CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

Luiz Berto, romancista e editor do JBF

Confesso que nunca fui habituado à leitura de romances. Embora reconheça ser o ramo da literatura que mais exige competência do artista das letras, pois, cria a história detalhando em diálogos atraentes as passagens de cada ato, com muitos fatos inspirados na História real. Acima de tudo desperta no leitor o desejo de se aprofundar em acontecimentos ali sugeridos pela mente do criador.

No romance-histórico: “Memorial do Mundo Novo”, de autoria de Luiz Berto e publicado pela Editora Bagaço, fui despertado pelo desejo de me aprofundar na História do Descobrimento do Brasil, como o fiz no romance: “A Vida em Flor de Dona Beja”, onde com muita classe, Dr. Agripa Ulysses de Vasconcelos transmitiu aos leitores partes importantes da História de Minas Gerais.

Outro livro, quase romanceado, editado em 1625, que me conduziu também ao desejo de me enfronhar mais em nossa História, foi “Diário de um Soldado”, escrito por Ambrósio Richshofer, marinheiro da esquadra da Cia. das Índias Ocidentais, empresa que invadiu o Brasil e aqui permaneceu durante cerca de 20 anos, época em que se realizaram lutas e aconteceram fatos da maior significação na instituição do Exército brasileiro, fato conhecido historicamente como: “A Restauração Pernambucana.”

No livro de Richshofer não fiquei sabendo apenas de ocorrências durante a longa viagem dos invasores, que se deslocaram dos Países Baixos até Pau Amarelo, mas bem descreveu ele o clima de terror que imperava em alguns atos de barbarismos nos dias daquela guerra que culminou com a expulsão dos holandeses. Naquelas folhas observei que o autor crivou de verdades as ocorrências, mas deve ter, também, romanceado algumas cenas, para atrair os leitores.

Outro romance-histórico que se fez famoso a partir de 2004, foi: “Dona Anna Paes”, da escritora Thelma Bittencourt de Vasconcelos, focalizando momentos daquela que foi esposa do holandês Charles de Tourlon, comentando verdades a partir da recepção oferecida a Nassau, logo à sua chegada, na Rua do Bode. A romancista manteve o leitor sob forte atração por ter sabido reunir fatos históricos com uma ficção envolvente, sobremodo descrevendo casos de amor que de fato ocorreram.

Geralmente o romancista tem o mérito de ativar o interesse pela história. Eu mesmo, que já li muitos livros sobre o tema, entretanto, somente no romance de Luiz Berto, fui despertado para o personagem Diogo de Paiva, ali citado nada menos que 63 vezes. Tal trabalho me despertou interesse em mergulhar nos arquivos da Torre do Tombo, em Portugal, para verificar outras verdades daqueles tempos de conquistas.

O romance-histórico “Memorial do Mundo Novo”, cujas 293 páginas acabei de ler e sublinhar, empolga, acima de tudo, pelo estilo escorreito da narrativa; sobremodo, porque desperta a necessidade de se ampliar o conhecimento, de tão importante tema, nas escolas fundamentais, trazendo, com certa amplitude, tais fatos históricos.

Luiz Berto foi mais longe: focalizou, nas primeiras 16 páginas de seu romance, o descobridor do Brasil, Vicente Iañez Pinzon, herói que até então permanecia desconhecido, pois sempre se ensinou nas escolas, que o descobridor fora Pedro Álvares Cabral.

Temos assim a certeza de que os romancistas sabem despertar o interesse pela História verdadeira através dos caminhos da ficção.

2 pensou em “OS ROMANCES HISTÓRICOS

  1. Esse livro é tão bom que li e reli e aconselhei aos meus netos
    sua leitura.

    É muito importante àqueles que desejam saber a verdadeira história do Brasil

    Obrigado Berto pelos seus livros maravilhosos.
    Abraços

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