TAMANCADA

Rio Capibaribe. Foto de Tarcizo Leite de Vasconcelos

Na foto vemos um momento raro em que o Rio Capibaribe se encontra com as águas do mar e interrompe sua trajetória, tornando-se, por algum tempo com aspecto de um lago; completamente sem movimentação.

A imagem apresenta o rio dividindo os bairros da Torre com as Graças.

Poucas vezes é possível se observar um momento como esse, mas o artista da fotografia, que geralmente tem olhos de águia, sabe clicar no exato momento do encontro das águas, obtendo um flagrante de raro deslumbramento artístico.

O Recife tem paisagens que somente os artistas sabem apreciar e os fotógrafos – como Tarcizo Leite de Vasconcelos – estão valorizando, notadamente aquelas imagens que dão ênfase a locais de uma cidade que se amplia para o alto, preservando seu principal rio e suas margens.

Não posso apreciar esse espelho d’água sem voltar o pensamento para a infância, tempo em que morei às margens desse mesmo rio, do lado de Afogados. Ali era a minha praia.

Já me referi aos tempos em que nadava de Afogados para as terras do inglês James Cook, atravessando o rio de u’a margem até a outra, região atualmente conhecida como Coque.

Mas esses treinos de natação me custaram caro porque, tendo apenas 12 anos, levei muito castigo, sob a ação da palmatória. E, num certo dia, por haver escondido dias antes o tal objeto para castigos mais severos que mamãe aplicava, ela ficou tão raivosa que pegou um tamanco e me aplicou uma inesperada sova.

De nada adiantou eu haver escondido a palmatória!

Virei gente e aprendi a respeitá-la sem infringir seus métodos. Jamais esquecerei, contudo, aquela maldita “tamancada”.

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PROFESSOR PROCESSADO?

Juiz Eliezer Siqueira de Sousa Junior

Peço licença aos meus generosos leitores para sair um pouco das finalidades de nossas crônicas, a fim de aplaudir a atitude de um Juiz, que transformou em verdadeiro símbolo a decisão sobre um processo sofrido por um professor, por ele julgado, porque se refere a uma história real e a divulgação serve como exemplo.

Infelizmente não tenho referência sobre a nota jornalística que ora transcrevo, todavia, se dela tomar conhecimento, terei o prazer de publicar. Os termos do magistrado estão publicados com exatidão e entre aspas.

ALUNO QUE PROCESSOU PROFESSOR POR TER TOMADO CELULAR EM SALA DE AULA PERDE CAUSA NA JUSTICA!

O juiz Eliezer Siqueira de Sousa Junior, da 1ª Vara Cível e Criminal de Tobias Barreto, interior do Sergipe, julgou improcedente um pedido de indenização que um aluno pleiteava contra o professor que tomou seu celular em sala de aula.

De acordo com os autos, o educador recolheu o celular do aluno, pois este estava ouvindo música utilizando fones de ouvido durante a aula.

O estudante foi representado por sua mãe, que pleiteou Reparação por Danos Morais, diante do seguinte argumento: “Sentimento de impotência, revolta, além de um enorme desgaste físico e emocional sofrido por seu filho”.

Na negativa, o juiz afirmou:

“O professor é o indivíduo vocacionado a tirar outro indivíduo das trevas da ignorância, da escuridão, para encaminhá-lo às luzes do conhecimento, dignificando-o como pessoa que pensa e existe”.

O magistrado se solidarizou com o professor e escreveu: “Ensinar é um sacerdócio e uma recompensa. Hoje, entretanto, parece um carma”.

Dr. Eliezer Siqueira ainda considerou que o aluno descumpriu uma norma do Conselho Municipal de Educação, que impede a utilização de celulares durante o horário de aula, além de desobedecer, reiteradamente, a orientação do professor.

Ainda considerou que não houve abalo moral, já que o estudante não utiliza o celular para trabalhar, estudar ou exercer qualquer outra atividade edificante.

E declarou:

“Julgar procedente esta demanda, é desferir uma bofetada na reserva moral e educacional de educadores, ensinando falsos valores e implodindo a Educação brasileira”.

Por fim, Dr. Eliezer ainda faz uma homenagem ao professor, acrescentando que esse profissional é o mais autêntico dos heróis nacionais:

“No país que virou as costas para a Educação e que faz apologia ao hedonismo, que é cada uma das doutrinas que concordam na determinação do prazer como o “bem supremo” e inconsequente, através de tantos expedientes alienantes, reverencio o verdadeiro Herói Nacional.

O professor enfrenta todas as intempéries para exercer seu ‘dever obrigatório como indivíduo, com altivez de caráter e senso sacerdotal.”

Dr. Eliezer Siqueira de Sousa Júnior, é natural de Vitória, ES.. Atualmente é juiz de direito do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe. Já exerceu as funções de oficial de justiça, advogado, assessor parlamentar e defensor público no Espirito Santo.

Atuou como ouvidor da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Espírito Santo. Foi professor universitário, aprovado em segundo lugar no concurso público da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), para o cargo de professor.

O fato tem a máxima significação moral nos dias atuais porque ilumina caminhos, divulga a atitude de um magistrado e aponta para a defesa dos mestres, fortalecendo suas atitudes dentro das salas de aula.

Acima de tudo porque professores não podem ser processados quando defendem as normas dos Conselhos Municipais de Educação.

Professor processado? Jamais!…

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

APOSENTADORIA E MALANDRARIA

O cantor Boaventura Bonfim, Camila e Cibele

Quando trabalhamos em certas empresas, onde temos o privilégio de permanecer por longos anos, sempre nos vem à mente o dia da aposentadoria.

Éramos jovens trabalhadores e já ouvíamos os mais antigos falando constantemente nesse dia. A data sempre surgia à nossa mente como se fôra um zumbido nos ouvidos, pois se tratava, na verdade, de um patamar triunfal. O pódio da profissão!

Eis, porém, que nem sempre nos preparamos de verdade para a aposentadoria, embora os principais pensamentos sejam realizar várias opções: ter tempo para viajar, montar um negócio ou mesmo não fazer plano algum: “Deixar a vida nos levar”, como diz o Zeca Pagodinho.

Os anos foram passando e muitos de nós que permaneceram em funções importantes – como os magistrados, por exemplo – tiveram seu dia de triunfar; ou seja, chegar à aposentadoria plenamente saudáveis.

Primeiramente alguns profissionais que conheço me disseram que logo nos primeiros dias de malandreiragem se sentiram aliviados pois se livraram dos fardos da responsabilidade diária.

Mas, aí vem aquela coisa de pensar que perdendo a “patente” não se sente mais nada. Um choque, portanto, será a readaptação a um novo estilo de vida. E esse novo anseio chega na sequência dos dias da “liberdade”.

Livre da obrigação de tantos anos começa-se o tiranete da busca de alguma coisa para fazer, pois não é fácil um aposentado – por exemplo: um Juiz de Direito, um oficial de Marinha, arranjar uma atividade rendosa e que para exercê-la se exija apenas meio expediente.

E ficam bom tempo a pensar: “Ser escravo depois de uma carreira tão expressiva, Deus me livre! ”

Um caso típico apresento como exemplo. Tenho um amigo correspondente, ilustre cidadão residente em Fortaleza, com quem quase todos os dias me comunico pela internet, Dr. Boaventura Bonfim, atento leitor desta gazeta do famoso Luiz Berto.

Boaventura tornou-se um caso raro de adaptação a outra atividade, mesmo que não remunerada, mas representa algo que lhe dá gosto incomum: a arte de cantar e de pronunciar conferências sobre vários temas filosóficos e de autoajuda.

Notei, por algumas despretensiosas remessas de suas artes, que ele está desenvolvendo intensa atividades, depois de aposentado. Embora não sendo rendosas, atendem aos seus anseios juvenis mais significativos, uma delas o desejo de um dia vir a ser cantor, independentemente de ter sido identificado como um John Lennon, na juventude.

Equipou-se, para ser, no caso do canto e das palestras, um Influenciador. Tanto que adquiriu microfone e demais apetrechos de cena, e tem preparado bons programas, todos cheios de graça, pois se apresenta, às vezes, com as encantadoras filhas Camila e Cibele.

Aprendeu a fazer a mágica de poder cantar com “orquestras invisíveis”, cujos sons saem de pequena geringonça que coloca discretamente em cima da mesa do estúdio, de onde saem os sons instrumentais, mostrando que seus acompanhantes são de especial categoria. E exibe o macete para seu público.

Já pensou, caro leitor, você cantando no chuveiro sob acompanhamento da Orquestra Cassino de Sevilha, apenas por conta de minúsculo aparelhinho, que funciona como Play Back?

Dá gosto apreciar-se um ex-Desembargador dominar os sons mais emocionantes de inesquecíveis músicas, interpretadas em espanhol; as belas canções dos saudosos Pero Vargas, Lucho Gatica ou Carlos Gardel.

Todavia, tais programas, mesmo sob a égide do amadorismo, merecem se expandir pelas ondas hertzianas, mundo afora, para gaudio de gentes das “Oropa, França e Bahia”, como nos disse o amado Jorge.

Um sujeito de sorte, Dr. Boaventura Bonfim, porque está conseguindo desenvolver, principalmente, a atividade artística que ficou encastoada em sua alma durante tantos anos de intenso trabalho com as leis!

O cantor e sua esposa Edvanda

Agora solta no ar seu canto. Não pode imaginar até onde irá chegar sua voz. Não solicita nem ao menos um magro Pix por suas apresentações.

Recebe sim, uma paga especial: a remuneração em moeda cujo valor nem é capaz de avaliar: a realização de seus sonhos, aqueles inesquecíveis momentos da época em que se apresentava em Crateús, sua cidade natal, como um dos participantes do conjunto “Os Diamantes”.

Como seguidor do futuro “Canal Boaventura”, terei a iniciativa de começar a divulgar suas atividades, para amigos pernambucanos que residem na América do Norte. Seu canto vai ser ouvido por pessoas em Las Vegas, Phoenix, Dallas, San Francisco, Utah e vários lugares do Brasil onde as imagens deste jornal chegam.

O que mais desejo é vê-lo vitorioso nessa atividade pós-aposentadoria. Afinal não é moleza o cidadão se aposentar e ficar a malandrear. Que se torne um cantor de fama é o que peço a Deus, para que jamais venha a ser chamado de malandreante.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

OS ROMANCES HISTÓRICOS

Luiz Berto, romancista e editor do JBF

Confesso que nunca fui habituado à leitura de romances. Embora reconheça ser o ramo da literatura que mais exige competência do artista das letras, pois, cria a história detalhando em diálogos atraentes as passagens de cada ato, com muitos fatos inspirados na História real. Acima de tudo desperta no leitor o desejo de se aprofundar em acontecimentos ali sugeridos pela mente do criador.

No romance-histórico: “Memorial do Mundo Novo”, de autoria de Luiz Berto e publicado pela Editora Bagaço, fui despertado pelo desejo de me aprofundar na História do Descobrimento do Brasil, como o fiz no romance: “A Vida em Flor de Dona Beja”, onde com muita classe, Dr. Agripa Ulysses de Vasconcelos transmitiu aos leitores partes importantes da História de Minas Gerais.

Outro livro, quase romanceado, editado em 1625, que me conduziu também ao desejo de me enfronhar mais em nossa História, foi “Diário de um Soldado”, escrito por Ambrósio Richshofer, marinheiro da esquadra da Cia. das Índias Ocidentais, empresa que invadiu o Brasil e aqui permaneceu durante cerca de 20 anos, época em que se realizaram lutas e aconteceram fatos da maior significação na instituição do Exército brasileiro, fato conhecido historicamente como: “A Restauração Pernambucana.”

No livro de Richshofer não fiquei sabendo apenas de ocorrências durante a longa viagem dos invasores, que se deslocaram dos Países Baixos até Pau Amarelo, mas bem descreveu ele o clima de terror que imperava em alguns atos de barbarismos nos dias daquela guerra que culminou com a expulsão dos holandeses. Naquelas folhas observei que o autor crivou de verdades as ocorrências, mas deve ter, também, romanceado algumas cenas, para atrair os leitores.

Outro romance-histórico que se fez famoso a partir de 2004, foi: “Dona Anna Paes”, da escritora Thelma Bittencourt de Vasconcelos, focalizando momentos daquela que foi esposa do holandês Charles de Tourlon, comentando verdades a partir da recepção oferecida a Nassau, logo à sua chegada, na Rua do Bode. A romancista manteve o leitor sob forte atração por ter sabido reunir fatos históricos com uma ficção envolvente, sobremodo descrevendo casos de amor que de fato ocorreram.

Geralmente o romancista tem o mérito de ativar o interesse pela história. Eu mesmo, que já li muitos livros sobre o tema, entretanto, somente no romance de Luiz Berto, fui despertado para o personagem Diogo de Paiva, ali citado nada menos que 63 vezes. Tal trabalho me despertou interesse em mergulhar nos arquivos da Torre do Tombo, em Portugal, para verificar outras verdades daqueles tempos de conquistas.

O romance-histórico “Memorial do Mundo Novo”, cujas 293 páginas acabei de ler e sublinhar, empolga, acima de tudo, pelo estilo escorreito da narrativa; sobremodo, porque desperta a necessidade de se ampliar o conhecimento, de tão importante tema, nas escolas fundamentais, trazendo, com certa amplitude, tais fatos históricos.

Luiz Berto foi mais longe: focalizou, nas primeiras 16 páginas de seu romance, o descobridor do Brasil, Vicente Iañez Pinzon, herói que até então permanecia desconhecido, pois sempre se ensinou nas escolas, que o descobridor fora Pedro Álvares Cabral.

Temos assim a certeza de que os romancistas sabem despertar o interesse pela História verdadeira através dos caminhos da ficção.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

SÉRGIO LOUREIRO – O AMIGO Nº 1

Dos 32 livros que já escrevi, notadamente os biográficos, 5 não foram publicados, por motivos vários. Via de regra porque os clientes contratantes, nas épocas, apresentaram respeitáveis razões. Assim, meus personagens ficaram no arquivo.

Todavia, chegando a uma idade de vida avançada, resolvi produzi-los, mesmo que em pequenas tiragens e de acordo com minhas disponibilidades, porque os personagens ali enfocados não poderiam permanecer no esquecimento.

Com tal iniciativa desejo apenas entregá-los a algumas bibliotecas e à FUNDAJ – Fundação Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, que será a guardiã de meu acervo.

Mas, antes mesmo que as pequenas tiragens ocorram resolvi publicar, em crônicas, algumas partes de cada uma dessas biografias, por se tratar de temas ligados a personalidades importantes da vida do Recife e de minha própria vida, fatos que não devem ficar engavetados.

Esta crônica, porém, é outro caso, porque o livro ainda está em elaboração.

Não é fácil resumir em crônica um livro, mesmo correndo o risco de estar publicando apenas um breve currículo de cada um. Mas o que me importa é não deixá-los esquecidos.

Quem é esse meu Amigo Nº 1 e qual a razão do título?

Bem, ao longo dos anos vividos, a gente vai organizando uma espécie de ranking cujos nomes vão se sucedendo no pódio à medida em que muitos viajam para o Grande Oriente.

Nos anos atuais Sérgio Dias Cesar Loureiro está na primeiríssima posição e apresento provas com robustas razões.

Primeiramente porque se trata de amizade firmada há mais de 60 anos, pois fomos funcionários do Banco do Brasil e nos aproximou ainda mais o fato de haver sido Jarbas Cesar Loureiro – seu pai – meu chefe na CACEX.

Sérgio Loureiro galgou degraus na vida com muito estudo e trabalho: diplomou-se em Administração de Empresas e Engenharia Civil; concursou-se e ingressou no Banco do Brasil, onde permaneceu até aposentar-se.

Fundou a empresa Construtora Ferlou Ltda., com seu colega José Elpídio Ferraz. Anos depois comprou a Planta – Planejamento Técnico de Ajardinamento Ltda., onde trabalhou até aposentar-se definitivamente.

A trajetória foi intensa. Aos 28 anos assumiu a presidência da Associação Atlética Banco do Brasil, ocupando o cargo durante, alternadamente, 16 anos, 12 dos quais estive com ele, como diretor, em época que criamos a Revista AABB e o Memorial, publicamos o livro do Cinquentenário e a biografia de um dos fundadores da associação, o compositor Capiba.

A partir desse convívio social, ideias afins e tantas lutas eleitorais, ficamos amigos-irmãos.

Das realizações como Presidente, além das iniciativas esportivas, sociais e culturais, fez algo inédito: criou um grupo de teatro com a “prata da casa” e realizou vários espetáculos na própria sede e no Teatro do Parque, quando o grupo se tornou profissional.

Poderá se vangloriar de haver adquirido, para o Clube, um imóvel, no Sítio dos Moreira, que ampliou o conforto dos associados, permitindo a construção de amplo estacionamento para veículos.

Com recursos da Associação construiu um Restaurante, um espaço para festas menores: a Cabana, o Ginásio de Esportes, uma biblioteca infantil e um prédio de três pavimentos: o Centro Esportivo, que tem seu nome.

O “Capibão”, boneco-gigante que se tornou um dos símbolos do carnaval do Recife, foi uma de suas realizações; isto sem falar num Parque de Diversões que funcionou durante uma semana, inclusive com Roda-gigante, Pula-pula e Autopista.

Por 16 anos como Presidente e tantas iniciativas, foi agraciado com o título de Benemérito. E com o correr dos anos trabalhando para realizar algumas dessas iniciativas muito nos aproximamos.

E, chegado o tempo de nossas velhices, todos os dias nos telefonamos. É uma espécie de ritual. Na maioria das vezes até sem motivo especial. Apenas para saber como vão nossas saúdes ou para atualizar os assuntos gerais.

Sou um homem muito feliz, afinal, tenho 4 filhos, 12 netos e 11 bisnetos, mas Deus não me deu um irmão físico. Por isso elegi Sérgio Loureiro mais do que um irmão: o Amigo nº 1.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

NEY MARANHÃO – UM PIONEIRO

Em dias de março de 1970 compareci ao Grande Hotel, no Recife, a fim de realizar uma entrevista com o Senador Ney de Albuquerque Maranhão, sobre o comércio Brasil-China. Ouvi daquele parlamentar uma descrição pormenorizada das vantagens de nosso país ter um vínculo mais aproximado com aquela nação.

Fazia ele uma cruzada por vários estados divulgando o tema. Tornara-se uma espécie de Bandeirante, no momento em que a partir dos anos 70, nossos países iniciaram relações diplomáticas, durante o Governo Geisel.

Após os flashes, o fotógrafo Diógenes Montenegro foi dispensado, e concluída uma parte principal do assunto, o Senador notou que eu apreciava a literatura e os conceitos filosofais daquele povo, oportunidade em que passamos bom tempo conversando sobre os modos de viver daquela tão antiga civilização e literatura em geral.

Depois de falar sobre Confúcio, o maior pensador chinês, que viveu 300 anos antes de Jesus Cristo, lembro-me que ele tirou do bolso um papel com anotações e me deu de lembrança. Dias depois que a reportagem foi publicada me passou um telegrama agradecendo.

E recordando aquele expressivo momento, publico alguns conceitos que ele me passou: Lembre-se de cavar o poço bem antes de sentir sede; Procure acender uma vela em vez de amaldiçoar a escuridão.

Mas isso era na China tradicional e não nos tempos atuais em que muita coisa ali ficou revirada, em termos de comportamentos, tal a influência da civilização ocidental e devastadoras ações políticas que sob o chicote de tiranos alteraram milenares conceitos.

Tudo muito bonitinho estaria hoje se os gestores da China estivessem obedecendo as regrinhas básicas, mantendo as antigas tradições. Todavia, após os impérios vieram as ditaduras e aquele povo, em sua maioria, mudou seus rumos de vida e seu jeito de ser, ocidentalizando-se e desejando ser a maior potência mundial.

Meu entrevistado naquele dia, entretanto, se concentrou em defender com grande entusiasmo, a aproximação do comércio entre as duas nações, considerando que o crescimento da população chinesa viria dar oportunidade à pecuária e à agricultura brasileira.

Hoje, nosso país registra excelentes laços diplomáticos e o panorama de amizade entre os povos se iniciou sendo historicamente caracterizado por operações comerciais em diversas áreas.

A China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil e nós somos importante fornecedor de commodities para aquele país. Nessa história me orgulho de haver contribuído com pequeníssima participação, exercendo o papel de jornalista.

Ney Maranhão foi um visionário por desenvolver um magnífico trabalho de aproximação comercial entre a China e o Brasil, há mais de 50 anos.

Era um pernambucano autêntico; inclusive na maneira de calçar e vestir. Mesmo em oportunidades de reuniões formais no Senado Federal não dispensava seus ternos de linho branco e as alpercatas de couro.

Ficou conhecido como um dos pioneiros na defesa constante do estreitamento das relações diplomáticas e o estímulo ao comércio entre as duas nações.

Foi um político de fibra. Marcou sua passagem como homem público de grande valor, durante tantas legislaturas que exerceu. Em 1993, como Senador, foi agraciado pelo Presidente Itamar Franco com a Ordem do Mérito Militar, no grau de Comendador.

Faleceu no Recife aos 11 de abril de 2016, com 88 anos de idade. Pernambuco lhe tributou honras após o falecimento, denominando um trecho da BR 232, que liga o interior à cidade de Moreno, seu torrão natal, com o nome de Rodovia Senador Ney Maranhão, por proposta do Deputado Eriberto Medeiros.

Meu entrevistado foi cinco vezes Deputado Estadual, tendo presidido a Assembleia Legislativa de Pernambuco e assumido, interinamente, o Governo do Estado. Iniciou sua carreira política como Prefeito de Moreno, eleito em 1951. Em outubro de 1954 elegeu-se deputado federal. Integrou também a Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara dos Deputados.

Ney Maranhão será lembrado como um homem público valente, autêntico, destemido, idealista leal e será lembrado por preservar suas raízes. Foi, de fato, um pioneiro nas relações comerciais Brasil-China.